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| Cânion dos Viana - PI |
Após um dia inteiro rodando, a partir de Carolina-MA, nossa chegada
ao Piauí, pela BR324, já no fim da tarde, nos deixou sem opções para buscar um
local melhor para passarmos a noite. A ideia de buscar um balneário ao lado do
rio Parnaíba foi logo abortada! [Distância Carolina MA a Uruçuí PI: 413km]
Ocorrências não previstas
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| Transpiauí - BR 135 |
Então fomos a um posto de combustíveis na saída da cidade de
Uruçuí e havia um local bacana e sombreado para paramos o Garça. Mais afastado
do buchicho, debaixo de um cajueiro, preparamos nosso almojanta. O banheiro
feminino, para ser ruim, precisava melhorar!!! Nunca encontrei um banheiro tão
precário e horroroso na vida, mas sem outra opção, tive de encarar o monstro...
o banho foi me equilibrando em cima de tijolos, pois o chão estava nojento. O
vaso sanitário estava entupido havia dias e os “deputados” boiavam alegremente
por lá! O ralo do box tinha queda para fora, portanto, toda a água do banho (e
outras coisas) corria para o estacionamento do posto! Busquei um gerente para
explicar a situação, mas não havia ninguém responsável no local (percebe-se,
né?). Não sei se foi coincidência, ou uma conjunção de fatores, mas nesta noite
tive “piriri” e sem condições de usar o banheiro, improvisei do jeito que
deu... acontece!
Na manhã seguinte, após o café, seguimos em direção a Manoel
Emídio e de lá, pela Transpiauí (BR135) chegamos ao nosso destino: Bom Jesus.
Bom Jesus – terra do Cânion dos Viana
Quando estivemos no Piauí pela primeira vez, há 10 anos, nosso
objetivo era explorar o Parque Nacional Serra da Capivara (que é um dos
lugares mais incríveis que já visitamos no país! vejam link anexo*.)
V i a g e m F a m í l i a: Serra da Capivara - Piauí
Naquela ocasião, ao visitarmos o Parque Nacional Serra das
Confusões, poucos km distante da Serra da Capivara, observamos lá do alto
dos paredões um lindo cânion que cortava o sertão lá embaixo, e que na época
era inacessível!!
V i a g e m F a m í l i a: Serra das Confusões - Piauí
Pois é, o tempo passou e os proprietários das terras que
ficam na parte de baixo da Serra das Confusões perceberam que podiam lucrar com
a beleza que tinham! Assim nasceu o turismo em Bom Jesus/Caracol: visitar o Cânion
dos Viana!
Por intermédio de amigos viajantes, Serjão e Neide, que
estiveram no local há alguns meses, entramos em contato com um guia, mas os
preços de passeios com monitoria estavam fora de nosso orçamento! Desta forma,
resolvemos arriscar sem guia e nos aventurar pelo caminho no meio do cânion,
que sai de Bom Jesus, passa por Guaribas e chega em Caracol. (preço da diária do guia: R$350,00 = US 67)
Passamos a noite num posto de combustíveis bem bacana,
localizado na entrada da cidade de Bom Jesus, estacionando o Garça no local
sugerido pelo vigia (que passava de hora em hora), e aqui foi tudo bem: banheiros
limpos e organizados!
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| Pernoite tranquilo no posto na entrada de Bom Jesus |
UM POUCO DE HISTÓRIA
Bom Jesus teve suas primeiras habitações construídas no séc.
XVIII, mas foi só a partir de 1990, com a chegada dos primeiros gaúchos (vindos
do Sul e países vizinhos com Uruguai e Paraguai), que a cidade foi crescendo para
tornar-se uma grande produtora de soja na atualidade. O Cânion dos Viana e seus
paredões encantadores passaram a ser atração no ciclo de turismo do estado, quando
uma das etapas do Rally dos Sertões passou por aqui, em 2019, tornando o local
visível e atrativo.
Cânion dos Viana - A aventura compensou
Usamos o Google.maps (marcamos como ponto a Galinhada da
Claudiana) e seguimos por estrada asfaltada até a entrada da Universidade. De
lá, por rua não pavimentada, seguimos na direção das placas indicativas.
Aproximadamente a uns 30km da cidade de Bom Jesus começam a aparecer as primeiras
formações rochosas bem bonitas e interessantes.
Detalhe: como se trata de uma estrada de fazendas, se existe uma porteira, deve-se abrir e fechar de modo que o gado não fuja. Em algumas porteiras havia o mata-burro e os portões estavam abertos! (e assim ficaram depois de nossa passagem)
Lá pelas tantas, faltando uns 20km para a Galinhada da
Claudiana, vimos uma Toyota Bandeirante das antigas encalhada na trilha.
Pegamos o caminho paralelo e após um bate papo, auxiliamos o Marcos (lindo
nome! rsrsr) na retirada da sua máquina,
que estava atolada na areia até os chassis. Ele estava lidando com o guincho na
hora que chegamos e em poucos min sua casinha estava fora!
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| Toyota Bandeirante atolada! |
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| Marcos & Marcos |
Seguimos juntos até a entrada de outra fazenda, onde
conversamos com a Lúcia e o Manoel, caseiros recém-contratados da fazenda, e
que nos orientaram a visitar a Caverna/ Gruta do Geraldinho, a uns 5 km de
distância. É cobrada uma taxa de visitação de R$ 20,00 por pessoa – U$4).
GRUTA DO GERALDINHO
A gruta de
aproximadamente 500m de comprimento é uma rachadura no arenito, provocada pela
água há milhares de anos. Ela é nomeada em homenagem a um antigo morador local.
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| Gruta do Geraldinho |
Na área externa à gruta há redes e bancos para descansar e
curtir o visual. Caso optássemos por acampar aqui, a taxa cobrada seria maior
(em torno de R$60,00 por pessoa = U$12).
Como ainda era cedo, decidimos junto com nosso companheiro de
jornada, irmos até a Galinhada da Claudiana, distante uns 19km, pois lá tem
apoio com banheiros e área de estacionamento para pernoite.
GALINHADA DA CLAUDIANA
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| Claudiana e o esposo, Carlito, Marcos & Marcos e Mari |
O restaurante da Claudiana e seu marido, Carlito, é uma ótima
referência. Além da comida deliciosa (feita sob encomenda!), o casal é super
simpático e receptivo! Como não havíamos encomendado o almoço, demorou
aproximadamente 1 hora para nos deliciarmos com a comidinha fresca, feita na
hora, que ela gentilmente preparou.
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| Mesa farta e deliciosa! |
Na manhã seguinte, Marcos decidiu voltar o trecho de 25km
para socorrer o pessoal que ficou atolado no mesmo lugar que ele, no dia anterior,
mesmo sem saber se ainda estavam lá!
Nós seguimos em frente, passando pelo povoado isolado da Vila
de Viana. Ali havia uma bifurcação! Pegamos informações com uns moradores e
seguimos por uma trilha onde mal cabia o Garça... os galhos raspando as
laterais do carro e o 4x4 ligado, na reduzida! Areia fofa e subidas e descidas,
voçorocas, numa serra que prometia muita adrenalina!
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| Dando um refresco pro Garça |
Numa subida forte, paramos para analisar o trajeto antes de
subirmos. Foi nossa sorte! Uma caminhonete Toyota Hilux carregada de turistas
vinha no sentido oposto (de Caracol) e não há espaço para 2 carros na via!
Trocamos “oi” e cada um foi num sentido! Este trecho
percorrido depois da Claudiana tem aproximadamente 25km e é punk! Não passa
veículo sem 4x4 e se chover, não passa ninguém!
De repente a trilhazinha acabou num asfalto de 4 pistas...
mais parecida com uma pista de pouso de aeroporto! Pois chegamos a BR235 que
aqui é asfalto lindo e amplo! (ela fica interrompida num trecho)
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| Estrada "engolida" pela voçoroca/erosão |
| Olha o asfalto lá na frente! |
Alguns km a frente a pista desapareceu, sendo engolida pela
erosão. Pegamos um desvio lateral e 2km adiante, voltamos pro asfalto, desta
vez até São Raimundo Nonato, passando por Guaribas e Caracol.
São Raimundo Nonato e Sítio do Mocó
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| O mocó é o animal símbolo da região |
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| O bucólico lugarejo de Sítio do Mocó |
A cidade de São Raimundo Nonato é a base para quem quer
conhecer a Serra da Capivara. É aqui que fica o espetacular Museu do Homem
Americano, que conta a trajetória de nossos antepassados (de mais de 40mil
anos) e estão expostas algumas peças coletadas durante as escavações de Niède Guidon,
arqueóloga, pesquisadora e professora universitária falecida recentemente (em 4
de junho de 2025)!
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| Praça central do Sítio do Mocó (pertencente ao município de Coronel José Dias - Capela do Divino Salvador |
UM POUCO DE HISTÓRIA
O Parque Nacional Serra da Capivara foi criado em 1979
e conta com aproximadamente 130mil hectares. Localizado no sudeste do Piauí,
entrou na lista de Patrimônio Mundial em 1991, por seu valor histórico e
cultural. Possuindo mais de 1000 sítios arqueológicos onde se veem milhares de
pinturas rupestres com datações entre 10 e 15mil anos, além de vestígios de ocupação
humana de mais de 40mil anos, as pesquisas/escavações realizadas por Niède
Guidon ao longo de sua vida colocaram em xeque a unicidade da teoria do
Estreito de Bering.
Como já havíamos percorrido muitos sítios arqueológicos da
outra vez que estivemos aqui (2015), e desta vez estamos apenas de passagem,
resolvemos conhecer o novíssimo Museu da Natureza, inaugurado em 2023. Ingresso:
R$ 40,00 (inteira) = U$ 7,50
A exposição é bacana, mas bastante digital e tecnológica. O
que mais gostamos foi do documentário com relatos de Niède e sua equipe, sobre
a criação do Parque, dos desafios enfrentados ao longo dos anos e a cada dia a
nossa admiração por esta mulher só aumenta!
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| Instalações espalhadas pelo espaço do Museu |
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| Megatério: preguiça gigante que viveu no início do Plioceno, há 5 milhões de anos até o Pleistoceno Superior (12mil anos) |
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| Vista panorâmica do Museu da Natureza |
Hospedamo-nos (acampamos) na mesma Pousada e Camping Pedra
Furada onde estivemos da última vez, agora sob a direção de Muriele, muito
atenciosa e simpática, com quem batemos um delicioso papo. Camping: R$ 50,00 por
pessoa = U$ 9,50
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| Um brinde à vida! Muriele está gerenciando a Pousada e Camping Pedra Furada |
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| Reencontrar o Jair foi muito bacana |
Foi super legal revermos nosso guia, Jair, e relembrar a
canseira que demos nele quando estivemos aqui há 10 anos! Ele continua
trabalhando como guia e vamos deixar o contato dele, pois é extremamente competente!
Jair Miranda – +55 (89)98140-8157 ou (89) 9993-8682: R$300,00
a diária (=U$ 56,80), para até 8 pessoas
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| Eu e o outro Marcos! |
O dia foi de deslocamento. Deixamos São Raimundo Nonato para
trás e seguindo pela BR020, passamos por diversas cidades, chegando a Picos –
já na BR230 - no fim do dia. Como não encontramos local para pernoite, fomos em
frente até Campo Grande do Piauí, onde achamos um cantinho bacana e protegido
para parar, anexo a um posto de combustíveis.
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| Pernoite em Campo Grande do Piauí |
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| Paisagens da região |
Uma observação importante: esta região do Piauí é muito seca! Não há água e a
água do subsolo não é potável, muitas vezes sendo salobra e imprópria para o
consumo humano. O fornecimento de água pelo serviço público não é regular (só é
liberado para as casas a cada 3 ou 4 dias). A falta de políticas públicas que
atendam à população faz com que todos dependam do abastecimento através de
carros-pipa (os donos são políticos da região), cuja água também é ruim, pois
vem de açudes distantes e cujo volume de água depende do regime de chuvas, que
neste ano foi fraco! Este é o Brasil que não dá certo!
Chegamos ao Ceará
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| BR 230 - Transamazônica: divisa dos estados PI/CE |
No dia seguinte, após passarmos o município de Fronteiras, chegamos
ao Ceará! Como nossa prima Suzana não está por aqui (sua família mora em Iguatu
e queríamos visitá-los!), continuamos em frente, passando por Potengi, Nova
Olinda, Crato, e retomando a BR 230 em Farias Brito, quando descobrirmos que
outra mola traseira quebrou, após um estrondo ao passarmos por uma “ondulação
transversal” (vulgo lombada)!
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| O vaqueiro nordestino é uma figura emblemática no sertão. Surgido no séc. XVII, é conhecido pelo seu vestuário: gibão, perneira e chapéu de couro |
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| Moradias do sertanejo, às margens da rodovia |
Alguns km a frente a BR 230 se funde a BR116 por alguns km
antes de chegar ao começo da nossa aventura ou melhor, ao fim desta etapa da
nossa aventura: a Paraíba, onde a BR 230 começa!!!
Mas esta já é outra postagem...
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| Chegamos ao fim ou seria começo?? |






























































