Viagem Família______________________________________

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domingo, 4 de novembro de 2018

Paso Cardenal Antonio Samoré (CH/Arg) a Futaleufu (Chile) - Janeiro de 2018

215CH - Seguindo de Osorno ao Paso Cardenal Antonio Samoré
Não é a primeira vez que fazemos este trajeto, mas sem dúvida, dessa vez ele foi bem diferente, em diversos quesitos: o primeiro era que não estava previsto o retorno à Argentina tão cedo; depois, separar-nos de nossos amigos que até então viajavam conosco, acaba entristecendo um pouco, pois eram boas companhias e, em terceiro, a paisagem à nossa volta está bem modificada! A ação da última erupção do vulcão Calbuco fez estragos... a natureza morta, tentando ressurgir das cinzas é chocante!


Os trâmites foram bastante rápidos, apesar de ser uma divisa bem movimentada e fomos em frente, até a bucólica Villa La Angostura, às margens do lago Nahuel Huapi. Enquanto procurávamos local para estacionar, relembramos a última vez que estivemos por essas bandas e "esquecemos" nosso filho Douglas, deixando-o pra trás!!! Que alívio foi reencontrá-lo algumas horas depois, andando solitário pela avenida central da cidade, esperando pela gente!!!!( Que mico esquecer o filho, mas éramos em 3 carros e há o revezamento dos filhos nos carros)
A cidade é fervilhante e seu comércio uma loucura! Os preços não estavam muito atraentes, mas como a cidade é um centro de atração turística da região, todos acabam comprando algo, nem que seja uma barra de chocolate artesanal, ou um queijinho (que foi o que compramos!!)


Já estava anoitecendo... eram umas 21h30min quando seguimos para nosso acampamento selvagem, às margens do lago, já a caminho de San Carlos de Bariloche.
Escolhemos um local que a Joselle havia visto no iOverlander (aplicativo do celular) e que compartilha informações de viajantes do mundo todo. Muito legal e completo, nos auxiliou nessa etapa da viagem, tornando as buscas por locais para dormir, comer, visitar, mais ágeis e menos estressantes!

Preparando o acampamento
Hora de fazer o jantar: hoje terá "restô de onté"! Bolinho de arroz com peixe e salada, além de pizza assada num forninho muito bacana, desmontável, no Amândio! A hora do banho foi memorável e rápida, pois o lago é de degelo e nem preciso dizer a temperatura que a água estava... desta forma, Marcos, que é bem mais destemido que eu, se atirou rapidamente, dando um mergulho e se lavando e eu, como uma gata, foi entrando pé ante pé, até mergulhar só o corpo, deixando a cabeça pra fora, não sem antes dar um grito!!! Muitas risadas depois, estávamos quentinhos e saboreando o queijo e vinho comprados anteriormente, já pensando nas alterações de roteiro que iríamos fazer no dia seguinte.

Vista do amanhecer... espetacular!(de dentro da nossa barraca de teto)
O lago Nahuel Huapi tem origem glacial e possui uma profundidade máxima de 450 m, estando a 700 msnm e fazendo divisa com o Chile, pertence às províncias de Neuquén e Rio Negro. Foi descoberto em 1670 por missionários jesuítas provenientes de Castro, na ilha de Chiloé. Estes fundaram uma missão na península Huemul, às margens do lago, para evangelizar os nativos. Esta missão foi abandonada alguns anos mais tarde, por conta do assassinato de 5 missionários. Foi redescoberta apenas quando Perito Moreno retornou à região durante suas expedições.

Quando se acampa, normalmente se acorda cedo, com os primeiros raios solares! A vista do lago, sua quietude e beleza nos tirou da cama alegres, mas com serviço a ser feito, pois o vento durante a noite estragou um pouco o toldo do carro do Amândio, entornando uma das hastes! Então, enquanto os meninos efetuavam o conserto, as meninas agilizavam o café da manhã.


Revendo roteiro...
Próxima parada: Bariloche! Fazer mercado e banco!! A cidade está lotada e o trânsito meio caótico! Na busca por vaga pro carro, acabamos nos perdendo do Amândio... assim, como havíamos feito o roteiro juntos, seguimos em direção a Esquel e voilá, nos reencontramos!! 

San Carlos de Bariloche possui uma grande infra estrutura para receber turistas o ano todo, possuindo famosas pistas de esqui e snowboard. Para os interessados em turismo de aventura, há opções de "rafting", cavalgadas, "parapente" e ciclismo de montanha. A cidade foi fundada em 1895, por alemães. O nome Bariloche vem do mapuche e significa "povo de trás da montanha", uma vez que esses índios são originários do outro lado da Cordilheira dos Andes, onde hoje é o Chile. A travessia era feita de um lado para outro, pois aqui a cordilheira possui locais onde as montanhas são mais baixas, permitindo sua travessia. Já o nome Carlos advém de don Carlos Wiederholdt, dono do primeiro comércio da cidade.


RN 40 - Rumo a Esquel
Curioso é que durante nossas compras de frutas e verduras aconteceu de comprarmos uma cabeça de alface americana linda e pesadíssima!! Para nossa surpresa, a peça foi cobrada em quilos, e não por cabeça!! Bom... ali tinha alface para um batalhão!! 


Paramos para tirar umas fotos e já estava na hora de fazer "uma boquinha"!  Assim, partimos em direção a uma lanchonete que dizia que suas empanadas eram incríveis... Incrível mesmo foi o atendimento: quando as empanadas chegaram, quentinhas, o atendente não sabia quais eram os sabores e assim, sem mais nem menos, pegou uma a uma (com a mão mesmo, sem papel ou luvas) e foi dizendo o que eram... Nós não acreditávamos no que víamos! A vontade de rir foi grande... Joselle ficou indignada! Amândio não queria acreditar naquilo rsrsrsrsrs Comemos tudo e, como diz o ditado: os bichos grandes comem os pequenos!

Garçom verificando in loco o sabor das empanadas: como???
 Depois de abastecermos nossos carros em El Bolsón, passamos pela Villa Lago Rivadavia, já na RN 71, e por rodovia não pavimentada seguimos até o Parque Nacional Los Alerces, criado em 1937, onde há muitos campings e trilhas para trecking. Apesar de ser um dos parques mais bonitos da Argentina, ainda é pouco conhecido pelas pessoas... seu nome é homenagem às arvores, alerces, que podem chegar a 70 m de altura (e 3 m de diâmetro), com crescimento muito lento. Também encontram-se os arrayanes, árvores de tronco alaranjado, além dos lagos andinos, um mais lindo que outro. A paisagem é inspiradora!




Fomos visitar alguns campings particulares, mas acabamos optando por camping selvagem, numa área bem bacana, às margens do lago Futalafquen. O vento estava bastante forte durante a noite e para jantarmos (frango ensopado, macarrão com tomate seco e salada de alface!) tivemos de nos agasalhar bem! Durante a madrugada, o vento parou e pela manhã a temperatura estava bem amena...
Há muitas possibilidades de trilhas para fazer neste parque. Na entrada do mesmo recebemos 3 folders: um tratando das trilhas, outro da flora e outro da fauna locais.
Não será desta vez que iremos fazer alguma trilha, pois elas têm, em média, 12 km de distância, o que levaria pelo menos 1 dia para ser percorrido! Assim.. isso ficará para a próxima vez!

Café da manhã no Parque Nacional Los Alerces

Lago Futalafquen


Lago Futalafquen - vista da estrada parque. As trilhas cruzam esta pista em diversos pontos




Abraçando o alerce
Já na região sul do lago encontramos um casal de brasileiros, naturais de Brasília, com seu carro "Cheiroso".( Cada viajante acaba por batizar seu carro) Eles estão na estrada há 5 meses e agora no retorno para casa! Batemos um papo e trocamos ideias, pois estamos indo para onde eles acabam de sair!

Thiago, Carolina - "Terrasondepassei"; Amândio e Joselle - "Viajandonos4x4" e Marcos e Mari - "Viagemfamilia"
Quase chegando em Trevelin, já na saída do Parque, paramos numa lanchonete onde nos deparamos com um produto bem diferente: escabeche de puma! A curiosidade foi grande para saber o sabor, mas o custo estava um pouco fora de nosso orçamento e acabamos deixando para comprar na fábrica, já na cidade!


Provando queijos, salame e pão caseiro... imaginando o sabor do escabeche de puma!

Rosa mosqueta
Que pena... esquecemos que aqui tem hora da siesta! Quando chegamos à cidade, distante uns 15 km, já era passado do meio dia! Tudo só abre depois das 15h. Seguimos viagem em direção a Esquel - ainda com a curiosidade de saber o sabor do tal escabeche - para pegarmos informações sobre o Paso Los Pampas, desconhecido para nós, mas marcado no mapa como sugestão de passagem a partir de José de San Martín (Argentina), localizada mais ao sul de Esquel (uns 230 km) em direção a La Junta (Chile), 215 km de distância. A informação recebida na Oficina de Turismo de Esquel foi que o paso Los Pampas é um paso com muito rípio, exigindo 4 x 4 pesado. Decidimos,então, voltar um trecho (retornando a Trevelin, pela R 259) e fazer o Paso Futaleufú!

Seguindo pela R 259 para o Paso Futaleufú 
 Curiosidade: nessa região da Argentina os bandoleiros Butch Cassidy e Sundance Kid se esconderam após os roubos cometidos nos EUA. É uma região onde se criam ovelhas e eles viraram importantes fazendeiros da região, aparecendo em colunas sociais nos jornais da época! Graças a isso, foram descobertos e, após alguns anos de fuga indo e vindo da Argentina pro Chile, foram emboscados no sul da Bolívia, na região de Villazón, onde foram mortos.

Rio Futaleufu

Pica paus só observando!
Os trâmites aduaneiros foram como de praxe: rápidos e chatos: confiscaram nossa alface (aquela linda e pesada que havíamos comprado na saída de Bariloche) e um pedacinho de queijo da Joselle, que ela esqueceu de esconder!!
Já na cidade de Futaleufú, tentamos em vão conseguir o sinal de wi-fi na praça (que é zona aberta), mas o sinal era muito fraco! Na informação turística nos sugeriram 2 campings. Fomos até o primeiro, próximo do centro da cidade, nas margens do lado Espolón. Era o quintal de uma casa e estava bastante cheio... Assim, seguimos para outro, já no caminho da Ruta 231CH, próximo da ponte sobre o rio Azul.


O camping possuía uma boa infra estrutura, com banheiros limpos e ducha quente, além de espaço para lavar as louças e roupas.  Joselle e eu aproveitamos para lavar umas peças de roupa (com água quente) e eu aproveitei para tomar um banho gostoso, quentinho, enquanto os meninos resolveram se aventurar e tomar um banho ge-la-do no rio Azul!!





Depois de uma jantinha esperta (bolinho de arroz, bisteca assada, salada de tomate e cebola), descansar e curtir a noite estrelada, mais uma vez no Chile.

Futaleufú é uma comuna (administrada por um conselho municipal e liderada por um  alcaide que é eleito diretamente a cada quatro anos) e, mesmo sendo pequena, é a capital administrativa da província de Palena, desde a erupção do vulcão Chaitén e a subsequente destruição da cidade de mesmo nome. Possui pouco mais de 5 mil habitantes e é lindinha demais. O nome vem do mapuche e significa "rio grande".  Já estivemos por essas bandas há alguns anos e a cidade cresceu de lá pra cá, mas mesmo assim continua com aquele ar de cidade de interior, onde todos se conhecem. Sua principal atividade econômica está no turismo, pois seus rios são famosos no mundo todo para a prática do rafting. Além disso, na região se faz trekking, canyoing, mountain bike e pesca com fly.
É o paraíso dos amantes de esportes de aventura. Você encontra gente do mundo todo por aqui!

No dia seguinte, logo apos o café, demos um giro pelo centro da cidade antes de continuarmos em direção à Carretera Austral.

Igreja de Futaleufu

Curtindo a paisagem


Rio Azul


Corredeiras para rafting

Parada para lanche
 Fomos descendo a CH231 em direção à Carretera Austral, mas sem pressa. As paisagens nos faziam parar a cada curva e depois de dezenas de fotos, resolvemos não seguir adiante. Paramos por ali mesmo, às margens do rio Futaleufú, curtindo bastante, relaxando, brincando com drone e preparando a comida! Hoje o banho foi radical, nas gélidas águas do rio... o meu foi rápido e rasteiro, já o Marcos mergulhou e curtiu o gelinho!!

Banho no rio Futaleufú

Camping selvagem a 45 km da cidade
 Coletamos madeira seca que havia nas margens e preparamos nossa fogueira. À noite, debaixo de um céu coalhado de estrelas, curtimos o crepitar da fogueira e fomos dormir felizes! 


Assistindo o churrasco misto(frango, porco e gado) ficar pronto, enquanto as roupas secam no varal improvisado.
Quando eram aproximadamente umas 23h, a Joselle começou a se sentir mal, com crise de rim! Fomos chamados e o Marcos ajudou o Amândio a desmontar o toldo e baixar a camper, que já havia dias estava com problemas no amortecedor de abertura. Assim, eles retornaram para a cidade de Futaleufú, em busca de atendimento médico. Nossa decisão de dormir por ali foi mais que acertada, visto que ainda estávamos perto da cidade e mais adiante não haveria cidade  próxima com estrutura.
Foi surpreendente, pois a cidade conta com um hospital todo montado e com equipe capacitada. Ao darem entrada, Joselle foi imediatamente atendida e medicada e, em poucas horas, já estava melhor. Deste modo, os amigos retornaram  pelas 4h da madrugada para o ponto de acampamento e de manhã, ficamos esperando eles descansarem para seguirmos adiante.

sábado, 27 de outubro de 2018

Frutillar a Isla Chiloé - Chile - Janeiro de 2018

Vulcão Osorno - lago Llanquehue (lugar escondido)
Após lauto e caprichado café da manhã, nos organizamos e seguimos em 3 carros para dar a volta no lago Llanquehue, sentido horário. É um belo passeio a fazer pois se tem a vista do Lago por todos os lados e com muitas atrações em toda volta.
Fomos a para a parte alta, onde nossa amiga Neide buscava pelo cartão que lhe permitisse utilizar o celular online aqui no Chile, e após algumas paradas, finalmente achou. 
Sentido Norte, até Puerto Octay, também localizada às margens do lago Llanquehue, cidadezinha de pouco mais de 10 mil habitantes, colonizada por alemães e elevada à categoria de comuna em 1891. 

Vista do cemitério da comuna Puerto Octay

As casas construídas pelos colonos têm estilos próprios, com a disposição de madeiras de maneiras diferentes!

Seguindo os amigos, Joselle e Amandio, do viajandonos4x4 
Ainda em sentido horário, fomos em direção ao vulcão Osorno, lindo e majestoso, com mais neve em seu topo do que quando estivemos por essas bandas há 4 anos. Subimos a estradinha que dá acesso ao vulcão, serpenteando a montanha e aproveitamos para fazer um treking, enquanto nossos amigos se divertiam subindo de sillas até o primeiro estágio. 


O Vulcão Osorno tem aproximadamente 2650 msnm e é um vulcão ativo do tipo estratovulcão. Sua primeira ascensão foi em 1848. Ele está dormente desde 1869. A pista de esqui tem um teleférico gigante que leva os esquiadores (ou só observadores) até dois pontos de parada.  Na frente do Osorno, além de avistar todo o lago Llanquehue, vê-se Puerto Varas, Frutillar, e também temos o privilégio de ver de frente o outro gigante, o vulcão Calbuco, que recentemente entrou em erupção, mudando seu perfil.

Vista superior da subida para o Vulcão. Ao fundo, vulcão Calbuco

Tabela de preços para esquiar (no inverno) ou simplesmente subir de a montanha

Esperando nossos amigos

Vista superior do 1° estágio 
Nosso passeio circundando o Lago continua e encaminhamo-nos para Salto del Petrohue, onde ficamos esperando pelos amigos. Nós (Marcos e Mari) não fizemos este passeio novamente, pois o custo é significativo e já conhecemos essa região de viagem anterior.
Na saída, buscamos um supermercado em Puerto Varas para comprarmos o jantar: hoje vai ter churras!!!
Voltamos ao camping quando já estava escuro e, desta vez, não teve jeito: o banho foi frio mesmo, pois o zelador foi irredutível e não ligou o gás!! Ok... banho frio faz bem pra pele!!!


Na manhã seguinte, a ideia era conhecer Puerto Montt e seguir até a Isla Chiloé - Ancud, pra ser mais exato! Então, após o cafezão desmontamos as tralhas e colocamo-nos na estrada, desta vez em direção sul, rumo a Puerto Montt. Não sem antes darmos uma geral no centrinho da cidade baixa, afinal, nossos amigos nunca estiveram em Frutillar e a cidade é uma graça! Aproveitamos para fazer umas comprinhas básicas (chocolates, sorvete, imã de geladeira pra coleção...) Todos itens de primeira necessidade! Dica: Estacione seu carro em qualquer lugar permitido e passeie sem pressa pelas lojinhas e ruas da cidade. Você vai se surpreender com o que vai ver e encontrar nessa simpática cidade.

Casas estilo alemão e igreja luterana, ao fundo

Teatro del Lago

Tomando sorvete no muelle (molhe)

Igreja Luterana - construída entre 1929 e 1934


Chegando em Puerto Montt, verificamos que se trata de uma cidade grande, sem tantos atrativos e com muito trânsito, o que para nossos amigos que rebocam trailers é um problemão. As ruas estreitas acabam sendo um teste de paciência para realizar manobras com veículos grandes ou compridos. Desta forma, abortamos esse passeio interno e seguimos até o ferry boat, em Pargua, Ruta 5, onde em poucos minutos fizemos a travessia para a Isla Chiloé. Pagamos $ 12000. 

Navio transatlântico, em Puerto Montt

Os viajantes: Marcos e Mari; Sérgio e Neide; Mario e Marlise; Amândio e Joselle

Entrando no ferry, para Isla Chiloé

No ferry, deixando o continente
Ancud ("lugar de cerros ventrudos"- terras férteis) tem pouco mais de 40 mil habitantes e foi fundada em 1767, como fortaleza para resguardar o tráfico no Cabo de Hornos. 
A ilha de Chiloé foi conquistada em 1567 pelos espanhóis e sua população indígena é composta basicamente por descendentes de mapuches (97%). Sua história é muito interessante e cheia de rebeliões e disputas, mas apenas em janeiro de 1926 ela passou definitivamente a ser território chileno, a partir do Tratado de Tantauco.




Ancud era capital da Isla de Chiloé até 1982, quando este título passou para Castro. Charles Darwin esteve em Ancud durante sua 2ª viagem com o Beagle, em 1834. 




Outra curiosidade é que a catedral, a Intendência, os edifícios públicos do centro cívico e 500 casas foram destruídas pelo fogo em 1879. A nova catedral, construída em concreto, foi consagrada em 1º de janeiro de 1900 e dinamitada em 1960, após um terremoto seguido de tsunami ter causado danos significativos à cidade e à estrutura da igreja. 

Como estava anoitecendo, buscamos um camping e encontramos um em Caulín, próximo do canal Chacao, chamado Camping Gaviota. Fomos atendidos pelo Javier, muito solícito. Antes que ficasse completamente escuro, fomos até a praia que ficava perto de uma falésia bem grande. No jantar teve carreteiro (o que havia sobrado do churrasco de ontem foi um excelente jantar hoje). O sinal de wi-fi era precário e só pegava perto da casa do zelador, na entrada. Assim, levamos cadeirinhas para lá e ficamos conversando com nossos parentes e amigos no meio do quintal. 

Falésia da praia próxima de Caulín

Preparando o carreteiro

Anoitecer
Havíamos sido informados de que havia uma pinguineira próxima do local onde estávamos e na manhã seguinte seguimos para lá, não sem antes tomarmos nosso café na companhia de um gatinho muito lindo e folgado. 

Sempre arrumávamos um amiguinho filão de boia!!! 
Ancud fica a 25 km do camping, sempre pela Ruta 5, e de lá seguimos até a Pinguinera Islotes de Puñihuil. O passeio foi top! Avistamos pinguins de Humbold e de Magalhães, cormorões e uma outra ave muito rara com seus filhotinhos, além de um casal de lobos marinhos com filhote. 

Subindo num carrinho que irá nos levar até o barco

Todos ajeitados... lá vamos nós!
Nosso guia, Andriel, foi show! Extremamente animado e comunicativo, passava as informações e brincava com todos no barco, deixando-nos à vontade!


Pinguins de Humbold

Pinguins de Magalhães

Lontra - menor mamífero marinho do mundo

Família indo pra água

Família de lobos marinhos com bebê

Cormorão Lile


O Monumento Natural Islotes de Puñihuil foi criado em 28 de setembro de 1999 e possui uma área de 8,64 ha. Ele está localizado na comuna de Ancud, província de Chiloé, região de Los Lagos. As 3 ilhotas que o compõem localizam-se na costa noroeste da Ilha Grande de Chiloé, em frente à enseada dos pescadores de Puñihuil.



Pedra do Urso

Pinguins 

Vista da praia

Dezenas de fotos depois, voltamos à terra firme, de onde seguimos até um lugar que havíamos visto a placa anteriormente: as maiores empanadas do Chile!! Resolvemos conferir!



Restaurante Madero's


De fato, as empanadas são gigantes... Uma pra cada casal é suficiente! (iguais aos nossos pasteis de vento)

Jardins de Van Gogh no Chile... Vista pra lá de linda!
Barriga cheia e saciados, retornamos até Ancud, no Mercado Municipal, para comprar frutos do mar para o jantar de hoje! Que experiência única! Além dos produtos oferecidos serem de ótima qualidade e preços bem razoáveis, a lindeza do lugar é incrível! Limpo e organizado, ficamos lá dentro por horas...

Mercado Público de Ancud

Batatas multicoloridas e alhos enormes!

Compras feitas... peixe, camarões, vieiras e mariscos
Isla Chiloé é conhecida por suas construções típicas: casas com tabuinhas de madeira diferentes, casas em palafitas e igrejas feitas de madeira. Assim, fomos até Dalcahue - 66 km distante de Ancud -  encontrar uma dessas igrejas famosas! 
Para nossos amigos de trailer, novamente foi um desafio, pois as ruas da cidadezinha são estreitas e tornam as manobras ou estacionamento um desafio constante. Assim, Mario e Marlise e Sérgio e Neide resolveram seguir adiante, buscando local para dormirmos, enquanto os outros dois casais, nós e Amândio e Joselle, aproveitávamos um pouco mais as belezas do lugar e depois seguimos a Castro para verificarmos e comprarmos nossas passagens de navio para que pudessemos embarcar com os carros para a cidade de Chaitén, porém sem sucesso! 

Nossa ideia era embarcar num navio aqui em Castro e seguir via marítima até Chaitén, cidade que foi destruída por uma erupção vulcânica em maio de 2008. O vulcão Chaitén provocou a evacuação total desta pequena cidade. A destruição não se deu somente pelas cinzas que cobriram todo o local, mas também porque as lavas provocaram o deslocamento de um rio, que acabou dividindo a cidade em dois.

Aos poucos, alguns moradores foram voltando ao local, e as atividades na cidade voltaram a funcionar novamente. Daí nosso desejo em conhecê-la. E de lá, continuar descendo a Ruta 7, mais conhecida como Carretera Austral! 

Sem passagens, nada de travessia... Plano B entrando em ação: teríamos de retornar até Osorno, e atravessar o paso Cardenal Antonio Samoré, entrando na Argentina em Villa La Angostura, contornando o lago Nahuel Huapi e descendo até o paso Futaleufu, aumentando o trajeto em 500 km, pelo menos!!! Ficamos chateados com esse empecilho, mas tivemos de nos conformar, pois foram inúmeras tentativas infrutíferas de comprar nossas passagens!! O site da empresa não terminava a operação! Desta forma...



Igreja de São João - Dalcahue
As Igrejas de Chiloé são templos de madeira construídos no arquipélago de Chiloé, na zona Sul do Chile, de acordo com um esquema tradicional que se considera pertencente a uma escola de arquitetura. As igrejas foram construídas entre o século XVIII e o século XIX, tendo a UNESCO declarado 16 das igrejas Patrimônio Mundial, devido a estas serem dos poucos exemplos de construção em madeira do século XVIII nas Américas.

Igreja de Dalcahue

Interior da igreja de Dalcahue

Casas típicas com tabuinhas
... reencontramos nossos amigos na estrada e enquanto decidíamos o que fazer e para onde ir, um sujeito nos pediu ajuda para rebocar o seu carro que havia estragado a poucos quilômetros dali. Amândio fez a boa ação e durante o rebocamento eu aproveitei para perguntar ao rapaz se ele conhecia algum camping por ali. Ele sugeriu um em Huillinco, distante pouco mais de 20 km. 


Despedimo-nos do amigo chileno e seguimos até a tal cidadezinha. O camping era show!!! Sra. Maria Inês e Sr. Jaime nos receberam muito bem e ainda por cima fizeram a gentileza de esquentar água para um bom e quente banho!!! A estrutura do camping era ótima, com cozinha e churrasqueira grandes, refeitório amplo e banheiros limpíssimos! Bom preço e bom serviço é tudo!

Os cozinheiros e seus preparativos

Jantar fantástico, com frutos do mar


Muelle (molhe) em Huillinco
A ilha de Chiloé possui 56 bacias hidrográficas, das quais 5 drenam em direção à baía de Ancud e ao canal de Chacao. Dentro desses, encontra-se o Rio Pudeto - um curso de água pluvial navegável, que tem 12 afluentes, entre eles, o rio Huillinco.

Marcos e eu temos interesse na parte histórica e queríamos conhecer mais algumas igrejas históricas de Chiloé antes de partirmos, além de querermos tentar novamente nossas passagens para Chaitén. Desta forma, cedo pela manhã, saímos mais rápido e começamos a retornar via cidadezinhas, entrando e saindo para visitarmos mais algumas igrejas e tentar entender o porquê de não termos conseguido nossas passagens... as informações eram controversas!  O combinado era encontrar o restante do grupo no ferry de retorno para o continente!

Casal Sra. Maria Inês e Sr. Jaime, simpaticíssimos proprietários do Camping Huillinco

Vista do lago Huillinco

Em Chonchi, fomos conhecer a Iglesia de San  Carlos de Borromeu, além de ver o braço de mar que há ali. 








Dali, seguimos retornando até a Iglesia de Nuestra Señora de Gracias de Nercón, um pouco antes de Castro.


Fomos ver de perto as casas em palafitas, de Castro. 

Maré mais cheia - palafitas de Castro

Maré baixa: casas em palafitas - Castro

Finalmente chegamos ao centro de Castro e visitamos sua Catedral: 

Igreja de São Francisco
Estávamos muito perto da empresa Naviera Austral, a única que fornece as passagens para Chaitén e outros lugares. Havíamos estado lá no dia anterior, porém a funcionária recusou-se a atender-nos, pois havia passado do horário (5 minutos). Hoje retornamos e buscamos as informações do porquê não termos conseguido embarcar hoje cedo... aí a moça nos atendeu, meio desconsertada e acabou sendo muito gentil! Explicou-nos que essa compra deve ser feita com antecedência, visto que só há rotas navegáveis alguns dias da semana e dependendo das condições climáticas! Outro fator a ser levado em consideração é que há alguns dias ocorreu uma tempestade de lama nas imediações de Villa Santa Lucia, deixando a ruta 7 interrompida. Desta forma, mesmo que quiséssemos seguir de navio até Chaitén, não poderíamos usar a ruta e deveríamos esperar 2 dias pelo navio que faria o transbordo para Puerto Raúl Marín Balmaceda... Assim, o errado deu certo!!! E fomos embora com a certeza de que o plano B foi a melhor escolha!



Mais algumas casas pitorescas da região...










 Reencontrando o Amândio e a Joselle no ferry... os outros já atravessaram! Agora é a nossa vez!


Hoje é dia de despedida. Ficamos poucos dias juntos, mas é como se nos conhecêssemos a vida toda! Turma nota 10!! Foi muito divertido fazer parte dessa história!


Despedindo-nos dos casais Mário e Marlise e Neide e Sérgio! Até a próxima! (Posto Copec próximo de Osorno)