![]() |
| Parque Botânico de Juiz de Fora |
Nossa passagem por Juiz de Fora,
em Minas Gerais, é mais que visita! Minha mãe mora aqui já há alguns anos e
quando podemos, passamos por aqui para curtir e pegar colinho de mãe. (Mari)
Deixamos o Espírito Santo para
trás e seguimos diretão para Juiz, pois tínhamos assumido a responsabilidade de
cuidar de d. Maria (mãe) pós-cirurgia que iria realizar nos próximos dias!
Juiz de Fora
Já estivemos por aqui inúmeras
vezes, desde que o irmão, Alfredo, se mudou para cá há muito tempo... portanto,
cada vez que vimos para cá, aproveitamos para conhecer algum cantinho diferente
e rever algum lugar que vale a pena!
![]() |
| Construção neoclássica no centro |
A cidade não possui tantas
atrações assim, mas em nossa permanência de quase 40 dias, aproveitamos bem e
curtimos a mãezinha.
Nos links abaixo estão listados
outros lugares de Juiz e próximos da cidade, para conhecer (postagens das
outras vezes em que estivemos por aqui).
2013: V i a g e m F a m í l i a: Juiz de Fora MG e Itupeva (SP)
2011: V i a g e m F a m í l i a: Juiz de Fora em Família
2014: V i a g e m F a m í l i a: Encarnación - Paraguai ao Brasil (norte do PR e MG)
2023: V i a g e m F a m í l i a: Das Minas, uai! - Rota dos Diamantes e outros "trens"
MUSEU MARIANO PROCÓPIO
O Museu Mariano Procópio foi o primeiro museu surgido em Minas Gerais, fundado em 1921 por Alfredo Ferreira Lage, filho de Mariano Procópio. Mariano Procópio foi o engenheiro responsável pela construção da Estrada União e Indústria, que unia Juiz de Fora a Petrópolis.
Foi esta estrada que impulsionou
a fundação da cidade, em 1850, funcionando como corredor para escoamento da
produção cafeeira e fez com que a Zona da Mata Mineira se tornasse a mais
importante província de Minas, tendo sido inaugurada pelo próprio Imperador
Pedro II.
![]() |
| Corredor que liga a casa ao espaço cultural/museu |
Foi por isso que foi construído o
palacete Villa Ferreira Lage: para receber D. Pedro II. Infelizmente, a
construção do palácio demorou mais que o previsto e D. Pedro hospedou-se na
casa de Mariano Procópio à época. Apenas na segunda passagem do imperador pela
cidade (1869) é que este ficou hospedado na Villa.
A Villa foi projetada por Carlos
Augusto Gambs e possui características típicas do séc. XIX. Com sistema de
calefação e iluminação, possuía tecnologia europeia. O filho mais novo de
Mariano acabou assumindo o patrimônio da família, após a morte de seu pai, em
1872, e de seu irmão mais velho.
![]() |
| Quarto |
![]() |
| Subida para o solarium (fechado) |
Alfredo tinha coleções e em função do grande acervo que possuía, acabou construindo um prédio anexo ao castelo original para abrigar tudo. Inaugurado em 1921 – no centenário de nascimento de seu pai – o museu recebeu a visita da Princesa Isabel e seu esposo, Conde D’Eu, que haviam recebido o direito de voltar ao Brasil após os anos de exílio.
Como Alfredo não teve filhos,
doou seu acervo e terras da família para a administração pública, com a
condição de que esta fizesse a manutenção perpétua dos fins culturais em nome
de seu pai. Este é um dos motivos pelos quais não se cobra ingresso neste
museu!
![]() |
| Escritório |
Anexo ao Museu, há o Parque
Mariano Procópio, com uma área de mais de 78mil m², onde se pode caminhar em
meio aos jardins projetados por Auguste Glaziou, paisagista francês - 1860. O
Parque conta com mais de 155 espécies de árvores, incluindo pau-brasil,
sapucaias, palmeiras reais,...
![]() |
| Sala de jantar |
![]() |
| Sala de música |
O acervo contém quadros, peças de
história natural, esculturas, armas, indumentárias, medalhas e moedas, joias,
mobiliário, louças e porcelanas, além de documentos históricos e pessoais de D.
Pedro II e da Família Real.
![]() |
| Cozinha, localizada no porão da casa |
![]() |
| Observem que uma das torneiras é de água quente! |
![]() |
| Brincando de estátua! |
![]() |
| Abraço no nosso Imperador Pedro II: este era o cara! |
MERCADO MUNICIPAL DE JUIZ DE
FORA
O “Mercadão” está localizado no
antigo Complexo Mascarenhas, local da antiga sede da Companhia Têxtil Bernardo
Mascarenhas, fundada em 1888.
Bernardo Mascarenhas, que veio de
Curvelo para Juiz de Fora, em 1822, impulsionou o crescimento da cidade com a
construção da Companhia Têxtil, em 1888, quando 60 teares ingleses, utilizando
motor elétrico Westhinghouse (inicialmente funcionavam movidos à querosene),
passaram a produzir tecidos de algodão e linho.
Curiosidade: Bernardo
Mascarenhas foi o responsável pela construção da Hidrelétrica de Marmelos, a
primeira grande usina hidrelétrica da América Latina. Nesta época, Juiz de Fora
era conhecida como “Manchester Mineira”.
![]() |
| Estrutura do complexo construída em tijolinhos |
A fábrica encerrou suas
atividades em 1984, e a sede foi utilizada para pagar as dívidas junto ao
Governo, que passou a administração do espaço para a Prefeitura de Juiz; após o
tombamento do prédio, instalou-se ali o Mercado, um Centro Cultural e a
Biblioteca Municipal, entre outros.
CINE-THEATRO CENTRAL
![]() |
| Com Maria Inês e d. Maria, no Theatro |
Projetado pelo arquiteto Raphael
Arcuri, em estilo eclético, possui fachada em art déco e ornamentação
interna neoclássica com inspirações muralistas italianas de autoria do pintor
Angelo Bigi.
Inaugurado em 1929, o edifício
foi tombado pelo IPHAN, em 1994, e totalmente restaurado dois anos depois. Atualmente
o espaço conta com 1751 poltronas e fomos assistir a uma apresentação do Coral
Pró-Música com a mãe Maria e a amiga, Inês: Partes da Ópera Don Giovanni.
CÂMARA DE VEREADORES DE JUIZ
DE FORA
Aproveitando nossa estada longa na cidade, fomos a uma sessão solene, precedida de uma sessão ordinária, onde foram homenageados atletas e membros da comunidade juizforana.
![]() |
| Sessão solene de homenagem |
Atualmente a Casa de Leis está
composta por 23 vereadores, mas à época de sua primeira legislatura, datada de
1853 a 1857, era presidida pelo Barão de Juiz de Fora – José Ribeiro de Resende,
que doou o terreno para o primeiro cemitério da cidade - e contava com 7
vereadores, todos eleitos pelo povo. Nesta época, o prédio abrigava a Câmara e
a Cadeia pública.
![]() |
| Antigo Paço Municipal, atualmente Espaço Cultural |
O prédio original, localizado à
esquina das Ruas Halfeld e Barão do Rio Branco, foi demolido e em seu lugar foi
construído um lindo prédio em estilo eclético com características neoclássicas,
onde funcionou o Paço Municipal até 1997 (também de Raphael Arcuri). Hoje
funciona como um Espaço Cultural – Museu Etnográfico, onde fomos visitar uma
exposição em homenagem à africanidade.
![]() |
| Painéis homenageando pessoas influentes da cultura negra juizforana, feitos com folhas secas |
JARDIM BOTÂNICO
O Jardim Botânico da Universidade
Federal de Juiz de Fora está localizado em meio à Mata do Krambeck, um grande
fragmento da Floresta Atlântica no meio da cidade.
Suas trilhas – de aproximadamente
4km de extensão – contém 2 lagos com deck, o Orquidário Frederico Carlos Hoene
(300 exemplares, distribuídos em cerca de 120 espécies, além de 40 híbridos),
Bromeliário e Cactário, Trilha do Mel e Meliponário de Abelhas Nativas, Trilha
da Juçara, a Casa – Sede onde está a Galeria de Arte que fomos visitar.
Na antiga casa sede do Sítio
Malícia, os visitantes têm acesso a três salas, nomeadas com verbetes Puri,
povo indígena que habitou a região no séc. XIX.
![]() |
| UXÔ Gamung - "o sonho da Terra" ; esta exposição conecta artistas Puri contemporâneos |
Também tem a Casa de Educação
Ambiental, onde batemos um gostoso papo com outros visitantes (além de tomarmos
água e usarmos o banheiro). Ali ficamos
conhecendo a história da onça pintada que vivia na região e cuja história está
contada no painel.
![]() |
| Casa da Educação Ambiental |
![]() |
| A história da onça de Juiz de Fora |
BAR DO BIGODE E XORORÓ
Ir a Juiz de Fora e não comer um
petisco no Bigode, não existe!!!! Tradicional, o boteco inaugurado em 1975 faz
parte da história da cidade. Aqui você come “o melhor torresmo do mundo”!
Tudo começou quando o sr. João
Pacheco Fontes tinha um pequeno bar (que continua no mesmo local) e vendia
torresmo e cachaça. Porém, no feriado do carnaval ele fechava, e seus clientes
habituês iam para o outro bar, do outro lado da rua, onde o Xororó, na verdade
Nilton do Couto Oliveira, também possuía um boteco. Os dois resolveram fazer
uma sociedade e ela é um sucesso há anos!!!
![]() |
| Torresmo de ponta |
Aqui o torresmo é a estrela!!! No
Bar do Bigode e Xororó você pode provar vários tipos de torresmo: tem a ponta
(mais nobre, com pouca gordura e mais carne), tem à pururuca (mais comum) e o
de tira (fatias de torresmo com casca sequinha e crocante, e o interior
suculento e com carne).
Nós fomos lá 2 vezes e provamos a Tira e o Pururuca... de-li-ci-o-sos!!!!!
![]() |
| Nós de Eisenbahn e a Mami de "Sex on the beach" |
![]() |
| Torresmo à pururuca e tiras de frango com fritas; porque "desgraça pouca é bobagem!" |
A história por trás da iguaria:
no início da colonização do Brasil, o torresmo era apenas uma forma de se
conseguir a banha de porco, usada na culinária. Porém, na Bahia colonial, os
escravizados passaram a comê-lo diretamente, acrescentando temperos.
Mas esta delícia não é apenas
brazuca... nos países de origem espanhola, ele recebe o nome de “chicharrón” e
já nos deliciamos diversas vezes com ele.
APFELTRUDEL – o autêntico strudel
de maçã
![]() |
| Pincelando a manteiga antes de ir pro forno |
Como visitar uma autêntica
vienense e não experimentar o maior símbolo da culinária austríaca??? Minha mãe
é especialista em Apfeltrudel e antes de fazer a cirurgia, me apliquei e a
auxiliei na abertura da massa e preparação do recheio!!!!
![]() |
| O "bichão" prontinho pra degustação!!! |
Se ficou bom?????? Ah,
imaginem!!!!
Receita desta delícia
Massa:
250g de trigo (de boa qualidade)
1 colher (sopa) de azeite de oliva extra virgem
1 pitada de sal
Um pouco de água morna para dar liga
Fazer a massa e sovar bem
(batendo umas 100 vezes) até que fique “suave” ao toque. Colocar a massa pra
descansar debaixo de uma panela aquecida, por uns 40min, aproximadamente.
![]() |
| Dividimos ao meio para facilitar a colocação na forma |
Recheio:
2kg de maçã descascada e picada fino (colocar suco de
limão para não oxidar). Acrescentar uva passa (180g) e nozes moídas (100g).
Abrir a massa (primeiro com o
rolo, depois à mão, centro de dentro para fora, apoiando numa toalha
enfarinhada, tomando cuidado para não rasgar a massa), pincelar manteiga
derretida em pequenos pedaços, espalhar farinha de rosca dourada na manteiga
(uns 100g), acrescentar as maçãs com uva passa e nozes e enrolar, usando o pano
como base.
![]() |
| Massa já aberta |
![]() |
| Pincelando a massa, para hidratar, com manteiga derretida |
![]() |
| Espalhando a farinha de rosca douradinha, antes de colocar o recheio |
Levar ao forno pré-aquecido, por uns 40min, a 180/200°C. Pincelar o strudel, de tempos em tempos, com a manteiga derretida para formar aquela casquinha crocante!
O gostoso é servir enquanto ainda
está quente, com nata batida!!! HUMMMMMMMM
![]() |
| Antiga Estação de Trem |
CATEDRAL METROPOLITANA
Criada na primeira metade do século XIX como homenagem a Santo Antônio. Em 1850 torna-se a primeira paróquia da recém criada cidade de Juiz de Fora. Em 1924 eleva-se a condição de Catedral, em função da instalação do Bispado de Juiz de Fora. Em 1950 sofreu diversas modificações para a comemoração do seu centenário. Tombada por decreto municipal pela importância de seus aspectos arquitetônicos e sei significado histórico.
Hora de “cair” na estrada
Com a mãezinha recuperada e já
“pronta pra próxima”, era hora de levantarmos acampamento!
![]() |
| Rodada de pasteis com os amigos Eterninha e o filho, Gustavo |
![]() |
| Visita pro café da amiga querida Maria Inês |
Deixamos Juiz de Fora debaixo de
chuva e nossa ideia de parar em Bichinhos, distrito de Prados, foi abortada!!
Com a chuva que caía do céu, não iríamos conseguir ver nada desta cidadezinha
charmosa e bonitinha (vai fica pra próxima, também!). [Para não percorrer o mesmo caminho de sempre (direção Rodovia Fernão Dias, passando por Caxambu), resolvemos fazer outro caminho, mais a oeste, passando por Barbacena, São João del Rei e Tiradentes, Lavras, Alfenas, cruzando para São Paulo na região das águas, conhecido por Circuito das Águas.]
Ainda com chuva, não intermitente, passamos por São João del Rei e Tiradentes, seguindo em frente e passando também por Lavras, indo até Campos Gerais, onde paramos para descansar. Apesar de não termos percorrido tanta distância (cerca de 350km), o movimento intenso de veículos (maioria caminhões) e a chuva que insistiu em nos perseguir, tornaram a viagem cansativa. Desta forma, decidimos não abrir a barraca (que ficaria molhada depois) e buscamos um hotelzinho na cidade.
Campos Gerais
Com cerca de 30mil habitantes, a
cidade fundada em 1901 dista 300km da capital, Belo Horizonte.
![]() |
| Nesta noite teve pizza deliciosa na Hamburgueria e Pizzaria da praça e pernoite em hotel. Hotel Central, a um custo de R$160,00 (US 32) o pernoite, com café da manhã |
Em 1827 membros das famílias
Soares e Martins iniciaram a fundação do povoado, denominado Carmo do Campo
Grande. Estas famílias doaram parte de suas terras para a construção da igreja,
dedicada à N. Sra do Carmo, padroeira da povoação. Esta capela foi substituída
posteriormente pela linda igreja que hoje encanta o centro da cidade.
![]() |
| A linda Igreja do Carmo, ao anoitecer |
A agricultura e a pecuária contribuíram para o desenvolvimento de Campos Gerais e hoje o café é a estrela. A cidade possui uma importante cooperativa, a COOPERCAM, além de produzirem também feijão, milho e batata.
![]() |
| Cafezais da região |
A Igreja Matriz de N. Sra do
Carmo, construída entre os anos de 1940 e 1951, tem estilo neogótico, inspirada
na Catedral de Burgos, na Espanha. A Praça do Carmo fica em frente e é muito
linda, sendo ponto de encontro e lazer da comunidade.
![]() |
| A bonita Praça do Carmo, em frente à igreja |
![]() |
| Ponta das Amoras, sobre o lago da Represa de Furnas |
Rumo a São Paulo
Na manhã seguinte, com um pouco
de sol, seguimos até Poços de Caldas e de lá, até a linda Águas da Prata (que
merece uma visita mais longa, sem dúvida!), já em São Paulo. Esta região é
famosa pelas suas águas termais e sulfurosas e estivemos na região há muitos
anos (mais de 30). Com o clima chuvoso, acabamos não explorando a região e
seguimos direto até o Paraná, percorrendo a SP225, pagando muitos (e caros)
pedágios.
Passamos por Jaú, Pirassununga
(famosa pela cachaça e por ser a base da Academia da Força Aérea – esquadrilha da
fumaça), Bauru e finalmente, Ourinhos.
Voltando pra casa: Curitiba, nosso ponto de
partida desta aventura!
Pernoitamos num posto de
combustíveis em Santa Cruz do Rio Pardo, antes de Ourinhos, ainda em São Paulo,
e de lá, pela BR 153, entramos no Paraná, descendo em direção à Curitiba,
percorrendo longa distância e “chegando em casa” no fim do dia!
Nossa Expedição Transamazônica
chegava ao fim...































































Nenhum comentário:
Postar um comentário
Grato por visitar o ViagemFamilia. Críticas, elogios e quaisquer comentários são desejados, desde que feitos em terminologia ética e adequada.
SE FIZER QUESTIONAMENTOS POR FAVOR DEIXE ALGUMA FORMA DE CONTATO PARA POSSIBILITAR A RESPOSTA, COMO E-MAIL, POR EXEMPLO