Viagem Família______________________________________

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sábado, 23 de agosto de 2025

Expedição Transamazônica 7 - Agora sim: BR 230, lá vamos nós!!! Percorrendo o trecho Amazonas

 

Cachoeira de Apuí

Depois de 2 meses e 5830km, finalmente chegamos ao nosso projeto: Transamazônica – BR 230!!! Este nosso “preâmbulo” foi muito bacana e descobrimos lugares diferentes em nosso país e que valem a visita! Mas agora, sim!! Agora os próximos km (muitos) serão percorridos na estrada famosa, mítica, controversa e aventura pura no coração da Floresta Amazônica!

Humaitá: “mbaitá”, do tupi = pequeno papagaio, mas aqui o nome faz referência a uma das batalhas que o Brasil travou durante a Guerra do Paraguai, no Forte Humaitá

Nosso ponto de saída foi Humaitá, mas a estrada original vai até Lábrea, distante 220km daqui. Não vimos sentindo neste momento em percorrer 500km (ida e volta) apenas para dizer que “estivemos no fim da Transamazônica”! [Este destino ficará para a próxima incursão a Manaus (a Transamazônica se funde por uns 55 km com a BR319 entre Humaitá e a bifurcação para Lábrea)]

UM POUCO DE HISTÓRIA



A história da abertura da Transamazônica é controversa, pois para a maioria da população ela foi aberta pelos militares, durante seu governo, a partir dos anos 1970. Em parte, isto é verdade! Muitos trechos da rodovia já existiam e eram usados para o escoamento da borracha e outros produtos (madeira, por ex.) desde a colonização da região Norte. Nesta época (estamos falando do séc. XVII), as incursões se davam pelo Rio Amazonas e subindo os seus afluentes (Tapajós, Purus, Madeira, Xingu...) e dali, por caminhos indígenas pela mata, que se tornaram as estradas que ligam as vilazinhas e cidades.


A proposta do governo militar era fazer a integração do norte/nordeste do país através da estrada que ligaria todas as pequenas estradinhas já existentes, passando por 7 estados e ligando 63 cidades. O projeto traria desenvolvimento e acesso aos recursos lá existentes, além de garantir a ocupação ordenada dos espaços.


Foi Emílio Médici, general, que idealizou e assinou o decreto de construção da Transamazônica, criando o PIN – Programa de Integração Nacional, e o primeiro trecho foi inaugurado em 1970, ligando Altamira, no Pará, ao Estreito, no Maranhão.


- Os trabalhadores que realizaram esta obra eram, na maioria. Nordestinos. “(...) a construção da rodovia eram a redenção econômica com o Nordeste, em união com os problemas sociais causados pelas secas sazonais no sertão nordestino, e um ‘pontapé’ para a integração da Amazônia que, naquele ano, era considerada um “deserto demográfico”.” (portalamazonia.com)

- O projeto inicial era unir os Oceanos Atlântico e Pacífico, com uma estrada com mais de 8000km, atravessando toda a América do Sul de leste a oeste. Ela deveria unir Cabedelo – PB a Tabatinga – AM. (Tabatinga até hoje só é alcançada via Rio Amazonas, de barco (navio-motor) e leva, aproximadamente, uma semana para chegar lá, saindo de Manaus)

Humaitá

Catedral Diocesana de N. Sra. da Conceição (1889) e Praça da Matriz

Como em Humaitá há civilização (rsrsrsr), aproveitamos para abastecer, fazer umas compras e passeamos pela cidade, revendo lugares já visitados há dois anos (quando estávamos indo para Manaus pela BR 319). Para mais informações, segue o link:

V i a g e m F a m í l i a: A Amazônia é incrível, gigante e surpreendente!! (RO e AM)

O leito do Rio Mamoré continua barrento e nas suas margens, as inúmeras balsas/flutuantes com garimpo atuando...

Flutuantes de garimpo nas margens do Rio Madeira

Faço aqui um parêntese. Nos quase 750km de MT 208, no trecho não-pavimentado da estrada que compreende os municípios de Colniza, Cotriguaçu, etc a presença da Guarda Nacional foi constante e as operações realizadas junto da Polícia Federal estavam deixando toda a população em polvorosa... na época da seca estas fiscalizações ocorrem tanto para conter o garimpo ilegal, quanto o desmatamento da área. É aquele tipo de operação “tapa buraco” que só ocorre para justificar os números e apaziguar os “ambientalistas de plantão”, uma vez que a cada balsa queimada ou área interditada, se sucedem outras 10 que ficarão a cargo de algum figurão ou narcotraficante (PCC e /ou CV) que irá legalizar a área. Enfim... as políticas públicas não alcançam este Brasil tão grande e desconhecido! Fecho o parêntese.

Humaitá, também carinhosamente apelidada de “Princesinha do Madeira”, está com mais de 57 mil habitantes (IBGE2022). Sua posição estratégica, na confluência da BR230 e BR319, a torna importante dentro do cenário econômico.


Casario antigo preservado

Fundada em 1869, durante o Ciclo da Borracha, já teve presença do homem branco nos idos de 1693, quando uma missão jesuítica se fez presente nestas paragens. Assim como outras cidades de nosso país, sua fundação está relacionada à exploração e busca de riqueza.

Habitada anteriormente pelos indígenas das etnias Parintitins, Pirahãs e Muras, hoje têm a maior parte da população parda (62%), demonstrando a miscigenação do branco e do preto com o índio.

A Hidrovia do Madeira é atualmente a mais importante do país e movimenta toneladas de grãos que são transportadas em barcaças descendo o rio, que é afluente do Amazonas. Vimos uma subindo o rio quando estávamos na balsa que atravessa o rio Madeira.

 

Após um pernoite em posto de combustível (sempre eles, com duchas maravilhosas e banheiro limpinho!) com algum barulho, pois a “cultura” das caixas de som e música alta é implacável, seguimos até a margem do Rio Madeira, a espera da balsa que opera a travessia.




Curiosidade: a balsa opera no sentido Humaitá – Apuí nas horas pares e no sentido inverso, nas horas ímpares.


Enquanto esperávamos nosso transporte, ouvimos histórias de locais e observamos o trator rebocando uma carreta bitrem para fora da balsa.




Este primeiro trecho da rodovia está em bom estado e passamos por dezenas de igarapés e rios. Paramos no Rio Maici (km52) para um banho e relaxar... o calor está grande (35°C) e a água estava convidativa!! Só não acampamos por aqui, pois ainda era cedo!

Rio Maici

- Rio Maici é afluente do Rio dos Marmelos e nos seus mais de 500km de extensão, atravessa a Floresta Nacional de Humaitá, e é a principal fonte de alimento dos indígenas da etnia Pirahã, de aproximadamente 900 pessoas, que continuam seminômades, vivendo da extração e coleta da castanha, da copaíba e mel, com idioma único e sem vocabulário para passado ou futuro, nem nomes de cores, ou contagens.



Como a rodovia não é pavimentada, as placas de sinalização são ocasionais e as localidades são medidas por km. Por ex.: a localidade de Santo Antônio do Matupi também é chamada de km180!


- Sto. Antônio de Matupi é distrito de Manicoré e conta com aproximadamente 10mil habitantes. Área de tensão fundiária e invasões. Curiosidade: a localidade é produtora de laticínios, incluindo marca de manteiga!

Aldeia indígena da atualidade

As áreas indígenas (aldeias) que ficam às margens da rodovia receberam estrutura básica, com instalação de placas solares, Starlink, poços artesianos e banheiros coletivos novos, além de escola e posto de saúde, o que trouxe mais comodidade, conforto e infraestrutura para os povos tradicionais. Detalhe: muitos igarapés estão contaminados em função do garimpo. Como estes povos ancestrais (e também os homens brancos) dependiam de suas águas para tudo, houve a necessidade de se criar esta estrutura básica para que eles se mantivessem em seus locais de origem.

Rio Aripuanã

Voltamos a encontrar o Rio Roosevelt, agora já junto com o Rio Aripuanã (sua confluência se deu 500m acima da balsa) e após a travessia, paramos para acampar num local sombreado e com apoio. A lanchonete da Priscila oferece ducha e banheiro para os viajantes. O lugar é simples, mas limpo. Dormimos em companhia de galinhas e galos, que cantavam de hora em hora!


- Rio Aripuanã, conhecido como “Rio das Pedras” possui mais de 1000 km de extensão. Já cruzamos seu leito acima (ao sul), na MT208

Curiosidade: como em muitos negócios por aqui, a lanchonete é comandada por mulheres! A mãe, a vó, a filha, a prima... todas organizadas e focadas em seu negócio. Se existem homens na família, devem estar no garimpo ou no Sul! A estrutura familiar básica é a matriarcal! 


Apuí

 

A 110km, Apuí é uma cidade com estrutura, asfalto, mas custo de vida alto, pois tudo que chega aqui é caro! (na época da seca, os alimentos e combustível chegam pela estrada e na época de chuva, o que chega vem pelos rios ou ?.. não chega)

Aqui conhecemos a Cachoeira de Apuí. No Balneário, distante uns 5 km da cidade, tomamos um gostoso banho e curtimos um pouco o silêncio. Uma vez que era segunda-feira, não tinha ninguém, apenas os funcionários fazendo a limpeza (o lixo deixado pelos usuários do domingo foi grande!). A entrada é gratuita, porém não se permite a entrada de bebidas ou comidas no local. Existe um restaurante no local para atender os visitantes.


Apuí possui aproximadamente 23 mil habitantes e foi fundada a partir do Projeto de Assentamento Rio Juma, em 1982. A base econômica da região é baseada na agropecuária, destacando-se a cultura do café (robusta). Apuí, no tupi, significa “braço forte” e provém de uma árvore amazônica muito abundante (apuizeiro).

Desenhos interessantes nas pedras

O município possui área maior que alguns países europeus e maior que alguns estados da federação, fazendo divisa com o MT e o PA. Curiosidade: aqui também o índice de mães adolescentes beira a 30% da população de nascidos – realidade verificada em todos os municípios desta região.

Igreja Matriz São Sebastião, Apuí

Marca de guaraná Tuchaua ("cacique") dos bois Garantido e Caprichoso

Aproveitamos para nos abastecer de carne e pão e seguimos em frente, desta vez em estrada não pavimentada em ótimo estado de conservação (velocidade de até 80km/h!) – resultado das obras de infraestrutura que ocorrem todos os anos nesta época de seca!! [A indústria da seca funcionando...]

Colhendo cajus... delícia!!

Igarapé com seus buritis

Mais uma balsa, agora sobre o Rio Sucunduri, e uma parada estratégica para apertar uns parafusos do peito de aço que afrouxaram...  100km adiante e chegamos ao Igarapé Água Branca, simplesmente lindo!!!

Rio Sucunduri

Igarapé Água Branca, na Transamazônica... um deleite!! 

Com local sombreado e plano, aproveitamos para fazer nosso almojanta, tomar banho e relaxar! Amanhã, daqui a 55km, chegamos ao estado do Pará!

Área sombreada e águas cristalinas




Mas esta aventura vai ficar pra próxima postagem!!!



Expedição Transamazônica 6 - Rondônia de passagem

 

Monolitos interessantíssimos na estrada para Machadinho d'Oeste

Passagem rápida por RO


O estado de Rondônia será novamente apenas uma passagem. Já percorremos a BR 364 algumas vezes quando nos deslocamos para o Peru, via Acre. Na nossa última vez por aqui fomos conhecer o Forte Príncipe da Beira, em Costa Marques, divisa com a Bolívia. Este relato vocês encontram em nosso blog na postagem:

V i a g e m F a m í l i a: Dia da Partida - Atravessando o Brasil - Rumo ao Peru

Enfim, desta vez cruzamos o Rio Ji-paraná em balsa (= R$30,00 ou U$ 5,70) chegando a Machadinho d’Oeste, onde aproveitamos para lavar o Garça, retirando alguns kg de terra e pó! Com o carro “mais limpinho”, optamos por percorrer um trecho de 50/60km a mais para alcançar a BR 364, via Ariquemes, uma vez que a estrada mais curta seria de chão!




Rio Ji-paraná

Lavando uns kg de terra e pó do Garça

A cidade de Machadinho d’Oeste, assim como Ariquemes, possui muitas atrações (cachoeiras: Cascata do Tigre, Invernada dos Macacos, São José, 2 de Novembro), e até termas!?! Mas nosso objetivo era chegar à BR 230 – Transamazônica, então seguimos em frente!

Parada no posto de combustíveis na BR 364, em Ariquemes - em companhia da Redonda (está prenha e nas últimas!)

Escolhemos um cantinho no posto, perto da grama e longe da muvuca


Após um pernoite em posto de combustíveis, chegamos a Porto Velho perto do almoço, uma vez que a estrada estava em mau estado de conservação, com muito movimento e algumas barreiras, por conta das obras de recuperação que estão sendo realizadas.

Troca de óleo, filtros e ajuste no rolamento da tração dianteiro

A manutenção preventiva faz toda a diferença: arrumar uma quebra sai sempre mais caro!

Fabiano fez um trabalho top! 

O primeiro compromisso foi encontrar um local para troca de óleo, pois já rodamos mais de 6mil km desde nossa saída e necessitamos trocar os filtros, também, além de ajustes no rolamento de tração dianteiro (por que será?)

Porto Velho já é nossa velha conhecida e já visitamos suas principais atrações turísticas nas outras vezes que passamos por aqui. O único local que finalmente foi transformado em Museu e foi inaugurado recentemente é o Museu da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. A entrada é gratuita e funciona de segunda a sexta-feira das 8h30min às 13h30min! Adivinhem... já passava das 14h50min quando saímos da oficina! Então, esta visita ficará para a próxima! Mas temos informações interessantes sobre a cidade no nosso blog. Clique nos links abaixo:

V i a g e m F a m í l i a: Peru - Cordilheira Blanca - De Santa Catarina até o Acre - Etapa 1

V i a g e m F a m í l i a: A Amazônia é incrível, gigante e surpreendente!! (RO e AM)

Já estava chegando a hora de buscarmos um local para pernoite, então verifiquei que existe um Balneário do Toninho, distante 10km da cidade, no caminho que estamos percorrendo – direção Humaitá, BR 319. Atravessamos a ponte Rondon-Roosevelt sobre o Rio Madeira e uns 5km a frente pegamos um caminho meio estranho, não pavimentado, cheio de quebradinhas, chegando ao tal balneário! Os últimos visitantes estavam deixando o local e não havia ninguém por lá! Tudo estava fechado e as galinhas (alguns galos, marrecos e angolas), 3 cachorros e 2 gatos faziam “a guarda”! (Se tivesse um burrico iria ser a história dos Músicos de Bremen, dos Irmãos Grimm! rsrsr)

Acampamento no Balneário do Toninho, em companhia da bicharada!

Estacionamos o Garça e exploramos o local, aproveitando para tomar um banho de rio e de chuveiro. Como ninguém apareceu, mudamos o carro de local e fizemos nosso almojanta em companhia da bicharada!

Surucuá-grande-de-barriga-amarela

Estávamos dormindo tranquilamente quando à meia-noite, aproximadamente, alguém chegou de moto (era conhecido, pois os cães não latiram), ligou a luz do pátio e entrou na casa! O silêncio que se seguiu indicou que o cidadão não nos viu e foi dormir! Então fizemos o mesmo...

No dia seguinte fomos acordados pelo canto dos passarinhos e uma galinha que resolveu se empoleirar no aerofólio do Garça!! O vigia veio bater papo e explicamos o que havia acontecido. Ele nos falou que estava tudo bem e que os proprietários estariam chegando em pouco tempo! Entendemos o recado e levantamos acampamento, deixando o local e encontrando os donos na estradinha!!

Este trecho da BR319 está um tapete!! Há dois pontos de apoio neste trecho que liga a Humaitá (restaurantes) e após passarmos a divisa com o Amazonas, finalmente chegamos ao começo de nossa aventura!!! 

 

BR 319

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Expedição Transamazônica 5 - Explorando o Norte do Mato Grosso (PARTE 2)

 

Rio Teles Pires - Alta Floresta

Sorriso e o acampamento “raiz”

Anta em meio à plantação de algodão!!

Deixamos a Chapada para trás e pela MT249 chegamos a Nova Mutum. De lá, já na BR 163,  a moderna e pujante Lucas do Rio Verde e, finalmente, Sorriso. Nossa parada em Sorriso já estava marcada há anos, pois quando estivemos em Nobres em dez2018 conhecemos o Marquinhos Campos e família na festa de Ano Novo e ficou combinado que quando voltássemos do Alaska, iríamos visitá-los em Sorriso! Pois é... levou um tempo, mas finalmente chegamos!

Família reunida no acampamento

A família nos levou até um local onde eles costumam passar o fim de semana, bem rústico, no meio do nada! Foi muito divertido!! Toda a galera animada comendo e se divertindo numa clareira da mata, ao lado de um riozinho muito lindo, com margens de argila (caulim) escorregadia!


Os meninos "fazendo arte"!

Sueli comandando a galinhada!

Foi comida de todo o tipo: sushi, carne frita no disco do arado, galinhada (detalhe: as galinhas chegaram vivas ao local!), pacu assado, picanha, bananinha,.... um desbunde!

Marcos índio cara-pálida!!!

O lugar é um pequeno paraíso!

Enquanto a família se ajeitou em barracas de chão e redes, nós dormimos no nosso Garça, numa área plana de estacionamento a poucos metros deles!

PERRENGUE: desta vez não foi conosco! O Márcio, filho mais velho do casal Marcos e Sueli, fechou a chave do carro dentro do porta malas... como não tem sinal de internet, saíram com outro carro até um ponto onde o “celular pega” (uns 10km distante) e o chaveiro sem noção queria cobrar R$ 720,00 para vir abrir o carro! Os homens se reuniram e resolveram o problema: meu Marcos relembrou seu tempo de arrombador (brincadeirinha!) e com o auxílio dos outros, trabalho em equipe, levaram 40min pra abrir o próprio carro! Ebaaaa... felicidade é quase nada!

Preparando as traquitanas para arrombar o carro! Um olhava por aqui, o outro por ali; um segurava a porta e outro ajeitava o arame com laçada... foi divertido!!

Despedimo-nos da família querida no dia seguinte, já na cidade de Sorriso, onde acampamos no terreno de um vizinho!

Alta Floresta

Passeio pelo Rio Teles Pires, com Lenir, Leonir e o barqueiro Dilo

Conhecemos a dupla Le & Leo em Presidente Figueiredo (AM) há 2 anos e soubemos que estavam morando em Alta Floresta. Então, como era nosso caminho (será?) fomos revê-los e, de quebra, conhecer outro lugar interessante neste nosso Brasilzão!

A Bela e o Leo, no quintal da filha da Le

O Garça "encaixado" entre duas árvores, na rua

Lenir e Leonir são um casal maravilhoso de viajantes que montaram uma camper numa caminhonete Frontier (Bela) e estão passando uma temporada em Alta Floresta - onde mora a filha da Lenir, Elaine - para tratamento de saúde!

Praça da Cultura, em Alta Floresta.
O Avião Douglas DC-3 é Patrimônio Histórico e Cultural da cidade. Fabricado nos EUA em 1942, atuou na Segunda Guerra Mundial e foi essencial para o transporte de cargas, gado e garimpeiros, tendo sido usado também pela Cruz Vermelha na década de 1980

Centro comercial/galeria na cidade 


Alta Floresta hoje conta com, aproximadamente, 62 mil habitantes e sua economia está baseada na pecuária de corte (mais de 700mil cabeças) e na agricultura

Depois de 2 dias na cidade, muita conversa e comidinhas, resolvemos passar uns dias com nossos amigos no Balneário do Bisteca, às margens do Rio Teles Pires. O Bisteca (João, mas ninguém sabe seu nome) é primo do Leonir e possui um restaurante flutuante no rio, com uma área bacana para acampar nas margens, debaixo de muita sombra. Aliás, sombra aqui é imprescindível! O calor é infernal! 


Passamos alguns dias muito deliciosos curtindo o lugar, ouvindo as onças rugirem à noite, do outro lado do rio, e ouvindo muitas histórias dos locais, sobre garimpo, indígenas, pescarias!

Praia do Rio Teles Pires, no local do Balneário do Bisteca

Trilha em meio à Floresta Amazônica

Sumaúma centenária

O Dilo, outro primo do Leonir, nos levou para um passeio de barco rio acima, até as corredeiras. Muito bacana! Neste trajeto vimos muitas barcaças de garimpo e também uns flutuantes chiques para aluguel!



A dupla Le & Leo adora pescar!


A Roxinha é a mascote daqui!

Flutuantes de luxo para aluguel de fim de semana

DETALHE: Nos finais de semana o lugar fica impraticável! Muito som alto, muita sujeira e bebedeira. Infelizmente, para nós que gostamos de tranquilidade e silêncio, as pessoas perderam um pouco a noção e a competição de som ruim e alto faz parte da diversão deles!

Agradecimentos ao casal Bisteca (João) e Coroa (Joceli) pela acolhida e amizade!

Seguindo para Rondônia pela MT208/BR174 – Que aventura!

 

Castanheiras isoladas pelo caminho... elas são lindas e majestosas, porém estão ameaçadas de extinção, mesmo sendo proibidas de corte! 

Despedimo-nos de nossos amigos e pegamos uma estrada paralela à divisa com o Pará! A MT 208 está asfaltada até o rio Juruena, um pouco depois de Nova Monte Verde (aproximadamente 120km).



A balsa que faz a travessia do rio leva, em média, meia hora e é cara: pagamos R$ 135,00 (=U$ 26)! O rio Juruena é lindo (e segundo alguns moradores, bastante bom para garimpo!) e é um dos afluentes do Rio Tapajós. Ele nasce na Chapada dos Parecis e corre para o norte, recebendo o Rio Arinos antes de se juntar ao Teles Pires e formar o Tapajós, estendendo-se por 1240 km!

Rio Juruena

Garça espremido entre carretas e julietas

Já do outro lado, por um trecho de chão, seguimos até Cotriguaçu (onde dormimos num posto de combustíveis) e Colniza: 130km de muito pó, calor, buracos, pontes, subidas e descidas!

CONSIDERAÇÕES 

- Estas cidades do MT são todas muito novas! Cotriguaçu foi fundada em 1991 e Alta Floresta foi fundada em 1976; Colniza foi fundada em 1998, apesar de sua colonização ter iniciado em 1980. Sua estrutura é bastante precária e muitas mais parecem ter saído de um filme de faroeste!! Muito pó, estradas de chão, caminhonetes e burricos disputando as ruas, garimpo, extrativismo (madeireiras por todo o lado) geram a economia local! Por serem atividades, na maioria, ilegais, o índice de criminalidade é bastante alto, principalmente entre disputas de território para garimpo e extração vegetal. Andar armado é normal, até porque a quantidade de animais selvagens é grande e tirando as áreas “urbanas”, o resto é floresta ou o que sobrou dela.  

Há trechos onde a estrada é boa e permite uma velocidade de 60km/h ou mais!

Bioma amazônico

- Lendo sobre a história destes locais e estando lá, ao vivo e em cores, consegue-se ter uma ideia de “um outro Brasil”, diferente e à parte daquele de onde viemos. A falta de infraestrutura é crônica e as pessoas estão desesperançosas, muitas indo embora por falta de perspectivas.

Áreas de desmatamento permitidas por lei estão espalhadas à margem da rodovia... os proprietários sempre são políticos influentes da região (e só eles!) ou os "amigos do rei"! Para cada área legal há inúmeras que são ilegais...

Assim são as rodovias por aqui! Esta área está com pecuária e agricultura; observem as queimadas no morro à frente! Uma tristeza!

A poaca é implacável! Entra pelas frestinhas e suja/tinge tudo!!!

- Nestes trechos prévios da Transamazônica tivemos um gostinho do que nos espera... o Garça está imundo, com pó por todos os lados e tudo que não está acondicionado em caixas estanques está sujo!!! Todos os dias, antes de iniciarmos nossos preparativos para a refeição, temos de limpar, passar pano e escova para retirar a sujeira maior acumulada pelos km de poaca!

SEGUINDO EM FRENTE



Com muito calor, percorremos o trecho entre Cotriguaçu e Colniza – 130km aproximadamente – em 3h40min!!! O resultado das “estradas” destes últimos 2 dias foram: o farol de milha solto e uma porca e bucha do amortecedor perdidas! O caminho promete! Rsrsrs

Serviço "de primeira"!! rsrsrsrsr

Como o acesso a estas cidades é complicado e demorado, o preço de tudo acompanha os fretes, que são caros! Por aqui o combustível está uns 20% mais caro que até então.



Nosso pernoite foi ao lado do Rio Aripuanã, 20km distante de Colniza, no Bar do Beno Kopp, com quem trocas ideias e ouvimos muitas histórias, afinal, ele é um dos primeiros moradores da região, que veio pra cá do Sul com a promessa de uma vida farta! Ele possui 2 casas e o boteco tem bom movimento, mas a falta de estrutura é um incômodo!

Rio Aripuanã



No Bar do Beno Kopp, alimentando os inúmeros gatinhos que foram abandonados e são tratados por ele 

Os próximos 100km foram feitos em 4 h, chegando a Guariba. Uma parada para esticar as pernas e seguimos mais uma hora até o Rio Roosevelt, onde a balsa faz travessia em 5/8min. Foi emocionante encontrar o rio da aventura vivida pelos desbravadores Rondon e Roosevelt! Até pensamos em tomar um gostoso banho em suas águas, mas o aviso de que havia piranhas no local nos desestimulou!

São centenas de carretas e julietas carregadas com madeira; para cada "pau" legalizado, uns 20 ilegais!

Uns vêm, outros vão! Não se decidem... 

Montanhas de "rejeito" de madeira - é considerado lixo!!! - são as costaneiras que são descartadas... dá pra construir centenas de casas e móveis com isto! Como tudo em nosso país, o desperdício é enorme. Não sabemos qual a destinação desse material!

RIO ROOSEVELT - tem 760km de extensão e é afluente do Rio Aripuanã, na Bacia Amazônica, abrangendo Rondônia, Mato Grosso e Amazonas. Anteriormente conhecido como "Rio da Dúvida", foi explorado em 1913-1914 pelo presidente estadunidense Theodore Roosevelt e pelo Mal. Rondon. Hoje é famoso pela pesca esportiva, observação da natureza e preservação ambiental.

Às margens do Rio Roosevelt

Aguardando a balsa

As balsas que operam nesta região são de propriedade de Helder Barbalho, filho de Jader Barbalho, e atual governador do Pará (como está em segundo mandato, já está apoiando sua esposa para o cargo nas próximas eleições!)

5 min de travessia - R$60,00 (= U$11,46): é mole????

Nosso pernoite foi numa área escondida ao lado da “rodovia”, numa espécie de depósito de pedras e material de pavimentação da pista. Aqui foi a primeira vez que tomamos banho com nossa ducha (até aqui ou tomamos banho de rio, ou num chuveiro de posto de combustíveis ou na casa dos amigos!).



Muitas pontes são feitas de troncos cortados pela metade!

Área de depósito e manobras


Neste dia chegamos à cidade de Três Fronteiras (MT – RO – AM) e após abastecermos nosso tanque d’água, atravessamos para Rondônia!!!

Chegando à divisa dos estados!


Mas este já é outro capítulo da aventura...