Viagem Família______________________________________

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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Araxá - Uberaba

20 de janeiro de 2011
Araxá – Uberaba (MG)

Hoje estamos com o dia livre... não temos longas distâncias a percorrer e vamos até Uberaba mais pro final do dia, para fazer uma surpresa pro nosso amigo Eurípedes, que está fazendo aniversário.
Saímos prum city tour por Araxá, e já de início encontramos um pequeno museu da Família Zema que chegou a cidade em 1915 e de lá para cá expandiram seus negócios, vindo a se tornar um dos conglomerados empresariais mais importantes da cidade. Araxá significa “terras altas de onde primeiro se vê o sol” na língua dos índios Arachás que viveram nesta região. Em 1759, Bartolomeu Bueno de Prado comandando uma expedição, destruiu o quilombo do Ambrósio e sete anos depois, Inácio Correia Pamplona exterminou os remanescentes da tribo dos Arachás, restando poucos que se espalharam ou se deixaram escravizar.

Doug e Nati - Studbacker 1954

Esse Ford Bigode 1914 foi utilizado pelo velho Zema como táxi pela cidade de Araxá e também como meio de ligação entre Araxá e Uberaba. Em 1917, durante um temporal muito forte, na travessia do Rio das Velhas (atual Rio Araguari), foi tragado pelas suas águas e afundou, ficando perdido.
Exatamente 48 anos depois, no mesmo lugar onde havia afundado, (por conta de uma grande seca) foi reencontrado, retirado e... surpresa! Depois de uma lavagem do motor e troca de óleo, em três dias estava funcionando novamente! O fato foi noticiado em jornais e revistas da época em toda região e até fora do país!
Atualmente é utilizado em ocasiões especiais e está exposto no Museu da família Zema.

 A cidade possui uma população aproximada de 90.000 habitantes e tem um interessante sistema de passaporte cultural, pelo qual se paga o valor de R$ 6,00 e permite visitar as principais atrações culturais como museus e casas de cultura pela cidade, destacando-se entre elas a Casa da D. Beja e o Memorial de Araxá.

Neste memorial, fomos muito bem atendidos pela Daniele que nos explicou diversas coisas sobre a cultura e costumes da cidade, inclusive sobre a casa onde é o Memorial que pertencia a uma família de músicos que tinham uma orquestra. Era a família Porfírio, que possui uma sala inteira dedicada a eles. Os outros aposentos da casa estão repletos de objetos e documentos históricos relevantes para a cultura passada da cidade.

Em seguida fomos visitar a casa de Ana Jacinta de São José, popularmente conhecida como D. Beja, que viveu em Araxá na primeira metade do século XIX. Nossa atendente, a simpática Maria do Carmo, nos explicou que D. Beja era uma cortesã, que tinha muitos amantes endinheirados da região, entre eles o imperador D. Pedro I.  Nesta casa estão representados os objetos de época e há uma reconstituição do quarto da proprietária muito bem caracterizado. Mas o único objeto que realmente pertenceu a D. Beja é uma gargantilha, pois como ela era mal vista pela sociedade, quando ela abandonou a cidade suas coisas pessoais foram com ela, o que restou provavelmente foi depredado pelos moradores para apagar a memória dela.


No ano de 1965, Assis Châteaubriant, após ter adquirido a propriedade, restaurou-a e transformou-a em um museu.
Antiga estação de trem - atual Centro de Artesanato


Vista de frente do Centro de Artesanato


D. Beja, já pelos anos 1915 e 1916 em sua adolescência se banhava nas águas e lamas do Barreiro, dando início a fama medicinal de sua região, posteriormente comprovada por estudos científicos do Barão de Eschwige - cientista alemão - e mais tarde ratificada e chancelada por Saint Hilaire. Em 1912 a Empresa de Águas de Araxá construiu o primeiro balneário no local, seguido pela construção do Hotel Rádio, hoje em ruínas, e finalmente o Grande Hotel cujas obras iniciaram em 1938 e foram concluídas em 1944. Os jardins que circundam o Hotel Tauá, atual nome da construção, foram executados por Burle Marx com a colaboração do botânico Henrique Melo Barreto. Em 1944 o Grande Hotel foi inaugurado com grande pompa contando, inclusive, com a presença do presidente Getúlio Vargas, dando início ao polo turístico de Araxá.

Entrando no Hotel Tauá, antigo Grande Hotel


Fonte D. Beja


Vista da piscina principal



Dentro da Fonte D. Beja


Depois de uma gostosa água de coco, rumamos a Uberaba, mais 100 km. No caminho, a chuva torrencial se fez presente e uns 13 km antes de nosso destino, no município de Peirópolis, visitamos o Museu do Dinossauro (ingresso: R$ 6,00 por pessoa), que está instalado na antiga estação ferroviária da cidade, fundada pelo Conde D’Eu, em 1886.
 As primeiras descobertas de fósseis pré-históricos aconteceram na década de 40, e apenas entre os anos 1947 e 1974, sob a responsabilidade de Llewellyn Ivor Price, gaúcho de origem inglesa, que descobriu o fóssil do Uberabasuchus Terrificus (primórdio dos crocodilos), organizou-se e aprofundaram-se as pesquisas. Apenas em 1992 fundou-se o Museu, que está organizado e continua acrescentando peças ao seu acervo.


Uberabasuchus Terrificus

O "Uberaba" em seu habitat







A região de Uberaba é rica em fósseis e possui uma grande concentração de sítios arqueológicos com predominância de ovos e coprólitos (cocô de dinossauros), além de titanossauros, troncos fossilizados, anfíbios, tartarugas, moluscos,... Só foram encontrados aqui, até agora, fósseis de dinossauros herbívoros, que chegavam a  atingir 20 metros de comprimento e até 10 toneladas.
 
O acervo exposto é pequeno, mas muito interessante, pois o espaço da estação é limitado. Por esse motivo, foi construído recentemente um novo prédio, projetado pela filha de Lúcio Costa, que está ampliando o espaço e materiais à disposição dos visitantes. No Museu está exposta, no jardim, a única réplica em tamanho natural do Titanossauro, no Brasil.

Saímos de lá depois de duas horas e chegamos à Uberaba aí pelas 16h30min para a festa de aniversário de nosso amigo Eurípedes. Mas essa já é outra história!!!
Tchau!
Titanossauro


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Vargem Bonita - São Roque de Minas - Araxá

19 de janeiro de 2011
Vargem Bonita – São Roque de Minas – Araxá

            Depois de um café da manhã simples, no qual conhecemos e conversamos com o outro hóspede do Hotel (apenas dois quartos estavam sendo utilizados) e sua esposa - Lauro e Helayne, um casal muito simpático de São Paulo, seguimos em direção a São Roque de Minas, distante uns 13 km de Vargem Bonita, por estrada de chão. A cidadezinha é pequena, porém possui mais estrutura que sua vizinha (se é que se pode afirmar isso!).
            Pegamos algumas informações com moradores e rumamos à Nascente do São Francisco, passando pela portaria 1 do Parque Nacional, pagando os ingressos novamente e mais 5 km de estrada muito ruim, em subida, chegamos ao Centro de Apoio ao Turista, onde assistimos a um vídeo explicativo sobre a Serra da Canastra, suas atrações e sua fauna.
            Conversando com o Zé Maria, produtor do vídeo e guia do Parque, descobrimos que essa mesma estrada que dá ingresso ao Parque é utilizada para atravessá-lo e chegar às outras portarias (São João Batista e Sacramento). Assim, vamos economizar pelo menos uns 70 km, pois não precisaremos retornar.

Sempreviva, ainda sem flor.




Outro tipo de sempreviva. Parecem bolinhas.


Percorremos mais uns 13 km até finalmente chegarmos à Nascente do São Chico... Uma visão e tanto!! A nascente é pequena, com a água brotando da terra e formando um tanque, porém o seu significado para o país e para nós é muito maior!!! Afinal, é o Rio da Integração Nacional, e corta 5 estados da Federação!

Nascente do São Chico.
  
Imagem do santo com a sua oração.

Seguimos em direção ao Curral de pedra, onde os escravos construíram uma estrutura para guardar os animais, por volta do século XVIII. Durante o ciclo da mineração, extraia-se ouro dessa região e os animais faziam o seu transporte, assim, era necessário um local seguro para abrigá-los.

Vista superior do Curral.
Mais uns 25 km de estrada na maior parte do tempo esburacada e com muitas valetas, chegamos à parte alta da Cachoeira Casca D'anta. A vista é muito bonita e o local é propício para um banho revigorante! Nós aproveitamos para degustar, às suas margens, um delicioso queijo canastra que havíamos comprado no açougue do Luisinho, na cidade de Vargem Bonita. HUM!!!!


O queijo canastra é tombado pelo IPHAN, como patrimônio histórico, pois é um produto genuíno dessa região, salgadinho e delicioso! Descobrimos que não pode ser comercializado em supermercados grandes do país, por ser feito a partir de leite fresco, o que é contrário à legislação sanitária brasileira. Seu sabor lembra muito o queijo fresco que comemos na Bolívia, junto com o choclo (milho), feito com leite de lhama.

Após um delicioso banho, nas límpidas águas deste maravilhoso rio, iniciamos a nossa saída do Parque Nacional. Optamos por sair pela portaria de São João Batista, distante quase 50 km de onde estamos.
Essa saída é estratégica, pois a 500m de sua saída existe outra cachoeira muito bonita, chamada de Cachoeira do Jota, composta de diversos saltos em sequência, numa altura total de uns 200 m.



Cachoeira do " J "
Essa cachoeira é no rio Araguaí e pertence à bacia do Paraná.  Tiradas as fotos, passamos pelo lugarejo e fomos até Tapira, distante 60 km. A estrada estava uma b..... e enfrentamos alguns atoleiros bravos, tendo que utilizar alguns desvios para fugir do barro. Para acrescentar mais emoção, alcançamos a chuva que se via no horizonte.
De Tapira a Araxá são uns 40 km, em asfalto. UFA! A chuva não cessou até entrarmos na cidade. Achamos o Hotel da Torre e negociamos nosso pernoite com o João Carlos (R$ 120,00 para os 4).

Queríamos comer uma deliciosa comida mineira e, seguindo a sugestão do João, fomos até um restaurantezinho Varanda's, do Sabiá, que nos ofereceu petisco de mandioca, torresminho e farofa e almojantamos um comercial bem saboroso!

Boa noite! Até amanhã!

Passos MG - Furnas - Cachoeira Casca d'Anta - Vargem Bonita

18 de janeiro de 2011
Passos – Furnas - Cachoeira Casca d’Anta - Vargem Bonita

            Hoje chegaremos ao nosso destino: a Serra da Canastra e seu Parque Nacional. No caminho, entretanto, descobrimos muitos lugares lindos e interessantes!
Passando por Furnas, aproveitamos para conhecer a represa do lago e passando por cima da barragem. No local há estrutura de camping, porém não havia ninguém por lá. O que nos chamou a atenção, foi a falta de placas indicativas e uma estrutura voltada para a visitação pública, apesar de o local ser muito bonito.
                
 Continuando em direção à Belo Horizonte, registramos os cânions localizados nas cidades de Capitólio, ainda no lago da represa. O visual é incrível e para uma próxima vez, valeria a pena fazer o passeio de chalana ou de voadeira pela represa, vendo as cachoeiras e os cânions sob outro ponto de vista.
Cânion na região de Capitólio (represa de Furnas)

 A água que desce nas corredeiras é límpida e cristalina e convida para um mergulho. Resistimos e seguimos até Piumhi, percorrendo mais 60 km até Vargem Bonita.
A estrada que liga os municípios acima citados não está catalogada no GPS, então os 6 P’s (Pare Pergunte Pro Primeiro Pedestre Passante) foram utilizados intensamente, mesmo porque as placas indicativas também são raras.
A cidade de Vargem Bonita é pequena e possui uma infraestrutura MUITO BÁSICA... Fomos até a loja de artesanato Baú de Lendas - uma gracinha, com muito artesanato e produtos naturais típicos, onde a Cristiane nos atendeu atenciosamente e orientou a direção que deveríamos seguir até a Cachoeira da Casca d’Anta, parte baixa. Percorremos uns 39 km tendo a vista majestosa da Serra da Canastra ao lado! Um grande chapadão de pedra, onde ao longe se podem ver cachoeiras e casas de fazenda, além de umas pousadas que oferecem opções para turismo rural/ecológico.


Fazendo compras no Baú de Lendas

Vista da Serra da Canastra com o Rio São Francisco


À caminho da Cascata

Muitos morros depois, em estrada de chão com muitas pedras, buracos e com grandes voçorocas, chegamos à entrada do Parque Nacional da Serra da Canastra. O parque foi criado para preservar as nascentes do rio São Francisco, conta com um pouco menos de 72 mil hectares de área e é circundado por diversas cidadezinhas (São José do Barreiro, São Roque de Minas, São João Batista, Sacramento e Delfinópolis) de onde se pode chegar a diversas cachoeiras, fazendas e pontos de observação para tamanduás- bandeira, lobos-guarás, emas e outros animais do cerrado.
Pagos os ingressos (R$6,00 por pessoa, maior de 12 anos e menor de 60 anos), seguimos uma trilha por, aproximadamente, uns 15 min (mais ou menos 1000 m) até a vista poderosa da Cachoeira Casca d’Anta, com seus 186 m de queda. Ela é a primeira e mais alta queda do rio São Francisco, e a vista de sua parte baixa vale o esforço!!! Para tirar as fotos fica difícil, pois o borrifo da água é forte e intenso, mais parecendo chuva!


Tomar banho só na descida da trilha em direção à entrada do Parque, pois o rio vai formando remansos e piscinões naturais. Apesar de não termos mergulhado, a temperatura da água estava gostosa!

Na volta para Vargem Bonita, fomos parando nas pousadas que ficam pelo caminho para verificar os preços e possibilidade de pouso. Os preços são salgados (em média, R$ 70,00 por pessoa a diária) e a estrutura oferecida é precária... nada que justifique o valor!
Seguimos até Vargem Bonita, onde nos hospedamos no Aconchego da Canastra Hotel. Fomos muito bem recebidos pela Maércia, que nos deu algumas dicas sobre a cidadezinha e iremos pagar R$ 130,00 para todos, num quarto com ventilador, TV e café da manhã! Colamos nosso adesivo http://www.viagemfamilia.com/ na porta do hotel, pois é uma boa opção de hospedagem comparando com as outras pousadas que cobram preços fora da realidade!
 Para o jantar, 4 marmitas(recomendamos), muito bem servidas e saborosas com feijão tropeiro, arroz, batata frita, mandioca, salada e bife, com um custo de R$ 8,00 cada, preparadas na hora pela dona Neiva, uma senhora que mora a uma quadra do hotel, pois não existem restaurantes e são poucas as opções de alimentação.  Como na cidade só existe uma lan house  (o Doug foi até lá para resolver pendências) e o hotel não tem wireless, nós estamos encontrando um pouco de dificuldade em postar nossas mensagens.
Pegando as marmitinhas com a d. Neiva
Até amanhã! 

Curitiba (PR) a Passos (MG)

17 de janeiro de 2011
Curitiba (PR) a Passos (MG)


Começamos a segunda etapa de nossas férias de maneira diferente que havíamos pensado e combinado, pois nossa viagem à Serra da Canastra (MG) deveria ser feita junto com a família CLAM (Cristiane, Lucas, Alfredo e Mirele). Infelizmente, o Maritaca teve algumas avarias e ficou na oficina alguns dias, assim, os Maritacas seguiram diretamente para Juiz de Fora (MG) e nós, os Garças novamente estamos sozinhos!
Mar de nuvens no alto da BR 476 (Ribeira)


Hora da brincadeira!
 Saímos de Curitiba aí pelas 8h40min, com chuvinha leve. Resolvemos rodar pela BR 476 - Estrada da Ribeira, para nos afastarmos um pouco dos desmoronamentos (provocados pelas chuvas intensas dos últimos dias) e movimento intenso da BR 116 (Régis Bittencourt).
No lado paranaense a estrada está em bom estado, porém é muito lenta por conta das milhares de curvas que possui! Assim, chegamos a Apiaí (SP) umas 3 horas depois (são apenas 130 km de distância) e com a chuva fina que cai, redobramos os cuidados para evitar algum acidente como o que nós presenciamos no trajeto.



Como já era hora do almoço, procuramos um local para rangar. Antes, porém, descobrimos um local chamado Morro do Ouro, originalmente chamado de Morro da Descoberta nos idos de 1822,  onde há um Posto de Informação Turística e no qual a Regina, muito atenciosa, nos explicou sobre a origem do nome Apiaí (“rio menino”) e de como a cidade surgiu: foi descoberta e explorada (inicialmente por escravos) uma mina de ouro que depois passou a ter sua exploração mecanizada pelos japoneses. Em 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial e a consequente derrota dos japoneses, ela foi abandonada e só na década de 1990 o governo estadual desapropriou a área e a transformou no Parque Municipal do Morro do Ouro.
Nesse Posto também há informações sobre o PETAR e sobre todas as cavernas que há em seu redor. Então, vale uma visita para pegar mais referências a esse respeito.
Depois da comidinha caseira e honesta ingerida num restaurantezinho bem simples, anexo a um posto de combustível, na localidade de Guaciara-S.P.  conseguimos andar um pouco mais rápido, apesar do asfalto em péssimo estado (na maior parte do trecho paulista). A situação só ficou melhor (poucas curvas e bom asfalto) quando a estrada passou a ter pedágio! Uma lástima!!! São tantos impostos e ainda temos de pagar mais para ter aquilo que seria nosso por direito! Na brincadeira, gastamos no total, só hoje, uns R$ 40,00 em pedágio! Um absurdo!
Seguimos rumo a Piracicaba e o nível do rio da cidade estava po-de-ro-so!!!!
Dali, fomos fazendo uns cortes e passamos por Pirassununga (cujo nível do rio também estava alto) e por Tambaú, até chegarmos a Mococa, já na divisa com Minas. Ainda estava meio claro e resolver ir até Passos, em Minas Gerais e na Rota das Nascentes.
Ponte sobre o rio Pirassununga
Chegamos à cidade aí pelas 21h30min e procuramos um local para jantar. Comemos deliciosas pizzas no Barollo e fomos à busca de um hotel BBB (Bom, Bonito e Barato). Após pesquisarmos alguns, achamos o Hotel Cidade, por R$ 120,00 para nós 4 (como já era tarde, o Amauri e o Wesley deram um desconto para as crianças).
Agora, é dormir gostoso!!! Até amanhã!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Curiosidades e informações gerais sobre o Paraguai

Desde o início de sua conquista, o Paraguai esteve no caminho para se chegar a outros destinos. Sua capital, Assunção, chamada de “Mãe das Cidades” era o ponto de partida de onde os espanhóis saiam em busca de outras terras e para fundar novos povoados.
Os missionários da Companhia de Jesus chegaram por volta de 1609 e lá permaneceram até meados de 1768. Daí o surgimento das Reduções Guaranis de “Santíssima Trinidad”, Jesús de Tavarangue (ambas declaradas Patrimônio Universal da Humanidade pela UNESCO, na década de 1990), além de “San Inácio Guazu”,”San Cosme e San Damian”, “Santiago”, “Santa Maria” e “Santa Rosa”.
 

A Redução de Jesús é chamada de Tavarangue (significa “aquele que foi sem nunca ter sido”), porque não chegou a ser utilizada e sequer concluída.

Jesus

O Paraguai tornou-se independente em 1811 e desde então, já passou por períodos de guerras (duas), ditaduras, transição democrática e regimes constitucionais.

O uso corrente do espanhol e do guarani está presente desde o nome de pratos que compõe sua culinária (chipá, mbeyú, chipa guazú, payaguá mascada... a base de mandioca, carne, queijo fresco e milho) até em locais onde ainda se podem verificar costumes indígenas, como Capiatá, Yaguarón, Itá, Caazapá,...


Chipa ou chipá - espécie de pão de queijo
Como o consumo de carne bovina é imenso no país, tudo se aproveita, desde o couro na confecção de artesanato típico como na confecção da guampa, que é feita com base no chifre de boi e no qual se toma o tereré (espécie de chimarrão servido gelado).

Guampa
                                                                                 
No artesanato, observam-se o uso do couro, penas, fibras naturais, sementes, além da arte em filigrana e dos instrumentos musicais (os luthiers paraguaios são famosos pelas harpas e guitarras que confeccionam)





Ñanduti

Mapa com as Provincias


População média: um pouco mais de 6 milhões de habitantes.


O desenvolvimento do Paraguai está estreitamente relacionado às duas Usinas Hidrelétricas Binacionais: a de Itaipu (compartilhada com o Brasil) e a de Yacyretá (com a Argentina), juntamente com a agricultura mecanizada e criação de gado.

Acima: Hidrelétrica de Itaipu. Abaixo, Hidrelétrica de Yacyretá

Principais cidades: Assunção (em torno de 600 mil habitantes), Encarnación (divisa com Argentina, ao sul), Ciudad del Este e Pedro Juan Caballero (divisa a leste, com o Brasil).

Segue abaixo uma compilação do documento oficial recebido na divisa, com orientações básicas e importantes onde constam seus direitos e deveres. Pegue o folheto nas divisas e apresente-o sempre que se sentir lesado!

CAMPAÑA FELIZ VIAJE POR PARAGUAY CAMPANHA FELIZ VIAGEM PELO PARAGUAI
O BOLETÍN INFORMATIVO OFICIAL
Documentação necessária para se ingressar ao país:
- no caso dos brasileiros: Carteira de Identidade e cartão de ingresso, completo, timbrado e assinado pela autoridade de Migração – Lei 978/96 ou Passaporte.
Visto com permanência de 90 dias.

Em caso de não ter passaporte e não possuir o cartão de ingresso no país, a multa é de Gs 361.249 (algo em torno de R$ 145,00)ou (U$ 80,00) e se deve exigir o recibo oficial.

Para transitar pelas Rutas (rodovias) do país:
- o condutor deve ter o RG (e cartão de ingresso) ou Passaporte, Carteira de Motorista (melhor se for a Internacional), documentos de identificação dos acompanhantes.
- o veículo deve estar em condições técnicas adequadas e possuir documento.

- Sempre trafegue com o farol baixo aceso. A velocidade média permitida nas rodovias paraguaias é de 80 km/h, portanto, não exceda esse limite, pois você poderá ser flagrado e terá de pagar a multa. Não pague propina! No caso de estar trafegando em zonas urbanas, a velocidade permitida é de 40 km/h.
Caso seja parado numa blitz e tenha algo errado, o policial deverá expedir um documento com a infração descrita, o nome do condutor, identificação do veículo, e você deverá entrar em contato com a Secretaria Nacional de Turismo*, em Assunção, para pagar a multa. (*tel: 021 494 110).
Se nada estiver errado com a documentação e veículo, seja correto e não ceda a corrupção. NÃO PAGUE PROPINA!! Argumente, converse e exija seus direitos.


No momento do pagamento da multa, exija o recibo oficial.
Não pague nada na estrada, ajude-nos a combater as más práticas e a corrupção!



Multa por Infração de Trânsito: O boleto da multa fica em poder no motorista, que pode continuar sua viagem. Ele nada precisa pagar nesse momento.


Esperamos que com essas dicas vocês possam viajar e conhecer com segurança e tranquilidade o nosso vizinho e hermano Paraguay


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

São Borja(RS) - Barra Velha(SC)-Dicas do Paraguai

09 de janeiro de 2011
São Borja (RS) a Barra Velha (SC) - DICAS SOBRE O PARAGUAI

Apesar de São Borja ser uma das cidades que compõe "as sete missões" no Brasil, não há ruínas e nem sítio arquelológico para ser visitado. A cidade é uma das divisas secas (ponte) entre Brasil e Argentina e possui aduana compartilhada. Então, sua visitação é bastante grande principalmente em função de ser o local onde nasceram dois ex-presidentes brasileiros: Getúlio Vargas e João Goulart.
Nosso hotel(Hotel Village) ficava a duas quadras da praça, em que há monumentos em homenagem aos dois (com estátua em bronze do Getúlio) e da casa do João Goulart.
Já havia um pequeno grupo de turistas italianos visitando (com guia) as dependências da casa e acabamos ouvindo parte das explicações, até porque estávamos com pressa de ir pra casa: são quase 1000 km a serem percorridos e a BR470 é danada, com muito movimento, mesmo!!!

Pôr de sol sobre o rio Uruguai (divisa Argentina/RS)

Casa de Jango

Junto com Getúlio Vargas, na praça de São Borja
 Seguimos até Passo Fundo, e de lá, via Barracão até Campos Novos (SC). Daí formos direto pela BR 282, BR 470 e BR101 até em casa. O último trecho, depois de Apiúna, onde jantamos, tinha muito movimento no sentido contrário, tornando a viagem, nesse pedaço final, bastante perigosa: a BR 470 é famosa pelos acidentes: não poderia ser diferente, pois é em pista simples, mal sinalizada (não se veem as faixas e não há olhos de gato), além do grande volume de carros e caminhões que transitam por ela. Esta rodovia une o interior do estado ao litoral...
Ufa, chegamos em casa aí pelas 23 h!!!! Nada como dormir gostoso na cama da gente!!!

Considerações gerais:

O Paraguai é um país bastante plano, possuindo longas planícies ocupadas por plantações de soja e arroz (onde há chacos). Sua paisagem, por esse motivo, é bastante repetitiva e monótona!
Suas estradas são em pista simples, porém em bom estado de conservação, o que é ótimo!
Há pouca informação turística disponível. Não encontramos nenhum Posto de Informação (i) nas cidades por onde andamos. Isso dificulta bastante o turismo, mas a boa vontade das pessoas em ajudar suplanta a falta de material! É um bom motivo pra começar uma conversa.
Existe um material distribuído em alguns pontos (hotéis, restaurantes) próximos da divisa e que foram produzidos em conjunto com o Ministério do Interior, Ministério das Obras Públicas e Comunicações e Secretaria de Turismo, no qual há orientações sobre como ingressar no país, qual a documentação necessária, dica sobre como transitar dentro do Paraguai e para que não paguemos propina!!! Sobre as multas há um setor específico que diz que devemos exigir um boleto comprovando a infração e que não devemos ceder à corrupção! Isso é muito positivo, pois percebe-se que existe o desejo de se acabar com essa instituição nacional tão ruim: a polícia corrupta (que não é só privilégio dos paraguaios!)
Nossa dica especial: Cumpra rigorosamente as leis e recomendações por onde passar. E em contrapartida, exija seus direitos legais, não aceitando nem pagando subornos, propinas e assemelhados. Vamos acabar com a lei de sempre levar vantagem!!

O que não se pode deixar de fazer/ver:
- as ruínas das Missões de Trinidad e Jesús valem, por si só, uma visita ao país, pois são lindas e estão em um estado de conservação excelente. Na de Trinidad, à noite, pode-se assistir a uma apresentação de luzes e história (como em São Miguel das Missões, no Brasil).
- o Salto do Rio Monday é visita obrigatória para quem está em Ciudad del Este, por estar a apenas 10 km de distância e oferecer uma vista linda das 3 quedas e 50 m de altura! Há muito mais em Ciudad del este do que apenas as compras!
- o Lago de Ypacaraí é muito lindo e vale a visita, ainda mais se você estiver em Assunção, pois fica a apenas 50 km de distância. Ele pode ser visitado a partir da cidade de Areguá, que é balneário e possui um Santuária à Virgem da Candelária ou por Ypacaraí (cidade), onde há um desvio ao norte e chega-se ao outro lado do lago.
- quem vai ao Paraguai precisa comer chipa, uma espécie de pão de queijo gigante, em forma de rosca, com alguns temperos. É vendida na rua, por ambulantes, ou em barracas com moças uniformizadas (saia e blusa, protetor de cabelos) com suas cestas de vime e um pano enorme envolvendo o salgado, para mantê-lo quentinho! Nas estradas é comum haver muitas barracas para vendê-las! A Chipa Barrero tem até jingle!
- outra instiuição nacional é o tereré, tomado em cuias diferentes do que o chimarrão, e que mais se parecem com um copo. O conjunto de cuia e garrafa térmica de uns 2 litros pode ser encontrado em qualquer lugar e os mais chiques, com invólucro de couro custam, em média, R$ 50,00 (dá pra chorar um pouco). Tem uma foto na postagem de Assunção em que estou tomando o té e mostrando o artesanato em couro. O conjuto chama-se guampa.
- O artesanato local é baseado em artigos de couro e em rendas, chamadas de ñanduti - uma espécie de teia de aranha, toda rendada, que compões toalhas, centros de mesa, detalhes em blusas,...
- Na culinária, além da chipa, as CARNES são o forte e compõe a culinária básica. Portanto, verduras e frutas são consumidas em segundo plano. A mandioca ocupa um espaço especial entre os tubérculos, sendo muito consumida. Aí se percebe a forte influência indígena no país.
- No Paraguai além das compras, é bem barata a gastronomia, a hospedagem e taxas em geral e o povo paraguaio é bem legal("autoridades" a parte). Achamos a cidade de Salto del Guayrá mais organizada para as compras, pois não tem aquela bagunça de Ciudad del Este, apesar de talvez ser "un poquito" mais cara, vale a pena. No Shopping América onde fizemos algumas compras, as lojas mostram os produtos de forma correta, e emitem nota fiscal, pode-se circular pelos corredores sem atropelos, o estacionamento é amplo e notamos uma maior segurança no local. Nossa recomendação para compras de eletroeletrônicos é a Loja ByBrasil dos nossos amigos Renato e Larissa- Rê e Lari, pois além do ótimo atendimento possuem produtos de marca e qualidade originais.

Pontos negativos:
- Chamou-nos muito a atenção o descaso com a história e as construções antigas na capital do país. Muitas edificações do início do século passado estão em ruínas ou totalmente comprometidas, muitas à venda, o que demonstra que provavelmente serão demolidas!!! Uma pena!!
- A presença de moradores de rua e desocupados nas praças da cidade é um horror! Muitos montaram barracas e moram nas praças. Imaginem onde fazem suas necessidades?! O comércio que fica ao redor desses locais acaba sendo bastante prejudicado, pelo mau cheiro e sujeira. Parece que as autoridades locais não dão muita atenção a esse problema, além da terrível favela que fica exatamente nos fundos do Palácio do Governo! Nos perguntamos: como podem as autoridades permitirem sua instalação em tal local??
Não bastasse a sujeira, a presença de moleques e desocupados tornam a visitação dos locais turísticos muito perigosa.
Quando estávamos passeando em frente ao Congresso, havia um grupo de crianças brincando com armas daquelas que aprecem de verdade e que atiram bolinhas, sabem? Fui (Mari) alvo de um deles, que ficou atirando em mim...O que será desse menino quando tiver 15 anos???? Com certeza, estará assaltando e matando gente!!! Um problema social muito sério e que precisa ser urgentemente sanado, para que Assunção não vire "Rio de Janeiro 2- A Ressurreição"!(Ao perceber que a Mari era o alvo dos moleques, partí para cima deles e como todo bom covarde ele "voôu" com uma velocidade espantosa: ah, se pego um deles, ou mais do que um... rsrsrsrsrsrsrsr... - Marcos)

Mais algumas fotos interessantes:


Detalhe da fonte: escultura em pedra! Trinidad



Púlpito em pedra

Escadaria que leva nada a lugar algum - a vista é boa!
 Até a próxima!!!



Loja By Brasil


A cotação durante a nossa viagem foi de:
R$ 1,00 - Gs 2500
U$ 1,00 - Gs 4550