Viagem Família______________________________________

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sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Expedição Transamazônica 18 - Uma visita familiar complementada por muito torresmo e pão de queijo: Minas Gerais!

 

Parque Botânico de Juiz de Fora

Nossa passagem por Juiz de Fora, em Minas Gerais, é mais que visita! Minha mãe mora aqui já há alguns anos e quando podemos, passamos por aqui para curtir e pegar colinho de mãe. (Mari)

Deixamos o Espírito Santo para trás e seguimos diretão para Juiz, pois tínhamos assumido a responsabilidade de cuidar de d. Maria (mãe) pós-cirurgia que iria realizar nos próximos dias!

Juiz de Fora

Já estivemos por aqui inúmeras vezes, desde que o irmão, Alfredo, se mudou para cá há muito tempo... portanto, cada vez que vimos para cá, aproveitamos para conhecer algum cantinho diferente e rever algum lugar que vale a pena!

Construção neoclássica no centro

A cidade não possui tantas atrações assim, mas em nossa permanência de quase 40 dias, aproveitamos bem e curtimos a mãezinha.

Nos links abaixo estão listados outros lugares de Juiz e próximos da cidade, para conhecer (postagens das outras vezes em que estivemos por aqui).

2013: V i a g e m F a m í l i a: Juiz de Fora MG e Itupeva (SP)

2011: V i a g e m F a m í l i a: Juiz de Fora em Família

2014: V i a g e m F a m í l i a: Encarnación - Paraguai ao Brasil (norte do PR e MG)

2023: V i a g e m F a m í l i a: Das Minas, uai! - Rota dos Diamantes e outros "trens"

MUSEU MARIANO PROCÓPIO


O Museu Mariano Procópio foi o primeiro museu surgido em Minas Gerais, fundado em 1921 por Alfredo Ferreira Lage, filho de Mariano Procópio. Mariano Procópio foi o engenheiro responsável pela construção da Estrada União e Indústria, que unia Juiz de Fora a Petrópolis.

Foi esta estrada que impulsionou a fundação da cidade, em 1850, funcionando como corredor para escoamento da produção cafeeira e fez com que a Zona da Mata Mineira se tornasse a mais importante província de Minas, tendo sido inaugurada pelo próprio Imperador Pedro II.

Corredor que liga a casa ao espaço cultural/museu

Foi por isso que foi construído o palacete Villa Ferreira Lage: para receber D. Pedro II. Infelizmente, a construção do palácio demorou mais que o previsto e D. Pedro hospedou-se na casa de Mariano Procópio à época. Apenas na segunda passagem do imperador pela cidade (1869) é que este ficou hospedado na Villa.

A Villa foi projetada por Carlos Augusto Gambs e possui características típicas do séc. XIX. Com sistema de calefação e iluminação, possuía tecnologia europeia. O filho mais novo de Mariano acabou assumindo o patrimônio da família, após a morte de seu pai, em 1872, e de seu irmão mais velho.

Quarto

Subida para o solarium (fechado)

Alfredo tinha coleções e em função do grande acervo que possuía, acabou construindo um prédio anexo ao castelo original para abrigar tudo. Inaugurado em 1921 – no centenário de nascimento de seu pai – o museu recebeu a visita da Princesa Isabel e seu esposo, Conde D’Eu, que haviam recebido o direito de voltar ao Brasil após os anos de exílio.

Como Alfredo não teve filhos, doou seu acervo e terras da família para a administração pública, com a condição de que esta fizesse a manutenção perpétua dos fins culturais em nome de seu pai. Este é um dos motivos pelos quais não se cobra ingresso neste museu!


Escritório

Anexo ao Museu, há o Parque Mariano Procópio, com uma área de mais de 78mil m², onde se pode caminhar em meio aos jardins projetados por Auguste Glaziou, paisagista francês - 1860. O Parque conta com mais de 155 espécies de árvores, incluindo pau-brasil, sapucaias, palmeiras reais,...

Sala de jantar

Sala de música
 

O acervo contém quadros, peças de história natural, esculturas, armas, indumentárias, medalhas e moedas, joias, mobiliário, louças e porcelanas, além de documentos históricos e pessoais de D. Pedro II e da Família Real.

Cozinha, localizada no porão da casa

Observem que uma das torneiras é de água quente!

Brincando de estátua!

Abraço no nosso Imperador Pedro II: este era o cara!

MERCADO MUNICIPAL DE JUIZ DE FORA

O “Mercadão” está localizado no antigo Complexo Mascarenhas, local da antiga sede da Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas, fundada em 1888.

Bernardo Mascarenhas, que veio de Curvelo para Juiz de Fora, em 1822, impulsionou o crescimento da cidade com a construção da Companhia Têxtil, em 1888, quando 60 teares ingleses, utilizando motor elétrico Westhinghouse (inicialmente funcionavam movidos à querosene), passaram a produzir tecidos de algodão e linho.

Curiosidade: Bernardo Mascarenhas foi o responsável pela construção da Hidrelétrica de Marmelos, a primeira grande usina hidrelétrica da América Latina. Nesta época, Juiz de Fora era conhecida como “Manchester Mineira”.

Estrutura do complexo construída em tijolinhos

A fábrica encerrou suas atividades em 1984, e a sede foi utilizada para pagar as dívidas junto ao Governo, que passou a administração do espaço para a Prefeitura de Juiz; após o tombamento do prédio, instalou-se ali o Mercado, um Centro Cultural e a Biblioteca Municipal, entre outros.

CINE-THEATRO CENTRAL

Com Maria Inês e d. Maria, no Theatro 

Projetado pelo arquiteto Raphael Arcuri, em estilo eclético, possui fachada em art déco e ornamentação interna neoclássica com inspirações muralistas italianas de autoria do pintor Angelo Bigi.


Inaugurado em 1929, o edifício foi tombado pelo IPHAN, em 1994, e totalmente restaurado dois anos depois. Atualmente o espaço conta com 1751 poltronas e fomos assistir a uma apresentação do Coral Pró-Música com a mãe Maria e a amiga, Inês: Partes da Ópera Don Giovanni.


CÂMARA DE VEREADORES DE JUIZ DE FORA

Aproveitando nossa estada longa na cidade, fomos a uma sessão solene, precedida de uma sessão ordinária, onde foram homenageados atletas e membros da comunidade juizforana.


Sessão solene de homenagem


Atualmente a Casa de Leis está composta por 23 vereadores, mas à época de sua primeira legislatura, datada de 1853 a 1857, era presidida pelo Barão de Juiz de Fora – José Ribeiro de Resende, que doou o terreno para o primeiro cemitério da cidade - e contava com 7 vereadores, todos eleitos pelo povo. Nesta época, o prédio abrigava a Câmara e a Cadeia pública.

Antigo Paço Municipal, atualmente Espaço Cultural

O prédio original, localizado à esquina das Ruas Halfeld e Barão do Rio Branco, foi demolido e em seu lugar foi construído um lindo prédio em estilo eclético com características neoclássicas, onde funcionou o Paço Municipal até 1997 (também de Raphael Arcuri). Hoje funciona como um Espaço Cultural – Museu Etnográfico, onde fomos visitar uma exposição em homenagem à africanidade.



Painéis homenageando pessoas influentes da cultura negra juizforana, feitos com folhas secas


JARDIM BOTÂNICO

O Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora está localizado em meio à Mata do Krambeck, um grande fragmento da Floresta Atlântica no meio da cidade.

Suas trilhas – de aproximadamente 4km de extensão – contém 2 lagos com deck, o Orquidário Frederico Carlos Hoene (300 exemplares, distribuídos em cerca de 120 espécies, além de 40 híbridos), Bromeliário e Cactário, Trilha do Mel e Meliponário de Abelhas Nativas, Trilha da Juçara, a Casa – Sede onde está a Galeria de Arte que fomos visitar.

Na antiga casa sede do Sítio Malícia, os visitantes têm acesso a três salas, nomeadas com verbetes Puri, povo indígena que habitou a região no séc. XIX.




UXÔ Gamung - "o sonho da Terra" ; esta exposição conecta artistas Puri contemporâneos


Também tem a Casa de Educação Ambiental, onde batemos um gostoso papo com outros visitantes (além de tomarmos água e usarmos o banheiro).  Ali ficamos conhecendo a história da onça pintada que vivia na região e cuja história está contada no painel.

Casa da Educação Ambiental

A história da onça de Juiz de Fora

BAR DO BIGODE E XORORÓ

Ir a Juiz de Fora e não comer um petisco no Bigode, não existe!!!! Tradicional, o boteco inaugurado em 1975 faz parte da história da cidade. Aqui você come “o melhor torresmo do mundo”! 

Tudo começou quando o sr. João Pacheco Fontes tinha um pequeno bar (que continua no mesmo local) e vendia torresmo e cachaça. Porém, no feriado do carnaval ele fechava, e seus clientes habituês iam para o outro bar, do outro lado da rua, onde o Xororó, na verdade Nilton do Couto Oliveira, também possuía um boteco. Os dois resolveram fazer uma sociedade e ela é um sucesso há anos!!! 

Torresmo de ponta

Aqui o torresmo é a estrela!!! No Bar do Bigode e Xororó você pode provar vários tipos de torresmo: tem a ponta (mais nobre, com pouca gordura e mais carne), tem à pururuca (mais comum) e o de tira (fatias de torresmo com casca sequinha e crocante, e o interior suculento e com carne).

Nós fomos lá 2 vezes e provamos a Tira e o Pururuca... de-li-ci-o-sos!!!!!

Nós de Eisenbahn e a Mami de "Sex on the beach"

Torresmo à pururuca e tiras de frango com fritas; porque "desgraça pouca é bobagem!"

A história por trás da iguaria: no início da colonização do Brasil, o torresmo era apenas uma forma de se conseguir a banha de porco, usada na culinária. Porém, na Bahia colonial, os escravizados passaram a comê-lo diretamente, acrescentando temperos.

Mas esta delícia não é apenas brazuca... nos países de origem espanhola, ele recebe o nome de “chicharrón” e já nos deliciamos diversas vezes com ele.

APFELTRUDEL – o autêntico strudel de maçã

Pincelando a manteiga antes de ir pro forno

Como visitar uma autêntica vienense e não experimentar o maior símbolo da culinária austríaca??? Minha mãe é especialista em Apfeltrudel e antes de fazer a cirurgia, me apliquei e a auxiliei na abertura da massa e preparação do recheio!!!!

O "bichão" prontinho pra degustação!!!

Se ficou bom?????? Ah, imaginem!!!!

Receita desta delícia

Massa:

250g de trigo (de boa qualidade)

1 colher (sopa) de azeite de oliva extra virgem

1 pitada de sal

Um pouco de água morna para dar liga

Fazer a massa e sovar bem (batendo umas 100 vezes) até que fique “suave” ao toque. Colocar a massa pra descansar debaixo de uma panela aquecida, por uns 40min, aproximadamente.

Dividimos ao meio para facilitar a colocação na forma

Recheio:

2kg de maçã descascada e picada fino (colocar suco de limão para não oxidar). Acrescentar uva passa (180g) e nozes moídas (100g).

 


Abrir a massa (primeiro com o rolo, depois à mão, centro de dentro para fora, apoiando numa toalha enfarinhada, tomando cuidado para não rasgar a massa), pincelar manteiga derretida em pequenos pedaços, espalhar farinha de rosca dourada na manteiga (uns 100g), acrescentar as maçãs com uva passa e nozes e enrolar, usando o pano como base.

Massa já aberta

Pincelando a massa, para hidratar, com manteiga derretida

Espalhando a farinha de rosca douradinha, antes de colocar o recheio 

Levar ao forno pré-aquecido, por uns 40min, a 180/200°C. Pincelar o strudel, de tempos em tempos, com a manteiga derretida para formar aquela casquinha crocante!

O gostoso é servir enquanto ainda está quente, com nata batida!!! HUMMMMMMMM

MERCADO DAS PULGAS

Aos domingos a cidade oferece um grande Mercado de Usados/Novos e afins onde se encontra de tudo. Localizado ao lado do Rio Paraibuna, próximo da Estação de Trem, a feira é grande e é uma diversão percorrer as "barracas", muitas vezes lonas no chão, vendo coisas antigas, raridades, obras de arte,... com preços variados e negociáveis.

Antiga Estação de Trem



CATEDRAL METROPOLITANA

Criada na primeira metade do século XIX como homenagem a Santo Antônio. Em 1850 torna-se a primeira paróquia da recém criada cidade de Juiz de Fora. Em 1924 eleva-se  a condição de Catedral, em função da instalação do Bispado de Juiz de Fora. Em 1950 sofreu diversas modificações para a comemoração do seu centenário. Tombada por decreto municipal pela importância de seus aspectos arquitetônicos e sei significado histórico.



Hora de “cair” na estrada 

Com a mãezinha recuperada e já “pronta pra próxima”, era hora de levantarmos acampamento!

Rodada de pasteis com os amigos Eterninha e o filho, Gustavo

Visita pro café da amiga querida Maria Inês

Deixamos Juiz de Fora debaixo de chuva e nossa ideia de parar em Bichinhos, distrito de Prados, foi abortada!! Com a chuva que caía do céu, não iríamos conseguir ver nada desta cidadezinha charmosa e bonitinha (vai fica pra próxima, também!). [Para não percorrer o mesmo caminho de sempre (direção Rodovia Fernão Dias, passando por Caxambu), resolvemos fazer outro caminho, mais a oeste, passando por Barbacena, São João del Rei e Tiradentes, Lavras, Alfenas, cruzando para São Paulo na região das águas, conhecido por Circuito das Águas.] 

Ainda com chuva, não intermitente, passamos por São João del Rei e Tiradentes, seguindo em frente e passando também por Lavras, indo até Campos Gerais, onde paramos para descansar. Apesar de não termos percorrido tanta distância (cerca de 350km), o movimento intenso de veículos (maioria caminhões) e a chuva que insistiu em nos perseguir, tornaram a viagem cansativa. Desta forma, decidimos não abrir a barraca (que ficaria molhada depois) e buscamos um hotelzinho na cidade.

Campos Gerais

Com cerca de 30mil habitantes, a cidade fundada em 1901 dista 300km da capital, Belo Horizonte.

Nesta noite teve pizza deliciosa na Hamburgueria e Pizzaria da praça e pernoite em hotel. Hotel Central, a um custo de R$160,00 (US 32) o pernoite, com café da manhã

Em 1827 membros das famílias Soares e Martins iniciaram a fundação do povoado, denominado Carmo do Campo Grande. Estas famílias doaram parte de suas terras para a construção da igreja, dedicada à N. Sra do Carmo, padroeira da povoação. Esta capela foi substituída posteriormente pela linda igreja que hoje encanta o centro da cidade.

A linda Igreja do Carmo, ao anoitecer

A agricultura e a pecuária contribuíram para o desenvolvimento de Campos Gerais e hoje o café é a estrela. A cidade possui uma importante cooperativa, a COOPERCAM, além de produzirem também feijão, milho e batata.

Cafezais da região

A Igreja Matriz de N. Sra do Carmo, construída entre os anos de 1940 e 1951, tem estilo neogótico, inspirada na Catedral de Burgos, na Espanha. A Praça do Carmo fica em frente e é muito linda, sendo ponto de encontro e lazer da comunidade.




A bonita Praça do Carmo, em frente à igreja


A Ponte das Amoras, ligação entre os municípios de Campos Gerais e Alfenas tem quase 1000m de extensão (sobre o lago da represa de Furnas) e é local ideal para pesca, esportes aquáticos ou simplesmente admirar o pôr de sol no Mirante Mar de Minas.

Ponta das Amoras, sobre o lago da Represa de Furnas

Rumo a São Paulo

Na manhã seguinte, com um pouco de sol, seguimos até Poços de Caldas e de lá, até a linda Águas da Prata (que merece uma visita mais longa, sem dúvida!), já em São Paulo. Esta região é famosa pelas suas águas termais e sulfurosas e estivemos na região há muitos anos (mais de 30). Com o clima chuvoso, acabamos não explorando a região e seguimos direto até o Paraná, percorrendo a SP225, pagando muitos (e caros) pedágios.

Passamos por Jaú, Pirassununga (famosa pela cachaça e por ser a base da Academia da Força Aérea – esquadrilha da fumaça), Bauru e finalmente, Ourinhos.

Voltando pra casa: Curitiba, nosso ponto de partida desta aventura!

Pernoitamos num posto de combustíveis em Santa Cruz do Rio Pardo, antes de Ourinhos, ainda em São Paulo, e de lá, pela BR 153, entramos no Paraná, descendo em direção à Curitiba, percorrendo longa distância e “chegando em casa” no fim do dia!

Nossa Expedição Transamazônica chegava ao fim...

Foram 150 dias, com um total de 15mil km rodados em todos os tipos de estradas! Mas este relatório final ficará para a próxima postagem!

Expedição Transamazônica


 

 

 

 





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