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segunda-feira, 15 de maio de 2017

De Lima passando por Paracas até Nazca - 6ª Etapa


Pôr do Sol na cidade de Cerro Azul - litoral central do Peru
      Deixar a capital peruana Lima para trás é necessário pois apesar de não termos tido tempo para conhecê-la melhor precisamos seguir em frente pois quando se viaja com um espaço de tempo previamente determinado é preciso seguir um cronograma básico. É claro que mesmo que se fique um mês inteiro numa cidade recheada de atrações como Lima seria impossível desbravar todas as opções oferecidas, mas desde já sabemos que voltaremos para cá algum dia.
     
     Hoje no nosso 17° dia de viagem ainda pretendemos chegar até a Península de Paracas localizada a 265 km ao sul pela Carretera Panamericana Sur - 1S. Ainda estamos saindo de Lima perto das 16h pois acabamos nos distraindo com as belezas do Museu de Arqueologia e Antropologia e perdemos a hora. Por esse motivo nosso planejamento furou e como no Peru não existe horário de verão, o sol se põe ao redor das 19h fazendo com que buscássemos um local para pernoite antes de Paracas já no Departamento de Ica.

     Nossa escolha acabou acontecendo pelo distrito de Cerro Azul, uma praia quase na metade do caminho para a Península de Paracas. Cerro Azul é um distrito da cidade de San Vicente de Cañete, e possui uma população de pouco mais de 6.500 habitantes. Tem poucos e tímidos hotéis e pousadas, bem como pequenos restaurantes e petiscarias, mas para descansar bem nada melhor do que um lugar pequeno e tranquilo. Tão tranquilo que ficamos hospedados no Hostal Alex que nem tinha placa na frente, hóspedes exclusivos, bem de frente para o mar ao custo de $ 130,00 soles para nós quatro. Amizade feita com o Alex dono do lugar ainda aproveitamos para tomar um revigorante banho noturno nas geladas águas do Oceano Pacífico, já quase 20h. antes de um gostoso jantar com frutos do mar no restaurante Puerto Azul.
Garagem do Hostal Alex

Tomando café da manhã na pracinha da cidade de Cerro Azul-Peru
      Belo anoitecer de ontem e ainda mais bonito dia se apresenta para nossa ida para conhecer a Reserva e Península de Paracas. 
     Claro que na pousada não tinha café da manhã, mas nada que uma panaderia (padaria) logo ali na esquina não resolvesse. Comer onde? Na pracinha central da cidadezinha e ainda dando bom-dia para todos que passavam naquela hora cedinho de manhã.
    Passamos rapidamente pela cidade de Pisco poucos quilômetros ao sul antes de Paracas, pois sabíamos que ali havia um Museu Hidrobiológico que gostaríamos de visitar. Acabamos não entrando no tal museu pois o atendente era um velhinho muito mal humorado que não tinha troco para o dinheiro dos ingressos e disse que só entraríamos com dinheiro trocado!! Vai saber o que passava na cabeça do homem?!?! 
     Mas aproveitamos para conhecer o porto pesqueiro da cidade com seus inúmeros barcos e muitos pelicanos em todos os lugares. Aliás, pelicanos não faltam nessa região e são bastante simpáticos e dóceis.


Museu do "Velhinho Estressado".

Vejam quantos pelicanos no cais à esquerda

Pelicanos




     A Península de Paracas é famosa em todo o Peru e conhecida por muitos viajantes pelas suas belezas naturais e recantos de vida selvagem. Está situada numa região marítima muito rica em plancton, nutriente natural que atrai e alimenta inúmeros peixes, moluscos e crustáceos contribuindo para que se apresente uma enorme diversidade de vida animal marinha. Paracas é uma palavra de origem quéchua que significa: para>chuva  e aco/acca>areia = Chuva de Areia. Ocupa uma área de 335 hectares e como o próprio nome já indica é sujeita a fortes e constantes ventos com médias de 40 a 60 km/h.  Em 7 de setembro de 1820 foi local de desembarque da frota do General San Martin, vindos do Chile, com o objetivo da Expedição Libertadora do Peru que culminou com a libertação de Lima e toda a região do domínio espanhol.
     A Península de Paracas também é ponto de partida para a visitação das Ilhas Ballestas e Chincha também santuários de vida animal selvagem todas situadas dentro da Reserva Nacional de Paracas. A região possui boa infraestrutura hoteleira e de alimentação, bem como inúmeras operadoras de turismo que levam os visitantes para passeios náuticos de observação e contemplação de golfinhos, pinguins de Humboldt, lobos marinhos e grande diversidade de pássaros. Também existe lá um porto destinado à atividade pesqueira sendo um dos mais ativos da costa peruana para pequenas embarcações.
     O ingresso na Reserva de Paracas custa $ 10,00 soles por pessoa e vale cada centavo, visto que dá direito ao Centro de Interpretação bem como a toda a península, ficando de fora o Museu Júlio C. Tello que é cobrado a parte. Acabamos não visitando-o pois já tínhamos visitado o Museu de Antropologia em Lima sobre a cultura Paracas. Lamentavelmente acabamos não fazendo o passeio de barco pelas ilhas da região motivado pelos fortes ventos, e por isso também não pudemos avistar o famoso petrogrifo de Paracas conhecido como "O Candelabro" .

Museu e Centro Interpretativo de Paracas


Mari com um flamingo

Caminho para uma Lagunilla onde podem ser avistados pássaros


Vejam o voo da gaivota passando na frente do Doug




Centenas de ninhos de pássaros na falésia da Praia da Calleta-Lagunillas



Porto pesqueiro de Paracas

Pelicanos sociáveis


Mirante da praia de Yumaque na península de Paracas


Flamingos
      Para nós que adoramos observar a vida selvagem foi um dia repleto de surpresas para todos os gostos. Existe um circuito que se pode percorrer visitando as principais praias de Paracas, e é difícil escolher qual a mais bonita ou interessante. 
     São dezenas à disposição. Umas para apenas relaxar e aproveitar o sol. Outras para poder literalmente interagir com a curiosa vida selvagem que se aproxima dos humanos. Outras ainda para explorar e descobrir como vivem os pássaros nas encostas e falésias da península. O turista tem a disposição algumas passarelas e caminhos construídos para o conforto de uma caminhada, bem como também mirantes em locais mais elevados onde se pode avistar boa parte da costa. 
     O Centro de Interpretação da Reserva Nacional de Paracas é ponto obrigatório a ser visitado antes de se aventurar pela península e ilhas ao redor. Auto guiado é explicativo/interpretativo e mostra todas as fases da formação geológica e evolutiva do lugar. Também expõe esqueletos e réplicas de aves, peixes, crustáceos e mamíferos dos mais variados colocando-os no seu habitat de forma lúdica e de fácil entendimento.


     Já é meio da tarde e hoje queremos chegar a Nazca mais uns 220 km ao sul. O difícil é ir embora de lugares tão bonitos e ainda mais difícil é colocar algumas das dezenas de fotografias que tiramos desse lugar magnífico. Paracas é sim um dos lugares mais bonitos do Peru! 
     Já estou a dias postergando a troca do óleo lubrificante do nosso companheiro Garça, visto que mais de 8.000 km rodamos desde a última troca. Não dá para facilitar nessas horas e melhor fazer a manutenção preventiva do que mais tarde amargar algum dano no motor que sempre é muito exigido numa viagem desse porte. Então agora é voltar à Panamericana Sur e achar um lugar para abastecer e outro para fazer o " câmbio de aceite"!


     Mais alguns kms ao sul e a tão necessária troca do óleo realizamos na cidade de Ica.  Agora é só chegar em Nazca para almoçar, jantar e dormir. Almoçar e jantar junto pois hoje não tivemos tempo a perder com a alimentação, só umas frutas e sucos a bordo.

Mais um belo por do sol no litoral do Peru

Chegando a Nazca
     Viajar por esse país é muito bom. As paisagens são lindas e a cada final de dia poder ver um belo por de sol não tem preço. Chegando a Nazca mais uma vez fomos presenteados com esse espetáculo, e melhor ainda chegando a mítica cidade das misteriosas linhas de Nazca.
     Amanhã tem mais!

     VEJAM o VÍDEO DOS PELICANOS!!
video

     
     

     
     
     

quarta-feira, 3 de maio de 2017

De Huaráz até a Capital Lima - Peru - 5ª Etapa

Seguindo o pôr do sol em direção ao Oceano Pacífico- Cordilheira Huayhuash - Departamento de Áncash - Peru
     Mesmo com aquela sensação de felicidade de ter conhecido tanta gente boa e tantos lugares lindos nessa região peruana, dá sempre um aperto no coração de ir deixando isso pelo espelho retrovisor e dentro do coração!
     Viajar é assim, você sempre em movimento pois como no nosso caso temos uma quantidade de dias limitados e não podemos ficar muito tempo em cada lugar. Agora, vamos começar a descer os Andes peruanos em direção ao Oceano Pacífico.

     De Huaráz até Lima são pouco mais de 400km de distância mas como já são quase 16 h é claro que não chegaremos em Lima ainda com dia claro. Dessa forma vamos tranquilamente aproveitando a paisagem e curtindo as inúmeras curvas que serpenteiam a descida de 3.052 msnm para o nível do mar, onde está a capital peruana. Antes do anoitecer acabamos optando de dormir na cidadezinha de Casquitambo localizada a 60 km do litoral. No simpático Hotel e Restaurante El Tambo de Chasqui acabamos fazendo amizade com um casal de motociclistas do estado de Nevada (Las Vegas) EUA e é claro conversamos sobre viagens e aventuras na estrada. 

     A diferença de altitude se apresenta com o aumento da temperatura e logo estamos guardando todos os agasalhos pois no local faz quase 30ºC. Um jantar caprichado e uma noite de sono confortável e tranquila faz toda a diferença quando se viaja longas distâncias. Manhã seguinte, sol forte e céu azul, e logo chegamos à Rodovia Panamericana Norte. Nosso objetivo é chegar logo em Lima para conhecer pela primeira vez essa capital.
     Pelo trajeto seguindo pela beira mar, repetem-se pequenas aglomerações de casas e localidades muito simples bem típicas do entorno de grandes metrópoles. Muita pobreza aliada a pouca infraestrutura são marcantes nessa parte do Peru.


Arredores de Lima


Inevitável congestionamento
      E finalmente chegamos a Lima. São quase 11 h da manhã e um enorme congestionamento já se apresenta como cartão de visitas da capital peruana. Nosso primeiro objetivo é chegar no centro e conhecer o mais famoso bairro de Miraflores que fica à beira mar.

Plaza San Martin

Calle-Avenida Arequipa

Degustando pratos com frutos do mar no Delfino- Bairro Miraflores

Farol da Marinha em Miraflores-(1900)

Praia de Miraflores


Descansando e curtindo a paisagem na mais famosa praia de Lima

Banheiros públicos e avisos sobre tsunamis
      Lima foi fundada em 18 de janeiro de 1535 por Francisco Pizarro como a " Cidade dos Reis". Recebeu este nome por ter sido invadida pelos espanhóis no dia 6 de janeiro, Dia de Reis quando a região ainda era dominada por Manco Capac II e seus seguidores. Situada às margens do Rio Rimac com a pronúncia " li maq" dos quéchuas, dando o atual nome à cidade.
     Na era pré-incaica a região era ocupada pelas culturas Maranga e Lyma que mais tarde foram dominadas pela Cultura Wari (já citada anteriormente). Em 1543, Lima foi designada como Vice-reino da Espanha e com isso desenvolveu-se comercialmente atraindo corsários e piratas para a região. Motivo pelo qual entre os anos de 1684 e 1687 foram construídas muralhas para protegê-la dos ataques. 
     Em 1746 a capital foi duramente atingida por um terremoto sendo necessário reconstruir grande parte da cidade que ficou em ruínas. As elites da nobreza que moravam ali, necessitavam constantemente de cargos e ajuda da coroa espanhola o que fatalmente levou a grandes atos de corrupção e desvios financeiros. Com isso, em 1820 liderados pelo general José de San Martin, um exército de patriotas argentinos e chilenos desembarcou no sul da cidade, sitiando-a e obrigando o então Vice-Rei José de La Serna e Hinojosa a evacuar a cidade em julho de 1821 para evitar o massacre do exército realista de Espanha. 
     No dia 28 de julho de 1821, foi declarada a independência do Peru mas somente em 1824 aconteceu a emancipação do Peru capitaneada pelo general Antônio José de Sucre na célebre batalha de Ayacucho. Muitas tentativas de retomada da cidade de Lima e do Peru aconteceram por parte da Coroa Espanhola, mas finalmente em 1879 foi reconhecida a independência do país.


Fazendo câmbio para ter alguns soles no bolso

Passeando pelo centro da cidade de Lima

Interessante convivência de estilos coloniais e modernos

Portal da Igreja Catedral de Lima

Polícia del Peru

Museu da Gastronomia, antigo prédio dos Correios

     Atualmente a capital Lima possui mais de 10 milhões de habitantes, sendo a terceira cidade mais populosa da América, ficando atrás apenas de São Paulo e a cidade do México. A cidade possui as mais antigas instituições de ensino do " Novo Mundo" possuindo também a mais antiga universidade das Américas, a Universidade Nacional de San Marcos, fundada em 12 de maio de 1551. Inúmeros museus (mais de 60) fazem de Lima uma cidade com grande cunho cultural. Visitar todos é tarefa quase impossível mas recomendamos o Museu de Gastronomia, Museu Nacional de Arqueologia, Antropologia e História e o Museu del Oro de Peru, entre tantos outros muito interessantes. Para conhecer razoavelmente a cidade recomendamos de 7 a 10 dias para o básico. Dica: Deixe seu carro estacionado e conheça o centro da cidade com táxi. São inúmeros e bem baratos livrando você do incômodo de procurar local para estacionar. Combine antes o preço da corrida!
Cena de uma panaderia da época colonial em Lima


Serviço de mesa da época republicana

Talheres e utensílios dos povos andinos

Dentro do Museu do Chocolate
      Ao finalmente nos livrarmos do cansativo congestionamento do tráfego fomos direto ao mais famoso bairro da cidade de Lima, o Miraflores. Nada como poder apreciar a vista do mar e das belas praias limenses ao pôr-do sol. Detalhe; as praias são de pedras e não com areia como estamos acostumados. A polícia de Lima é muito solícita e educada e sempre fomos muito bem atendidos nas nossas dúvidas e indicações. Recomendamos cuidado nos deslocamentos no centro da capital peruana pois o movimento de carros e pedestres é intenso, bem normal para uma cidade superpopulosa.

Fachada da Iglesia San Francisco onde estão as catacumbas

Troca da Guarda Presidencial em Lima


     Existe um ônibus circular de turismo que custa $ 10,00 soles e percorre os principais pontos turísticos da cidade. A única igreja que cobra ingresso para visitação é a Iglesia San Francisco onde estão as famosas catacumbas que no século XVI foram construídas para abrigar os cadáveres dos atingidos pela Peste Negra. Na capital peruana, a comida oriental é bem barata, influenciada pela grande quantidade de chineses e japoneses que moram ali. Não deixe de visitar o Parque das Águas-Parque de La Reserva-Circuito Mágico das Águas(bairro de La Victória). Aberto o dia todo mas os shows das inúmeras fontes e chafarizes acontecem a noite em três horários: 19h15min, 20h15min e 21h15min com ingressos custando $4,00 soles. Não perca também a concorrida troca da Guarda do Palácio Presidencial, diariamente a partir das 11h30min na Plaza de Armas-Centro Histórico. Também o Distrito de Barranco vale a pena ser visitado ( nós não fomos por falta de tempo) por ser um bairro boêmio famoso por seus pubs, discotecas e galerias de arte.



A Original Estela Raimondi-citada em postagem anterior 


Reprodução de trono do Império Inca

Vestimenta em ouro puro de povos pré-incaicos


Reprodução de cenário de cova de sepultamento de povos pré-combianos

Crânio trepanado-Cultura Wari


Cerâmica da Cultura Wari
     
Parque das Águas-Circuito Mágico- Lima



      Depois de tudo é preciso dizer que Lima a bela capital peruana é enorme e cosmopolita e é impossível descrevê-la em poucas palavras ou numa simples postagem de um blog. A diversidade das influências culturais, religiosas, gastronômicas fazem você sentir-se meio perdido com a imensa gama de informações à disposição. 
      Quer se divertir é só andar tranquilamente pelas ruas e avenidas da cidade. A todo momento você vai encontrar uma bela praça, uma praia, um monumento ou um museu. Fotos? Tiramos quase 300 somente de Lima. Caberiam aqui? Jamais!! Mas o que valem mesmo são as vivências e o fato de termos podido visitar e conhecer mais essa bela cidade. Recomendamos, venha também! Até o próximo relato dentro de poucos dias.