Viagem Família______________________________________

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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Expedição Transamazônica 1 - A caminho do Norte, "paradinhas" no PR

 

Castrolanda - Castro - PR

Sair para uma aventura mais longa requer muito planejamento e resiliência para superar os desafios! A ideia de percorrer a lendária Rodovia Transamazônica – BR 230 já era antiga e encontramos o momento certo para fazê-la, enquanto esperamos as coisas “se ajeitarem” aqui no Sul.

Após ficarmos monitorando o clima na região amazônica, decidimos sair para nossa empreita no mês de junho (junho/2025), na entrada da época da seca. Obs.: esta rodovia só tem 2 possibilidades: ou se faz na época de chuva (e a lama será intensa, impossibilitando o tráfego) ou se faz na época de seca (aqui o problema será o pó, chamado carinhosamente de “poaca”!).

Como não temos horário a cumprir, fomos subindo em direção ao nosso destino sem pressa.

Exploramos um pouco o estado do PR antes de entrarmos em SP.

1 – Rodovia do Cerne (PR-090) + Castrolanda + Mandaguari

Obras na Rod. do Cerne

Para fugir do agito da BR 277 e de seus pedágios, resolvemos explorar a Rodovia do Cerne, antiga via de acesso ao interior do estado e ligação com Ponta Grossa. Deixamos Santa Felicidade para trás, passando por Campo Magro (até aqui, asfalto) e depois só chão (75km), numa linda serra, cheia de curvas, subidas e descidas numa estrada em bom estado de conservação. Saímos de Curitiba no dia 24 de junho, esperando deixar o frio do inverno curitibano para trás! Ledo engano, nossa primeira noite, ao lado do Centro Cultural Castrolanda (onde fica um lindo moinho neerlandês), foi gelada, com temperaturas que chegaram a – 4°C!!!

Madrugada gelada: - 4°C


Quando amanheceu, barraca congelada e muito frio nos fizeram reposicionar o carro para pegar sol; assim o gelo interno e externo derreteu e pudemos fechá-la, após sua secagem.

Enquanto esperamos que a barraca secasse, aproveitamos para visitar o Museu Histórico da Colônia (ingresso: R$ 24,00 – inteira) e o moinho, onde já havíamos estado há 20 anos (com nossos filhos pequenos e os avós). A guia, Dangriani, super gentil, nos explicou como se deu a colonização holandesa nesta região. A colônia iniciou-se com a chegada de 2 grupos, em 1951 e 1954, cuja atuação no agronegócio sempre foi forte, especialmente na produção de lácteos, tendo sido trazido tudo, literalmente TUDO, da Holanda: desde as matrizes (vacas) até todo o equipamento, móveis, utensílios,... Além disso, houve a seleção de quem podia vir para cá: as pessoas tinham capacitações específicas que eram necessárias para começar uma colônia.

Móveis trazidos da Holanda, na fundação da cooperativa

Fundada às margens do rio Iapó, a Colônia de Castrolanda é hoje uma das maiores cooperativas agrícolas do Brasil. Algumas curiosidades desta colonização:

- Boerderij – denominação dada às antigas casas de fazenda ( o Museu Histórico da Colônia funciona numa destas casas, que foi construída utilizando as técnicas originais)

Observem que a caminha ficava anexa à cozinha, pois assim ficava quentinho no inverno

Sentados dentro dos klompen (tamancos neerlandeses, cujo nome se refere ao som característico ao andar: clomp, clomp...) - historicamente usados desde o séc. XIII por agricultores, pescadores e artesãos para proteger os pés.

Realejo trazido da Europa - conhecido como "Notenkraker" está no local desde 2004 e funciona comm uma manivela

Dangriani segurando a "partitura" da pianola

- As primeiras vacas que vieram da Holanda produziam uma média de 20litros por dia (2 ordenhas). Hoje, com o melhoramento genético, produzem até 110 litros por dia (em 3 ordenhas)

- O tripé escola (educação), igreja (valores) e cooperativa (auxílio mútuo) são a chave do sucesso da comunidade, cujos membros são na maioria calvinistas.

Ao lado da pedra do moinho

Todo o sistema é em madeira, com encaixes perfeitos, sem uso de parafusos ou pregos


PRIMEIRO PERRENGUE

Continuando nosso roteiro, o Cânion Jaguaricatu, localizado no município de Sengés, era nosso próximo destino. Aí, numa daquelas “boas rotas” de Google Maps, fizemos um desvio para chegar ao Cânion. Explicando: não gostamos de ir e voltar pela mesma rota, então sempre buscamos alternativas que façam um circuito (chega-se por uma estrada e vai-se embora por outra).


Ah, se arrependimento matasse... a estradinha de terra – estrada da Jararaca - que inicialmente era bem larga, foi estreitando até virar um caminho. Com a chuva dos dias anteriores, a água descida pela valeta lateral e numa lombada com bastante lama, calculamos errado! Resultado: o Garça escorregou e viramos passageiros! Fomos parar dentro da valeta.

Não houve jeito de sairmos... nem para frente, nem pra trás! Mesmo calçando os pneus. O 4x4 foi inútil!


Decidimos, então, voltar os 2,5km a pé até a rodovia para buscar ajuda. Passamos pelos campos cheios de bois, que só nos observaram, e subimos a ladeira em direção à Rodovia PR151. Como já era anoitecer, ninguém parou! 


Voltamos ao Garça, fizemos nosso almojanta do jeito que deu, armando a mesa no meio do caminho, e dormimos ali, dentro da valeta, tortos, sentados nos bancos dianteiros, com uma coberta improvisada... a noite não foi tão fria, graças a Deus!


Às 6h da manhã, quando o sol começou a clarear o dia, já levantamos e nos pusemos a caminho. Alcançamos a PR151 e pelo acostamento pegamos a direção do SAU (10km distante). Havíamos caminhado pouco menos de 2,5km quando a ambulância de resgate nos viu e parou! Ufa! Dali tivemos carona e o guincho nos encontrou no entroncamento da ruazinha. A moça (a serviço da Concessionária) não obteve autorização para nos resgatar – a regra da concessão é resgate a, no máximo, 200m da rodovia.

Então, só nos restou contar com o auxílio de alguma boa alma. A moça do guincho nos deu carona até o posto de combustíveis e lá o Leonel, nosso anjo da vez, topou nos ajudar!

Leonel e Marcos lidando pra tirar o Garça do buraco

Com uma caminhonete Mitsubishi L200, engatou a corda e... nada feito! A lama pegajosa fez com que a caminhonete quase fosse parar na valeta também. Não teve jeito: tivemos de recorrer a um trator!

Leonel deu carona pro Marcos até a rodovia e de lá ele, a pé, foi indo de fazenda em fazenda até conseguir o resgate. Na terceira tentativa, distante uns 7km, conseguiu finalmente que o André e seu tio Sr. Sebastião nos tirassem dessa enrascada com seu trator. 

Passeando de trator pelas fazendas vizinhas, abrindo e fechando porteiras

Marcos veio sentado no paralama e cruzando por fazendas e caminhos alternativos, os três chegaram à Jararaca às 11h! Em 30 segundos, sem nenhum esforço, Garça estava livre da lama e da valeta!!! Ufa!!! Que alegria!

Agora sai!

Aliviados! Com Tio Sebastião e André, nossos anjos

Ficamos ali ainda uns 15 min organizando tudo e contabilizando o prejuízo: um espelho quebrado, que foi colado provisoriamente com fita silver tape até o conserto. Seguimos até um posto de combustíveis na rodovia em direção a Jaguariaiva (15km), onde lavamos o carro, abastecemos e tomamos um gostoso e providencial banho. Preparamos nossa comidinha, abrimos a barraca e tivemos uma boa noite de sono.

Hora do relax, com os compadres/amigos!

Com nosso acidente acabamos desistindo do Cânion, que ficará pra outra oportunidade, e seguimos direto à Mandaguari, onde encontraríamos nosso compadre, Renato, e sua família linda (Larissa, esposa e Arthur, filho) após 10 anos!!!

Como é bom rever os amigos, rir, conversar, trocar ideias!  Nos próximos 3 dias passeamos, conversamos bastante, fizemos churras,...

PASSEIO POR MARINGÁ



Passamos uma tarde em Maringá, distante 30km, e conhecemos o “novo” EuroGarden, um Parque Linear Privado aberto ao público, numa área onde será construído um condomínio de luxo. 


Para fechar o dia, nos surpreendemos com as delícias na Sorveteria Giardore, com sabores  muito diferentes e saborosíssimos. Experimentamos diversos, a citar: Pão de Alho com Nutella,  Camarão ao Creme, Chocogengibre, Damasco com Nozes,... excelente custo benefício (cada picolé custa R$ 5,00, menos de U$1!).



Pensem num lugar top! Em Maringá

PASSEIO POR MANDAGUARI

Na segunda-feira, enquanto todos da família tinham ocupação, fomos bater perna pela cidade de Mandaguari.

Paróquia N. Sra. de Mandaguari (1943)

A cidade foi fundada em 1940 com o nome de LOVAT (Lord Lovat, inglês), mas seu nome foi mudado para Mandaguari (espécie de abelha sem ferrão) durante a 2ª Guerra Mundial por ordem de Getúlio Vargas. Lord Lovat era o fundador da Companhia de Terras do Norte do Paraná em 1925.

Primeira parada: a Paróquia de N. Sra. de Aparecida de Mandaguari (1943), criada por decreto do bispo de Jacarezinho, dom Ernesto de Paula. Em frente à igreja matriz está o Paço Municipal, o Fórum e Câmara Municipal.

Parque da Pedreira, em Mandaguari


Próxima parada: o Parque da Pedreira. Inaugurado em 1998, possui pista de caminhada, 3 lagos, restaurante (fechado?) e Casa da Cultura (também fechada).


Passeamos até a antiga Estação Ferroviária de Mandaguari, cujo prédio foi tombado pelo IPHAN em 2010, e está em condições precárias! Inaugurado em 1954 e desativado em 1981, a estação fazia parte da linha férrea que ligava Ourinhos – SP a Cambará – PR (depois prolongada até Apucarana PR). Prolongada posteriormente até Cianorte (1972), possuía tráfego de passageiros, dividindo entre os trechos Ourinhos – Maringá – Cianorte.


É hora de seguir viagem! Próxima parada: SP!!!