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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Parque Nacional da Serra do Cipó

 

     Saímos bem cedo da cidade de Jundiaí onde estávamos pernoitando e temos hoje aproximadamente 700 km para percorrer.
     Nossa meta é pernoitar em Lagoa Santa município situado 40 km ao norte de Belo Horizonte. Nenhum contratempo nesse longo percurso pela BR até a cidade de Betim onde paramos para abastecer. Uma ressalva nessa cidade que faz parte da região metropolitana de Belo Horizonte; a rodovia corta a cidade em pistas duplas de imenso movimento e quase não há retornos para a pista no sentido contrário. Os poucos retornos existentes são mal sinalizados, fato que tornou nossa busca por um posto de combustíveis uma verdadeira aventura estressante.

Lagoa Santa - noturna
     Sem mais incidentes, já ao final da tarde chegamos em Lagoa Santa.
     Lagoa Santa tem população de aproximadamente 55.000 pessoas mas pela sua proximidade com a capital mineira e pelos atrativos diferenciados passou a ser uma opção bem procurada para lazer. Isso acabou por inflar o movimento de veículos e quase não se nota que ela não é parte de Belo Horizonte.
     Como estava anoitecendo buscamos um local para camping pois sabendo de sua atração principal, a Lagoa, imaginamos que no seu entorno haveria algum disponível. Não podíamos estar mais errados!
     Após intensa busca acabamos perguntando a uns policiais que estavam de serviço na área e só pelo olhar deles descobrimos que estávamos bem enganados. Eles informaram que não existe locais para acampar na cidade e informaram que melhor seria seguir pela rodovia MG 010 no sentido Serra do Cipó que lá teria alguma opção.
     Dessa forma abortamos a inicial ideia de conhecer Lagoa Santa e já quase 20h, chegamos à portaria principal do Parque Nacional da Serra do Cipó. Essa portaria é acessível por uma estreita estradinha de terra de uns 4 km de extensão, no entroncamento do km 95 da MG 010.
     Claro que o Parque já estava fechado. (Horário> 8:00 às 16:00) Conversamos com o responsável pela guarda da portaria e poucos minutos depois conhecemos o Celso do Lago Paiva (celso.lago@icmbio.gov.br).  Ele é Analista Ambiental dessa Unidade de Conservação e responsável pela administração juntamente com o Técnico Ambiental Ronaldo Silva Matos e foi de uma extrema gentileza ao nos autorizar a entrar no Parque e acampar ali perto, bem ao lado de algumas instalações como banheiros e até a cozinha.

Alojamentos, cozinha e banheiros à disposição de pesquisadores

Nosso acampamento bem ao lado da Portaria do Parque
     O Parque da Serra do Cipó foi criado inicialmente em 1975 como Parque Estadual de forma a proteger a bacia de captação do Rio Cipó que tem suas nascentes dentro dessa área. Situado no sul da Serra do Espinhaço possui área de 33.800 hectares e é abrangido pelos municípios de Jaboticatubas, Santana do Riacho, Morro do Pilar e Itambé do Mato Dentro. Desde o ano de 2007 é administrado pelo ICMBio.  Em 25 de setembro de 1984 foi transformado e então criado o Parque Nacional da Serra do Cipó por decreto do então presidente João Baptista Figueiredo, também como forma de proteção à flora e fauna local com elevado grau de endemismo (muitas espécies só existem naquela região). Em 26 de janeiro de 1990, através do Decreto Lei 98.891 foi criada a APA Morro da Pedreira com área de 66.200 hectares como forma de proteger todo o perímetro do Parque Nacional.
     O Parque Nacional Serra do Cipó recebeu esse nome por ser berço do Rio Cipó um dos afluentes do Rio São Francisco. Muitas espécies da fauna como pacas, lobo-guará, gato-maracajá, lagarto-do-cipó, capivara, gaviões, pica-paus, veados, lontras, dezenas de espécies de outras aves e até mesmo onças-pardas podem ser avistados na região. Mais de 2000 espécies botânicas também foram catalogadas na área do Parque aliados a centenas de tipos de insetos fazendo os biomas cerrado, campos rupestres e matas de galeria ali situados serem verdadeiros berçários de vida silvestre.
     Para contactar o Parque Nacional da Serra do Cipó: email > parna.serradocipo@icmbio.gov.br ou telefones 0xx31-3718-7151 ou 0xx31-3718-7474.

Preparando jantar na cozinha do Parque Nacional da Serra do Cipó-MG


     Estas instalações existem para acolher pesquisadores e demais profissionais que estejam envolvidos em algum projeto ou pesquisa sobre o Parque do Cipó. Para nós foi de grande utilidade pois pudemos tomar um gostoso banho e preparar nosso jantar caprichado. O cardápio de hoje foi ravioli quatro queijos ao sugo com salada verde. Tudo preparado ali mesmo na cozinha do Parque com todo capricho pois a fome estava grande, afinal hoje não teve almoço.
     Agora é dormir gostoso pois amanhã o dia vai ser puxado. Boa noite!


     As atividades começaram cedo para nós com o sol batendo no pano da barraca antes das 7h da manhã. Então vamos preparar um café reforçado porque hoje não vai ter almoço.
     Nossa ideia é percorrer todas as principais trilhas acessíveis por esta portaria de ingresso. Explico: Existem outras portarias mais ao norte com acesso pela mesma MG 010 na direção da cidade de Conceição do Mato Dentro. Uma no entroncamento do km 97-Portaria do Retiro (onde tem um CAT-Centro de Atendimento ao Turista) e outra no km 121-Portaria do Alto dos Palácios.
     Então, calmamente preparando o nosso chocolate quente e café, eis que ouvimos intenso ruído vindo das árvores acima das nossas cabeças! Dezenas de macaquinhos (Mico Estrela) que começam a se aproximar da nossa mesa o que nos leva a guardar rapidamente toda comida para evitar possíveis furtos, hehehehe...  Também temos a companhia de um simpático gato ao qual demos o nome de Chico.
   
Recebendo a visita do gato Chico bem cedo pela manhã.

Sagui ou Mico Estrela ( Callithix penicillata)


     Para conseguir percorrer com mais facilidade as longas trilhas do Parque, decidimos por alugar bicicletas. O preço de R$ 40,00 a diária por cada bike não é muito convidativo mas já sabendo das distâncias que iremos percorrer debaixo do sol escaldante decidimos assim mesmo alugá-las. Sábia decisão!  Como boa parte das trilhas é percorrida em terreno plano apesar de muitos trechos acidentados com areia e pedras, o desgaste físico acaba sendo bem menor e conseguimos aproveitar bem melhor o tempo visitando quase todas as principais atrações.
     As trilhas são bem demarcadas com placas e distâncias de forma que você possa planejar o roteiro e administrar o tempo para conhecer o que te interessa mais. Percorremos mais de 40 km com as bikes e uns 10 km a pé pois algumas atrações não são possíveis de serem alcançadas com as bicicletas.





     Dentre as principais atrações destacamos Cânion das Bandeirinhas, Cachoeira da Farofa, Córrego das Pedras, Lagoa Comprida, Lagoa das Capivaras entre tantas outras belezas cênicas do Parque. Claro que não podemos deixar de citar que nesses percursos visualizamos inúmeras espécies animais que nem sempre são fáceis de serem fotografados.
     Um dos segredos para avistar os animais é percorrer as trilhas bem cedo pela manhã ou ao final da tarde e manter silêncio evitando falar em voz alta. As bicicletas ajudam muito pois além da rapidez são bem silenciosas, além de serem um ótimo exercício físico.

Atravessando o Rio Mascates afluente do Rio Cipó


Trilha para a Cachoeira da Farofa

Meditando e admirando a natureza

Cânion das Bandeirinhas


Cachoeira da Farofa



Sinalização dos principais atrativos
   
Dentro do espaço do visitante-Museu
      Depois de um dia inteiro percorrendo trilhas e admirando a paisagem, voltamos quase 17h para a sede do Parque onde aproveitamos para bater um animado papo com o amigo administrador Celso e visitar o pequeno museu temático existente com as mais variadas informações. Um detalhe: Deixamos o nosso carro fora da área do Parque estacionado juntamente com os demais visitantes e voltamos a colocá-lo para dentro apenas quando o horário de visitação já havia encerrado por volta das 18h, dessa forma respeitando as normas de funcionamento do Parque e não atrapalhando os demais visitantes.
     Também fizemos amizade com a Engenheira Florestal Victória que está no Parque preparando seu mestrado em Valorização Econômica do Turismo em Unidades de Conservação. Diversos outros pesquisadores em variadas áreas trabalham em projetos no Parque Nacional do Cipó atualmente.

Percorrendo trilhas de bike pelo Parque Nacional de Serra do Cipó

Atravessando a pinguela para chegar na Cachoeira da Farofa

Curiosas árvores do cerrado mineiro

Nossa amiga capivara saindo do banhado

Fazendo amizades, com a Eng. Florestal Victória
      Agora é preparar um bem nutritivo jantar, mais um merecido banho e dormir bem pois amanhã iremos conhecer outras atrações que tem seu acesso pela Portaria Retiro. O cardápio de hoje será risoto de linguiça de frango com tomates caipiras frescos e cebola de cabeça. Convidamos o Celso para nos acompanhar no jantar o que ele prontamente atendeu e ficamos nós três na cozinha comendo e conversando. Detalhe: Ele elogiou muito o cardápio e até repetiu! Acho que sou um cozinheiro razoável.
     Foi muito bom ter ele como nosso convidado ao jantar porque assim pudemos trocar experiências sobre o meio-ambiente da região tema que nos interessa muito e que o Celso domina como poucos.


Preparando o risoto de linguiça acompanhado de uma gelada!
     Mais uma vez acordados pelo sol na barraca mas com um diferencial; hoje bastante vento e um vento bem frio típico da serra. Café da manhã tomado e até um agasalho leve tivemos que usar no começo da nova trilha pela Portaria Retiro. Despedimo-nos do amigo Celso e poucos minutos pela MG 010 chegamos a Portaria Retiro. Apesar de haver construções e relativa estrutura no lugar, o acesso, a estrada pavimentada e a própria portaria estão em estado de abandono fato comprovado pela existência de muito mato que está dominando o local. Fomos bem atendidos pelo guarda-parque mas ele não possuía muitas informações a nos repassar. Apenas preenchemos uma guia de acesso e iniciamos a caminhada.

Acesso pela Portaria Retiro do Parque Nacional da Serra do Cipó


Mato tomando conta das instalações na Portaria Retiro do Parque do Cipó
     De qualquer forma apesar de existir um estacionamento construído ele não está sendo utilizado e é necessário deixar os veículos no meio do caminho aumentando a caminhada em pelo menos mais 15 minutos. Para nós que gostamos de caminhar, tanto faz, mas fica um alerta para que haja uma melhor conservação desse acesso.
     Hoje estamos visitando o Mirante e o Bambuzal que ficam mais ao norte do Parque. Existem outras atrações como as Cachoeiras do Tombador, das Andorinhas e do Gavião, mas elas estão distantes de 14 a 22 km da portaria e aqui não há bicicletas. Dessa forma seria um passeio de dia inteiro e planejamos hoje chegar até a cidade de Diamantina distante 220 km ao norte e ainda passando pelas cidades de Conceição de Mato Dentro e Serro, cidades históricas do Ciclo do Diamante em Minas Gerais.

Vista da parte norte do Parque do alto do Mirante do Rio Bocaina


      Com o tempo mais fresco a caminhada rende mais e logo chegamos ao Mirante do Rio Bocaina. O acesso ao mirante é bastante íngreme com uma estreita trilha de cascalho bem solto de uns 100 metros da trilha principal. Recomendável calçados bem firmes, tipo botas para evitar algum incidente. A vista de cima do Mirante é realmente muito bonita e pode-se admirar uma grande extensão do parque.
     Mais adiante a uns 4 km de distância chegamos ao Bambuzal. O caminho até aqui é bem mais precário que os anteriores de ontem e nota-se claramente que essa parte do Parque não recebe tanta atenção. Ainda existem algumas casas nessa área, algumas já abandonadas e outras ainda habitadas.
     O Bambuzal como o próprio nome já diz é uma grande concentração dessa gramínea popularmente chamada de bambu e está localizado bem à margem do Rio Bocaina. Aqui existem algumas prainhas de areias brancas que servem muito bem ao lazer e ao banho, que acabamos não realizando porque o dia está bem fresquinho e a água gelada! Muito agradável o lugar para passar o dia com tranquilidade.

Chegamos ao Bambuzal

Tomando água do Rio Bocaina


Vista da Prainha do Rio Bocaina

Trilha de 5 km para conhecer o Bambuzal. Vejam lá em cima o Mirante.
     Assim terminamos nosso passeio pelo Parque Nacional da Serra do Cipó em Minas Gerais. Existem ainda mais atrações como as inscrições rupestres que tanto nos interessam e muitas e variadas cachoeiras. Desta vez não foi possível conhecer, mas isso é um bom motivo para voltar um dia.
    Gostamos muito do Parque e recomendamos sua visita. Existem diversas opções de pousadas, hotéis e alguns campings na região. Restaurantes nas pequenas vilas também são uma boa escolha para alimentação variada.
     Não esqueça de trazer um bom chapéu ou boné, óculos escuros, água, repelente contra insetos, um bom e confortável calçado para longas caminhadas, roupa de banho e muita disposição. Agora seguimos em frente para conhecer algumas cidades históricas mais ao norte. Acompanhe-nos na próxima postagem. Boas viagens!


3 comentários:

  1. Linda viagem. Amei as fotos , quem sabe um dia desses vou com vcs. Postei como Laura , mas é a Simoni Benassi. Grande abraço amigos

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  2. linda viagem, amei Simoni Benassi

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  3. Muito boas as suas impressões e descrições da viagem e do local lindo que voces visitaram. Deu água na boca...

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