Viagem Família______________________________________

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domingo, 2 de setembro de 2018

Malargue(Argentina) a Temuco (Chile), via Paso Pehuenche

       
Amanhecer na Laguna del Diamante - ao fundo, Vulcão Maipu
     Quando amanheceu o último dia do ano na Laguna del Diamante (31/dez/2017), observamos com tristeza que nossos planos de permanecer mais um dia por lá, explorando o lago e suas paisagens teria de ficar pra outra vez, pois havia uma nuvem negra se aproximando por cima da Cordilheira, mais especificamente, por cima do Vulcão Maipu e que deixava claro, pelo vento e condições climáticas, que haveria uma mudança brusca no clima da região.



Rio Diamante
    Desta forma, assim que terminamos nosso café da manhã já desmontamos nossa estrutura e retornamos pelo caminho que viemos, passando pelo guarda parque, que nos confirmou a alteração de clima e chancelou nossa mudança de planos, pois estava previsto neve e muita chuva para as próximas horas...



         Assim, nos despedimos deste lugar incrível e voltamos lentamente (a volta mais mais rápida... levamos "apenas" 3 horas) até a Ruta 40, seguindo ao sul até Malargue, passando pelo Dique Agua del Toro e pegando um trecho "abandonado" de 30 km de rípio, cheio de costelas de vaca, onde não se conseguia passar de 20 km/h e que levamos umas 3 horas pra percorrer, encontrando o asfalto da RN40 perto de El Sosneado.
     Dali até Malargue, principal cidade da região e ponto de partida para quem quer visitar Las Leñas, são apenas 60 km e que percorremos em poucos minutos. Chegando à cidade, buscamos uma acomodação mais caprichada, visto que era noite de ano novo e queríamos festejar em grande estilo!!
Depois de algumas pesquisas, decidimos ficar na Cabañas Suangel - do casal Su e Angel (www.suangelcabanas.com.ar), por $ 1200 para casal. Não era barato, mas o local era lindo e os proprietários maravilhosos.



     Fizemos amizade rapidamente, Marcos aproveitou o resto de sol que tinha para tomar um banho de piscina e depois preparamos nossa ceia, buscando sinal de wi-fi em frente da cabana vizinha. Os hóspedes eram super gentis e trouxeram cadeiras de plástico para que ficássemos mais confortáveis! 
Nossa ceia foi especial - trutas ao forno (que havíamos ganho dos pescadores na Laguna del Diamante), arroz chique, omelete e salada -  acompanhada de Champagne. Tudo lindo e ainda com a companhia de uma gatinha linda que ficou conversando conosco por muito tempo.

Casal Su e Angel, amigos especiais!
     Antes de irmos embora no dia seguinte, trocamos whatsapp e depois de algumas dicas pelo caminho, seguimos até Bardas Blancas (distante 65 km) onde pegamos a Ruta 145 em direção à Las Loicas! Neste trecho localiza-se um local chamado Turcará (www.turcara.com), que possui circuito de trilhas e tirolesas. Local super bacana, com estrutura pra camping e legal pra passar o dia. O Lucas nos mostrou tudo e passou os preços: $400 pacote completo, $150 por pessoa - a tirolesa e $ 90 caminhada e day use. 



    Seguindo em frente, fizemos a aduana argentina em menos de 5 minutos e serpenteando o Rio Grande, seguimos em frente com um visual de tirar o fôlego, até alcançarmos o alto da Cordilheira.

Rio Grande: corre em direção ao Atlântico

Trâmites aduaneiros em Las Loicas

Cerro ou Vulcão Campanario - aproximadamente 4000 msnm, nunca conquistado (até a presente data)

Brincando na geleira

Rio Maule e geleiras
Lago Maule - Chile 

      Alcançamos o lago Maule, com seus 68 km² de área e a 2165 msnm. A rodovia vai contornando o lago e a vista é lindíssima. Descemos até a sua beirada por uma trilha íngreme, sendo necessário o 4x4. Desnecessário comentar que as flores ocupam espaços em todo o lugar, iluminando a paisagem desértica. São centenas, misturadas entre si, com cores vibrantes e que alegram tudo à volta.

Às margens do lago Maule
      Em nossa rota programada, passamos rapidamente pela aduana de Las Loicas e poucos quilômetros após passamos por um local onde havia dezenas de pessoas fazendo uma trilha. Ficamos curiosos e paramos pra verificar o que era aquela movimentação de gente indo e voltando. A caminhada é curta, de uns 10 minutos e a vista é incrível: trata-se de uma cachoeira invertida!!! Em função do vento, a água da cachoeira, ao invés de cair, sobe, molhando todos a sua volta! Muito legal!




     Continuando a seguir ao sul pela Ruta 115CH observamos que há inúmeras pequenas hidrelétricas no caminho, aproveitando o desnível do terreno e os inúmeros rios afluentes do rio Maule e que irão desembocar, depois, no lago Colbún e, de lá, direto para o Oceano Pacífico.
O final da tarde estava se aproximando e estávamos procurando um local para pernoite, quando vimos uma área de camping free ao lado da rodovia. Havia muitas pessoas no local, pois era domingo e todos estavam fazendo seu churrasquinho. Dessa forma, procuramos uma mesa disponível e nos acomodamos por ali. As pessoas deixaram o local para voltarem para suas casas e nós organizamos e limpamos nossa área de modo a iniciarmos os preparativos para o almojanta. Aproveitamos pra tomar banho enquanto havia luz natural e fomos surpreendidos por um morador local que nos avisou que o camping seria fechado com cadeado, mas que poderíamos pernoitar ali com segurança e pela manhã alguém da subestação da hidrelétrica abriria os portões para sairmos. Portanto, ficamos com toda a estrutura apenas para nós!! Uma beleza. O lugar é realmente bonito e possui uma infra estrutura boa. 

Iniciando os preparativos para o almojanta

Jantar pronto: servidos??

Anoitecer às margens do rio Maule
      Na manhã seguinte acordamos sozinhos e com tudo silencioso. Tomamos nosso café da manhã e nos preparamos para sair, esperando que alguém viesse abrir os portões, conforme havia sido dito. O tempo foi passando e nada... nem sombra de alguém parando ou fazendo menção em abrir o local. Estacionamos o Garça próximo da saída e o Marcos passou por um buraco na cerca para o outro lado. Foram muitas as brincadeiras, pois a situação estava engraçada! Eu e o Garça de um lado, presos e o Marcos do outro, tentando achar vivalma para abrir o portão que tinha não apenas um cadeado, mas 4!!!! 



      Passados uns 15 minutos, repentinamente pára uma caminhonete que faz a vistoria da estrada, pois o Marcos fez sinal. O motorista sai do carro com um molho de chaves e, olhando para um dos cadeados, busca a chave e abre o portão!!! Assim, estávamos livres para continuar nossa viagem!! 
Seguimos sentido Colbún e Linares, onde fizemos compras, pois nosso estoque de frutas, verduras e carne havia acabado. Só para lembrar: na aduana chilena é feita a vistoria do carro e não se pode trazer/atravessar a divisa com alimentos frescos! 
Resolvemos seguir a Chillán para efetuar câmbio (reais em pesos chilenos) e de lá, seguimos até as famosas Termas de mesmo nome, distantes 80 km da cidade.

Ruas de Chillán
Valle Hermoso é um dos locais onde se podem curtir termas
     Fomos até o Valle Hermoso, local com ótima estrutura e preço viável de day use para curtir umas aguinhas termais vulcânicas (pagamos $ 7000 chilenos por pessoa). São 3 piscinas com temperaturas diferentes e com área para picnic, passeio a cavalo, massagens terapêuticas, etc e tal!
Fizemos amizade com um casal e seus filhos (ele chileno e ela alemã) e passamos um bom tempo batendo papo e trocando informações. Acabamos desistindo de dormir no parque, pois o custo para acampar era proibitivo! 

Piscinas termais de água vulcânica


Fazendo o almojanta na área de picnic

      Assim, na estrada retornando para a cidade de Chillán, a poucos quilômetros do parque entramos numa viazinha e cruzamos o rio, onde encontramos um local top para dormirmos.


     Noite tranquila, silenciosa e gelada! A temperatura chegou a 1,5°C. Apesar de estarmos muito próximos da rua principal, não fomos incomodados por ninguém. Após o café da manhã, retornamos à cidade de Chillán e visitamos o seu Mercado Municipal... Que experiência fantástica! O local é organizadíssimo e possui todos os cheiros e cores do Chile! Aproveitamos pra comprar milho, cerejas, merken (tempero defumado de ervas) e algum artesanato pra nossa coleção de imãs de geladeira!

Organizando o café da manhã

Comprando cerejas




Compras feitas, resolvemos descer para o litoral, que fica a menos de 100 km de distância. No caminho fomos surpreendidos pelo nevoeiro espesso que acabou virando chuva!


      Seguimos margeando o mar passando pelas cidades de Concepción e San Pedro de La Paz, chegando a Coronel, onde almoçamos uma deliciosa merluza acompanhada de suco de frutilla. Nesta praia encontramos um local pitoresco: uma mina de carvão submarina, que foi desativada em 1960, após um acidente provocado por terremoto e que causou o desmoronamento de parte da mesma.

Praia de Coronel, próximo de Lota

                      
Entrada da mina subterrânea abandonada
Entrada da mina
    A região que visitamos era uma das principais reservas de carvão do Chile, junto a região de Valdívia e Magalhães. Sua exploração ocorreu desde o começo do séc XIX até o ano de 1997, quando o governo disse que os custos de produção saiam mais caros do que importação.



     Após o lauto almoço e muitas conversas com o proprietário do restaurante, seguimos em direção à Cañete e dormimos num camping às margens do lago Lanalhue. A chuva continuava impiedosa e decidimos estrear o interior do carro, dormindo no Garça... Confesso que foi difícil pra mim ficar no espaço limitado do interior do carro, mas com "meu terapeuta Marcos" e sua paciência de Jó consegui finalmente dormir.
Casario estilo inglês na região de Lota.

Lago Lanalhue
 O lago que estende seus 32,1 quilômetros quadrados entre Cañete e Contulmo, é característico por suas florestas nativas de coigües e mañíos e também por suas baías, praias e penínsulas. O atrativo oferece a possibilidade de praticar esportes náuticos e de desfrutar de incríveis serviços turísticos por sua ótima infra-estrutura e pela variedade de atividades que podem ser realizadas no local.


Passeando no intervalo entre chuvas

Ganhamos umas massinhas de uns campistas malucos que resolveram reconstruir o deck para mergulho neste frio!!
    A chuva não deu trégua e caiu a noite toda. Na manhã seguinte, após o café, seguimos pela CH 160 até Temuco, onde fizemos câmbio e pegamos informações turísticas. Havíamos lido que na região existiam gêiseres e glaciares e fomos em busca das informações necessárias para visitarmos as atrações de interesse. Nos foi explicado o caminho até as Termas de Malleco, ao norte de Temuco, uns 120 km, onde havia pequenos gêiseres e águas termais.

À caminho de Temuco

Placas pelo caminho..

Leia rápido... se puder...

Seguindo para a Reserva Nacional Tolhuaca/Termas de Malleco
     Chegamos ao local das termas e gêiseres alguns minutos antes das 17h. O último grupo de visitação já estava no local a espera do guia e a moça da recepção nos disse para irmos rapidamente até o local e pagarmos o ingresso na volta, senão perderíamos o passeio. Assim fizemos. Pegamos o carro até o estacionamento e subimos um deck de madeira até onde havia um grupo de pessoas que estavam ouvindo as orientações do guia.

Gêiseres do refúgio Araucania


      Entramos na fila para a visitação e seguimos o grupo, sem saber onde iríamos e quanto tempo andaríamos... Poucos metros adiante já se viam as fumarolas e em segundos estávamos em frente de micro gêiseres, soltando ar com muita pressão (parecendo uma válvula de panela de pressão). 
O grupo fez selfies e rapidamente saiu, retornando pelo caminho e assim, sozinhos, pudemos conversar com o guia, Francisco, e descobrir a origem e histórias do local. 
A fonte de água termal brota pra superfície numa gruta a uma temperatura de 86°C, formando a quebrada do rio Dillo, e seguindo até as piscinas (3) atingindo a temperatura de 38°C (sendo monitorada o tempo todo).  


Área de termas
O day use era bastante caro, em torno de $12000 por pessoa, assim, acabamos saindo de lá em seguida.

Micro Gêiseres 

Termas Malleco
      Ao chegarmos à recepção para pagarmos a entrada do passeio, fomos surpreendidos pela ausência de qualquer funcionário e mais, o escritório já estava fechado e todos haviam ido embora. Desta forma, fomos embora também, sem pagar o passeio ($ 1000 por pessoa) e seguimos em direção ao Parque Nacional Tolhuaca, para visitarmos o salto Malleco e a Laguna Verde.

Entrada do Parque Reserva Nacional Tolhuaca
      Ao chegarmos à entrada do parque, aqui também não havia mais ninguém no local, pois já eram umas 17h40min. Havia placas informativas e até uma com os valores a serem cobrados dos visitantes. O ingresso é bastante caro e dessa forma ficamos aliviados de não precisarmos desembolsar o seu valor, já que estava tudo meio abandonado. Assim, seguimos pela trilha demarcada até o Salto Malleco e, de lá, subimos uma trilha de aproximadamente 2600m, (mais ou menos 2h30min de subida) para conhecermos a Laguna Verde.


Árvores centenárias pelo caminho 

Pinheiros araucárias diferentes dos que temos no Brasil

Laguna Verde
      A trilha é bem aberta e muitas pessoas a frequentam, porém não há demarcações que determinam a localização em que você se encontra, nem a distância percorrida ou a percorrer até a  Laguna. Estávamos preocupados com o horário, pois logo iria anoitecer e não tínhamos ideia de quanto faltava para alcançarmos a dita cuja. Finalmente, após uma curva, localizamos uma placa que dizia: "Laguna Verde em 500 m". Foi um alívio e felicidade, visto que o lugar é esplêndido!! Valeu a pena!
     Fica  a dica: Não arrisque subir pela trilha se já for mais pelo fim da tarde. Leva-se pelo menos duas horas e meia para chegar ao topo. Poucas informações no local. Leve água, lanterna, e eventualmente algum alimento. Não deixe nada nas trilhas!


      Enquanto descíamos a trilha (levamos 1h30min para descer) já imaginando o que faríamos pro almojanta e onde iríamos dormir, cruzamos com diversas pessoas que ainda estava subindo até  a laguna, mesmo com o anoitecer se aproximando.


     Queríamos um lugar com água quente para tomarmos um bom banho, visto que havíamos caminhado pra caramba durante o dia e na noite anterior o banho havia sido frio e rápido!
Fim de tarde e seguimos até a cidadezinha de Conguillio, próximo de Curacautín (uns 35 km de distância), onde encontramos o Camping El Paraíso, da Jaqueline, que nos recebeu super bem, cobrando $ 12000 para o pernoite. No quintal, próximo dos banheiros, havia cerejeiras e guindas (fruta da qual se faz a conserva de cereja que compramos no Brasil), e nos fartamos de comer  as frutas enquanto preparávamos nossa comida.
Agora um banho quentinho e vamos dormimos tranquilamente!

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