Viagem Família______________________________________

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Rumo a Carolina - Chapada das Mesas - Maranhão

Dia 15/janeiro/2016
Palafitas da Ilhinha, em São Luís (MA)
Ao deixarmos o hotel, pela manhã, ainda aproveitamos pra ver alguns cartões postais da capital. Tiramos algumas fotos na Pedra da Memória, que fica em frente ao Palácio dos Leões, na orla. E ainda vimos a Igreja dos Remédios, no alto do morro.
Baía de São Marcos

Pedra da Memória, ao fundo, Palácio dos Leões
Palácio dos Leões: sede do Governo Estadual

Igreja dos Remédios
Hoje temos um pouco mais de 500 km a percorrer indo em direção à Chapada das Mesas, que ainda não é Parque Nacional, mas possui reservas e áreas de proteção ambiental. Fomos surpreendidos pelas péssimas condições da estrada... em 3 horas conseguimos percorrer pouco mais de 100 km!!! Muitos buracos na pista, lombadas sem fim a cada localidade e tráfego de veículos pesados!! Foi realmente um dia cansativo!
Esperávamos chegar a Imperatriz (1862), segunda cidade mais populosa do Maranhão, mas tendo em vista a rodovia horrorosa que percorremos ao longo do dia, acabamos ficando em Açailândia, distante 70 km de Imperatriz.
Estrada de Ferro Carajás
Açailândia é um importante polo siderúrgico nesta região e o escoamento de sua produção passa pela estrada de ferro Carajás. Possui 5 grandes siderúrgicas e também muito gado bovino e estas são as principais fontes de renda do município, que conta com pouco mais de 110 mil habitantes.


Após pesquisarmos os preços de algumas pousadas e hotéis, acabamos ficando no Hotel Brasil, por R$ 80,00 o pernoite com café da manhã. Aqui também não há opção de acampamento.

São Luís - Capital do Maranhão

Dia 14/janeiro/2016
Escadaria que leva ao setor histórico
Estamos deixando os Lençóis Maranhenses com a certeza de que voltaremos a vê-los, mas com água em suas lagoas, na época da seca!!! Não nos arrependemos de conhecê-los agora, até porque eles são maravilhosos em qualquer época do ano.  Assim, saímos de Barreirinhas depois do café e de nos despedirmos do Sr. Chico, seguindo pela BR 222, e depois pela BR 135 , aproximadamente 300 km, até a capital do estado do Maranhão: São Luís!

Ponte José Sarney (!) ao fundo sobre o Rio Anil, baía de São Marcos
Catedral de São Luís do Maranhão (1629) - foi reconstruída várias vezes até que, em 1922 assumiu o aspecto neoclássico
Em 1535 (época das capitanias hereditárias) houve a primeira tentativa portuguesa de ocupação da área, com a instalação da cidade de Nazaré (provavelmente onde hoje é São Luís), em 1550. Porém por excessivos combates com os índios da região e a dificuldade em acessar a ilha, a cidade foi abandonada. 
Portanto, São Luís foi fundada por franceses apenas em 1612, sendo invadida alguns anos mais tarde pelos holandeses (1641) e depois os portugueses retornaram e se instalaram em 1644, expulsando-os. 
Atualmente conta com mais de um milhão de habitantes e possui segundo terminal portuário mais profundo do mundo, permitindo a entrada de navios de mais 20 m de calado em seu porto. Com a construção da estrada de ferro Carajás e dos portos de Itaqui e Ponta de Madeira, São Luís voltou a se recuperar no quadro econômico, após ter passado por ciclos cana-se-açúcar, cacau e tabaco no século XVII e de produção de algodão  e da expansão da indústria têxtil no século XVIII, tendo seu declínio no século XIX. 
Muitos casarões estão em ruínas, infelizmente!
Seguimos diretamente para o centro da cidade, onde encontramos o Centro de Atendimento ao Turista ao lado da Catedral de São Luís do Maranhão. Fomos muito bem recepcionado e a funcionária rapidamente nos explicou onde ficavam os principais pontos turísticos no setor histórico, que percorremos a pé.
Algumas construções estão sendo revitalizadas
Observamos, com tristeza, que muitos casarões antigos estão em ruínas e os azulejos, tão famosos, estão caindo das paredes. Apesar de ter sido declarada Patrimônio  Cultural da Humanidade, em 1997, São Luís encontra dificuldades em manter sua história. São 3500 prédios que se distribuem em 220 ha no setor histórico e cujos azulejos que recobrem as fachadas vinham diretamente de Portugal!
Outro senão a destacar é que esta região central é bastante perigosa à noite, não sendo recomendada a sua visitação após o entardecer onde desocupados e pessoas suspeitas perambulam pelas vielas antigas!
Mercado das Tulhas
Dentro do mercado, na barraca do camarão seco
Fomos passeando pelas vielas e nos admirando com a riqueza cultural do local! Seguimos pela Rua Giz até o Mercado das Tulhas (também conhecido com Feira da Praia Grande) onde antigamente funcionava uma espécie de celeiro (século XVIII).
Neste mercado você pode encontrar lembrancinhas de todos os tipos e artigos de artesanato regional, bem como quiosques com comidas típicas e sucos das frutas tropicais.

Fizemos nosso lanchinho regado a suco de bacuri e cajá e continuamos nosso passeio, parando no Centro de Pesquisas de História Natural e Arqueologia do Maranhão, onde descobrimos que esta região também foi habitada por dinossauros. No acervo em exposição há 200 itens entre fósseis e réplicas de espécies que viveram no Maranhão. Fomos atendidos com muito atenção pela Denise, pelo Renan e pela Quetsia, monitores das diferentes salas que tratam sobre a arqueologia, etnologia e paleontologia onde trocamos informações sobre dinossauros, escavações arqueológicas, fosseis, etnias indígenas antigas e costumes tribais, tudo muito legar e enriquecedor. Vale muito a pena conhecer este espaço!!! O Viagem Família recomenda este museu.
Conversando com a Denise sobre a megafauna existente do MA


Observando utensílios indígenas com a Quetsia, na sala de etnologia
No Centro de Pesquisa, as salas de paleontologia, arqueologia e etnologia compõem juntas cerca de 900 elementos expostos que transmitem ao homem de hoje um pouco sobre a cultura e o dia-a-dia dos homens épocas passadas. São 200 itens na Paleontologia, 500 na Arqueologia e 200 na Etnologia.

Depois de uma aula sobre aspectos geográficos e etnográficos, retornamos a Avenida Pedro II (onde havíamos deixado nosso carro) para vermos o Palácio do Leões, onde funciona a sede do Governo Estadual do MA.
O Palácio dos Leões foi construído sobre o Forte que deu origem à cidade no século XVII
Subida das escadarias do Palácio
Palácio dos Leões foi erguido pelos franceses como uma fortificação em homenagem ao rei Luís XIII em 1612. A estrutura do atual prédio foi construída no final do século XVIII e passou por inúmeras reformas, até assumir o estilo neoclássico.

Não é permitido tirar fotografias durante na área interna do palácio no setor aberto à visitação. É obrigatório o uso de sapatilhas descartáveis (são fornecidas no local)para percorrer as instalações do Palácio. Podem ser vistos moveis de época e cerâmicas vindas da Europa, além de acervo de pinturas de artistas nacionais e estrangeiros dos séculos passados. Na sala do banquete, ainda utilizada hoje em cerimônias oficiais, pudemos tirar uma foto da vista da baía do rio Anil com os contrastes de São Luís ao fundo: palafitas e prédios de luxo!!!

A baía de São Marcos é composta pelos Rio Anil e o Rio Bacanga e a diferença entre as marés ultrapassa 4 metros de altura. Assim, quando chegamos à cidade a maré estava seca e já ao final da tarde, a maré estava alta. Este fenômeno é único e ocorre até 4 vezes ao dia nesta região!
Existem muitos outros logradouros a serem visitados no setor histórico: o Palácio La Ravardière onde funciona a Prefeitura de São Luís, e que fica ao lado do Palácio dos Leões, o Palácio do Comércio, o Centro de Cultura Popular (onde se podem ver manifestações de bumba-meu-boi), Teatro Artur Azevedo (segundo teatro mais antigo do Brasil), Museu Histórico e Artístico do Maranhão, Museu do Negro...
Atravessando as pontes alcançam-se as praias que compõem a orla luís maranhense: São Marcos, Calhau, Caolho, ... até chegar o município de Raposo, com suas casinhas de pescadores e praias isoladas.
Com o entardecer, procuramos hospedagem, pois aqui na capital não há estrutura para acampar! Assim ficamos no St. Louis Hotel, onde, após negociação, conseguimos o pernoite com café da manhã a R$ 96,00.

Maré seca
Maré cheia



Saímos à noite a pé e fomos alertados por moradores que seria muito perigoso, é uma localidade chamada Ilhinha, onde casas palafitas se espalham sobre a praia degradando o lugar que poderia ser tão bonito. Então, fica o alerta: muito cuidado com esta localidade esquecida pelas autoridades e onde a insegurança prolifera! Desta forma, seguimos de carro até a Avenida Litorânea, onde há dezenas de bares e restaurantes padronizados na orla, de modo muito organizado e bonito. Há dezenas de pessoas praticando corrida e footing neste local. No caminho de retorno ao hotel, aproveitamos pra jantar.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Lençóis Maranhenses - Barreirinhas - Maranhão

Dia 12/jan/2016
Rio ladeado de buritis, a caminho dos Lençóis Maranhenses
Pela manhã, após mais histórias do Rai sobre o navio naufragado na costa de Tutóia, nos despedimos do casal Rai e Nilza e seguimos rumo a Barreirinhas, seguindo 30 km em direção a Paulino Neves.
Junto com os amigos Rai e Nilza - Pousada Âncora (Tutóia - MA)
Um dos lindos rios às margens da estradinha
Um pouco antes desta cidade, no povoado de Tingidor, pegamos uma rua de terra e areia a seguimos por ela uns 80 km, passando por diversos povoados e rios de águas cristalinas. Em um destes rios, já perto de Cardosa, não resistimos e caímos na água!! O calor estava grande, já era próximo do meio dia e estávamos quase chegando ao nosso destino...

Barreirinhas é a cidade base para se visitar o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Ela fica às margens do Rio Preguiças e possui boa infraestrutura, porém o Centro de Atendimento ao Turista está desativado e, por este motivo, há dezenas de mototáxis que prestam serviço de guias e que são extremamente insistentes e desagradáveis.

Quando estávamos entrando na cidade, um desses motoqueiros malucos começou a nos seguir e oferecer serviços. Agradecemos e deixamos claro que não estávamos interessados. Continuamos percorrendo as ruas da cidade e observando os comércios e lá estava o motociclista atrás da gente novamente. Até que, finalmente, encontramos uma pousada na qual havia espaço para acamparmos. Entramos e... lá estava o motoqueiro novamente, procurando o proprietário da Pousada e nos apresentando o Sr. Chico.
Combinamos o preço da diária para pernoite em R$ 20,00, com uso do banheiro exclusivo para nós, pois não havia outros hóspedes e, finalmente, conversamos com o motoqueiro, cujo nome era Rodrigo, e que nos falou que dali a 10 min (14h) estava saindo o passeio para as dunas dos Lençóis, com custo de R$ 80,00 por pessoa, mas ele pediria um desconto na agência para o valor de R$ 60,00 por pessoa visto que somos de uma ONG e temos um blog para divulgação. Fechamos negócio e em menos de 15 min já estávamos na carroceria de uma Toyota Hilux, juntamente com um grupo de outras 09 pessoas, nos dirigindo ao famoso cartão postal da região... a lagoa Esperança, a única que tem água dentro da área dos Lençóis durante o ano todo.

Embarcando na balsa para atravessar o Rio Preguiças

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses ocupa uma área de 155 mil ha e é formado por dunas de areia branca e lagoas de águas azuis cristalinas (durante os meses de maio a outubro – meses de verão no Nordeste e caracterizados pela seca). Como estamos no “inverno” nordestino e a época de chuvas está começando, as lagoas ainda estão secas, o que não tira o esplendor da paisagem... a imensidão de dunas que se estendem até onde o olhar alcança é fantástico!
Após atravessarmos o Rio Preguiças de balsa, seguimos chacoalhando por aproximadamente uma hora para percorrermos 25 km entre estradinhas de areia e vegetação de transição até chegarmos à Lagoa Esperança. É claro que neste tempo aproveitamos para conhecer os nossos companheiros de aventura, praticamente todos paraibanos e muito divertidos! O casal que estava ao nosso lado na carroceria da van é natural de Carolina e mora atualmente em São Luís: Railda e Hildebrando.
Estradinha que leva às lagoas, dentro da área do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses
Iniciando a subida das dunas

Quando chegamos ao nosso ponto de parada, fomos todos nos dispersando e procurando o melhor lugar para fotos... havia, além de nossa caminhonete, pelo menos outras 25 carregadas de turistas ávidos por fotos e pelas melhores dunas... Fomos no nosso ritmo, conversando um pouco com nosso guia, Marquinhos, que nos explicou que o parque recebe este nome por conter muitos lençóis de água que são facilmente encontrados, bastando para isso cavar buracos nas áreas onde a areia é mais escura e outras particularidades da região.
Conversando com Marquinhos
Vista da Lagoa Esperança


Ao subirmos a duna mais alta, a paisagem realmente ficou linda: uma lagoa enorme, de águas azuis claras, brilhando com o sol! Ao seu lado, um povoado pequeno de pescadores que tem de se mudar de tempos em tempos, por conta do avanço das dunas. Ficamos caminhando sobre as dunas até um canto mais tranquilo, longe de todos, onde tomamos banho e tiramos mais fotos. 
Marcos nadando na Lagoa Esperança


Mais perto do entardecer, por volta das 17h45min, o sol se pôs e nós nos despedimos das dunas de Lençóis, voltando na carroceria da Hilux por mais uma hora, chacoalhando e pulando feito cabritos, dando muitas risadas e falando muita besteira!!!



Chegamos à cidade à noite (18h50min) e rapidamente nos lavamos e trocamos de roupa, seguindo para o único restaurante aberto que ficava próximo de nossa pousada: Restaurante Saborear. Lá encontramos o casal Hildebrando e Railda, com quem ficamos conversando enquanto jantávamos e discutíamos o passeio do dia seguinte: descida do Rio Preguiças de lancha, com três paradas: Vassouras, Mandacaru e Caburé.
Cabritos sobre as dunas
A comida estava deliciosa e o local é muito legal, às margens do Rio Preguiças. Jantamos um prato com mignon e acompanhamentos e suco de cupuaçu. Ao retornamos para a Pousada, ainda precisávamos armar nossa barraca, o que foi feito em poucos minutos. Já de banho tomado, nos recolhemos colocamos o despertador para às 7h30min, visto que nosso passeio sairia às 8h30min.

Dia 13/jan/2016

Durante o café da manhã, aproveitamos para conversar com o Sr. Chico, proprietário de nossa pousada, que tem um tanque de peixes nos fundos e está construindo outro tanque para cultivar tilápias e outros peixes da região.
Navegando pelos igarapés... um pequeno atalho no Rio Preguiças
Vegetação às margens do rio
Chegando à Vassouras: primeira parada
No horário combinado pela empresa Malibu estávamos prontos e seguimos até o porto onde nossa lancha já estava à espera. O piloto, Miúdo, foi pegando o grupo em cada píer e após três paradas nosso grupo estava completo. Seguimos pelo Rio Preguiças por aproximadamente meia hora, quando paramos no povoado de Vassouras, onde um dos atrativos é a presença de macacos pregos que interagem com os visitantes em uma lanchonete. Outra opção é caminhar pelas dunas e vislumbrar a vista do rio e do povoado. Esta foi a nossa escolha. Subimos a uma duna alta e ficamos curtindo o vento, o momento...
Na volta para o barco, 45 min depois, aproveitamos para ver um pouco de artesanato que estava à venda numa barraquinha.
Caminhando pelas dunas do povoado de Vassouras

Farol Preguiças, em Mandacaru

Já embarcados, seguimos adiante até Mandacaru, outro povoado (bastante pobre) onde está localizado o Farol Preguiças, cujos espelhos vieram da França em 1909 e as bases foram corroídas e reconstruídas na década de 1940, como réplica de um farol francês de 35 m de altura e com 160 degraus em escada caracol.

Fato curioso que se pode destacar é que foi aqui, na costa do Maranhão e no delta do Rio Preguiças que naufragou o navio onde Gonçalves Dias viajava retornando ao país depois de fazer tratamento de saúde na Europa. Pra quem não se lembra, ele foi o poeta indianista que escreveu o famoso poema "Canção do Exílio" ("Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá; as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá...")

Vista da vila de Mandacaru e do Rio Preguiças
Após mais 45 min, seguimos finalmente até Caburé onde seria o ponto do almoço. Por ser bastante distante esta localidade possui pouca infraestrutura e os preços praticados (assim como os serviços) deixam a desejar. Os pratos pedidos demoram muito tempo pra ficarem prontos (uma hora, em média). Pedimos apenas uma porção de fritas e uma cerveja gelada, o que levou aproximadamente 40 min para ficar pronto. Enquanto esperávamos, aproveitamos para bater um bom papo com o casal Hildebrando e Railda, com quem já havíamos feito o passeio no dia anterior. Muitas cervejas depois, deixamos o casal e fomos tomar banho no mar, do outro lado da península, aproveitando para catar umas conchas.
Com os amigos Railda e Hildebrando
Em Caburé, um dos restaurantes onde lanchamos
Na volta, conversamos e bebemos mais um pouco, antes de voltarmos ao barco e retornamos à Barreirinhas, onde aproveitamos para fazer nosso jantar, desta vez utilizando o fogão e a cozinha do Sr. Chico emprestados. 
Tudo limpo e organizado, aproveitamos para passear até a orla da cidade, onde ficam os restaurantes e algumas lojas de artesanato, além de um deck para observar o rio.
Conseguimos encontrar adesivos para o carro e tiramos umas fotos noturnas da cidade. Amanhã seguimos até a capital, São Luís.