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domingo, 4 de agosto de 2013

Sul de Santa Catarina - Roteiro Alternativo-Dicas - 1ª PARTE


DATA 29 DE JULHO DE 2013
Barra Velha (SC) a Timbé do Sul (SC)
           Desta vez, decidimos fazer um programa e roteiro de viagem um pouco diferente pelo pouco tempo disponível e pela possibilidade de fazer um caminho alternativo pelo sul do estado de Santa Catarina, não passando por cidades já conhecidas de todos, mas abrindo e mostrando que existem muitas coisas bonitas e interessantes a conhecer fora do tão belo e divulgado litoral catarinense e das opções já conhecidas e divulgadas. O nosso destino é a Serra Geral de Santa Catarina, mas não a parte alta e sim por baixo, acompanhando os contrafortes e sopé, onde desaguam os rios do planalto e onde há ocorrência de falésias e grutas. 

Saimos de Barra Velha, litoral norte de SC pela BR 101, sentido sul, e percorremos aproximadamente 350 km, e  logo após Araranguá entramos à direita em direção a Ermo. Ermo é uma cidadezinha com pouco mais de 2100 habitantes com ruas ajardinadas e floridas que ganhou este nome nos idos de 1800 quando os primeiros imigrantes açorianos para cá vieram e se depararam com um local de difícil acesso com matas fechadas e várzeas alagadas. 
A economia da cidadezinha é baseada no cultivo do arroz e do fumo e sua emancipação deu-se apenas no ano de 1993, quando desligou-se do município vizinho, a cidade de Turvo.
Praça central de Jacinto Machado
Seguindo em frente, em direção ao interior, fomos até Jacinto Machado, cidade com 11000 habitantes, distante 15 km ao oeste e que pela sua localização geográfica deveria ser o ponto de apoio para os viajantes que seguem aos Cânions do RS – Aparados da Serra. Porém o que  descobrimos é que a cidade não tem nenhuma receptividade para o desbravamento da região, possuindo apenas um hotel  além do pequeno museu (Casa da Cultura e Biblioteca Pública) que no momento estava em reformas. Conversamos com diversos moradores da cidade e nenhum deles soube nos informar sobre o que existe na cidade  para ser visto. Há, no guia da região, uma casa de artesanato típico italiano, porém não a achamos e ninguém sabia de sua existência. Depois de alguns minutos rodando sem destino pela cidade, resolvemos voltar até Ermo e de lá, seguir para Timbé do Sul, distante 42 km por estradinhas de terra.
Timbé do Sul é uma cidadezinha acanhada, com pouco mais de 5.500 habitantes e fica localizado bem pertinho da divisa com o Rio Grande do Sul (20km) no sopé da Serra Geral nas escarpas da chamada Serra da Rocinha. Oferece porém  uma estrutura bem básica aos viajantes que desejam conhecer a região sem muito luxos. Um hotelzinho (mais parecido com uma hospedaria), bancos, farmácias, lanchonetes, um posto de combustíveis e um restaurante(que estava fechado). Ficamos no Hotel Magnus(único da cidade), do Martinho e lá fomos muito bem atendidos pela filha do casal, Damaris, que prontamente nos acolheu, oferecendo duas acomodações. O quarto de casal com banheiro, ar condicionado e TV  ficou por R$ 50,00 e o outro quarto, com uma cama de solteiro e mais colchão extra e TV ficou por R$ 30,00 com café da manhã incluso(na padaria distante uma quadra). Solicitamos a Damaris um local para jantar visto que o restaurante estava fechado e ela nos prometeu que ia verificar o que poderia ser feito.
Em frente ao Hotel Magnus-Timbé do Sul
Hospedagem garantida, e sendo ainda 16h45min, resolvemos “dar um role” e já conhecer alguma(s) atração(ões) da cidade. Foi nos sugerido – pelo Martinho - seguirmos em direção ao Mirante da Serrinha e visitarmos o Poço do Caixão, o Mirante e a Cachoeira da Cortina. Como não há muitas indicações nem placas ao longo do caminho, acabamos perdendo a entrada do Poço, mas alguns quilômetros adiante achamos a entrada para a Cachoeira da Cortina. Como já estava caindo à tarde, resolvemos fazer essa trilha. Seguimos por estrada de chão, aproximadamente, uns 5 a 6 km, onde o último pedaço era mais radical, necessitando 4x4 em reduzida na última subida. Deixamos o carro em local adequado (no meio do mato, na beira da estrada) e seguimos a pé, pela trilha no meio do mato. Depois de uns 15 min, alcançamos o rio e, subindo por ele, vislumbramos a cachoeira, realmente muito bonita. 


Ela tem aproximadamente uns 60 metros de altura e foi bom que o pouco volume d'água do rio nos propiciou visitá-la bem de perto. Com o adiantado da hora (no inverno e no meio do mato escurece bem mais cedo)  não pudemos ficar muito tempo curtindo o local, assim mesmo ficamos uns 15 ou 20 minutos admirando o local e depois voltamos pela mesma trilha. Na passagem por dentro do rio, a Nati escorregou numa pedra molhada e caiu em cheio, se molhando inteira... nada grave, mas um motivo para andarmos rápido até o carro para fazer a troca da roupa, pois estava ficando frio. No caminho de volta para a cidade a noite caiu e chegando ao hotel descobrimos que os proprietários do hotel que nos atenderam estavam fazendo um jantar caseiro para nós, pois nas segundas-feiras não há opções de restaurante aberto. Assim, até o jantar ficar pronto ( + uns 30 min.) passeamos pela cidade, indo até o posto de combustível onde o seu proprietário Adir nos contou algumas boas histórias da região, além de ter muitos painéis com fotos das principais atrações da região.
Jantar simples, mas saboroso, com frango, carne, massa, arroz e saladas foi complementado com belo sorvete comprado na lanchonete em frente à pracinha. Hora de dormir e se preparar para as emoções do dia seguinte.
Buscando informações na Prefeitura  com o Gustavo
Mapa com atrações de Timbé do Sul e região.

DIA 30 DE JULHO DE 2013  - Timbé do Sul a Nova Veneza
                Pela manhã acabamos tomando café na Panificadora da D. Rosa, distante uma quadra de nossa hospedagem pela indicação e acordo com o Hotel que paga a despesa. Em seguida, fomos até a Secretaria de Turismo, na Prefeitura da cidade, para conversarmos com o Gustavo, ex-secretário de Turismo e atualmente lotado na pasta do Meio Ambiente. Encontramos com ele quase saindo... mas nos atendeu muito atenciosamente, direcionando e dando todas as dicas para os passeios do dia que queríamos fazer:  Poço do Caixão, Portal do Palmiro e Buraco do Padre. Desaconselhou-nos a fazer o Cânion do Amola Faca, bem como da Serrinha, pois são passeios que levam um dia inteiro cada, andando por dentro do rio (pois os cânions, nesse caso, são vistos pela parte de baixo).
Na propriedade do Valdevino, conversando com o Leo.
                                     

Portal do Palmiro
Entrando na Gruta do Alano
Dentro da Gruta com o Valdevino
Inscrições rupestres



           Assim, após muito bate-papo e informações importantes anotadas, seguimos até o Portal do Palmiro, cuja entrada está a uns 3,5 km pela estrada principal. De lá, são mais uns 10 km até chegarmos à propriedade de Valdevino Alano. Lá chegando, fomos surpreendidos pela  presença do atual secretário de Turismo, Gislael Floriano(48-9144-2138) popular Leo, que estava fazendo combinados com o Valdevino para visitas agendadas para o final de semana. Conversa vai, conversa vem trocamos mais informações com o Leo e logo depois encaramos a trilha com o Valdevino que nos acompanhou, contando as histórias interessantes do local, sua origem, os mistérios sobre o tesouro enterrado naquelas terras, inclusive sobre barras de ouro que o seu tio teria achado numa grota, ouro este proveniente de padres jesuítas franceses que cruzaram a região,  e a descoberta das pequenas cavernas da região, onde também se veem inscrições rupestres. Foi um passeio e tanto, ouvindo suas histórias  com toda a sua simplicidade e sabedoria! A trilha levou, aproximadamente, 2h 15min e, pagamos R$ 25,00 ao Valdevino pelo seu trabalho, histórias e  pelo passeio. 
Poço do caixão(Rio Serra Vermelha)


                 De volta à estrada, fomos até o Poço do Caixão, distante uns 4 km do centro da cidade. O local possui uma boa infraestrutura para receber pessoas no verão como churrasqueiras e um restaurante e também é utilizado como ponto de aterrissagem de parapente e asa delta provenientes do ponto de decolagem situado no Mirante da Serra, 30 km serra a cima. Aqui o Rio Serra Vermelha forma, literalmente, um poço em formato quadrangular(lembrando o formato de um caixão) com 2,5m de profundidade, de águas azuis e cristalinas, cheio de peixinhos... uma verdadeira delícia! Não fosse pelo frio do inverno (apesar da temperatura ambiente estar em torno de 19°C), teríamos dado um belo mergulho pois a água (gelaaaaada) e o sol estavam bem convidativos! Deixamos o banho pra próxima visita, no verão!



   Saindo de lá, voltamos até a cidade, não sem antes pararmos no Mini-Museu/mercado do Alemão. Uma verdadeira bagunça de objetos exóticos mas bastante interessante pois havia peças históricas, ossadas, peles de animais, máquinas antigas, bebidas,  misturadas a produtos à venda, numa confusão (e poeira) sem fim! Seu proprietário, Wilson Maffioletti, popular Alemão, é, na verdade, de origem italiana e tem, ao longo dos anos, colecionado peças bem exóticas e diferentes, algumas próprias e outras que ganha de presente de amigos que viajam,  montando um acervo no mínimo esquisito mas muito curioso e que vale a pena conhecer. Depois de alguns dedos de prosa, seguimos até a Vila Marchesini, passando pela ponte nova sobre o rio Fortuna e seguindo por muitos km, por estrada de chão batido, até a “entrada” do Buraco do Padre.




 A trilha está mal sinalizada e tivemos um pouco de dificuldade em nos achar, perguntando para alguns poucos "viventes" do lugar porém logo descobrimos o caminho correto , após passar por dentro do rio, foi fácil. A caminhada é de uns 20min, no meio da mata fechada, com algumas subidas e descidas íngremes, mas vale a pena: o visual é deslumbrante! Tiramos muitas fotos do lugar que é uma espécie de furna por onde a água desce de uma altura de aproximadamente 30 metros pelas pedras esculpindo-as em formas diversas e caindo em forma de leque no fundo da grota formando um riacho. Voltando ao carro, paramos no meio do leito quase seco do Rio Fortuna aproveitamos para fazer um lanchinho e reabastecer nossas garrafas d’água com água límpida e cristalina de rio que aflora em meio às pedras. Como é bom conhecer locais ainda limpos e praticamente intactos onde se pode beber água de rio sem medo!



Como já era 14h30min, resolvemos seguir caminho até Nova Veneza, onde predendemos dormir,  passando pelas cidades de Morro Grande( 20km) e Meleiro( 32km) ao leste,  pela SC 483, parando em Forquilhinha – cidade natal de Zilda Arns e Dom Paulo Evaristo Arns-cardeal. Forquilhina 18 km ao sul de Criciuma, tem boa estrutura e até um aeroporto com voos regulares de Joinville, Porto Alegre e Guarulhos, pois tem quase 23.000 habitantes e possui este nome pela junção dos rios São Bento e Mãe Luzia em formato de forca. Foi colonizada a partir de 1912 por imigrantes alemães, tendo antes sido antes ocupada por açorianos e italianos, além da presença de "bugres"(índios). Chegamos a tempo de visitar o Museu da cidade que fica aberto até às 17h. Fomos muito bem atendidos pela Ana, funcionária muito gentil que nos explicou a história da cidade, suas características e particularidades e nos presenteou com livros homenageando os 100 anos da cidade de Forquilhinha. De lá até Nova Veneza são apenas 18 km, feitos em estrada boa e asfaltada.


O Pórtico de entrada da cidade de Nova Veneza é muito bonito e possui um legítimo leão veneziano em seu topo, doado pelo povo italiano. Algumas fotos pra registrar o momento e seguimos até o centro da cidade. Nova Veneza é organizada, limpa, simpática e acolhedora. Infelizmente, não possui muita infraestrutura para receber o turista, pois só têm quatro opções de hospedagem, três das quais praticam os mesmo preços (R$ 60,00 por pessoa), um, pouco divulgado é no convento das freiras bem simples mas mesmo preço e um dos hotéis, de nível mais sofisticado, está mais caro e era fora da cidade na estrada que liga Forquilhinha a Nova Veneza onde já tínhamos passado.

Tendo em vista que já estava anoitecendo e precisávamos nos decidir sobre onde iríamos dormir, acabamos ficando no Hotel Veneza, o mais antigo da cidade(foi reformado recentemente) e que fica ao lado da praça principal onde fica uma legítima gôndola veneziana que é a marca registrada da cidade. Conseguimos negociar um desconto e assim, acabamos pagando R$ 50,00 por pessoa, com direito a café da manhã. O próximo passo era achar um restaurante que estivesse aberto: só havia duas opções! A Bodega do Zeca, com ambiente rústico chique e pratos elaborados à base de massas e o Il Camino, onde havia a opção de mini rodízio de massas, com carnes e saladas. Acabamos ficando com segunda opção, pois atendia mais às nossas expectativas de comer um franguinho, com polenta, massas e saladas.
Praça Humberto Bortoluzzi-centro de Nova Veneza
Passeando numa legítima gôndola veneziana

Com os proprietários do IL  CAMINO - Damiani(Fefê) e Lili
Assim, perto das 19h, saímos do hotel a pé, indo até a gôndola que é uma das únicas 4 que ficam fora de Veneza na Itália e tirando muitas fotos noturnas, como se estivéssemos em Veneza. Que romântico! De lá, caminhamos duas quadras até o restaurante IL Camino do Fefe e da Lili, onde fomos hiper bem recebidos e “almojantamos” (almoço + jantar) deliciosamente com direito a um delicioso vinho da casa! 
Quase em frente ao restaurante Il Camino, fica a Chaminé e o Palazzo delle Acque – teatro. Mais algumas fotos noturnas e seguimos “para casa”, para descansar de mais um dia produtivo e interessante.




2 comentários:

  1. Olá amigos!!!
    Linda postagem!!!
    Realmente, fora do circuito conhecido e turismo pacotão, clichê dizer isso, mas um oásis neste mar de posts de Florianópolis (não que o lugar não mereça...
    Lindas as cidades, os encontros inusitados e principalmente ainda intocadas e livres da horda de turistas que assolam (e subvertem, infelizmente para o pior) alguns lugares...
    Um grande abraço!
    Marcia, João e Júlia
    Os caminhantes

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  2. Ótimo post, me deu vontade de conhecer as cidades que vocês visitaram e que, realmente, estão fora do circuito turístico conhecido.. Parabéns pelo relato agradável e informativo.

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