Viagem Família______________________________________

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segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Expedição Transamazônica 8 - O mundo é do tamanho do Pará!!! PARTE 1

Amanhecer no Rio Tapajós, Jacareacanga

Após um pernoite tranquilo no Igarapé Água Branca, percorremos 55 km e chegamos à divisa do Pará! A diferença na geografia foi enorme. De repente, a planície amazônica deu lugar a subidas e descidas sem fim e o estado de conservação da pista também mudou bastante.


As obras de recuperação da via que percebemos no Amazonas, não chegaram por aqui! Muitos buracos e irregularidades fizeram com que levássemos 2,5h para percorrer os 55km até Jacareacanga. Só perto da cidade, na sua entrada, é que a rodovia ficou transitável e até pavimentada!

Jacareacanga

- Jacareacanga: do tupi, “îakaré” (jacaré) e “kanga” (cabeça)

Jacareacanga está localizada no Alto Tapajós e conta com, aproximadamente, 26mil habitantes (2025). Emancipada de Itaituba em 1991, distante 390km, a cidade tem no garimpo (de ouro) a base de sua economia e a população indígena é a maioria – mais de 13mil indígenas da etnia Munduruku, espalhados em 156 aldeias. O turismo da pesca esportiva por aqui também é grande, pois o Rio Tapajós é uma belezura!

CURIOSIDADES

Em 1956 houve em suas terras uma Revolta de Jacareacanga, comandada por oficiais da aeronáutica do Rio de Janeiro (na época, a capital federal) contra a posse de Juscelino Kubitschek como presidente do Brasil.



“(...) Apesar da importância da atividade garimpeira para Jacareacanga, o ouro não reflete a estrutura de seu enorme território de 53mil km² (maior que a Holanda). Com a maior parte da população indígena do Pará, o município (...) apresenta um dos piores índices socioeconômicos do país, pontuando 46,83 no IPS 2021 (...). Nesse meio tempo, em 2019.  o município arrecadou o seu ápice histórico de CFEM por extração de ouro: R$ 980,8 milhões!” @infoamazonia.org

Igarapé morto... 

Igarapé vivo!

Na cidade abastecemos (comida e combustível) e buscamos um local aprazível para passar a noite. A praia do Rio Tapajós é um desbunde. Parece o Caribe, com águas azuis e cristalinas (o rio nasce na área de escudos cristalinos pré-cambrianos de rochas ígneas - carrega poucos sedimentos). Buscamos um local sombreado às suas margens e fizemos um churrasquinho, tomando longos banhos que não refrescam, pois suas águas são mornas!

Secando tudo após a tormenta com ventos fortíssimos da noite anterior



Conversamos com muitos locais e aprendemos a conhecer e entender (um pouco) um país muito diferente. A régua que usamos para medir comportamentos e ações “da metade e do Brasil para baixo”, não pode e não serve por aqui! A riqueza instantânea de quem acha um veio de ouro não representa qualidade ou melhoria de vida. Os garimpeiros, na maioria ilegais, exploram áreas alheias (meeiros) e ficam com apenas 10% do que garimpam. Quando estávamos lá, o grama do ouro legal pagava R$ 500,00; mas no mercado ilegal, apenas R$ 100,00!!!


Mola reforçada... mesmo assim, quebrou!! As estradas aqui não são moleza!

Aproveitamos que a cidade possui infraestrutura e buscamos uma oficina mecânica, pois Marcos observou que uma das molas traseiras estava quebrada!  A mola substituída é da Toyota Hilux





Parque Nacional da Amazônia

Praia do Uruá - Parque Nacional da Amazônia

De volta à BR 230, com muitos buracos e solavancos, seguimos em frente devagar, parando numa área grande de rejeito para dormir. Apenas no dia seguinte chegamos ao Parque Nacional da Amazônia, onde acampamos na sede do parque. O Raimundo Rocha é o faz-tudo do ICMBio e nos indicou o local adequado para pernoite, bem como trouxe água para nosso consumo, visto que estavam sem energia (e portanto, sem poço; o motor do poço foi levado para conserto na cidade) e o gerador a diesel só funciona das 11h às 15h e das 19h às 23h!


Ah! Descobrimos que voltamos ao fuso horário de Brasília!!!


O Parque foi criado em 1974 e tinha, na época, 1.070.337ha. Expandiu-se e hoje tem 8.600km² de extensão. Ele está localizado às margens do Rio Tapajós e seu bioma principal é floresta tropical de várzea. Possui muitas trilhas e atrativos. Nós percorremos a Trilha para a Praia do Uruá e também curtimos a vista do Mirante, de onde se vê as Corredeiras do Uruá e também se tem uma ideia da extensão do Rio, que parece um mar. A largura do rio nesta porção é de 3km, aproximadamente.

Corredeiras do Uruá, Rio Tapajós





Há outra base/sede do ICMBio a 10km de distância – Acampamento Tracoá – onde existe uma cachoeira (e a incidência do poraquê*!!!).

Cachoeira do Tracoá

*Poraquê é um peixe elétrico, parecido com uma enguia, cuja descarga é forte (varia de 800-1500V, a cerca de 1A)!! Não mata um ser humano, mas é o suficiente para paralisar músculos, causar uma parada respiratória e provocar o afogamento da vítima!

Itaituba

Um remanso do Rio Tapajós em Itaituba

A cidade de Itaituba é grande (aproximadamente 130mil habitantes) e possui boa infraestrutura. Lá aproveitamos para soldar o fecho da tampa traseira do Garça. Como chegamos no fim de semana à cidade, as suas praias de rio estavam bem agitadas e ruidosas.

Soldando o fecho da tampa traseira

Buscamos um balneário mais tranquilo, sem sucesso. Acabamos optando por um fim de linha, escondido entre remansos do Rio Tapajós, onde apenas alguns moradores e pescadores entravam e saíam com suas pirogas.



Após o imbróglio* na entrada da balsa, seguimos para o outro lado do Rio Tapajós

*Nas inúmeras balsas que pegamos no nosso trajeto até aqui, sempre ocorre a discussão: "é caminhonete, não jipe!" Não há uma tabela única ou entendimento sobre os veículos. Nosso Garça é uma KIA Sportage, classificada como JIPE no documento! O carro é alto, mas é curto. Pois aqui os tripulantes vieram em grupo para nos ameaçar, querendo cobrar a travessia como caminhonete (como se o dono da Rodonave - que é o atual governador - precisasse destes R$ 8,00). Marcos pôs pé firme, mostrou o documento do carro e efetuou a medida, comparando-a com uma caminhonete ao lado... a coisa foi ficando feia! Com a atitude deles, comecei a filmar! Aí, com os ânimos mais baixos, Marcos reimprimiu a passagem e só pagou os R$ 25,00 de carro/jipe. Que fique claro: não é pelo valor, é pela correção!!! 


Observem a fila de caminhões parados na via, ao longe...

A área portuária da cidade fica do outro lado do rio, já em Miritituba, onde é feito o escoamento da soja/grãos produzida no CentroSul, vindo pela BR 163 (Santarém-Cuiabá). A fila de caminhões esperando para desembarcar a carga no porto tinha 20km!!! Carros, ônibus e afins que estavam vindo em direção a Itaituba acabaram usando o nosso acostamento da pista (contramão), ou seja, uma bagunça!!! Este trecho de ligação da BR 230 com a BR 163 tem 30km e é asfaltado. Depois daqui, no entroncamento das vias, tudo acaba e a “brincadeira” volta a ficar feia!

O trânsito é "meio confuso"!

Este trecho da BR163 é uma colcha de retalhos: para cada km asfaltado, têm 5km de terra... questões políticas envolvidas!! 

Aqui fizemos um desvio da Transamazônica e seguimos para Santarém, Alter do Chão, Pindobal e Fordlândia!!!

Mas esta história ficará para a próxima postagem!!!


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