Viagem Família______________________________________

.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

A belíssima Turquia!!!

A surpreendente Turquia é um país euro-asiático que ocupa toda a península da Anatólia (entre Europa e Ásia). Sua capital é Ancara, porém a cidade mais famosa e densamente populosa do país é Istambul!


Vista de Hagia Sofia

Nesta primeira passagem pelo país tínhamos como objetivo extremo a intensa Istambul, na divisa entre Ocidente e Oriente, onde fica o Estreito de Bósforo e onde estava localizada uma das civilizações mais antigas da humanidade. 

Divisa perto de Malko Tarnovo (BG)

Nossas mascotes só observando nossachegada à divisa

Nossa entrada no país foi tranquila, mas um pouco demorada, pois havia bastante gente na fila da aduana e há a cobrança do Seguro Carta Verde, que fizemos com uma validade para 3 meses, por 50 Euros. Também é realizada uma "fiscalização aduaneira", pois aqui não é permitida a entrada de bebidas alcoólicas e outros produtos. Sendo país de maioria muçulmana, a bebida alcoólica não é permitida, porém há um DutyFree na divisa onde se pode comprar cigarros e bebidas de todos os tipos, pagando muito caro!!! De qualquer forma a tal fiscalização acabou não acontecendo, pois o fiscal em questão ficou desconcertado quando abrimos o porta-malas e dele caiu um soutien da Mari. Rapidamente nos mandou seguir.

Já sabendo disso anteriormente, havíamos tomado as cervejas no dia anterior e escondido a Mastika Búlgara e o vinho Mavrud que havíamos comprado dias antes em Plovdiv (BG). 

Com Burak, nosso "anjo" que resolveu o problema da internet

Toda a burocracia resolvida, entramos na Turquia por uma rodovia linda e bem pavimentada, ansiosos para viver experiências novas e diferentes. Nossa primeira parada foi na pequena e agitada Pinarhisar, onde buscamos uma loja da Vodafone para resolver pendências que não conseguimos solucionar na vizinha Bulgária. O atendente, Burak, foi super solícito e resolveu nosso problema (coisa simples, não resolvida antes por falta de conexão descente). Ainda sacamos umas Liras Turcas e seguimos por estradas secundárias até Kiyiköy, no litoral do Mar Negro. 

Kiuiköy

O lugar não era tão aprazível quanto esperávamos e mesmo na área de camping municipal acabamos não gostando muito da estrutura (e do vento intenso), seguindo adiante em direção à Saray, parando num local escondido, no meio da mata. 

Liras Turcas: TRL ou TL. 1 Euro = 9 TL

A Lira Turca (TRL ou TL, simplesmente) é a moeda corrente na Turquia. Esta moeda foi introduzida no país em 1844, substituindo o kuruş (que passou a denominar os centavos). Com a inflação crescente a partir dos anos de 1970, em 2005 a nova moeda, chamada de Nova Lira Turca (YTL) substituiu a antiga. Uma YTL equivalia a um milhão das antigas liras turcas. Desde 2009, ela voltou a chamar-se Lira Turca.  Atualmente um Euro vale 9 TRL, aproximadamente.

Sabíamos que para trafegar nas Autoestradas da Turquia precisa-se pagar a vignette, porém não achamos informações ou local para adquirir o tal selo ou documento referente. Este acabou sendo um dos motivos para "fugirmos" das autoestradas. Na única vez que trafegamos por ela, havia um posto de fiscalização e um sinal tocou, avisando que não tínhamos o selo!!! Affff! Que medo! Mas ninguém veio atrás e logo em seguida pegamos a saída para uma secundária. 

O nome do país é composto por um prefixo "türk" que significa "ser humano forte" e o sufixo "iye" significa "proprietário" ou "relacionado com". 

ISTAMBUL (em turco, Istanbul)

Mega estrada já na grande Istambul

Diferentemente de outros países que conhecemos e onde nunca priorizamos cidades grandes, aqui na Turquia, mesmo sabendo que Istambul é uma metrópole cosmopolita, a 5ª cidade mais populosa do mundo (maior que São Paulo, na 8ª posição), nossa curiosidade foi maior e nos organizamos para ficarmos na capital pelo menos 4 dias! Impossível acampar por lá, portanto nos hospedamos no Sultanahmed Nu Hotel, a poucos metros da praça das mesquitas (uns 5min a pé) - Praça Sultanahmet - e pagamos um preço bem em conta, usando o Booking.com (8,5 Euros por pernoite, para casal, sem café da manhã).

Com os queridos Ali (à esquerda) e Serhot


Com Serhot e Mehmet do estacionamento, da esquerda para a direita

Ali e Serhot eram os recepcionistas - dois rapazes super solícitos e queridos - e além de darem excelentes dicas, ainda nos contaram histórias da cidade e do país, falaram sobre curiosidades e delícias culinárias, nos auxiliaram a encontrar vaga de estacionamento para o Garça (na área central é impossível encontrar um hotel com estacionamento próprio) e negociaram a estadia do carro com o proprietário do P (75 TRL por dia = 8 Euros).

Observando a Mesquita localizada em frente ao Grande Bazar

Istambul, chamada de Bizâncio naqueles tempos, foi fundada no ano 667 a.C. por Bizas, rei de Mégara. Depois passou a chamar-se Constantinopla, capital do Império Romano no Oriente, a partir do séc. IV d.C. Só adotou o atual nome a partir da ocupação otomana, em 1453, quando Mehmed II (Maomé II) a invadiu e dominou. 

Obelisco próximo do Grande Bazar

A cidade possui dois centros principais: a Praça Sultão Ahmet, onde foi o hipódromo de Constantinopla - centro da cidade romana e bizantina, local onde estão as Mesquitas Santa Sofia e Azul e a outra, Praça Taksim, ao norte, que é a parte mais ocidentalizada da cidade e onde está o centro da cidade moderna. 

No Hipódromo de Constantinopla ocorriam corridas de bigas e quadrigas e ele podia abrigar até 100 mil espectadores. Estima-se que o hipódromo, ampliado durante o reinado de Constantino, o Grande (324 d.C) tinha cerca de 450 m de comprimento por 130 m de largura. Calcula-se que os restos desta obra ainda estão sob o local onde foi construída a praça, a 2 m de profundidade. Não foram realizadas escavações arqueológicas mais aprofundadas, porém durante algumas escavações encontraram-se parte das arquibancadas e assentos, colunas,... que foram retirados e movidos para vários museus de Istambul.

Coluna de Constantino, localizada na praça Sultanahmed

Coluna de Constantino

Ainda no local onde se encontrava o Hipódromo está o Obelisco de Thutmosis III, mais conhecido como "Obelisco de Teodósio". Trata-se de uma coluna talhada em granito rosa, trazida do Egito por volta do ano 390, por Teodósio, o Grande. Originalmente esta coluna do ano 1490 a.C. estava no templo de Karnak, em Luxor, e para movê-lo para Constantinopla, Teodósio a dividiu em 3 peças, das quais apenas sobrou a parte superior, que está sobre um pedestal de mármore. 







Base do Obelisco, em mármore

Com resquícios de civilização que são datados de 6500 a.C., quando o Bósforo ainda não havia se formado e o Mar de Mármara era apenas um lago interior, a história desta cidade é muito antiga. Onde hoje está o Palácio Topkapi havia assentamentos de tribos trácias, que habitaram a região entre os séculos XIII e XI a.C. Séculos mais tarde, no mesmo local,  foi fundada a acrópole de Bizâncio. 


Vista da Mesquita Azul

Durante o Império Bizantino foram construídas muitas igrejas pela cidade, incluindo aquela que durante praticamente 1000 anos foi a maior catedral do mundo, a Basílica de Santa Sofia - Hagia Sofia, um dos maiores exemplos da arquitetura bizantina.

 


Quando percorríamos a praça Sultanahmed, conhecemos o Mehmed, que acabou se transformando em guia por algumas horas. Deixamos claro que não queríamos um guia, porém ele se colocou a nossa disposição, desde que fôssemos conhecer a loja de tapetes e iguaria da família. Assim, tivemos a oportunidade de ouvir as histórias e conhecer um pouco dos costumes deste povo peculiar e receptivo.

Hagia Sofia ao fundo

Mehmet nos explicando a história das principais atrações do centro histórico de Istambul

Hagia Sofia - Sagrada Sabedoria - é uma construção imponente, construída entre os anos 532 e 537 durante o reinado de Justiniano para ser a Catedral de Constantinopla (ortodoxa). Famosa principalmente pela sua cúpula (domo), ela foi projetada pelo arquiteto e cientista grego, Isidoro de Mileto, com a ajuda de Antêmio de Trales, matemático grego. 




O imperador mandou trazer materiais de construção de todo o império: colunas helênicas, retiradas do Templo de Ártemis (em Éfeso),  grandes blocos de pórfiro do Egito, mármores verdes da Tessália, pedras negras do Bósforo e amarelos da Síria. A igreja continha uma grande coleção de relíquias que foram removidas quando o Império Otomano se instalou. Muitos dos mosaicos foram recobertos por gesso, tendo sido restaurados em parte apenas em 1931, quando a mesquita (anteriormente igreja) passou a ser Museu Secular. 


Este local era usado apenas pelo sultão para realizar suas preces e cada pedra do mosaico veio de uma parte diferente do Império Otomano

A mais importante restauração de Santa Sofia foi ordenada pelo sultão Abdul Mejide I, em 1847, e os antigos candelabros foram substituídos por novos, suspensos (que podem ser admirados até os dias atuais). Discos gigantescos (medalhões) foram pendurados nas colunas e inscritos com os nomes de Alá, do profeta Maomé, dos 4 primeiros califas (Abacar, Omar, Otoman e Ali) e de dois netos de Maomé: Hassain e Hussein. 



Durante o período em que ela foi mesquita, foram acrescentadas à construção os 4 minaretes (pois foi construída por um sultão importante), o mimbar  (púlpito de onde o imã profere seu sermão) e o mirabe (nicho que tem como função indicar a posição de Meca). 

O ponto mais alto da nave está a 55,6m de altura.



Em julho de 2020 o presidente Erdoğan determinou a reclassificação de Santa Sofia, revogando seu status de museu do templo e convertendo-a novamente em mesquita. Por este motivo, a visitação atualmente é gratuita, porém há locais que não podem mais ser visitados. Parte do Museu ficou acessível por um portão de fundos, onde após pagar o ingresso, pode-se admirar os lindos mosaicos que foram restaurados há alguns anos, além de outras peças. 



Na Idade Média, esta foi a maior e mais próspera cidade do continente europeu, só perdendo sua importância depois da Quarta Cruzada (1202-1204), quando foi saqueada, pilhada e ocupada por forças cristãs! No século XIV a cidade, enfraquecida e vulnerável, foi invadida pelas tropas do sultão Maomé II, o Conquistador (Fatih), e o último imperador bizantino (Constantino XI) foi morto. O sultão (também chamado de califa) imediatamente convocou uma imã para proclamar a fé islâmica e o maior símbolo da fé cristã - Hagia Sofia - foi convertido numa mesquita imperial.  Este fato histórico é conhecido como a Queda de Constantinopla e marca o fim da Idade Média, em 1453! 

Mesquitas com um minarete são construídas por pessoas comuns

Uma das centenas de fontes distribuídas nas ruas, para a  realização da ablução (purificação antes das rezas, na mesquita), com Mehmed

Depois da conquista da cidade, Maomé II empenhou-se em reerguer a cidade e torná-la novamente um centro cosmopolita. Iniciou a construção do Grande Bazar e também do Palácio Topkapi, que serviu de residência imperial oficial por 400 anos. Mandou construir, também, a Mesquita de Fatih sobre os escombros da Igreja dos Santos Apóstolos, que tornou-se a maior da cidade depois de Santa Sofia. 

Entrada principal para o Palácio Topkapi


Fonte Ahmed III, localizada em frente ao portão de acesso ao Palácio Topkapi e nos fundos de Hagia Sofia

Em frente à entrada do Palácio Topkapi

Palácio Topkapi foi construído por Maomé II, o Conquistador, logo depois da Queda de Constantinopla (1453) e foi ampliado pelos seus sucessores. Recebe uma média de 2 milhões de visitantes por ano e por 400 anos foi a residência oficial dos sultões. 

Com os ingressos na mão

Portão da Felicidade


Ocupando uma área de 700 mil m², conta com 4 pátios, o Museu Arqueológico, diversos ambientes em seu interior (cozinha, estábulo real, tesouro real, harém etc). Transformado em museu, fomos visitá-lo e ficamos pelo menos umas 3 a 4 horas percorrendo os inúmeros prédios, quiosques e salões, com riqueza e beleza indescritíveis. 


Uma das bibliotecas do sultão

Interior da biblioteca

Prédio próximo do Harém

O ingresso custa 100 TL (11 Euros, aproximadamente) e a visita vale cada centavo. Há, no lado de fora, a opção de se contratar guias para acompanhar a visita, porém optamos por fazê-la no nosso ritmo e interesse. O Palácio tem 3 portas: Porta Imperial, Porta da Saudação e Porta da Felicidade. 




Quiosque utilizado pelo sultão para divertir-se com suas odaliscas 

Dentro dos diversos salões pode-se admirar objetos de ouro (tronos, miniaturas, joias, berços, talheres,...), roupas, objetos em prata, cerâmica chinesa datada de a.C, relíquias sagradas e armamentos usados por sultões e membros da elite muçulmana. 

Sala do trono


O mais impressionante é o salão onde (não se pode tirar fotografias) estão expostas relíquias de Abraão (tigela), Maomé ("pelas barbas do profeta!"), Davi (espada), Moisés (cajado usado durante a peregrinação no Egito), José (turbante),... é inacreditável!!!! Mas conversamos com um segurança e ele alertou para a autenticidade das peças!!! O Harém, cujo o ingresso é pago separadamente, estava fechado quando estivemos por lá (reformas e Covid). Portanto, será um bom motivo para retornarmos!!!

Grande prato coletivo onde serviram as refeições

Uma das cozinhas do Palácio

Infinidade de louças e acessórios 

Cúpulas internas das cozinhas




Na entrada de mais uma sala de exposições


Sala das armas

As vistas mais bonitas do Estreito de Bósforo onde o Mar Negro encontra o Mar de Mármara são vistos dos jardins do Palácio. 

Ao fundo, vê-se a nova mesquita com 6 minaretes 




O Grande Bazar de Istambul (Kapaliçarşi), construído em 1455, é um dos maiores e mais antigos mercados do mundo. Fomos visitá-lo num fim da tarde, quando algumas lojas já estavam fechadas ou em vias de fechar. Ele ocupa uma área de 45000 m² e nele trabalham cerca de 20 mil pessoas. 




Este mercado recebe uma média de 300 a 500 mil visitantes diários, dependendo da época! São 3600 lojas (lojas de comércio, casas de câmbio, duas mesquitas, fontes de água - usadas para a ablução (rito de higienização do corpo antes das orações), delegacia, cafés, restaurantes), distribuídas em 64 "ruas" acessíveis por 22 portas - são 4 portões principais. Aqui você encontra tapetes, cerâmicas, especiarias, joias, roupas típicas e tecidos, lembranças (souvenires), artigos de decoração, roupas e calçados em geral, roupas de couro, luminárias lindas e coloridas,... a arte de pechinchar faz parte e em qualquer compra (até de um doce) vale a negociação. 




Os turcos adoram os brasileiros e todos sempre sabem alguma palavra em português para nos atrair a suas lojas. Os vendedores são insistentes e há que se ter paciência e bom humor para enfrentar as diversas interrupções durante sua caminhada. Acabamos fazendo boas compras e conhecendo alguns personagens bem divertidos em nossas visitas ao Grande Bazar e também ao Bazar das Especiarias, próximo daqui. 

Um dos portões do Grande Bazar

Bazar de Especiarias ou Mercado Egípcio (Misir Çarşis) é bem menor que o outro, com apenas 2 ruas e cerca de 100 lojas. Aqui se encontram temperos, condimentos e especiarias, além de sementes, castanhas, frutas secas, souvenires, entre outros. É um festival de cores e odores muito interessante e nosso passeio por aqui foi formidável. Aproveitamos para comprar especiarias e uma faca de damasco, negociando os preços, é claro!!!   





Experimentando gostosuras

Grande variedade de frios, embutidos

e queijos

Istambul foi por muitos séculos o símbolo da cultura islâmica, tendo sido ocupada após a Primeira Guerra Mundial por tropas britânicas, francesas e italianas. O último sultão otomano, Mehmed VI, foi deposto e exilado em 1922 e a República da Turquia nasceu em 1923, a partir a assinatura do Tratado de Lausanne, que estabeleceu as fronteiras da Turquia e determinou a capital do novo país em Ancara, já no lado asiático do país. 

 Palácio de Bucoleão: ruínas do período bizantino, próximo do estreito de Bósforo

O Palácio de Bucoleão (Boukoléon) foi um dos palácios imperiais de Constantinopla e provavelmente foi construído por Teodósio II, durante o século V. Situado junto do mar de Mármara, fomos visitar suas ruínas quando passeamos pela beira mar, observando os pescadores locais. O seu nome surgiu provavelmente em finais do século VI, sob Justiniano, quando foi construído um pequeno porto em frente ao palácio e colocada uma estátua representando um touro e um leão. 


Diz-se que o Palacio tinha mais de 500 salas e um salão para banquetes que podia abrigar até 300 convidados. 

Observando os pescadores locais no Mar de Mármara (Estreito de Bósforo) e os gatinhos esperando um peixinho também

Ferry que faz a travessia do lado Ocidental para o lado Oriental

Ferry, Estreito de Bósforo e ao fundo, a nova Mesquita com 6 minaretes



Em algum lugar em Fatih

CURIOSIDADES:

- O hábito do brasileiro em tomar um cafezinho aqui é comparado ao hábito de se tomar chá (Türk çayi). Em todas as lojas, ou qualquer encontro que se faça o chá sempre está presente. Houve dias em que tomamos até 10 xícaras de chá, de diversos sabores (um mais delicioso que o outro), sendo os mais comuns o de maçã e romã. O café turco é uma iguaria e diferente do nosso, é bastante forte e encorpado, com pó decantado. 


Escolhendo alguns chás para degustar e comprar

Cháes solúveis em água fria e quente! Uma delícia!!




- O cumprimento "olá" (hi, good morning ou qualquer equivalente) deve ser substituído pelo bonito e respeitoso "as-salām ‘alaikum (Salaam Aleikum)" cuja resposta é "wa 'alaykum as-salam (Aalaikum As-Salaam)". Este cumprimento significa: "que a paz esteja sobre vós" e a resposta é "e sobre vós a paz"!! Esta expressão deu origem a expressão portuguesa salamaleque demonstrando a presença do árabe em nosso idioma (e a presença da cultura e costumes árabes durante a invasão otomana em Portugal, há séculos, influenciando a cultura e a arquitetura, entre outros). 

Realizando a "limpeza" antes das orações no fim da tarde

Na fonte em frente à Santa Sofia, ouvindo as explicações de Mehmet 

Efetuando a lavagem (purificação) simbólica com Mehmet

- A maior parte da população de Istambul é muçulmana, mas há também uma minoria de cristãos e judeus. Pelas questões religiosas, optamos por usar calça comprida e camisetas, apesar de não haver restrições a outros tipos de vestimenta na cidade (setor histórico e turístico). Para entrar nas mesquitas é obrigatório o uso do véu - "khimar"- para as mulheres. O hijab é maior e mais completo, pois deixa apenas o rosto de fora e é usado pelas muçulmanas, tendo como complemento uma túnica. O uso da Burka é obrigatório para determinadas etnias e observamos algumas mulheres as usando, sempre acompanhadas do marido ou de um membro masculino da família. 

Normativas para visitação das mesquitas

Comprando meu khimar. A negociação foi boa e iniciou em 200 TL. Marcos foi duro na queda e irredutível e acabou ficando por 40 TL!!!!
Bodi, o vendedor, não ficou muito satisfeito, mas efetuou a sua última venda do dia!!!

- A presença de tapetes coloridos e lindíssimos em todos os lugares é também uma marca registrada da Turquia. Nas mesquitas, o chão recoberto por eles convida ao descanso e contemplação, uma vez que os calçados ficam do lado de fora dos templos. Também em restaurantes mais típicos senta-se em almofadas, próximas do solo recoberto de tapetes. Os calçados ficam ao lado da mesa e o bate papo regado a chá é bem intimista. O custo de muitos destes tapetes é inatingível para nosso padrão. Há tapetes tecidos a mão, de dois nós, que demoram meses para ficar prontos. Os materiais mais usados na tapeçaria são a lã de ovelha, algodão e a seda, às vezes com inserção de fios de ouro. Os estilos mais conhecidos são o hereke e o ushak. Os padrões geométricos e simétricos são muito presentes, porém também vimos outros lindíssimos com temas variados. Mehmed, do Bazaar Abdülhamid, nos mostrou e contou a história da tecelagem no país, demonstrando e mostrando a grande variedade de tipos, padrões e preços!!! Foi um show a parte... pena não termos o $$$ para comprar ao menos um pequeno como lembrança deste lugar incrível! 

Em frente a loja do primo de Mehmet, que também se chama Mehmet rsrsrsrsrs

Recebendo uma aula sobre tapetes com Mehmet, primo do outro Mehmet


Padrões diversos. Este com fios de seda

Este também com fios de seda

A presença de padrões geométricos e simetrias


Fazendo um bom amigo em Istambul. Mehmet foi jogador de futebol e hoje administra os negócios da família




Preparando o autêntico e delicioso Gözleme (pão turco)

- Os doces turcos são deliciosos. Experimentamos diferentes Turkish Baklava, um mais delicioso que outro. Feitos com massa bem fina e crocante (yufka), encharcados em mel leitoso ou calda de açúcar e recobertos de nozes ou pistaches, são uma excelente pedida para a sobremesa. 

Deliciosas Baklava

A grande variedade na culinária turca acabou sendo um deleite para nós, pois a cada dia experimentamos pratos típicos da culinária local, sempre aliando preço e qualidade. A apresentação das comidas é um prazer à parte! Tudo muito bonito e elaborado de tal maneira que não tem como não gostar daquilo que está sendo servido. Ao contrário de algumas cozinhas, aqui os temperos são bem harmonizados e cada coisa ocupa seu lugar de forma a ressaltar o sabor das iguarias. 


Ortaklar - bom restaurante, a poucos metros de nosso Hotel




Kebab com acompanhamentos

Tipo de ensopado de carne

Mesmo sendo um país islâmico, onde a bebida alcoólica é proibida, existe a cerveja local Efes

Prato de steak bem servido e delicioso

Outro prato com espetos de kebab

Prato de massa com legumes

- Outro fato curioso é que ao andar pelas ruas de Istambul vêem-se centenas de gatos e cachorros, aparentemente sem dono. No entanto, ao se aproximar, percebe-se que todos são chipados e castrados na sua maioria. A população os alimenta na rua mesmo. Nos pátios internos das mesquitas é comum encontrá-los repousando tranquilamente. Ninguém os agride ou assusta. É uma convivência pacífica e ordenada. 

Na praça Sultanahmed, em frente da Mesquita Azul


Cachorrinhos descansando nos jardins da Mesquita de Süleymaniye


Outro local bem interessante para visitar em Fatih, no centro velho de Istambul, é a Cisterna da Basílica (Yerebatan Sarnici), a um custo de 30 TL por pessoa. 

Interior da Cisterna da Basílica


Local que já apareceu em muitos filmes, só para citar o clássico do "007 - From Russia With Love", estava em reforma quando o visitamos, por isto a falta da presença da água, mas isso não tirou o charme e beleza do local. Construída no ano 532, em pleno Império Bizantino, é a maior de centenas de cisternas construídas e responsáveis pelo abastecimento de água da população. 


A Medusa de ponta cabeça


Ocupando uma área de 10 mil m² e com 336 colunas romanas procedentes de templos pagãos da Anatólia (Ásia Menor), a maioria de origem coríntia, a Cisterna da Basílica (próxima de Hagia Sofia) tem 8 m de altura e capacidade para 30 milhões de litros. Funcionou regularmente até o século XIV e foi restaurada em meados do século XIX. 

A coluna que chora - uma coluna construída em homenagem às centenas de escravos que morreram durante a construção da Cisterna


MESQUITAS 

Visitamos inúmeras Mesquitas. na cidade. Todas muito lindas, com espaços para meditação e transmitido muita paz. A Mesquita Azul, também localizada na praça Sultanahmed, estava em reforma, porém pudemos visitá-la rapidamente. Construída entre 1609 e 1616, possui 6 minaretes (uma exceção) e belos mosaicos azuis de Iznik. Junto das mesquitas, por serem local de utilidade pública, sempre havia uma escola, uma sauna, uma cozinha onde eram preparados alimentos para os pobres e muitas lojas, cuja renda era utilizada para manutenção e construção das obras no templo. 

Mesquita Azul

Pátio interno da mesquita




Postal com vista superior da Mesquita Azul




A Mesquita Süleymaniye (Solimão), construída por volta do ano 1550, na segunda colina de Istambul, é classificada pela UNESCO (1985) como Patrimônio Mundial e também possui 4 minaretes (pois foi construída por um sultão). Sua cúpula está a 47,7 m de altura do solo com um diâmetro de 27,5 m. Seu interior é quase quadrado (59 por 58m) e é ricamente ornamentado. Semelhantemente a outras mesquitas, em seu redor ficavam um hospital, uma escola primária, quatro madraçais (escolas islâmicas especializadas em ensinar o hadith), banhos públicos, uma hospedaria e o refeitório público. 






Área específica para a oração das mulheres



Mesquita Hagia Sofia Pequena construída entre os anos 527 e 536, a mando de Justiniano I e sua esposa, Theodora, esta mesquita nasceu como igreja em homenagem a São Sérgio e São Baco, anexo ao então Palácio de Bucoleão. Foi convertida em mesquita no ano 1497, durante o reinado do sultão Beyazit II. Ela possui um domo em forma octogonal e sua edificação foi totalmente restaurada duas vezes, uma em 1836 e outra em 1956. 



Parque Gülhane é um espaço público e é o parque mais antigo e extenso de Istambul. Situado junto ao Palácio Topkapi, trata-se de um espaço público onde há áreas de passeio e bancos para descanso, além de ser sombreado e possuir muitas árvores. Passeamos pelo seu interior num final de tarde, curtindo a paisagem e ouvindo as histórias de nossos amigos, Yaasmina (natural do Marrocos, em visita à cidade) e Ali (turco de nascença, porém morando em Amsterdã há muitos anos). 

Com Yaasmina e Ali, tomando chá e batendo muito papo

Amizade inesperada



Jantar de confraternização e despedida




Deixando Istambul... 


Nossa passagem por Istambul acabou chegando ao fim. Deixamos a cidade para trás, com gosto de quero mais. Fizemos amigos e ainda temos muito a conhecer nesta linda e grande cidade. 

Percorrendo a estrada E84, às margens do mar de Mármara

No litoral do mar de Mármara






Rota cênica às margens do mar de Mármara. Ponto de salto de parapente 




Depois dos intensos dias vividos em Istambul, nos demos umas férias de 2 dias em uma praia deliciosa de pedras

Preparando um delicioso camarão frito




Comprando um peixinho fresco em Şarkoy


Nosso objetivo era atravessar da Turquia para a Grécia. Fizemos a tentativa, mesmo já tendo sido advertidos de que as divisas entre estes dois países estavam fechadas por questões políticas. Os oficiais aduaneiros nos explicaram que a divisa da Turquia está aberta, porém a da Grécia não! Ok. demos meia volta e tivemos de retornar uns 100 km contornando um pequeno estreito até a Bulgária...
Divisa com a Grécia: fechada!

Retornando à Bulgária via Turquia (E90)

Nossa passagem pela Bulgária já foi descrita no texto anterior a este. Nos acompanhe na nossa próxima aventura: a Macedônia!!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Grato por visitar o ViagemFamilia. Críticas, elogios e quaisquer comentários são desejados, desde que feitos em terminologia ética e adequada.

SE FIZER QUESTIONAMENTOS POR FAVOR DEIXE ALGUMA FORMA DE CONTATO PARA POSSIBILITAR A RESPOSTA, COMO E-MAIL, POR EXEMPLO