Viagem Família______________________________________

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sexta-feira, 5 de março de 2021

Revisitando a terra de Mozart: Áustria, agora no verão - Castelos, cidades medievais e muita natureza!

Retornar ao país de meus antepassados (Mari) é sempre um prazer e a cada vez, novas descobertas são feitas! 

Salzburg

Estávamos na vizinha Suíça, mais especificamente nas Cataratas do Reno (veja no texto sobre a Suiça: http://www.viagemfamilia.com.br/2020/08/suica-para-alem-do-chocolate-queijos-e.html), e para entrarmos na Áustria, um dos caminhos mais próximos (e fugindo das estradas com pedágio) faz uma espécie de U, cruzando a pontinha da Alemanha, para daí subir os Alpes e passar pelo Fernpass. É aqui que começa nossa história de hoje...

FERNPASS: SCHLOSS (castelo) FERNSTEINSEE


Depois de visitarmos o lindo Castelo de Neuschwanstein a poucos quilômetros da divisa com a Áustria, tínhamos por objetivo alcançar a linda cidade de Innsbruck, onde já havíamos estado no inverno. A estrada 179 que efetua a ligação entre as cidades de Füssen (na Alemanha) a Innsbruck (já na Áustria) é lindíssima, serpenteando os Alpes. Esta era a segunda vez que passávamos por ela e foi bonito como da primeira vez! 





Aproveitamos para tirar fotos, desta vez, sem neve! Antes do Passo paramos no Zugsspitz de onde se tem uma vista privilegiada do lago. O Passo está a 1210 msnm e um pouco adiante fica o Schloss Fernsteinsee. Estamos em pleno verão (fim de agosto) e a grande quantidade de turistas, mesmo com a pandemia, acabou nos impossibilitando de encontrar espaço para wildcamping por aqui, desta forma seguimos até a linda Innsbruck. 

INNSBRUCK

Vista do rio Inn

Innsbruck ("Ponte sobre o rio Inn") é famosa pelas estações de esqui - já sediou Olimpíadas de Inverno, porém também possui seus encantos no verão. Chegamos à cidade em pleno domingo e assim como em outras cidades, hoje o estacionamento é gratuito. Encontramos vaga rapidamente (e facilmente) e para nossa sorte, hoje era o dia em que o Museu estava aberto e gratuito (ingresso do Museu + capela = 8 € cada) - Volkskunst Museum von Tirol!! 



Cozinha tradicional da Idade Média

Cada ambiente representa um estilo diferente


Cadeira de Tortura

Muitas representações de presépios diferentes

Aproveitamos para conhecer a cultura local do Tirol e ainda pudemos visitar a capela anexa ao Museu, onde está o Memorial do rei Maximilian I e o túmulo de seu neto, Ferdinand I.  Antes de entrar na capela - Hofkirche - existe um filme em projeção holográfica que conta a história de Maximilian e é bem interessante! 

Maximilian, em Op Art





Túmulo de Ferdinand

Conhecida como Hofkirche ou Igreja Imperial, dentro dela há 28 em figuras de bronze em tamanho entre 2 e 2,5 m, cuja função é de "guardar" a tumba do imperador Maximilian. Interessante é que esta tumba é, na verdade, um cenotáfio: túmulo ou memorial erigido para homenagear pessoas ilustres cujos restos mortais não se encontram no local (ou estão em local desconhecido)! 

As ruas da Alstadt estava tomadas de biombos (muitas obras de recuperação e instalação de tecnologias subterrâneas). Ao fundo, do lado direito, o famoso Telhado de Ouro

A igreja gótica foi construída na Altstadt (Cidade Velha) em 1553, pelo Imperador Ferdinand I, como um Memorial ao seu avô, Imperador Maximilian I. Aqui também foi enterrado o herói  nacional Andreas Hofer, líder tirolês durante as guerras napoleônicas. Atingida duramente por um terremoto no séc. XVII, teve altares e naves reconstruídas em estilo barroco. 

Stadtturm (Torre do Relógio da cidade): construída em 1450, com 50m de altura , além de servir como proteção e vigia para a cidade naquele tempo, também serviu como prisão. Pode-se subir seus 148 degraus para ver a vista lá de cima (em tempos de Covid, fechado)

Como já havíamos estado na cidade anteriormente (confira em:   http://www.viagemfamilia.com.br/2019/12/austria-conhecendo-minha-outra-patria.html) buscamos ver o centro histórico e as atrações que naquela ocasião estavam fechadas (por ser inverno e termos chegado à noite). 


A cidade possui vestígios de ocupação humana na época da Idade da Pedra, porém os romanos acabaram se instalando aqui, criando um posto militar para proteger a estrada que era uma importante ligação entre Verona e Augsburg. Os primeiros documentos que fazem referência à cidade de Innsbruck datam de 1187, falando sobre o passo Brenner (que faz a ligação com a Itália, e que utilizamos na primeira vez em que aqui estivemos). Em 1429, Innsbruck tornou-se a capital do Tirol e Maximilian I mudou a capital imperial para cá.

Aproveitamos nossa curta estada para visitar também a Dreiheiligenkirche (construída no séc. XVII, como uma "oferenda" para cessar a peste que dizimava a população), a Jesuitenkirche (1676) onde estão os restos de Cláudia de Médici e Leopoldo V de Habsburgo) e demos uma volta pela feira gastronômica que estava acontecendo às margens do rio Inn.

Dreiheiligekirche von Norden (Igreja dos 3 Santos do Norte): Firmino (Pirmin), Sebastião (Sebastian), Rochus e Alexius 

Interior da igreja

Jesuitenkirche (Igreja Jesuíta)

Interior da cripta da igreja


Peixes defumados, na feira gastronômica

Os preços dos alimentos estavam um pouco salgados, então aproveitamos para rever nosso conhecido amigo Youssef que possui uma lanchonete do outro lado do rio e onde havíamos comido bem e barato quando estivemos aqui em janeiro de 2020. Ele se lembrou da gente e acabamos nos deliciando com a pizza Mafiosa! 

Pizza Mafiosa, do Yousseff

No dia seguinte, nosso destino foi emocionante...

Montanhas do Tirol


SALZBURG
 ("Fortaleza de Sal")

Vista dos jardins do Castelo/Palácio de Mirabell

A terra natal de Mozart e onde nasceu meu pai (Mari) estava agitada e tivemos um pouco de trabalho para encontrar local onde estacionar. Finalmente, próximo da Karolinenbrücke, achamos vaga e uma senhora, super gentil, ofereceu seu ticket de estacionamento ainda válido por 1 hora. Agradecemos e nos deixamos levar pela curiosidade, apenas andando e descobrindo a cidade antiga (Altstadt) que está localizada na margem direita do rio Salzach e é Patrimônio Histórico da Humanidade, tombado pela UNESCO em 1996. 

Tradicionais passeios de charrete pelos principais pontos turísticos da cidade

Os primeiros assentamentos humanos na região datam do Neolítico, aparentemente, assentamentos celtas. Por volta de 15 a.C. os romanos dominaram a área que passou ao Império Romano. O nome Salzburg se deve às barcaças que transportavam sal no rio Salzach e estavam sujeitas a pedágio no séc. VIII. A Fortaleza de Hohensalzburg (Festung), imponentemente construída sobre o morro em 1077 e expandida nos séculos seguintes, pode ser vista de qualquer lugar da cidade. 

Nossa primeira parada foi na Kajetanerplatz u. Kirche onde entramos na igreja do séc. XVII. 

Kajetanerskirche




É curioso conhecer um pouco a história dos lugares... em 1731, o arcebispo da cidade assinou um decreto de expulsão aconselhando os protestantes a tornarem-se católicos ou então, seriam banidos da cidade. Os proprietários de terras tiveram 2 dias para vender suas terras e partir! Os católicos abastados da cidade compraram tudo a "preço de banana" e a família Von Firmian (do arcebispo) confiscou a maior parte das terras para si. Além disso, todas as Bíblias protestantes ou livros que tratassem dessa opção religiosa foram queimados e conta-se que crianças foram raptadas para serem criadas na fé católica! Muitas destas famílias rumaram ao norte, no território hoje chamado de Alemanha, enfrentando o frio e rigoroso inverno! Ah! Mais curioso ainda, é o fato de que uma cidade vizinha a que estamos morando por enquanto, chamada Schützingen (Baden-Württemberg) foi totalmente ocupada por austríacos que foram expulsos nesta época, pois ao fim da Guerra dos Trinta Anos e da peste que assolou a Europa, a cidade só contava com um morador original. 


Linda Getreidegasse (Rua do Cereal): existe uma lei em Salzburg para designar as lojas pendurando placas de ferro sobre a loja

Enfim, Salzburg foi o epicentro de muitas disputas e passou por diversos reinos até que, finalmente em 1815, voltou a fazer parte da Áustria, inclusive passando a  ser capital de um território dentro do Império Austro-Húngaro.

Estátua de Mozart, na praça ao lado do Dom, no Mozartplatz

Casa natal de Wolfang Amadeus Mozart (ngresso do Museu = 12 € por pessoa).
Endereço: Getreidegasse, 9 -o compositor morou aqui até seus 17 anos de idade


Durante a 2ª Guerra Mundial, a cidade foi duramente atingida e 7600 residências foram destruídas, bem como 550 habitantes foram mortos. As pontes da cidade e a cúpula da catedral foram destruídas, ainda assim, a arquitetura barroca da cidade permaneceu intacta. Quando as tropas americanas entraram na cidade, em 1945, encontraram muitos campos de trabalho forçado com pessoas que eram de outros lugares. 

Praça central da Alstadt, com a Catedral ao fundo - Mozartplatz

Dom - Catedral de Salzburg


Interior da Catedral

Adesivo "bem humorado" para aqueles incautos que continuam achando que a Áustria é a Austrália

Lojas com artigos para Natal, em pleno verão

Ponte dos Namorados (Makartsteg) = milhares de cadeados simbolizando o amor e a união

Depois de um giro pela Altstadt mudamos o carro de lugar e fomos conhecer o outro lado do rio. Passeamos pelos lindos jardins do Palácio de Mirabell.  




Schloss (Palácio) Mirabell



Igreja de São Sebastião, com cemitério anexo


Cemitério São Sebastião (Sebastiansfriedhof)

Túmulo da família de Mozart




Bancas de frutas e verduras

Minha avó (Mari) morava no distrito de Liefering e está enterrada no cemitério local. Foi muito emocionante encontrar o endereço da casa onde meu pai morava e depois, visitar o túmulo da minha Grossmutter - avó (e de minha tia), que mesmo morando na Europa, foi ao Brasil diversas vezes e eu a conhecia muito bem!! Ela era uma avó muito fofa!!! 

Igreja e cemitério de Liefering


No endereço de minha avó e pai!


MOSTEIRO DE KREMSMÜNSTER, Alta Áustria (Oberösterreich)

Mosteiro de Kremsmünster

Os primeiros registros da localidade datam de 777, cujo Seminário foi fundado pelo Duque Tassilo III da Baviera. Os monges da Ordem Beneditina fundaram uma famosa escola em 1549, com a instalação de um observatório astronômico e geofísico que funciona até os dias atuais. Em Kremsmünster foi instalada a primeira estação meteorológica da Áustria.  

A biblioteca da instituição (que não foi permitida a visita - tempos de Covid) foi construída entre 1680 e 1689 e contém 160 mil volumes, além de 1700 manuscritos e 2000 incunábulos (livros impressos nos princípios da imprensa, com tipos móveis: berço da imprensa moderna!). 


Stiftskirche (1277), inicialmente gótica, foi remodelada em 1613 para o estilo barroco, tendo tido o interior todo reformado entre 1680 e 1720



Percorremos o local e descobrimos um pequeno Museu que conta a história de missões religiosas no interior do Brasil (estado do Piauí), desde 1970. Também a igreja do Mosteiro é linda e a Torre da Matemática (Mathematische Turm) onde está localizado o observatório astronômico foi o primeiro prédio alto da Europa. 

Entrada do Museu

Entre os anos 1970 e 1990 foram reportados inúmeros casos de violência, assédio e abuso sexual cometido pelos padres da instituição aos alunos internados para estudos. Os casos foram julgados pela corte austríaca e calcula-se que a escola pagou aproximadamente 700.000€ em indenizações até então. Infelizmente esta prática era bem comum já desde a Idade Média, quando os claustros e monastérios eram as escolas disponíveis para os nobres... triste parte da história!

Parte do museu dedicada às missões no Brasil

Retrato do vale e do Mosteiro, com a Torre da Matemática à esquerda


Percorremos a Österreichische Romantikstrasse (Estrada Romântica Austríaca) e chegamos a linda e medieval Waidhofen an Ybbs. 

WAIDHOFEN AN DER YBBS, Baixa Áustria (Niederösterreich)

Centro histórico da cidade, com a famosa Torre ao fundo

A linda e medieval cidadezinha era local onde a tia/amiga Erika passava suas férias de verão quando criança e foi dica dela passarmos por lá. Estacionamos nosso Garça bem no centro, próximo da praça central e seguimos a pé pelas vielas, visitando seu castelo, a igreja, a torre e margeando o rio Ybbs (Ibosa, em português) e o rio Schwartzbach (Córrego Negro).

Stadtturm, com 50 m de altura, construída em 1530

Igreja Paroquial da cidade de Waidhofen

Castelo de Rothschield

A cidade foi citada pela primeira vez em 1186 e foi um importante centro econômico do vale do rio Ybbs durante o séc. XIV. Atualmente com pouco mais de 12 mil habitantes, sua cidade antiga (Altstadt) possui uma arquitetura medieval bem preservada e algumas características góticas em pontes e igrejas. A Igreja Paroquial foi construída entre 1470 e 1510. O Castelo de Rothschild (Rothschildschloss) foi construído por volta de 1400 e era sede governamental da região da Bavária. O nome do castelo é uma homenagem ao famoso banqueiro que foi seu proprietário, Albert Salomon Anselm Freiherr von Rothschield (1844 - 1910). 

Castelo, hoje Museu

Ponte sobre o Schwartzbach, construída no fim do séc. XIX
Rio Ybbs

Reconstruído e renovado diversas vezes ao longo dos séc. XIX e XX, acabou ficando um pouco descaracterizado e em 2007 foi instalada uma cúpula de vidro de "gosto duvidoso" numa das torres. Hoje o Castelo abriga o Centro de Visitantes, uma loja de souvenir e um parque, além do Museu dos 5 Elementos (fogo, água, terra, madeira e metal). 

Torre de cristal em cima da torre medieval: no mínimo, estranho!

Igreja Parquial da cidade, construída entre 1470 e 1510. Em seu interior, altar gótico transferido para outra igreja em 1930. As estruturas e bancos de madeira são originais



Mariensäule: coluna barroca e estátua da Virgem Maria, construída em 1665 como símbolo do movimento de Contra-Reforma

Outro símbolo da cidade é a Torre da Cidade (Stadtturm), com 50m de altura. Construída em 1530 com os recursos advindos da expulsão dos turcos, possui uma inscrição (datada de 1932) em que se lê: "No ano de 1532 os cidadãos, fazendeiros e ferreiros de Waidhofen forçaram os turcos a irem embora e construíram esta torre como lembrança". Numa das faces da torre o relógio marca permanentemente 11h45min - hora da vitória dos habitantes da cidade. 

NEULENGBACH, distrito de Sankt Pölten-Land, Nierderösterreich

Entrada do castelo - propriedade particular

Bem próximo da casa dos tios/amigos Erika e Robert, está localizada a lindinha Neulengbach, com seu castelo encarapitado no morro. Apesar da beleza da cidade e de seu castelo (que é propriedade particular) não poder ser visitado, o que tornou a cidade famosa foi ter sido o local escolhido pelo artista Egon Schiele e sua esposa (e modelo) para morar e desenvolver sua arte, no começo do séc. XX.

Igreja paroquial de Neulengbach


As pinturas de Schiele retratavam meninas (adolescentes) em posições não usuais e seminuas o que desagradou a sociedade moralista da época e em 1912 ele foi preso, acusado de seduzir uma jovem. Durante o seu julgamento, a acusação de assédio foi retirada, porém ele foi acusado de expor imagens obscenas em local onde crianças tinham acesso e uma de suas obras foi queimada publicamente no tribunal. Ele passou alguns dias no cárcere (24 dias!) nos quais pintou 12 quadros em que retratou as dificuldades e desconforto de estar em uma cela de cadeia. 

Dentro do Museu, antiga cadeia, onde Schiele ficou por menos de 1 mês!

Rathaus (Prefeitura) da cidade


Escola secundária para os "cavalheiros e damas" 

Nosso passeio pela cidade mostrou um lugar bonito e pouco explorado. O fato de não ser permitida a entrada no Castelo e de sua construção estar precisando de uma reforma urgente é uma pena, pois o local está muito bem localizado, oferecendo uma vista bonita de todo o vale. 

Fundos do castelo. Demos a volta em todo o seu contorno, uma vez que não é permitida a entrada na propriedade


Entrada do Castelo de Neulengbach

Vista panorâmica do alto da torre



Buchbergwarte - Torre de observação em 360º



Próximo dali fica o Buchbergwarte - uma torre de 22,5m de altura, com plataforma localizada a 19,8m de altura - e de onde se tem uma visão de 360º de todo o vale. Esta torre é toda construída em madeira e subimos até o mirante mais alto para podermos admirar a bela paisagem lá de cima.

TOTZENBACH, Kirchstetten, Sankt Pölten- Land, Niederösterreich


Também bem próximo da casa de Erika e Robert fica o Castelo (Schloss) de Totzenbach. Aqui tivemos a companhia de Marcel, guia turístico e responsável pelo Museu da cidadezinha, amigo e vizinho de nossos tios.

Com Marcel, na entrada do Museu


Maquete de como era a vila de Totzenbach na Idade Média


Com Erika e Marcel, nos arredores do Castelo

Marcel nos explicou como era a vida na vila há 800 anos! Naquela época (1147) o castelo possuía  muros e torres mais altos e a vila tinha algumas poucas casas. Cada agricultor possuía 7 a 8 pedaços de terra - cada um chamava-se JOCH = 75m por 75m, e que era a área equivalente a um dia de trabalho. As distâncias máximas em que ficavam estas terras eram de 4 km do centro da vila, pois assim não perdiam tanto tempo se deslocando para sua propriedade. Os tributos pagos o dono do castelo - que tinha por função proteger a vila em caso de invasão - eram de 10% acrescidos de 50 dias de trabalho nas terras do Nobre, por ano.

Esta visita guiada com o amigo Marcel acabou num convite feito por ele para uma entrevista para um jornal local. Ele ficou interessado na nossa viagem pelo mundo e o que nos motivou a visitar essa parte específica da Áustria. A matéria foi publicada e guardamos com carinho essa recordação.

Hoje os jardins do castelo são utilizados como local para festas de casamento e aniversário




As muralhas foram diminuídas em tamanho, assim como as torres. As pedras foram utilizadas para construir outras coisas

A escola da vila só foi construída muitos anos mais tarde e antes quem cumpria a função de ensinar a ler e escrever era o padre local, que também era agricultor. Antigamente se produzia aqui uma uva com a qual se fabricava o vinho que todos bebiam: o consumo médio, por pessoa, na época, era de 1000 ml por dia (hoje chega a, no máximo, 250 ml). No séc. XVII ou XVIII uma espécie de besouro, oriundo da América do Norte, arrasou 69% das plantações existentes, e a população passou a fazer vinho de maçã ou pera, criando a CIDRA, que passou a ser uma bebida popular entre todos (até hoje). 


Jardins do Castelo de Totzenbach


Igreja da Vila com cemitério anexo. Tudo "moderno", com datação do séc. XVIII e XIX

É também herança daquela época a existência de árvores frutíferas plantadas às margens das rodovias (hoje estradas secundárias). Elas tinham por função servir de alimento à população (e aos animais) que servia ao feudo. Dentro da área do castelo havia um pomar, cercado para evitar roubos, onde o cultivo de espécies exóticas e mais caras e raras era feito, além de melhoramentos genéticos de espécies já nativas. Posteriormente estas espécies foram distribuídas para a população.

Após a Guerra dos Trinta Anos coube ao nobre de Totzenbach - Maximilian von Trauttmansdorff - reunificar e estabelecer as regras para a paz. Este tratado com ideias de respeito mútuo é utilizado até os dias atuais. 

Fechando o dia com uma puríssima cachaça de Santa Catarina, mais precisamente de Luís Alves, a "terra da cachaça"! Com nosso amigo e tio, Robert

E legítima caipirinha brasileira, com a tia e amiga Erika!

Lindo pôr de sol, em Oberwolfsbach - Kirchtetten: vista da varanda da casa de nossos amigos e tios 

Conhecer a história por trás da História nos faz compreender quem somos e porque hoje estamos neste estágio da Humanidade. Em ciclos, vamos evoluindo (e involuindo). 

Faz-nos pensar em como as pessoas lidavam com as adversidades, guerras, doenças, dominações políticas e cobranças de impostos abusivas,... em muito os problemas enfrentados naquele período continuam sendo os mesmos de hoje, ou não?????? 

Agora estamos esperando as que as fronteiras sejam novamente abertas (nova onda do Covid-2021) e que possamos continuar nossa aventura e descoberta pela Europa!!! Mais à frente, novidades e curiosidades... tchau! Até a próxima!

Às margens do rio Inn, no Passo Resia - divisa com a Itália

Um comentário:

  1. Muito interessante este relato. Lugares maravilhosos! Que maravilha poder retornar a casa de sua avó e pai! Achei também interessante o fato que museus estão abertos, mesmo com a pandemia.

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