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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Juiz de Fora (MG) a Cruz das Almas (BA)

Dia 28/dez/2015
BR 267 - Bicas
Saímos de Juiz de Fora não tão cedo quanto queríamos e seguimos via BR 267 até Leopoldina, onde encontramos a BR 116, sentido Muriaé. A estrada está relativamente bem conservada, porém não possui acostamento em toda a sua extensão.
Ainda na parte da manhã ouvimos um barulho de plástico quebrando, porém como não vimos nada seguimos até a região de Fervedouro, onde paramos pra lanchar. Para nossa surpresa, havíamos perdido a lanterna dianteira direita (pisca), provavelmente causado pelo excesso de trepidação da estrada.
Parada pro lanche
Como o equipamento é obrigatório, seguimos adiante e na cidade de Caratinga paramos na Auto Peças Waldir (uma birosca à beira da estrada), onde o Marcos improvisou uma outra lanterna - que acreditamos ser de Del Rey(Ford) - e montou-a colando com fita adesiva transparente!!! Não ficou um primor de beleza, mas está funcionando, isso até conseguirmos a lanterna original da Kia.


Resolvido o contratempo, pé na estrada, pois já era passado das 13h e ainda tínhamos muito chão pela frente. Chegando em Governador Valadares, presenciamos a lamentável cena de ver com nossos próprios olhos o desastre ecológico causado no Rio Doce pela mineradora Samarco.
As águas parecem chocolate derretido, um caldo grosso e indigesto! Havia longas filas em diversos pontos da cidade onde as pessoas estavam recebendo água para consumo. A estação de tratamento de água da cidade fica ao lado do Rio e está inoperante, pois não existe a menor possibilidade, pelo menos por enquanto, de ser usada a água do Rio Doce! Muito triste!!!
Rio Doce - Governador Valadares MG
Gov. Valadares com o rio poluído
Continuando nosso caminho passamos por Teófilo Otoni e como ainda era cedo, fomos até Itaobim, quase no entroncamento com a BR 367, a aproximadamente 100 km da divisa dos estados de MG e BA.
Cabe ressaltar que neste trecho a presença de blocos maciços de rocha é impressionante e eles se repetem por muitos quilômetros, nas mais variadas formas e concentrações dando beleza aos locais. Também há grande quantidade de cultura de café às margens da rodovia, bem como de cana de açúcar.



Depois da cidade de Teófilo Otoni a paisagem muda bastante, pois se entra no Vale do (rio) Jequitinhonha, região caracterizada pela seca e assolada pela pobreza. Pouquíssimos lugarejos tem o básico de infraestrutura, e as pessoas vivem em situações bem degradantes, convivendo com a falta d'água e perspectivas de melhora!

Rio Jequitinhonha - Itaobim (MG)
Paramos pra abastecer próximo da cidade de Itaobim, no Posto Papa Léguas, que conta com boa infra estrutura e por este motivo resolvemos pernoitar ali mesmo. Banheiros limpos, chuveiros bem bons, amplo espaço no pátio para caminhoneiros e suas famílias pernoitarem, nos animaram a ficar por aqui mesmo. Em frente ao posto há uma linda chapada e após o jantar e já de banho tomado, armamos nossa barraca embaixo de uma mangueira, numa região mais tranquila da estação de serviço. Hoje rodamos perto de 700 km.
Chapada em frente ao Posto Papa Léguas

Abastecendo ao lado de treminhões carregados de eucalipto


Apesar do barulho conseguimos dormir bem e finalizar um dia de muitos contrastes: Extensas áreas de plantio x Áreas de semiárido.

Dia 29/dez/2015

Acordamos cedo e já tomamos nosso café. Esta foi a estreia da barraca nova e acabamos acampando embaixo de um pé de manga, onde tínhamos a companhia de muitos pássaros e a providencial sombra que é muito boa porque o sol da manhã já às 7h é muito quente.  Hoje devemos chegar à Cruz das Almas (BA) para visitar o primo Davi e família. Serão percorridos um pouco mais de 600 km.
Café da manhã
Companhia durante o café da manhã: galo da campina!
Após uns 100 km chegamos à divisa dos estados de Minas Gerais e Bahia, e ainda pela BR 116 fomos até Vitória da Conquista, e acabamos entrando na cidade para comprar uma bateria para o celular do Marcos, que havia estragado no dia de Natal.
Cabe ressaltar que em todos os locais onde fomos atendidos, as pessoas foram simpáticas e extremamente solícitas, demonstrando que o cartão de visitas do brasileiro ainda é a receptividade!

Casario típico das vilas que margeiam a rodovia
Atravessamos o Rio de Contas no município de Jequié e percebemos que a água estava bastante limpa, inclusive havendo caminhão pipa se abastecendo dela. As casas dos sertanejos hoje possuem cisternas que são abastecidas com a água da chuva (coletada das calhas das casas) ou dos caminhões pipa que são fornecidos pela municipalidade. Todos os rios da região estão bastante secos e assoreados demonstrando a seca prolongada que atinge a região.
Rio de Contas, município de Jequié (BA)
Seguindo adiante até a cidade de Itatim, deixamos a BR 116 e pegamos 45 km de asfalto novo até Castro Alves e de lá, mais a mesma distância de "quase asfalto"! Havia tantos buracos que se podia escolher o tamanho... Chegando em Sapeaçu, já na BR 101, seguimos em direção norte mais 12 km até Cruz das Almas, onde encontramos nossos primos!
Reunindo a família, fomos rever alguns locais da cidade e aproveitamos para comer um acarajé, afinal de contas, estamos na Bahia, "ó xente"!!!
Sede da antiga Escola de Agronomia da UFBA
As terras onde estão esta sede e toda a área ocupada pela UFRB - Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - foram doadas por Lauro Passos, importante fazendeiro da região, pelos idos da década de 1940. A UFRB ocupa uma área superior a 1000 ha e a Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia foi a primeira da América do Sul.
Esta Escola de Agronomia tem origem nos idos de 1877, quando D. Pedro I após ter criado o Imperial Instituto Bahiano de Agricultura (1859) na cidade de São Francisco do Conde, instituiu a Imperial Escola Agrícola da Bahia, onde hoje é Cruz das Almas.

Sede da Embrapa
O primo Davi e sua esposa Tatiana trabalham há muitos anos na Embrapa, pesquisando e cuidando de culturas, entre elas a do abacaxi! Há centenas de espécies diferentes (no caso do abacaxi são chamados de acessos) e na sede da empresa pode-se visitar um viveiro onde há abacaxis (e outras frutas) que são utilizadas como fonte de pesquisa para melhoramentos genéticos e estudo de doenças, por exemplo.
Nesta sede da Embrapa em Cruz das Almas o foco de estudo está para abacaxi, banana e cítricos em geral, principalmente o limão, bem como maracujá, mamão e mandioca.

Pôr de sol na Embrapa

Davi em meio aos abacaxis
Cruz das Almas é a segunda cidade mais importante do Recôncavo Sul da Bahia, possuindo uma população de aproximadamente 70 mil habitantes, muitos deles estudantes da Universidade.  O município foi criado em 1897, desmembrando-se de São Félix. A origem da cidade remota aos tropeiros que passavam pela região e que rezavam pelas almas de seus mortos em frente de uma cruz que ficava na igreja matriz da antiga Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso.
A economia da cidade está voltada à agricultura, principalmente o fumo. Cruz das Almas era conhecida como Capital do Fumo por ser a maior produtora de tabaco da Bahia. Também é conhecida pela festa de São João, onde até 2012 havia a perigosa "guerra de espadas", hoje proibidas por provocarem danos ao patrimônio e queimaduras em seus jogadores.
Acarajé em família



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