Viagem Família______________________________________

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sábado, 23 de março de 2019

Conhecendo a Costa Rica

A Costa Rica era um dos países que mais nos atraía antes de nossa partida. Por seu apelo ambientalista, tínhamos muitas expectativas quanto ao que iríamos conhecer, ver e aprender com nossos irmãos costa-riquenhos.
Por falta de atenção por parte da navegadora (eu!), acabamos entrando na Costa Rica pela costa do Pacífico, fazendo os trâmites em Paso Canoas. O usual seria termos feito a costa do Atlântico do Panamá, ainda no Caribe, para conhecermos o litoral caribenho da província Limón... Paciência!! Ficará para a próxima visita a este maravilhoso país!

Rio no Parque Nacional Piedras Blancas
Os trâmites foram rápidos e nesta divisa existe uma Zona de Livre Comércio, que mais lembra a Ciudad del Este (Paraguai) de antigamente: bastante suja e desorganizada! Além disso, na Costa Rica existe um seguro para o carro a ser pago na aduana, no valor de U$46, mais umas cópias de documentos (do carro, do passaporte com carimbo) que custou € 250 (250 colones) - na cotação do dia da entrada, U$1 = € 604.

Paso Canoas: divisa Panamá/Costa Rica
A Costa Rica foi descoberta por Cristóvão Colombo em 1502 e naquela época viviam aqui pouco mais de 30 mil indígenas dos grupos: guetares, chorotegas e borucas. Foi o ouro usado nos ornamentos dos indígenas que atraiu os espanhóis a colonizarem a região, porém os mesmos só conseguiram conquistá-la em 1530. A independência deste país se deu em 1821 e nesta época se deu o início da exportação do café, seguido posteriormente pelas produções de açúcar e banana.

Seguimos uns 20 km até a primeira cidade, Corredor, onde buscamos um mapa rodoviário do país, sem sucesso, e compramos o chip da Kölbi, que custou € 6000 com internet compartilhada. Estava muito quente, então seguimos para o litoral, porém na cidade de Golfito não há praia, apenas uma baía muito bonita com águas transparentes. Nesta localidade também havia uma Zona de Livre Comércio, mas em função do clima resolvemos seguir por estrada de terra até o Parque Nacional Piedras Blancas, onde paramos às margens de um riozinho para nos refrescarmos. Nossa ideia era acampar por ali mesmo, mas como começou a chuva e nós estávamos na "curva do rio", ficamos preocupados com a possibilidade de uma cabeça d'água e seguimos em frente, debaixo de um toró, até um posto de combustível onde paramos para dormir. A chuva parou a tempo de fazermos nossa janta e fomos dormir com um lindo luar.



Curiosidade: na Costa Rica o café da manhã é bem diferente. Aqui come-se feijão, ovo, carne assada, sopa de frango de manhã cedo, tudo acompanhado por tortillas. Nós compramos apenas as tortillas e as comemos com queijo neste primeiro dia, pois estávamos sem pão. 



Seguimos viagem pela Ruta 34 - Carretera Nacional Pacífica Fernández, litorânea, e fomos entrando em muitas praias, uma mais linda que a outra! A Playa de las Ventanas é particularmente bonita, pois possui formações rochosas em forma de cavernas, de onde se pode enxergar o mar do outro lado. Por ficar dentro de uma área particular, é cobrado o day use,que não pagamos, pois apenas ficamos por alguns minutos neste local, tirando fotos e admirando a natureza. 
Playa de las Ventanas


Logo à frente fica o Parque Nacional Marino Ballena, onde entramos e conversamos com a responsável, que permitiu que fôssemos até a praia Ballena (sem pagarmos o ingresso), diferente por ter parte da praia ocupada por areia e a outra parte ser toda em pedras redondas. O ingresso deste parque custa U$ 6 por pessoa e inclui o day use e a possibilidade de acampar na área do estacionamento, mediante pagamento extra. Ainda dentro da área do parque, seguimos até a Playa La Colonia, onde tiramos mais fotos das ilhas que ficam em frente ao promontório. 
Playa Marino Ballena

Cabe aqui uma explicação: todos os parques nacionais da Costa Rica têm ingresso cobrado em dólar americano. O Parque Nacional Marino Ballena é o mais barato. Essa dolarização se dá por conta da grande quantidade de turistas estrangeiros, a grande maioria americanos, que estão se mudando para cá, inflacionando os preços e tornando a vida do cidadão comum costa-riquenho bastante difícil. 

Contando com quase 5 milhões de habitantes, a Costa Rica é conhecida por ter leis ambientais e compromisso com a preservação do meio ambiente, sendo um dos únicos países a cumprir os 5 critérios do PNUD estabelecidos para medir a sustentabilidade ambiental. Porém, na prática vimos que a preocupação com as regras são mantidas dentro das áreas de proteção ambiental, especificamente os inúmeros parques nacionais que há no país. Fora desta zona, observam-se queimadas (presentes em todas as Américas), principal manejo de terreno para liberar área de plantio e a falta de destinação correta do lixo reciclável, por exemplo. 
O país tem no turismo sua maior fonte de arrecadação e ele sabe vender "o seu peixe"! Em todas as propagandas sempre se divulga a diversidade da fauna e flora, pois a Costa Rica é o país com a maior diversidade de flora e fauna na América Central. Estima-se que 38% de sua superfície é coberta por bosques e 25% de seu território encontra-se protegido, porém estas áreas são as que contemplam os parques nacionais e áreas de preservação permanente (APP), como mananciais e margens de rios, por exemplo.  


Iguana ao lado de nosso acampamento, comendo ossinhos de frango!!
Resolvemos parar na Playa Hermosa, distante alguns quilômetros do parque Marino Ballena, linda como o próprio nome já diz. Eriberto, vendedor de frutas no local, nos deu uma braçada de granadillas (parecidas com maracujá, porém mais doces e menos ácidas) e nos assegurou que a praia é segura e tranquila, portanto acampamos por aqui e ainda compramos uma melancia de quebra. Tivemos a companhia de iguanas durante nossa estadia; elas vieram tranquilamente comer os ossinhos de frango que jogamos para elas. Durante a noite, a polícia fez rondas de hora em hora, demonstrando a preocupação das autoridades locais na proteção ao visitante/turista. 
Pôr de sol na playa Hermosa
Com Eriberto, cidadão nicaraguense que mora aqui nesta praia, vendendo frutas,
entre elas, melancia e granadillas deliciosas!
O país é conhecido por ser a mais sólida democracia da América Latina e recebe muitos refugiados vindos de países vizinhos, como a Nicarágua, por questões políticas e ditatoriais deste país. O exército da Costa Rica foi extinto em 1949 e hoje o país possui uma legislação que prevê sua neutralidade em conflitos armados internacionais.  

No dia seguinte nosso objetivo era conhecer o Parque Nacional Manuel Antônio, no município de Quepos. As informações são um pouco confusas e não há placas indicativas, então tivemos de perguntar duas vezes antes de acertar o caminho. Tudo no parque é pensado para turista, o preço também. Para estacionar, o valor cobrado iniciou em U$20 a diária e acabamos combinando com Pedrinho de pagar € 7000 para estacionar e acampar durante a noite (no facilities, isto é, sem serviços de banheiro, energia, ducha,...). Antes de entrarmos no parque conversamos com o guarda-parque Henry que nos deu um mapa do mesmo e algumas dicas. 

O bicho-preguiça, marca registrada do Parque

Playa Gemela - uma separada da outra por um promontório

Playa Gemela
Há dezenas de barracas e lojas oferecendo todo o tipo de souvenir nas imediações do parque, além de restaurantes e lanchonetes, que funcionam o dia todo atendendo aos visitantes. O parque fica de frente para o mar, numa praia muito bonita de águas azuis cristalinas. 

O Parque Manuel Antonio, considerado um dos 12 mais bonitos do mundo pela Revista Forbes, foi inaugurado em 1972 e tem uma área de quase 57 mil ha, dos quais apenas 2 mil ha estão na parte terrestre. Localizado na província de Puntarenas, está a 160 km de distância da capital, San Jose, e era habitado pela nação Quepoa, que foi substituída por colonos que usaram desta área para o cultivo de frutas, depois sendo adquirida pela empresa Unit Fruit Co. 

Trilhas dentro do parque


O ingresso para acessar o Parque Manuel Antonio é de U$ 16 por pessoa e o horário de saída é 17h. Fizemos muitas trilhas durante o dia, caminhando horas e nos deliciando com a visão de preguiças nas árvores, cervos, cutias, macacos de diferentes espécies e tomando banho em diversas praias lindíssimas: playas Gemelas, playa Espadilla, playa Galardonada - Bandeira Azul, para citar. Como havia chuveiros dentro da área do parque, aproveitamos para tomar um banho e tirar o sal e na saída, fizemos compras num mercadinho próximo da área do estacionamento.  Há que pesquisar os preços, pois a diferença é grande de um estabelecimento para outro. 





Área de mangue, berçário das espécies
Só hoje fomos nos dar conta que a Costa Rica está em outro fuso horário. Portanto, se você está vindo do Panamá, atualize seu relógio em uma hora a menos quando entrar aqui. 
Praia em frente ao Parque Manuel Antonio - preparativos para receber os turistas e banhistas do final de semana
Com um calor intenso já às 10 h da manhã, resolvemos esfriar nossas cabeças subindo a serra e indo conhecer o Vulcán Poás (aproximadamente 2700 msnm), distante uns 200 km do Parque Manuel Antonio. Usamos o MapsMe e acabamos "entrando numa fria"! O app nos mandou por estradas secundárias, não pavimentadas e quando nos demos conta de que a coisa estava ficando pesada, já não tinha mais como voltar. Seguimos em frente e o que deveria ter levado umas 3 horas, no máximo, acabamos levando o dia todo, chegando ao portão de entrada do parque do Vulcão Poás às 16h30min e ele já estava fechado (fecha às 16h).  
Fresas Maye - do Francisco e família - e, ao fundo, restaurante na estrada parque
Retornamos uns 5 km pela vida de acesso e Marcos Francisco, dono da loja Fresas Maye permitiu que acampássemos no pátio do estacionamento, deixando um dos banheiros abertos para que pudéssemos utilizá-lo durante a noite. 

Vista da capital, San Jose, do alto da montanha que leva ao Vulcão Poás
O Vulcão Poás é um estratovulcão, localizado no parque Nacional Vulcão Poás, distante 40 km de San Jose. Desde 1828 foram observadas 39 erupções e ele possui duas crateras principais no topo, uma de 1,5 km de diâmetro, aproximadamente, e 260 m de profundidade e a outra que é a Lagoa Botos, de água fria e origem pluvial.  

Na manhã seguinte, enquanto tomávamos nosso café no meio das nuvens, com uma temperatura de 10°C, no máximo, recebemos a visita de duas alemãs de Hamburgo que também pretendem fazer o passeio pelo vulcão. Oferecemos chá para ambas e para o taxista (Francisco) que as trouxe e trocamos ideias. Assim que a loja Fresas Maye abriu, perto das 9h, compramos os ingressos (devem ser comprados pela internet com antecedência ou em algumas lojas que ficam no caminho, como esta) a U$ 17 por pessoa, agradecemos o pernoite e subimos novamente a estrada, chegando à área de estacionamento e recebendo a informação de que o vulcão está ativo há 9 meses e não se podem fazer as trilhas demarcadas, apenas podendo fazer visitas monitoradas de 20 minutos até a cratera principal. Ficamos decepcionados e frustrados, pois pelo preço pago queríamos fazer tudo!!
Centro de visitantes. As lojas de conveniência e lanchonete estão fechados desde que o parque está em "alerta amarelo", há 9 meses! Nem o pequeno museu está aberto ao público! Achamos um desrespeito, pois foi cobrado o ingresso integral!

Nosso guia dando as orientações antes da caminhada de 600 m até a cratera

Local dos impactos de rochas incandescentes durante uma das erupções recentes.
 Observe que a cratera está fechada por nuvens.
Seguimos com o primeiro grupo até a cratera, após receber as orientações e informações referentes ao parque e ao vulcão. Chegamos ao local, permanecemos 20 minutos esperando e não vimos nada, pois havia nuvens em toda a volta. Retornamos, mas não desistimos. Esperamos por 2 horas, aproximadamente, enquanto conversávamos com uma família canadense que também resolveu aguardar e retornamos com outro grupo. Desta vez tivemos mais sorte, pois por 30 segundos pudemos ver a cratera, com seu lago de enxofre amarelo e os vapores sendo expelidos!!
Pequena abertura do tempo onde tivemos a possibilidade de ver um pouco a cratera e uma poça de enxofre


O frio desta noite nos afugentou e mesmo o taxista Francisco nos convidando para ficarmos em sua casa, em Alajuela, acabamos optando por voltar para o litoral, uns 250 km passando por Nicoya e de lá, seguindo para Sámara, praia muito bonita e com ótima infraestrutura. Acampamos próximos de um restaurante (onde usamos o banheiro) e de frente para o mar.
Lindo restaurante ao lado de onde acampamos, em Sámara
Amanhecer em Sámara


Nossos companheiros de café da manhã: esquilos!

Visual da praia de Sámara
No dia seguinte, sempre em direção norte, fomos até a Playa Avallanes, porém desistimos de ficar, pois não havia área sombreada. Desta forma, seguimos até a Playa Tamarindo, local de "bacanas com seus carrinhos de golfe" e encontramos um lugarzinho sombreado no cantinho da praia. Lá reencontramos um casal de italianos com quem tínhamos trocado meia dúzia de palavras em Avallanes e acampamos juntos, por ser mais seguro. Na outra manhã, após o café, caminhamos até a Punta San Francisco, local bonito e onde conhecemos outro casal da Grã-Bretanha. 
"Vaqueiro" moderno da Costa Rica: toca o gado de moto!
Punta San Francisco, ao lado da playa Tamarindo

Playa Tamarindo

Mateo e Mônica, casal de italianos, haviam nos dado a dica de conhecermos e acamparmos na Playa Rajada, e este foi nosso último destino na Costa Rica. Praia quase deserta, de água azul cristalina, mas fria, foi nosso ponto de descanso nesta noite. A noite foi de muito vento, a ponto de virar as lixeiras... Tivemos a companhia de outros dois campistas, cada um num canto da praia! O mais curioso foi a presença do urraca, pássaro lindo e curioso, que entrou no carro e comeu uma parte de nosso abacaxi!! Essas aves são espertas e muito confiadas! Colocamos casca de melão próximo do acampamento e elas vieram e carregaram tudo embora. Umas "mortas-de-fome" rsrsr!

Nosso companheiro na Playa Rajada: Urraca

Playa Rajada

Águas transparentes e geladas, areia fina e muiiitoooooo vento!
Nossa última despesa na Costa Rica foi U$ 8 por pessoa para deixar o país. As experiências vividas no país foram positivas, mas percebemos que assim como em outros locais, a ideia de "explorar o turismo" está sendo confundida com "explorar o turista". O fato de todos os passeios, entradas em museus e parques ser em dólar acaba incentivando a elevação de preços e a impossibilidade do cidadão local poder frequentar estes locais, pois tornam-se financeiramente inviáveis.
Outro senão é o idioma espanhol, que aos poucos está perdendo espaço para ao inglês. Há locais em que não se ouve a língua pátria e a ideia de que os gringos trazem dinheiro para o país suplanta a manutenção da cultura do povo.


domingo, 3 de março de 2019

A colorida e alegre Colômbia

Deixamos o Equador com "gostinho de quero mais" e seguimos para o próximo destino, Colômbia!!! 
Nossa entrada por Ipiales foi bem rápida e sem burocracias! Os trâmites incluem o SOAT, cujo custo foi de U$ 32, e necessitamos fazer umas cópias de documentos do carro e do passaporte, já com o carimbo de entrada na Colômbia, o que nos custou outros 60 centavos de dólar. 
Para facilitar nossa comunicação, compramos um chip da Movistar por U$18 com uma infinidade de Megas para utilizar e compartilhar dados, além de minutos free

Centro da cidade de Ipiales
Nesta divisa havia muitos venezuelanos, mais do que já havíamos encontrado pelas rodovias do Equador, ou mesmo no Peru. A situação política vivida nestes dias sombrios por estes nossos vizinhos é muito triste e preocupante, pois são centenas (pra não dizer milhares) de pessoas deixando seu país por não terem condições de uma vida digna ou simplesmente poderem se alimentar.

             i) Ipiales - Cali: 475 km

Ainda na cidade de Ipiales nos foi sugerida a visita ao Santuário de Las Lajas e seguimos para lá, sem muitas expectativas. Fomos surpreendidos por um local lindíssimo, onde a igreja do santuário foi construída no meio do vale, encrustada na pedra, próxima do rio. Fizemos uma caminhada pelo lugar admirando a natureza e a arquitetura particular do local. 


A história deste santuário teve início em 1754, quando uma menina teve uma visão e iniciou-se ali a peregrinação, onde alguns anos mais tarde, em 1769, foi erguida a primeira capela.  A atual igreja - 3ª a ser construída - foi construída no período entre 1916 e terminada em 1949. Em 1954, o Papa Pio XII declarou o Santuário de Nossa Senhora de Las Lajas, Basílica Menor e, em 1984, foi declarado Patrimônio  e Monumento Cultural do país. Topograficamente, é considerado o mais belo do mundo; religiosamente, é o mais visitado em toda a América Latina; arquitetonicamente, é o mais audaz e original da Colômbia.


Depois seguimos até próximo de Pasto, distante apenas 100 km, onde pernoitamos num posto de combustíveis. Havia muitas obras na pista e o anda-pára acabou "comendo" bastante tempo de viagem hoje e nos outros dias de permanência neste país. Além de obras de recuperação da pista, havia também muitas rodovias sendo duplicadas, asfaltadas, e, de quebra, alguns acidentes provocados pela pressa ou imprudência de motoristas apressados. 
Camping Leña e Carbon - Rosário: $34000 (= R$34,00)
Assim como no Equador, as subidas e descidas são infinitas por aqui também... aproveitamos o calor dos dias e acabamos pernoitando num camping/restaurante com piscina, próximo de Rosário. Nosso próximo destino era Popayán, indicada por muitos colombianos como cidade bonita a ser conhecida nesta parte do país. 
Iglesia Ermita de Jesús Nazareno (1617) - considerado o templo mais antigo da cidade
E as pessoas estavam certas: Popayán é linda mesmo! Conhecida como La Ciudad Blanca, é a capital do departamento de Cauca. Fundada em 1537, hoje com pouco mais de 230 mil habitantes, possui construções antigas bem conservadas, muitas delas reconstruídas após o terremoto de 1983. Perambulamos pelas ruas, cheias de gente, carros e mototáxis: buzinas pra todos os lados, no melhor estilo latino!!
Iglesia (Claustro) de Santo Domingo, em estilo barroco tardio 

Ruas movimentadas da cidade

Ponte Humilladero (1873), próximo da Universidade, era uma das principais entradas da cidade e
foi construída de maneira sólida, resistindo aos terremotos.
Seu nome é uma referência ao fato de que antes da sua existência, a passagem de um lado
para outro da cidade era feita de joelhos, pelo grande desnível e dificuldade de transposição.
O calor estava grande, mas percorremos o centro histórico tirando muitas fotos. Antes de deixarmos a cidade, fizemos compras no mercado e tomamos uma jarra de suco de fresa (morango), delicioso!!!

Nosso próximo destino era Cali, oficialmente, Santiago de Cali! Seguimos para lá, cheios de vontade de conhecer a "cidade da salsa"! O trânsito caótico, misturado ao tamanho da cidade e o calor intenso acabaram tirando nosso desejo de permanecer nela! Conseguimos "nos encontrar" depois de muitas voltas e idas e vindas, chegando ao centro da cidade, onde fica uma das grandes atrações: a Iglesia de San Francisco.
Complexo religioso/ Iglesia de San Francisco - construído entre os séculos XVIII e XIX,
a partir de uma campanha de arrecadação de fundos realizada pelo Pe. Fernando Larrea, em 1750.
À esquerda, Torre Mudéjar, com 23 m de altura e campanário.

Bulevard, com vista da Igreja la Ermita, em estilo neogótico, pois foi construída (1942) após um terremoto que pôs abaixo a antiga construção, muito simples e singela.
Conseguimos parar o carro num estacionamento pago e seguimos até a Secretaria de Turismo, onde queríamos pegar informações e mapa da cidade. Após passarmos pela segurança, nos foi indicado o caminho e pegamos o material solicitado, recebendo orientações quanto à inseguridade da cidade e cuidados com nossos pertences! Quando finalmente fomos conhecer a Iglesia, ela havia fechado há uns 2 minutos, para  siesta!!! Meio frustrados, seguimos pela margem do rio Cali, chamada de Bulevard, onde havia dezenas de esculturas de gatos e vimos, ao longe, a igreja Ermita.



A cidade de Cali foi fundada em 1536, por Sebastián de Belalcázar, mas só foi realmente expandir-se já nos anos 1950, quando foi construído o Canal do Panamá e a linha ferroviária para o porto de Buenaventura.  É a terceira cidade mais populosa da Colômbia, com mais de 2,3 milhões de habitantes. Em 1999, a construção da hidroelétrica no rio Cauca desenvolveu mais a região, impulsionando o desenvolvimento industrial e a irrigação agrícola. Entre os anos 1970 e 1990, Cali sofreu com as máfias do tráfico de drogas, tornando-se território de guerras entre facções criminosas. 


Iglesia Matriz de San Pedro (1772 - 1802): construção inicial em estilo barroco, passou a neoclássico posteriormente. Possui em seu interior um dos órgãos tubulares maiores do país, em madeira talhada, construída pela empresa alemã Walcker.

Com nosso novo amigo, Dario, afinador de órgão
No retorno para o carro vimos a Iglesia San Pedro que estava aberta, pois havia missa. Aproveitamos para entrar e vê-la. Muito linda, com lustres de cristal Bacarat e o portão frontal em cobre com escultura de artista famoso! Enquanto admirávamos seu interior e os detalhes, se aproximou um senhor, Dario, cuja função é afinador de órgãos, profissão bem diferente! Ficamos um tempo conversando com ele e conhecendo um pouco da história do lugar, bem como pegando dicas de lugares bacanas para conhecer na Colômbia. Ele é natural de Medellín e nos deu excelentes informações.  
Parados por uma blitz do exército, a caminho de Buenaventura. A presença dos marines é constante, tentando conter a criminalidade e as atividades de grupos paramilitares e guerrilhas que atual na região. Segundo moradores, mesmo com sua atuação, eles não têm percebido a diminuição na violência da região.
                     ii) Cali - Buenaventura - Armênia: 345 km

Saímos da cidade rumo ao litoral, neste caso, a cidade de Buenaventura, sem, contudo, sabermos nada sobre a cidade em questão. Como era o único local colombiano no litoral do Pacífico, pegamos a estrada naquela direção, subindo e descendo uma serra muito bonita, passando por 9 túneis em sequência e nos deparando com um movimento acima do normal de caminhões, o que já sinalizou que se tratava de uma cidade portuária!

Descobrimos rapidamente que Buenaventura, fundada em 1540, é o segundo maior porto do país e o maior em movimentação de cargas, pois tudo que chega ao país pelo Oriente entra por aqui... A cidade, isolada numa espécie de ilha, é bem bonitinha, porém os arredores são horripilantes, com muita sujeira e pobreza por todos os lados. Considerada o atual centro de traficância de cocaína da Colômbia, a cidade é bastante violenta e sua população é composta por 85% de afrodescendentes, 10% de europeus/indígenas e apenas 5% de espanhóis.
Calçadão na parte central da cidade de Buenaventura

Palafitas na área de mangue

Mercado Público da cidade: muita confusão e sujeira
Fomos até o "centro histórico" onde fomos recepcionados por agentes de turismo, nos oferecendo pacotes de passeios de barco até ilhas próximas para pegarmos praia, pois ali, em Buenaventura, não há praia, pois é área de mangue, assim como todo o litoral ocidental do país. As praias mais bonitas são alcançadas por passeios de barco de, aproximadamente, 30 minutos, sendo as mais famosas localizadas nas Islas Cascajal.

Como não havia local para acamparmos na cidade e nas proximidades, resolvemos pegar o caminho de volta e ficar num dos locais por onde havíamos passado na ida, já na serra, em que dezenas de rios vão formando pequenas cachoeiras e lagos à caminho do mar.
Los Guaduales - Complexo Hotelero Los Tubos - Cisneros, do Juan Carlos
Ficamos em Cisneiros, num restaurante com acomodações, em que o Juan Carlos, proprietário, nos autorizou a acampar. Tendo visto o preço da acomodação ($30000, aproximadamente R$ 30,00), resolvemos ficar num dos quartos, o que foi bastante inteligente, pois choveu muito a noite toda! Além disso, cozinhar debaixo daquele toró estava fora de cogitação, então jantamos uma comida típica ali também, por $27000.
Lago (e represa) Calima, a 1500 msnm, maior lago artificial na Colômbia, com 70 km² de área, responsável por gerar energia para o Valle del Cauca e também ser local de prática de esportes náuticos
Já na manhã seguinte, com sol, subimos até o Lago Calima, um lindo lago onde passamos o dia curtindo a "praia", acampando ao lado de um riozinho ao final do dia e fazendo um churrasquinho bem gostoso.
Cidade de Darien - jipes utilizados como táxis pela população da circunvizinhança

Painel na praça central de Darien
A cidadezinha de Darien, às margens do lago Calima, é muito linda e conta com boa infraestrutura. Lá fizemos nossas compras e aproveitamos para passear.  

"Praia pública" do lago Calima, onde a prática do kitesurf tem tido muitos adeptos. Tivemos a felicidade de ver o treinamento de dois esportistas muito habilidosos nesta modalidade!

Prost! Saúde! Timtim! 
No dia seguinte, fomos em frente passando por Quindío, departamento cuja capital é Armênia, região famosa pela produção de café. Como não podia deixar de ser, aproveitamos para nos deleitar com um delicioso café colombiano, além de comprarmos doce de café, provamos também alguns deliciosos chocolates a base da fruta.
La Tienda de Los Mecatos - produtos a base de café de excelente qualidade! A primeira torrefação de café foi em 1947

Flores e frutos! 
Passeamos pelo Museu del Oro Quimbaya, em Armênia, dica de nosso amigo Juan Carlos. O lugar é top e free! Tem objetos feitos em ouro pelos indígenas que habitavam a região - a civilização Quimbaya viveu por volta de 600a.C. e 500d.C. - antes dos espanhóis aqui aportarem... uma riqueza em detalhes e trabalhos de ourivesaria fina! Valeu muito a pena conhecermos este museu. São 7 os principais museus do ouro na Colômbia, entre eles, este, em Armênia. Os outros estão em Cali, Bogotá (o mais famoso), Pasto, Cartagena, Santa Marta e Medellín.




Seguimos em frente, cada vez mais perto de Medellín, sempre tendo que parar inúmeras vezes nas milhares de obras nas pistas. Cabe aqui, esclarecer que na Colômbia se paga muito pedágio... e eles são caros! Portanto, no orçamento da viagem de carro pela Colômbia, o pedágio deve fazer parte das despesas, pois consumiu, para nós, cerca de 10% dos valores gastos!

                iii) Armênia - Medellín: 260 km

Vista da cidade
Chegamos à Medellín e fomos logo até o centro da cidade tentar encontrar um local para dormir, antes de qualquer coisa, afinal, em cidades grandes esta busca sempre é mais difícil. Um guarda municipal nos indicou o Parque Arvi, um pouco distante da cidade, onde muitos viajantes pernoitam e fomos para lá. No caminho havia um pedágio bem caro ($12000)  e fizemos as contas: "serão dois pedágios, pois amanhã retornaremos para a cidade para conhecê-la". Valia mais a pena buscar um hostel para passarmos a noite.
Metrocable - Bondinhos que sobem o morro em Medellín: sistema composto
por 4 linhas em operação e mais uma em obras, com 13 estações e mais de 10 km de extensão.
Buscamos pelo Booking.com e fomos no primeiro... fomos parar no meio do morro, parecido com uma favela, onde tem o teleférico, conhecido por Metrocable! O "povo" nos olhou e seguiu a vida... Vimos que ali não seria uma boa pedida, então descemos o morro novamente (e isso não foi fácil, pois as vielas são mãos únicas e muitas não têm saída). Fomos atrás da segunda alternativa, Su Casa Natura, porém também perdemos uma saída da autopista e tivemos que fazer uma baita volta, em plena hora do rush e com chuva. Finalmente chegamos ao local e fomos recebidos pela Adriana, que nos atendeu e organizou tudo. Passamos uma noite tranquila e bem abrigada, na companhia do Bruno, um cão beagle bem velhinho, mas muito afetivo.

Bruno, pidão, ficou só olhando! Fomos proibidos pelos donos de dar comidinha pra ele, coitadinho!!
Na manhã seguinte o Harold, responsável pelo hostel, nos ajudou com boas dicas de como ir ao Parque Arvi sem pagar pedágio e outras sugestões do que conhecer na cidade. Após avaliarmos a qualidade da água, surpreendentemente boa e que vem de mananciais próximos do parque que iremos conhecer posteriormente, seguimos até a entrada da cidade, próximo da estação Sabaneta, Itagüi, onde fica o Cemitério Montesacro. Aqui está enterrado o famoso e criminoso Pablo Escobar.

Federico, ex-funcionário da família Escobar, responsável pela manutenção do túmulo
Não fazendo qualquer apologia ao crime, fomos conhecer o túmulo dele por curiosidade e por entender que a história da cidade (e do país) está intimamente relacionada ao narcotráfico e importante ressaltar que na atualidade a cidade conseguiu superar essa "chaga", destacando a cultura e a educação diferenciada para sua população.
Pueblito Paisa, no Cerro Nutibara


Voltamos até o Cerro Nutibara, onde se tem uma vista linda da cidade e há um museu no Pueblito Paisa. O Publito Paisa é uma reprodução do povoado de Antioquia do início do século XX, com igreja e prefeitura, além de casario típico onde há lojas de souvenires e uma infinidade de restaurantes, cuja especialidade é a Bandeja Paisa, que experimentamos e indicamos: é uma delícia!!

Bandeja paisa!!! Pense num "trem bão, sô"!
A Bandeja Paisa é um prato típico delicioso composto por: feijão, arroz, arepa (espécie de panqueca de milho), carne moída, costeleta de porco, carne de boi, banana frita, ovo frito e salada de repolho com cenoura.


Paisa é o nome dado ao povo que mora na região noroeste da Colômbia, incluindo a parte dos Andes colombianos. As principais cidades da região Paisa são: Medellín, Pereira, Manizales e Armênia. Geneticamente seriam pessoas cujo pai é espanhol (ou judeu sefardita) e a mãe é indígena (ameríndia). Essa população é conhecida por ser hospitaleira e possuir uma culinária típica muito rica. 

Deixamos o pueblito e seguimos para o centro de Medellín, onde conhecemos as famosas e lindas esculturas de Botero, na Plaza Botero. Essas 23 figuras foram doadas pelo artista para a cidade natal, onde ele nasceu no dia 19 de abril de 1932.
"Venus Dormida", 1994, Bronze

"Hombre Caminante", 1999, Bronze

"El Hombre ...."

"Pensamientos", 1992, Bronze - detalhe: observe a pomba em cima da cabeça dela!

"El Perro", 

Ao fundo, Museu de Antioquia, com obras de arte. Ingresso: $18000 por pessoa
Obra: "El Rapto de Europa"
O centro da cidade é bastante agitado e tem muita gente desocupada, portanto toda a atenção e cuidado são necessários. Deixamos o Garça num estacionamento pago e seguimos a pé até a praça e de lá, fomos à Catedral Basílica Metropolitana, construção muito bonita, porém estava fechada.
Catedral Basílica Metropolitana 
Após muitas fotos, fomos em busca do Parque Regional Ecoturístico Arví, sem pagar pedágios, via Calle 44, Cra 40, Calle 49, para lá e para cá... finalmente chegamos, um pouco antes da chuva. Conversamos com o vigia do local, Fernando, que nos explicou que a área de camping foi fechada (pela presença e atitude indesejada de viajantes inoportunos), mas que poderíamos dormir numa área lateral, desde que saíssemos cedo pela manhã. Nos foi permitido usar os banheiros também. Como hoje havíamos comido no almoço a deliciosa Bandeja Paisa, só beliscamos umas galetitas e tomamos uma cerveja antes de dormirmos.
Área de picnic no Parque Arví, arredores de Medellín, com boa estrutura, porém pouca área de estacionamento

Vista da cidade. No parque de 16 mil hectares há dezenas de trilhas que podem ser percorridas a pé ou de bike. 
                            iv) Medellín - Valdívia - Caucásia - Monteiros - San Bernardo del Viento: (litoral do Atlântico/ Caribe): 500 km

Tomamos nosso café cedinho na área de picnic do Parque e retornamos para Medellín, agora pela Rodovia que segue para Bogotá, contornando para Belo e subindo a serra em direção à Caucásia, pela R25. No meio da subida, um pneu furado mudou nossos planos... Tira tudo do carro, pega o compressor de ar, retorna tudo pro carro, enche o pneu, busca uma llanteria, conserta o furo, continua a subida... UFA! Isso consumiu algumas horas!

César e sua esposa, Marina, ainda nos deram uma mãozada de tangerinas e laranjas de seu quintal
Finalmente conseguimos encher nosso botijão de gás em Don Matias. Estávamos buscando um local que fizesse esse serviço havia dias, mas estava bem difícil, pois o sistema aqui (e o gás daqui) são diferentes do Brasil! Agora teremos mais autonomia com nosso bujão cheio de butano. Na descida da serra a temperatura (que andava meio baixa) começou a subir, dando sinais de que estávamos nos aproximando da praia.
Muelle em San Bernardo del Viento
No dia seguinte chegamos à San Bernardo del Viento, primeiro contato com o Oceano Atlântico depois de 43 dias e mais de 12000 km rodados!
Ficamos uns dias acampados no estacionamento da Etilza, senhora muito simpática que permitiu que ficássemos no seu quintal, de frente pro mar, usando seu banheiro e água. Tomamos banho de mar, calmo e morninho e aproveitamos para descansar e curtir o Mar do Caribe, que aqui não é azulzinho, pois a areia é escura.
Vista do nosso acampamento 

Praia de San Bernardo del Viento
        v) San Bernardo del Viento - Coveñas - Islas de San Bernardo - Tolú - Cartagena: 230 km

Passamos dois dias incríveis aqui, só aproveitando o mar e o vento... Daqui seguimos até Coveñas, onde há um Museu da Infantaria de Marinha Colombiana. Parecia interessante, então entramos. O ingresso era de $6000 por pessoa e o Soldado Santarrosa foi responsável por nos acompanhar nesta visita.
Carro de combate em exposição


Servindo de modelo para demonstrar o equipamento militar 

Dentro da casamata, atirando com um rifle M-14
O exército colombiano é o segundo maior das Américas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos da América em número de efetivo. O presidente da Colômbia é o comandante das forças armadas em-chefe. Suas raízes remontam à guerra de independência contra o Império espanhol e teve atuação durante a 2ª Guerra Mundial, bem como enviou tropas para a Guerra da Coreia e atualmente, além de atuar no combate às guerrilhas e ao narcotráfico, também tem atuando nos esforços contra a pirataria na costa da África.
Réplica do Arco do Triunfo, na França

Réplica do Partenon, na Grécia
Ainda no Museu, conhecemos a Maria Termmes que estava realizando um projeto junto às crianças carentes da comunidade, chamado Los Niños de La Mar e cujo objetivo é chamar a atenção à grande quantidade de lixo que é jogada nos rios e acaba no mar, poluindo tudo e acabando com a atividade pesqueira, arrimo de muitas famílias da cidade.
Projeto Los Niños de La Mar, da Maria Termmes
A afinidade foi instantânea e conversamos sobre os dois projetos, o dela e o nosso, que tem tudo a ver.  Desta forma, ela acabou nos convidando para acamparmos em sua casa para trocarmos ideias. Acabamos ficando mais alguns dias ali com ela, aproveitando para conhecer a história do lugar, mais sobre a cultura costenã e paisa e aceitando a sugestão de visitarmos as Islas de San Bernardo, num passeio de barco que sai de Tolu.

Praia de Coveñas - casa da Maria, onde acampamos
 Já Coveñas foi fundada no século XVI (1560) como porto para o tráfico de escravos e no século XX, mais precisamente a partir nos anos 1970, passou a ter importância no setor petroleiro.


Com nossa amiga, Maria Cláudia Termmes
Deixamos a casa da Maria após provarmos as deliciosas arepas recheadas com ovo, fritas e com queso... Pense numa coisa gostosa!! As arepas, em si, não tem gosto de nada. Mas estas, que provamos aqui, vão ficar pra história! Além deste prato típico, temos de destacar que aqui, na Colômbia, comemos as melhores e mais deliciosas cocadas da nossa vida!!! 
Arepas recheadas com ovo e queso frito, molho de nata azeda!! De-lí-cia!!
Chegamos ao porto de Tolu e seguimos direto para falar com o Jorge Armando, da Marina Los Delfines. Pagamos nosso ingresso, $35000 por pessoa para o dia todo de passeio, por 4 ilhas. Após 35 minutos de passeio, alcançamos a 1ª ilha, Boquerón, e dali seguimos para a Isla Palma, onde há um resort de luxo. 

Isla La Palma, com seu Hotel 5 estrelas

Islote de San Bernardo - entrou no Guinness por ser a menor e mais populosa ilha do mundo
Depois fomos até o Islote de San Bernardo, onde desembarcamos para fazer a análise da água. Esta é a menor e mais povoada ilha do mundo, com uma população fixa de 650 habitantes, ocupando uma área de pouco mais de 1 ha. Aqui deveríamos encontrar o Adrian, amigo da Maria, que nos acompanharia na visita e coleta da água fornecida para os locais. Esta água fica armazenada numa cisterna, com capacidade para 400 mil litros, onde se faz a captação da água da chuva e, quando esta acaba, a Marinha fornece água para eles. O desleixo da população com o lixo neste local tão pequeno é visível... 
Islote de San Bernardo


Dali seguimos até a Ilha de Mucura, onde iríamos ficar por 3 horas. Antes de irmos até o local onde os turistas costumam ficar, área de restaurantes e banho, seguimos com nosso guia, Orlando/Epa, até o outro lado da ilha de Mucura, onde vive o pueblo, com aproximadamente 250 pessoas.
Área de mangue, na Isla Mucura

"Poça" onde as pessoas buscam água para fazer a limpeza e para tomar

Desleixo com o lixo, espalhado por todos os lados
As condições em que esta população vive não são das melhores... lixo por todos os lados, inclusive próximo da única fonte de água que existe no local, uma "poça" a céu aberto, onde animais também podem se aproximar e cuja qualidade de água não é, nem de longe, potável. Aí estas pessoas têm de comprar água, em pacas (pequenos cartuchos) ou botillas, que vêm do continente e cujo custo é alto, e aqui falo tanto do custo em dinheiro, quanto do custo ambiental, pois todo o lixo produzido na ilha deveria ser levado ao continente, mas parece que isso não acontece nesta parte da ilha.
Atividade pesqueira: retirada do berbigão de dentro da conchas. Observem atrás do homem, são milhares de conchas!!

Crianças indo para a escola, na Isla de San Bernardo: esperando a condução, barco, que os levará! Observe que todas estão de uniforme, impecáveis, meninas de vestido e meninos de calça com blusa de gola!
 Depois de conversarmos e observarmos as atividades cotidianas neste lado da ilha, seguimos ao outro lado, "civilizado", onde aproveitamos para nos esbaldar numa água cristalina! Aqui o Caribe é 7 Colores!!! 


Cerveja, sombra e água fresca... Ô, vidão!

Mar transparente e água morninha... isso é o paraíso!
Mais tarde o grupo se organizou e fomos até a Ilha Tintipan, onde também descemos, tiramos fotos e tomamos banho... A volta à Tolu foi bem mais agitada, com ventos fortes e ondas maiores batendo no barco. Retornamos com segurança e, após um banho de água doce cedido pelo Jorge, seguimos até um local para podermos acampar e dormir. 
Isla Tintipan
A Maria tinha nos dado umas dicas de caminho alternativo, Via La Pita, para fugirmos dos pedágios e das obras na estrada. Seguimos suas dicas e fomos parar em San Onofre, de onde seguimos para a estrada pavimentada. Ali, já quase anoitecendo, fomos parados por uma blitz e, após mostrarmos os documentos, solicitamos um local para acamparmos. Os policiais nos sugeriram o Restaurante El Playon, distante pouco mais de 5 km. Chegamos lá e o gerente nos indicou onde podíamos acampar. Anoiteceu.  Fizemos nosso jantar, camarão no bafo com salada, e fomos dormir tranquilamente, pois o dia foi intenso!

No dia seguinte nosso objetivo era Cartagena. Chegamos lá cedo, e vimos uma construção linda no alto do morro. Sem pestanejar, seguimos para lá, o Convento Santa Cruz de La Popa, de onde se tem uma vista lindíssima da cidade. 

Vista da cidade do alto do morro, onde fica o Convento Santa Cruz de La Popa (450 msnm)
Fundado em 1607 pela irmandade agostiniana, a construção levou cerca de 6 a 7 anos para terminar. Primeiro foi construída a capela e depois o convento. Durante a República, os freis tiveram que abandonar o local, pois ele se tornou um quartel onde Simón Bolívar se estabeleceu com seu regimento. Apenas em 1961 é que o complexo foi devolvido para os agostinianos. O ingresso para visitar o Museu e as dependências custa $12000 por pessoa.



Interior da capela.
Cartagena das Índias, ou simplesmente, Cartagena é uma das cidades mais famosas e conhecidas da Colômbia e não é pra menos. É linda, alegre, colorida, agitada!!! Fundada em 1533, já era povoada por povos pré-hispânicos desde 4000 a.C., pela cultura de Puerto Hormiga. Posteriormente, outra cultura, mais desenvolvida, a Monsú, passou a viver nesta área profícua e com pesca abundante. Quando Pedro de Heredia fundou a cidade aqui viviam os Calamarí.
Os espanhóis inicialmente utilizaram o porto de Cartagena  para escoar o ouro e a prata extraído das minas em Nova Granada e no Peru, e que seguiam para Havana, Cuba, em sentido à Espanha. Posteriormente se tornou o maior porto escravagista das Américas, tendo sido local onde milhares de escravos vindos da África foram comercializados. 
Castillo de San Felipe de Barajas - Declarado Patrimônio Histórico da Humanidade, em 1984, pela UNESCO
Saímos de La Popa em direção ao Forte de San Felipe. Estacionamos próximo do local e seguimos a pé. O ingresso custa $25000 por pessoa e há um filme que conta a história da construção e das invasões ocorridas na cidade antes do forte ter sido erguido. 

Lá no alto, ao fundo, se pode ver o Convento La Popa



A primeira parte da sua construção ocorreu na segunda metade do seculo XVI, quando foram erguidos os primeiros fortes, trincheiras e fossos. Em 1656, o governador Pedro Zapata  iniciou a construção e esta primeira etapa terminou um ano mais tarde com um Bonete - nome dado em função da forma, mais parecida com um boné ou touca. Em 1697, Cartagena foi atacada por franceses, que tomaram a cidade. Depois, foi atacada pelos ingleses em 1741, porém eles foram derrotados. Posteriormente, por ordem do Rei Felipe II, foram construídas as primeiras muralhas de modo a impedir novos ataques, e que só foram concluídas já no século XVIII. 


Sistema de túneis que percorrem toda a fortaleza e era onde estava estocado todo a munição
 A partir de 1821 essa fortaleza perdeu sua importância e foi abandonada. Baluartes e partes da muralha foram derrubadas. Seu resgate teve início em 1928, quando foi restaurada pela primeira vez. Desde 2012 o Ministério da Cultura designou a Escuela Taller Cartagena de Indias, responsável pela manutenção, restauração e proteção deste patrimônio.

Daqui seguimos diretamente para o Hilton, onde acampamos (atrás dele), junto com outros viajantes. Havia gente da Argentina e do Chile, todos seguindo rumo ao Norte, alguns indo pro Alaska, como nós. Bom trocar ideias, ouvir e dar dicas, conhecer pessoas!! Essa é a melhor parte de tudo! 
Nosso acampamento, atrás do Hilton

Grupode aventureiros viajantes reunidos

Vista do lago e da praia, ao fundo
Ficamos aqui vários dias, até conseguirmos embarcar nosso Garça para o Panamá. Entre a Colômbia e o Panamá há um trecho de 80 km, aproximadamente, conhecido pelo nome Istmo de Darien, onde não há rodovias ou passagem, pois é um pântano profundo e bem fechado. Penso que não haja interesse político em fazer uma obra de ligação via terrestre entre os dois países, pois isso acabaria "prejudicando" as transações comerciais e portuárias obrigatórias que se utilizam do Canal do Panamá para realizá-las. 
Enfim, aproveitamos esses dias para conhecermos e nos deliciarmos com esta cidade apaixonante que é Cartagena. 
Ao lado da Plaza de la Inquisicion (Plaza de Bolívar)

Torre do relógio ao fundo, na Plaza de los Coches
Calles dentro da cidade amuralhada


Ao fundo, Iglesia San Pedro Claver, onde há um Museu e está também exposto o caixão
com o Santo Jesuíta Pedro Claver ("Santos dos escravos africanos")


Frutas vendidas na rua: limpeza e beleza associadas! Dá água na boca!!

Muralha vista de fora

Atravessando uma das passagens para dentro da cidade muralhada
No dia seguinte (sexta-feira) tivemos um problema com o alternador do carro e seguimos até a cidade, fora da parte turística, a fim de consertá-lo em tempo do embarque, que iria acontecer na segunda-feira, dia 04 de março! Enquanto o mecânico buscava um modelo de alternador compatível com o Kia Sportage Diesel 2000, Marcos corria atrás da documentação necessária para o embarque, junto com os amigos e companheiros de viagem, Roy, Gal e Elad, israelenses, com quem iríamos dividir o container e as despesas de envio. 
José, mecânico que efetuou a troca do alternador

Alternador Isuzu 4DB1 

Andando de mototáxi,do Eduardo, por Cartagena
O conserto ficou pronto somente no sábado à tarde. Ficamos no Hotel Ibiza uma noite, diária de $ 75000, sem café da manhã, com internet, próximo da oficina onde o Garça estava parado. Tanto o jantar do dia anterior quanto o café da manhã foram feitos na esquina do Hotel (e da oficina), numa avenida agitadíssima. A comida era boa e barata! Quando tudo estava arrumado, seguimos novamente para nosso lugarzinho free, atrás do Hilton. Lá reencontramos os amigos e mais alguns outros viajantes que chegaram. Lembram do Zé, que encontramos em Nazca?? Pois ele está aqui também.
Despedidas dos amigos argentinos, chilenos e colombianos


Levamos o Garça pra lavar num posto, pois para embarcar tem de estar limpinho e aproveitamos para fazer um pouco mais de turismo pela cidade. A documentação estava toda pronta e na segunda-feira, bem cedinho (5h30min da madruga), saímos para levar o carro até o porto de Cartagena, para o embarque.

Roy, Elad e Marcos emocionados ao lado de "nosso container"!

Garça e Kombi azul esperando o fiscal

Fiscalização de tudo que há dentro do carro

Entrando no container
Mais um pra dividir o espaço

Com Roy e Ana, nossa despachante. Tudo certo! 
Os trâmites foram relativamente rápidos, houve a inspeção, onde tudo teve que ser retirado do carro para o fiscal olhar e depois retornar tudo novamente para seu devido lugar. Carros embarcados, container lacrado, seguimos para a casa da Ana, nossa despachante e amiga, para almoçarmos antes de pegarmos os últimos documentos para o desembaraço no Panamá.
Ana e o marido, almocinho especial! Ficamos devendo a comida brasileira.. ficará pra próxima visita à Cartagena

Ana, nossa despachante: referência para serviços de embarque/desembaraço no porto de Cartagena
À tarde a papelada foi mais demorada... acabamos "perdendo" o dia todo com o embarque e só fomos pra Pousada Cartagena Histórica passado das 18 h. Lá chegando, ficamos quase uma hora esperando alguém vir nos atender... Já estávamos bem nervosos e cansados quando finalmente uma moça apareceu, se desculpou alegando problemas familiares e demos entrada em nosso quarto. O preço era bom ($40000 a diária), o quarto também, porém o hostel não ficava próximo do centro da cidade - informação errônea no Booking.com - e nem de um banco ou supermercado, portanto no dia seguinte mudamos de endereço, sendo levados por um taxista muito bacana para o bairro Getsemaní, uma joia, ao lado da cidade amuralhada, bem no centro "do fervo" e das atrações de Cartagena, por $50000 a diária!!!
Vista da sacada do Hostal Mikaili - Calle de la Media Luna, no 9-44 (mikailicaribbeanspot@gmail.com) 

Com Adriana,  a proprietária (Celular: +57 314 432 21 43)
Adriana nos recepcionou no Mikaili Spot 868, e o quarto que pegamos era o mais baratinho... parecia um ovo! Para usar o banheiro a porta do mesmo tinha que ficar aberta, mas tudo bem! Foi nossa casa por alguns dias e estava hiper bem localizado. Podíamos usar a cozinha e tínhamos nossa privacidade, pois a ducha era bem boa e o ventilador deu conta do recado, funcionando direto durante as horas que ficávamos lá dentro (que foram poucas, pois aproveitamos para passear MUITO!!!).
Nosso "ovo", no Getsemaní
Conhecer o bairro Getsemaní é um espetáculo à parte. O bairro tem vida própria e é uma excelente pedida tanto para o dia quanto para a noite. Seguro, caminhar por suas vielas coloridas e alegres é tranquilo. Comer e fazer compras também é muito bom, pois há preços e produtos para todo o tipo de turista. Aproveitamos para conhecer a culinária colombiana e internacional diferente, além de nos deliciarmos com os mojitos e sucos de frutas naturais que você encontra em quase toda a esquina.
Iglesia de la Santísima Trinidad (1600), na Plaza de la Trinidad, onde os ambulantes oferecem de tudo! 

Exposições de arte por todos os lados

Getsemaní é famosa pelos seus painéis coloridos e artísticos, com temas variados
Quando Gabriel García Márquez costumava perambular pelas ruas deste bairro, nos idos de 1940, conversando com pescadores e visitando os mercados locais para se inspirar, abastecendo-se de histórias novas, Getsemaní era a parte pobre da cidade, fora da cidade amuralhada, onde os contos de fada e a aristocracia viviam. Aqui viviam as pessoas mais simples, acontecia o tráfico de drogas e a prostituição tomava conta das ruas. Tudo se transformou com o passar do tempo e nas últimas décadas, Getsemaní renasceu para ser um grande cartão postal da Colômbia.


Reconhecida pelos seus famosos painéis, foi sede do Festival Internacional de Arte Urbana, em 2013. Além dos casarões antigos, você encontra aqui o famosíssimo Café Havana, frequentado por García Márquez e com shows noturnos diários, onde se pode ouvir uma boa salsa.

À noite, o visual muda, mas continua lindo!

Plaza de La Trinidad, onde se deu uma das revoltas pela libertação! Observem os painéis ao fundo!
Aproveitamos nosso dias de ócio para conhecermos a cidade. Passeamos pela orla, fomos até o Fortim e de lá até o porto de desembarque dos transatlânticos, a pé. Conhecemos a praça da Índia, e pegamos praia próximo de onde havíamos ficado por dias (no Hilton). Visitamos o Museu do Ouro dentro da cidade amuralhada, gratuito, e fizemos compras variadas no comércio local, aproveitando os bons preços e realizando negociações sempre que necessário. Foi tudo uma beleza! Povo guerreiro, trabalhador, alegre e colorido! Na Colômbia os preços de alimentação são bem acessíveis e as corridas de táxi são combinadas previamente.
Ruas enfeitadas atraindo a atenção dos turistas

Ficamos 4 pernoites aqui, esperando os meninos israelenses chegarem em Colón, pois eles foram para o Panamá de veleiro, pagando U$500 por pessoa, por 5 dias de viagem de veleiro passando pelas Islas San Blas e aportando próximos de Colón (com tudo incluído). Nós decidimos ir de avião e nosso voo era no sábado, para Ciudad do Panamá, onde ficamos 2 dias, antes de subirmos para Colón. Mas essa já é outra história, que ficará para a próxima postagem: Panamá, um país que está se reinventando!!!
Bye Bye, Colômbia. Até a próxima!!