Viagem Família______________________________________

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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Litoral de São Paulo - São Vicente e Santos

Nosso adesivo no mural do Hotel do Mosteiro em São Vicente-SP.
       Acordar cedo já estamos acostumados e dessa forma podemos aproveitar bem melhor o dia para conhecer o local onde estamos.
      Como fizemos o acordo de não ter café da manhã incluído no pernoite, acabamos por lanchar nosso café da manhã particular com sucos de frutas, achocolatado e sanduíches no quarto com o maior cuidado para não sujar nada.
      Ainda aproveitamos o patio do Hotel para tirar o pó que estava no Garça, resultado das estradas não pavimentadas que percorremos ontem. Depois de mais um bom papo com os funcionários do Hotel Mosteiro, fizemos um tour pelas suas dependências. Ampla área com todas as opções. Piscina, sala de musculação, jogos, aquário, capela e o mais interessante é um museu localizado nas dependências que originalmente eram o Mosteiro. Este hotel foi erguido no Morro dos Barbosas, ponto de referência da cidade.
       Queremos agradecer de público a hospitalidade de todo staff do Hotel Chácara Mosteiro e principalmente do Sr. Nery e sua esposa Shirley pela cordialidade e amizade com que fomos recebidos. Gente assim faz valer as nossas viagens. Recomendamos esse Hotel para todos que venham visitar a cidade de São Vicente.(www.hotelchacaradomosteiro.com.br)
 
Lavando o Garça
Sr. Nery nos explicando detalhes do Museu do Mosteiro no Hotel.
       A história do Hotel Chácara Mosteiro se mistura com a história do Descobrimento do Brasil. Já em 1506 nesse local foi implementada a primeira fazenda do Brasil. Outros títulos como a 1ª Vinícola do Brasil em 1508, o 1º Engenho de Cachaça Artesanal, a 1ª Encenação teatral acontecida em território brasileiro também aconteceu aqui, além de as edificações originais terem hospedado figuras ilustres como o navegador Américo Vespúcio, Martin Afonso de Souza, Padre José de Anchieta, Jânio Quadros, D. Pedro II, Wenceslau Brás e até o Papa Pio XII entre outras personalidades.
      As dependências do Hotel também serviram de hospedagem a oficiais nazistas que durante a II Guerra ficaram enviando informações que por aqui coletavam. Diversas histórias ouvimos sobre essas personalidades obscuras que ficaram hospedadas nas dependências do hotel, histórias que aguçam ainda mais a curiosidade e mistificam a história do lugar.  Enfim, visitar o Museu do Hotel Chácara Mosteiro é quase obrigatório para quem vem visitar a cidade de São Vicente.
Piso decorado com a Cruz Gamada e suásticas.
Hall de entrada do Hotel
Biblioteca que recebeu visitantes ilustres
Sala de jogos
Antiga sala de estar, agora museu


      Apesar de já em 1502 haverem registros da passagem do navegador Américo Vespúcio por estas bandas, a cidade de São Vicente  foi fundada oficialmente pelos portugueses em 1532 sendo a primeira vila fundada nas Américas. Localizada na Ilha de São Vicente possui atualmente aproximadamente 350.000 habitantes sendo também uma estância balneária possui diversos pontos turísticos como a Ponte Pênsil, Ilha Porchat, Marco Padrão, Casa de Martin Afonso, Memorial 500 anos de Oscar Niemeyer, entre outros. Percorremos diversos pontos e notamos um certo desleixo com esses pontos históricos dessa que é oficialmente a primeira cidade do Brasil. Em conversas com moradores da cidade fomos informados que a atual administração pública municipal não tem muito comprometimento com a preservação histórica por misturar vertentes religiosas conflitantes com a história local.
     Diversos pontos turísticos estavam depredados e tomados por moradores de rua que tranquilamente habitavam os lugares, causando natural afastamento de eventuais turistas e moradores.
     Uma pena que a primeira cidade do nosso país que tem tanta história a contar fique relegada ao abandono apesar de possuir enorme potencial turístico e histórico.
Ponte Pênsil de 1914.

Parque Cultural Vila de São Vicente(fechado a visitação)

Marco Padrão de 1932 erguido sobre a Pedra do Mato no sopé do Morro dos Barbosas.

3ª Igreja Matriz de São Vicente(1757). A 1ª de 1542 foi destruída por uma ressaca, a 2ª de 1599 foi destruída por corsários.
Vista de São Vicente do alto do Memorial 500 anos.
Praia de São Vicente

          Seguimos costeando as praias e poucos quilômetros (8 km) a frente chegamos a cidade de Santos. Santos atualmente ao contrário de São Vicente nos causou uma ótima impressão, com ruas limpas e um bom cuidado com seu patrimônio cultural e histórico.
          Fundada em 26 de janeiro de 1546 também por portugueses, Santos abriga o maior porto marítimo da América Latina. Possui uma população de aproximadamente 434.000 habitantes e é a cidade economicamente mais ativa da região da Baixada Santista. Já em 1550 foi fundada a primeira Alfândega da Coroa Portuguesa pois a então Capitania de São Vicente era referência no comércio fato ampliado pelos dias atuais com a prestação de serviços e turismo, bases da economia local.
Jardins de Santos

Interior da Casa Azulejada, originalmente um Armazém de Café

Panteão dos Andradas com mausoléu de José Bonifácio

Palácio José Bonifácio sede da Prefeitura Municipal
        Santos é uma cidade que merece alguns dias para conhecê-la melhor, mas pela estrita falta de tempo acabamos conhecendo-a de forma rápida e básica. Merecem atenção o Museu do Café, o Aquário Municipal, Panteão dos Andradas, Monte Serrat, Teatro Coliseu, Orquidário Municipal, Orla Marítima, Catedral, Jardim Botânico e é claro o imperdível Passeio de Bondinho pelas ruas históricas entre outras atrações.
Estação do bondinho na Praça Mauá



Percorrendo as ruas com o bondinho percurso de 5 km (30 a 40 minutos)
            O tour com o Bondinho ( R$ 6,50 inteira ou R$ 3,25 meia para estudantes professores e idosos) é bem interessante pois percorre as principais atrações turísticas do centro histórico da cidade de Santos, abrindo posteriormente as opções de conhecer essas atrações de forma mais minuciosa. 
           É possível caminhar sem pressa pelas ruas históricas utilizando o mapa turístico da cidade de forma a conhecer os mais de 30 atrativos presentes em poucas quadras.

           O Aquário de Santos também merece destaque pelos espécimes ali instalados como tubarões, tartarugas, pinguins, peixes dos mais variados tipos e até um leão marinho chamado Abaré-Inti, que não conseguimos ver pois estava escondido entre as pedras.
          Os tanques em tamanho grande reproduzem os ambientes naturais dos bichos proporcionando boa visibilidade e espaço para deslocamento dos espécimes dentro do seu habitat.

Moreia Verde (Gymnothorax funebris)

Tartaruga Verde(Chelonia mydas)

Tubarão Lixa (Ginglymostoma cirratum)

Mari e um aquário oceânico

Arraia

            Já no fim de tarde e pensando em achar um local para acamparmos decidimos ir até Guarujá que está distanciada de Santos apenas pela travessia de balsa pelo canal norte da Baía de Santos. Em poucos minutos e sem custo, estávamos no Guarujá onde já sabíamos que havia camping para o nosso pernoite pois tínhamos pesquisado isso anteriormente.
           Amanhã mais descobrimentos e aventuras...
Pegadas do Pelé em frente ao Museu Pelé

Atravessando para o Guarujá
Nosso acampamento no Guarujá



quarta-feira, 3 de agosto de 2016

De Santa Catarina até São Vicente-Litoral Sul de São Paulo

   
 Quando temos poucos dias para aproveitar, sejam férias ou um feriado prolongado, surgem algumas dúvidas de para onde e como fazer render esse pouco tempo sem que a viagem se transforme num stress total.
       Muitas vezes as opções estão bem na nossa frente e mais perto do que pensamos. Não é necessário imaginar grandes preparativos e locais longínquos para proporcionar uma bela viagem com paisagens e experiências únicas.
       Nesse mês de julho de 2016 tínhamos apenas 8 dias e decidimos ir conhecer a Serra da Mantiqueira que abrange principalmente os estados de São Paulo e Minas Gerais. Mas é claro que para chegarmos lá escolhemos o caminho mais comprido e optamos de percorrer o litoral sul de São Paulo.
        Saindo de Santa Catarina no domingo pela manhã, teríamos aproximadamente 500 km a percorrer até a cidade de Peruíbe no litoral sul de São Paulo, com uma paradinha rápida na cidade de Curitiba-Pr.

         É claro que imprevistos acontecem como o congestionamento que nos atrasou quase duas horas na rodovia BR 116(Regis Bittencourt) por ocasião de um acidente com um caminhão perto da Represa de Capivari. dessa forma acabamos chegando quase no final da tarde em Peruíbe e optamos por acampar na Praia de Guaraú, bem pertinho da Estação Ecológica Juréia-Itatins. Optamos pelo Camping da Vovó (R$ 50,00 para 3 pessoas). As opções são poucas e todos os campings tem uma estrutura bem básica, chegando a ser precária. No geral contam apenas com banheiros(nem sempre limpos), área arborizada, água e energia elétrica. O que conta a favor é que neste mês estamos em baixa temporada, proporcionando pouco movimento e no nosso caso tivemos exclusividade. Também é possível negociar o preço pela pouca procura nessa época.
         A dica é estar sempre bem equipado com comida e equipamentos em geral para não ficar passando fome ou frustração.
         No acampamento em questão tivemos sorte de que pertinho havia um pequeno mercado onde poderíamos adquirir itens indispensáveis como "aquela"cervejinha gelada!!!


      Logo pela manhã bem cedo começamos a nossa exploração da região e iniciamos pela Reserva Ecológica Juréia-Itatins que para ser visitada é necessário adquirir ingressos na portaria do Parque. Os ingressos são gratuitos servindo apenas para o controle da quantidade de visitantes.
      Primeiro percorremos parte do Rio Perequê com suas corredeiras e espraiados numa profusão de água limpíssimas propícias ao banho (que não tomamos aqui) e também para canoagem.



          Mais um pouco adentrando a mata chega-se ao Rio Itinguçu que além das piscinas naturais proporciona uma trilha de aproximadamente 400 m até a Cachoeira Paraíso onde decidimos tomar um banho já que as águas são transparentes e muito limpas. Claro que também geladas, pois além de tudo estamos em pleno inverno no mês de julho, mas nem isso nos impediu de literalmente nos atirarmos naquela piscina natural.

          Gelaaaaaaada, muito gelada! Essa é a temperatura da água do Rio Itinguçu nessa época do ano, mas Nati e eu(Marcos) não iríamos perder a oportunidade de desfrutar este paraíso.




Depois do ótimo banho ainda conhecemos o pequeno museu e centro de recepção de visitantes que conta a história do lugar e tem exposição de artesanato com peças recicladas produzidas por crianças e jovens da região.



       Seguimos adiante sempre acompanhando a linha da costa conhecendo outras praias quase intocadas. Toda essa região desde a Barra do Rio Una em direção a Peruíbe tem praias lindas e pouco conhecidas, seja pelo difícil acesso ou pouca infraestrutura. Nós achamos ótimo pois quanto mais preservado melhor. De qualquer forma quem tiver interesse pode contratar passeios guiados com veículos 4 x 4 no centro da cidade de Peruíbe.

Acesso a Praia do Caramborê

Barra do Rio Una-Litoral sul de São Paulo

Praia do Caramborê
        Nosso hábito de conhecer novos lugares nos fez desenvolver alguns métodos diferentes. Ao acordar, tomamos nosso café da manhã reforçado e não almoçamos. Seguimos desbravando tudo que podemos e mais ao final da tarde, antes de escurecer procuramos um local para o acampamento e nesse local providenciamos nossa refeição mais elaborada que serve como um misto de almoço e jantar. Dessa forma não perdemos tempo com o almoço e adiantamos o jantar aproveitando o resto de iluminação natural que o dia permite para a alimentação já no lugar que nos servirá de descanso.

        As vezes durante o dia fazemos uma ou duas paradas rápidas para um lanchinho ou quando há algum local com alguma infraestrutura alimentícia típica com vista aprazível que convide para um breve repouso.
 
        Peruíbe é uma cidade com aproximadamente 60.000 habitantes fundada em 18 de fevereiro de 1959, mas sua história é muito mais antiga, remontando a anterioridade do Descobrimento do Brasil, quando já existia na região a Aldeia dos Índios Peroibes. Em 1534 passou a pertencer a Capitania de São Vicente de Martim Afonso de Souza,  Em 1549 foi construída o que se considera a primeira igreja do Brasil, a Igreja de São João Batista que hoje só restam ruínas, conhecidas como as Ruínas do Abarebebe (Padre Voador) em homenagem ao padre Leonardo Nunes que segundo indígenas parecia sempre estar em diversos lugares ao mesmo tempo.
Peruíbe também contou com a passagem por lá do padre jesuíta José de Anchieta pelos idos de 1554 e até o anos de 1789 havia movimentação na região quando nesse ano os jesuítas foram expulsos levando ao declínio e abandono da cidade. Apenas já ao redor de 1914 com a construção da estrada de ferro Santos-Juquiá a cidade voltou a se desenvolver e nos idos dos anos 1950 com a construção de rodovias passou a ser uma estância balneária e ao redor de 1970 a lama negra medicinal de Peruíbe ganhou notoriedade internacional pelas suas propriedades terapêuticas.

        É claro que por esse motivo as meninas aproveitaram para fazer um tratamento com a famosa Lama Negra medicinal que ao custo de R$ 3,00 (três reais)  é possível fazer a aplicação facial com resultados bem satisfatórios. Essa lama composta de argila, feldspato, quartzo, magnetita, monazita, turmalina entre outros componentes é indicada no tratamento de artrite, afecções circulatórias, gota, mialgias, flebite e reumatismo, psoríase, além de cosmética para melhorar a pele.


Tratamento de beleza com máscara facial de Lama Negra Medicinal


       Esta cidade possui também um aquário com mais de 80 espécies de animais como tubarões, raias, tartarugas, repteis, anfíbios e peixes. No Aquário de Peruíbe (www.aquariodeperuibe.com.br) também existe um Centro de Reabilitação de animais  e Educação Ambiental estando localizado na Praia do Centro.
Neste Aquário ainda existe um local chamado tanque de contato onde o visitante pode sentir e interagir com espécimes naturais em seu ambiente de forma didática e muito interessante.





Tanque interativo.



       Após passar o dia em Peruíbe e já no fim de tarde seguimos em direção a São Vicente passando por Praia Grande. Muitas tentativas e busca inútil por um local para estacionarmos o carro e armarmos a nossa barraca Blue Camping (www.bluecamping.com.br) percorrendo desde Peruíbe até a cidade de São Vicente, optamos para dormir em alguma pousada ou hotel.
        A infraestrutura para camping nessa parte do litoral emtre Praia Grande e São Vicente é inexistente. Perguntamos até em duas pousadas sobre a possibilidade de estacionar o carro no estacionamento da pousada e armar a barraca, mas nos foi informado que até existe uma lei municipal que proibe essa prática. Não confirmamos oficialmente a veracidade dessa informação, mas lamentamos o posicionamento de receptividade turística lá existente.
       Utilizando o GPS acabamos nos decidindo pelo Hotel Chácara do Mosteiro (www.hotelchacardomosteiro.com.br). Lá chegando explicamos o nosso jeito de alojamento solicitando se houvesse possibilidade de armar a barraca em algum local nas dependências do hotel. Fomos gentilmente recebidos pelo Johnatan informados da não possibilidade desse recurso, mas em contrapartida nos ofereceu um ótimo quarto por R$ 150,00 após negociações muito boas algumas diretamente com o proprietário o Sr. Nery Ambrozio, gente finíssima e com ótimas histórias para contar.  Assim, contrariando nossa expectativa de acampar todas as noites mas pela completa ausência de opções na cidade e arredores, ficamos confortavelmente alojados no quarto 112 com direito a ótimas conversas com todos funcionários amigos que ali estavam.
      Agora é jantar um delicioso Yakissoba e bananas carameladas no China Gourmet do Wagner, ali pertinho e dormir já pensando nos passeios do dia seguinte em São Vicente-SP.


Vista noturna de São Vicente do Hotel e Chácara Mosteiro

Yakissoba e bananas carameladas nota 10!!!