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| Amanhecer no Rio Tapajós, Jacareacanga |
Após um pernoite tranquilo no Igarapé Água Branca,
percorremos 55 km e chegamos à divisa do Pará! A diferença na geografia foi
enorme. De repente, a planície amazônica deu lugar a subidas e descidas sem fim
e o estado de conservação da pista também mudou bastante.
As obras de recuperação da via que percebemos no Amazonas,
não chegaram por aqui! Muitos buracos e irregularidades fizeram com que levássemos
2,5h para percorrer os 55km até Jacareacanga. Só perto da cidade, na sua entrada,
é que a rodovia ficou transitável e até pavimentada!
Jacareacanga
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| - Jacareacanga: do tupi, “îakaré” (jacaré) e “kanga” (cabeça) |
Jacareacanga está localizada no Alto Tapajós e conta com,
aproximadamente, 26mil habitantes (2025). Emancipada de Itaituba em 1991,
distante 390km, a cidade tem no garimpo (de ouro) a base de sua economia e a
população indígena é a maioria – mais de 13mil indígenas da etnia Munduruku,
espalhados em 156 aldeias. O turismo da pesca esportiva por aqui também é grande,
pois o Rio Tapajós é uma belezura!
CURIOSIDADES
Em 1956 houve em suas terras uma Revolta de Jacareacanga, comandada
por oficiais da aeronáutica do Rio de Janeiro (na época, a capital federal) contra
a posse de Juscelino Kubitschek como presidente do Brasil.
“(...) Apesar da importância da atividade garimpeira para Jacareacanga, o ouro não reflete a estrutura de seu enorme território de 53mil km² (maior que a Holanda). Com a maior parte da população indígena do Pará, o município (...) apresenta um dos piores índices socioeconômicos do país, pontuando 46,83 no IPS 2021 (...). Nesse meio tempo, em 2019. o município arrecadou o seu ápice histórico de CFEM por extração de ouro: R$ 980,8 milhões!” @infoamazonia.org
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| Igarapé morto... |
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| Igarapé vivo! |
Na cidade abastecemos (comida e combustível) e buscamos um
local aprazível para passar a noite. A praia do Rio Tapajós é um desbunde.
Parece o Caribe, com águas azuis e cristalinas (o rio nasce na área de escudos cristalinos pré-cambrianos de rochas ígneas - carrega poucos sedimentos). Buscamos um local sombreado às
suas margens e fizemos um churrasquinho, tomando longos banhos que não refrescam,
pois suas águas são mornas!
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| Secando tudo após a tormenta com ventos fortíssimos da noite anterior |
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| Mola reforçada... mesmo assim, quebrou!! As estradas aqui não são moleza! |
Aproveitamos que a cidade possui infraestrutura e buscamos uma oficina mecânica, pois Marcos observou que uma das molas traseiras estava quebrada! A mola substituída é da Toyota Hilux
Parque Nacional da Amazônia
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| Praia do Uruá - Parque Nacional da Amazônia |
De volta à BR 230, com muitos buracos e solavancos, seguimos
em frente devagar, parando numa área grande de rejeito para dormir. Apenas no
dia seguinte chegamos ao Parque Nacional da Amazônia, onde acampamos na sede do
parque. O Raimundo Rocha é o faz-tudo do ICMBio e nos indicou o local
adequado para pernoite, bem como trouxe água para nosso consumo, visto que estavam
sem energia (e portanto, sem poço; o motor do poço foi levado para
conserto na cidade) e o gerador a diesel só funciona das 11h às 15h e das 19h
às 23h!
Ah! Descobrimos que voltamos ao fuso horário de Brasília!!!
O Parque foi criado em 1974 e tinha, na época, 1.070.337ha. Expandiu-se
e hoje tem 8.600km² de extensão. Ele está localizado às margens do Rio Tapajós
e seu bioma principal é floresta tropical de várzea. Possui muitas trilhas e
atrativos. Nós percorremos a Trilha para a Praia do Uruá e também curtimos a
vista do Mirante, de onde se vê as Corredeiras do Uruá e também se tem uma
ideia da extensão do Rio, que parece um mar. A largura do rio nesta porção é de
3km, aproximadamente.
| Corredeiras do Uruá, Rio Tapajós |
Há outra base/sede do ICMBio a 10km de distância – Acampamento
Tracoá – onde existe uma cachoeira (e a incidência do poraquê*!!!).
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| Cachoeira do Tracoá |
*Poraquê é um peixe elétrico, parecido com uma enguia, cuja
descarga é forte (varia de 800-1500V, a cerca de 1A)!! Não mata um ser humano,
mas é o suficiente para paralisar músculos, causar uma parada respiratória e
provocar o afogamento da vítima!
Itaituba
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| Um remanso do Rio Tapajós em Itaituba |
A cidade de Itaituba é grande (aproximadamente 130mil
habitantes) e possui boa infraestrutura. Lá aproveitamos para soldar o fecho da
tampa traseira do Garça. Como chegamos no fim de semana à cidade, as suas
praias de rio estavam bem agitadas e ruidosas.
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| Soldando o fecho da tampa traseira |
Buscamos um balneário mais tranquilo, sem sucesso. Acabamos optando por um fim de linha, escondido entre remansos do Rio Tapajós, onde apenas alguns moradores e pescadores entravam e saíam com suas pirogas.
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| Após o imbróglio* na entrada da balsa, seguimos para o outro lado do Rio Tapajós |
*Nas inúmeras balsas que pegamos no nosso trajeto até aqui, sempre ocorre a discussão: "é caminhonete, não jipe!" Não há uma tabela única ou entendimento sobre os veículos. Nosso Garça é uma KIA Sportage, classificada como JIPE no documento! O carro é alto, mas é curto. Pois aqui os tripulantes vieram em grupo para nos ameaçar, querendo cobrar a travessia como caminhonete (como se o dono da Rodonave - que é o atual governador - precisasse destes R$ 8,00). Marcos pôs pé firme, mostrou o documento do carro e efetuou a medida, comparando-a com uma caminhonete ao lado... a coisa foi ficando feia! Com a atitude deles, comecei a filmar! Aí, com os ânimos mais baixos, Marcos reimprimiu a passagem e só pagou os R$ 25,00 de carro/jipe. Que fique claro: não é pelo valor, é pela correção!!!
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| Observem a fila de caminhões parados na via, ao longe... |
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| O trânsito é "meio confuso"! |
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| Este trecho da BR163 é uma colcha de retalhos: para cada km asfaltado, têm 5km de terra... questões políticas envolvidas!! |
Aqui fizemos um desvio da Transamazônica e seguimos para
Santarém, Alter do Chão, Pindobal e Fordlândia!!!
Mas esta história ficará para a próxima postagem!!!

























































