Viagem Família______________________________________

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segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Expedição Transamazônica 5 - Explorando o Norte do Mato Grosso (PARTE 2)

 

Rio Teles Pires - Alta Floresta

Sorriso e o acampamento “raiz”

Anta em meio à plantação de algodão!!

Deixamos a Chapada para trás e pela MT249 chegamos a Nova Mutum. De lá, já na BR 163,  a moderna e pujante Lucas do Rio Verde e, finalmente, Sorriso. Nossa parada em Sorriso já estava marcada há anos, pois quando estivemos em Nobres em dez2018 conhecemos o Marquinhos Campos e família na festa de Ano Novo e ficou combinado que quando voltássemos do Alaska, iríamos visitá-los em Sorriso! Pois é... levou um tempo, mas finalmente chegamos!

Família reunida no acampamento

A família nos levou até um local onde eles costumam passar o fim de semana, bem rústico, no meio do nada! Foi muito divertido!! Toda a galera animada comendo e se divertindo numa clareira da mata, ao lado de um riozinho muito lindo, com margens de argila (caulim) escorregadia!


Os meninos "fazendo arte"!

Sueli comandando a galinhada!

Foi comida de todo o tipo: sushi, carne frita no disco do arado, galinhada (detalhe: as galinhas chegaram vivas ao local!), pacu assado, picanha, bananinha,.... um desbunde!

Marcos índio cara-pálida!!!

O lugar é um pequeno paraíso!

Enquanto a família se ajeitou em barracas de chão e redes, nós dormimos no nosso Garça, numa área plana de estacionamento a poucos metros deles!

PERRENGUE: desta vez não foi conosco! O Márcio, filho mais velho do casal Marcos e Sueli, fechou a chave do carro dentro do porta malas... como não tem sinal de internet, saíram com outro carro até um ponto onde o “celular pega” (uns 10km distante) e o chaveiro sem noção queria cobrar R$ 720,00 para vir abrir o carro! Os homens se reuniram e resolveram o problema: meu Marcos relembrou seu tempo de arrombador (brincadeirinha!) e com o auxílio dos outros, trabalho em equipe, levaram 40min pra abrir o próprio carro! Ebaaaa... felicidade é quase nada!

Preparando as traquitanas para arrombar o carro! Um olhava por aqui, o outro por ali; um segurava a porta e outro ajeitava o arame com laçada... foi divertido!!

Despedimo-nos da família querida no dia seguinte, já na cidade de Sorriso, onde acampamos no terreno de um vizinho!

Alta Floresta

Passeio pelo Rio Teles Pires, com Lenir, Leonir e o barqueiro Dilo

Conhecemos a dupla Le & Leo em Presidente Figueiredo (AM) há 2 anos e soubemos que estavam morando em Alta Floresta. Então, como era nosso caminho (será?) fomos revê-los e, de quebra, conhecer outro lugar interessante neste nosso Brasilzão!

A Bela e o Leo, no quintal da filha da Le

O Garça "encaixado" entre duas árvores, na rua

Lenir e Leonir são um casal maravilhoso de viajantes que montaram uma camper numa caminhonete Frontier (Bela) e estão passando uma temporada em Alta Floresta - onde mora a filha da Lenir, Elaine - para tratamento de saúde!

Praça da Cultura, em Alta Floresta.
O Avião Douglas DC-3 é Patrimônio Histórico e Cultural da cidade. Fabricado nos EUA em 1942, atuou na Segunda Guerra Mundial e foi essencial para o transporte de cargas, gado e garimpeiros, tendo sido usado também pela Cruz Vermelha na década de 1980

Centro comercial/galeria na cidade 


Alta Floresta hoje conta com, aproximadamente, 62 mil habitantes e sua economia está baseada na pecuária de corte (mais de 700mil cabeças) e na agricultura

Depois de 2 dias na cidade, muita conversa e comidinhas, resolvemos passar uns dias com nossos amigos no Balneário do Bisteca, às margens do Rio Teles Pires. O Bisteca (João, mas ninguém sabe seu nome) é primo do Leonir e possui um restaurante flutuante no rio, com uma área bacana para acampar nas margens, debaixo de muita sombra. Aliás, sombra aqui é imprescindível! O calor é infernal! 


Passamos alguns dias muito deliciosos curtindo o lugar, ouvindo as onças rugirem à noite, do outro lado do rio, e ouvindo muitas histórias dos locais, sobre garimpo, indígenas, pescarias!

Praia do Rio Teles Pires, no local do Balneário do Bisteca

Trilha em meio à Floresta Amazônica

Sumaúma centenária

O Dilo, outro primo do Leonir, nos levou para um passeio de barco rio acima, até as corredeiras. Muito bacana! Neste trajeto vimos muitas barcaças de garimpo e também uns flutuantes chiques para aluguel!



A dupla Le & Leo adora pescar!


A Roxinha é a mascote daqui!

Flutuantes de luxo para aluguel de fim de semana

DETALHE: Nos finais de semana o lugar fica impraticável! Muito som alto, muita sujeira e bebedeira. Infelizmente, para nós que gostamos de tranquilidade e silêncio, as pessoas perderam um pouco a noção e a competição de som ruim e alto faz parte da diversão deles!

Agradecimentos ao casal Bisteca (João) e Coroa (Joceli) pela acolhida e amizade!

Seguindo para Rondônia pela MT208/BR174 – Que aventura!

 

Castanheiras isoladas pelo caminho... elas são lindas e majestosas, porém estão ameaçadas de extinção, mesmo sendo proibidas de corte! 

Despedimo-nos de nossos amigos e pegamos uma estrada paralela à divisa com o Pará! A MT 208 está asfaltada até o rio Juruena, um pouco depois de Nova Monte Verde (aproximadamente 120km).



A balsa que faz a travessia do rio leva, em média, meia hora e é cara: pagamos R$ 135,00 (=U$ 26)! O rio Juruena é lindo (e segundo alguns moradores, bastante bom para garimpo!) e é um dos afluentes do Rio Tapajós. Ele nasce na Chapada dos Parecis e corre para o norte, recebendo o Rio Arinos antes de se juntar ao Teles Pires e formar o Tapajós, estendendo-se por 1240 km!

Rio Juruena

Garça espremido entre carretas e julietas

Já do outro lado, por um trecho de chão, seguimos até Cotriguaçu (onde dormimos num posto de combustíveis) e Colniza: 130km de muito pó, calor, buracos, pontes, subidas e descidas!

CONSIDERAÇÕES 

- Estas cidades do MT são todas muito novas! Cotriguaçu foi fundada em 1991 e Alta Floresta foi fundada em 1976; Colniza foi fundada em 1998, apesar de sua colonização ter iniciado em 1980. Sua estrutura é bastante precária e muitas mais parecem ter saído de um filme de faroeste!! Muito pó, estradas de chão, caminhonetes e burricos disputando as ruas, garimpo, extrativismo (madeireiras por todo o lado) geram a economia local! Por serem atividades, na maioria, ilegais, o índice de criminalidade é bastante alto, principalmente entre disputas de território para garimpo e extração vegetal. Andar armado é normal, até porque a quantidade de animais selvagens é grande e tirando as áreas “urbanas”, o resto é floresta ou o que sobrou dela.  

Há trechos onde a estrada é boa e permite uma velocidade de 60km/h ou mais!

Bioma amazônico

- Lendo sobre a história destes locais e estando lá, ao vivo e em cores, consegue-se ter uma ideia de “um outro Brasil”, diferente e à parte daquele de onde viemos. A falta de infraestrutura é crônica e as pessoas estão desesperançosas, muitas indo embora por falta de perspectivas.

Áreas de desmatamento permitidas por lei estão espalhadas à margem da rodovia... os proprietários sempre são políticos influentes da região (e só eles!)! Para cada área legal há inúmeras que são ilegais...

Assim são as rodovias por aqui! Esta área está com pecuária e agricultura; observem as queimadas no morro à frente! Uma tristeza!

A poaca é implacável! Entra pelas frestinhas e suja/tinge tudo!!!

- Nestes trechos prévios da Transamazônica tivemos um gostinho do que nos espera... o Garça está imundo, com pó por todos os lados e tudo que não está acondicionado em caixas estanques está sujo!!! Todos os dias, antes de iniciarmos nossos preparativos para a refeição, temos de limpar, passar pano e escova para retirar a sujeira maior acumulada pelos km de poaca!

SEGUINDO EM FRENTE



Com muito calor, percorremos o trecho entre Cotriguaçu e Colniza – 130km aproximadamente – em 3h40min!!! O resultado das “estradas” destes últimos 2 dias foram: o farol de milha solto e uma porca e bucha do amortecedor perdidas! O caminho promete! Rsrsrs

Serviço "de primeira"!! rsrsrsrsr

Como o acesso a estas cidades é complicado e demorado, o preço de tudo acompanha os fretes, que são caros! Por aqui o combustível está uns 20% mais caro que até então.



Nosso pernoite foi ao lado do Rio Aripuanã, 20km distante de Colniza, no Bar do Beno Kopp, com quem trocas ideias e ouvimos muitas histórias, afinal, ele é um dos primeiros moradores da região, que veio pra cá do Sul com a promessa de uma vida farta! Ele possui 2 casas e o boteco tem bom movimento, mas a falta de estrutura é um incômodo!

Rio Aripuanã



No Bar do Beno Kopp, alimentando os inúmeros gatinhos que foram abandonados e são tratados por ele 

Os próximos 100km foram feitos em 4 h, chegando a Guariba. Uma parada para esticar as pernas e seguimos mais uma hora até o Rio Roosevelt, onde a balsa faz travessia em 5/8min. Foi emocionante encontrar o rio da aventura vivida pelos desbravadores Rondon e Roosevelt! Até pensamos em tomar um gostoso banho em suas águas, mas o aviso de que havia piranhas no local nos desestimulou!

São centenas de carretas e julietas carregadas com madeira; para cada "pau" legalizado, uns 20 ilegais!

Uns vêm, outros vão! Não se decidem... 

RIO ROOSEVELT - tem 760km de extensão e é afluente do Rio Aripuanã, na Bacia Amazônica, abrangendo Rondônia, Mato Grosso e Amazonas. Anteriormente conhecido como "Rio da Dúvida", foi explorado em 1913-1914 pelo presidente estadunidense Theodore Roosevelt e pelo Mal. Rondon. Hoje é famoso pela pesca esportiva, observação da natureza e preservação ambiental.

Às margens do Rio Roosevelt

Aguardando a balsa

As balsas que operam nesta região são de propriedade de Helder Barbalho, filho de Jader Barbalho, e atual governador do Pará (como está em segundo mandato, já está apoiando sua esposa para o cargo nas próximas eleições!)

5 min de travessia - R$60,00 (= U$11,46): é mole????

Nosso pernoite foi numa área escondida ao lado da “rodovia”, numa espécie de depósito de pedras e material de pavimentação da pista. Aqui foi a primeira vez que tomamos banho com nossa ducha (até aqui ou tomamos banho de rio, ou num chuveiro de posto de combustíveis ou na casa dos amigos!).



Muitas pontes são feitas de troncos cortados pela metade!

Área de depósito e manobras


Neste dia chegamos à cidade de Três Fronteiras (MT – RO – PA) e após abastecermos nosso tanque d’água, atravessamos para Rondônia!!!

Chegando à divisa dos estados!


Mas este já é outro capítulo da aventura...

 

 

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Expedição Transamazônica 4 - Desbravando os encantos do Mato Grosso (MT): PARTE 1

Salto Utiariti - MT

Direção Mato Grosso


Nosso primeiro destino no MT era Nobres, nossa velha conhecida! Como temos um excelente ponto de apoio aqui, pois um grande amigo possui casa na cidade, deixamos a BR 163 e contornamos a capital Cuiabá, pegando a MT-010, com pouco movimento (e muitas lombadas!) passando por Guia, Acorizal e chegando a Rosário do Oeste, onde voltamos para a BR 163. Após 12km, Nobres à esquerda! 

A cidade cresceu bastante nestes últimos anos e tivemos certa dificuldade em achar a casa do Anselmo, mas após um telefonema, tudo deu certo!! Nos divertimos e exploramos a região em 10 dias. 

Nobres e Bom Jardim

Domingo pede pastel de feira e caldo de cana! 

Quando se pesquisa sobre Nobres, quase sempre as atrações vão indicar o distrito de Bom Jardim, distante uns 55km da cidade. Na primeira vez em que estivemos aqui, em 2012, este trecho era não pavimentado e hor-rí-vel!!!! Esta aventura está no link abaixo:

V i a g e m F a m í l i a: Jaciara - Nobres (MT)

Também passamos e passeamos por aqui em 2019, quando estávamos a caminho do Alaska!! Segue o link:

V i a g e m F a m í l i a: Dia da Partida - Atravessando o Brasil - Rumo ao Peru

Caminhando por aí, observando o cerrado


Mas desta vez, ao contrário das outras vezes, não tivemos pressa e conseguimos aproveitar o que a região tem a oferecer com mais tranquilidade. Fizemos umas boas trilhas e muitas caminhadas e descobrimos um Balneário muito bacana em Nobres, a 4,5 km do centro, chamado Complexo Turístico Canaã (antigo Bal. Dona Máxima). O local funciona de 5ª a domingo, com day use no valor de R$ 150,00 (= U$28,80) por pessoa, incluindo almoço. Há disponibilidade de cabanas para pernoite e aluguel para eventos. Ao acessar a página ou Whatsapp: (65)99925-4117 e @canaanobres, são enviadas as tabelas com preços e serviços.

Complexo Turístico Canaã (antigo Bal. Dona Máxima)

Chalés para aluguel

Conversamos com a proprietária, d. Sandra, e recebemos uma visita cortesia. Passeamos pelo complexo, fazendo a trilha para a Cachoeira Canaã (antigamente chamada de Cachoeira Bananal), fácil e acessível e aproveitamos para tomar um chopp e uma porção de batatas fritas, uma espécie de contrapartida pela cortesia! Sandra está fazendo um grande investimento no local, que está lindo e já é um sucesso!!

Trilha para a cachoeira

Cachoeira Canaã

Piscina do Complexo



Já em Bom Jardim, voltamos ao Aquário Encantado, e após conversarmos com a recepcionista e explicarmos que não queríamos fazer a flutuação (feita há 13 anos), mas gostaríamos de fazer umas fotos, ela nos fez a cortesia e cobrou apenas a taxa do guia (R$ 20,00 o casal = U$ 3,80).

Subimos na vagonete (que leva até o início da trilha) e aproveitamos o gostoso passeio, tirando lindas fotos.

Pegando "carona" na vagonete

Aquário Natural - Bom Jardim, Nobres


Quatis 


Macaco Prego

Martim Pescador Pequeno ou Guarda-rios-de-barriga-ruiva


Voltamos, também, ao Balneário Estivado, onde o day use é de R$ 40,00 por pessoa (=U$7,70), onde conversando com o Thales conseguimos duas meias entradas (idoso). Tomamos um gostoso banho e petiscamos uma deliciosa Ventrecha de Pacu, com batata frita/mandioca, por R$ 90,00 (=U$17,30).

Balneário Estivado - Jardim

Servidos? A porção é generosa e deliciosa!

Rio Cuiabazinho e suas águas cristalinas

Folia dos macacos no fim da tarde

Apesar de não aparecerem mais nos guias de Bom Jardim/Nobres, fomos até a Lagoa do Salobão e a Lagoa do Sonrizal (uns 13km de Nobres). Ambas estão fechadas para o público por questões burocráticas e ambientais! Os lugares são incríveis e não pudemos tomar banho em suas águas, mas nos foi permitido ver os lugares: na primeira o proprietário das terras  solicitou que os filhos nos acompanhassem na trilha de 8min. Já na outra, um funcionário da fazenda nos acompanhou até a linda lagoa!! Como não rolou banho nas lagoas, fomos até o rio Cuiabá e lá nos refestelamos!!

Lagoa do Salobão - maior nascente do Rio Cuiabá. Esta matéria orgânica em suspensão é causada pela poluição do lençol freático por fertilizantes de uma plantação ao lado!

Pinguela que leva ao deck - como o local está fechado há tempos, a manutenção ficou deficitária

Linda Lagoa do Sonrizal



Rio Cuiabá

O Rio Cuiabá tem aproximadamente 980km de extensão, nasce em Rosário Oeste e deságua no Rio Paraguai

Explorando a Chapada dos Parecis

Igreja Matriz Imaculada Conceição, em Diamantino - o padre Domingos Tanganelii, italiano de Arezzo, chegou ao Brasil em 1850 e a Diamantino em 1868, onde foi o pároco por 4 anos. Por ser abolicionista e esconder/ajudar escravos ele foi assassinado dentro do confessionário!

Após as “férias” em Nobres, levantamos acampamento e seguimos para a desconhecida e maravilhosa Chapada dos Parecis!! No caminho, demos uma paradinha em Diamantino (80km distante de Nobres), onde existe a Casa Memorial do Viajante e o Museu Langsdorff. Para nossa frustração e tristeza, ambas estavam fechadas (em reforma?). A Casa Memorial fica anexa à Igreja Matriz Imaculada Conceição e seu acervo abriga objetos, vestimentas e artefatos de diversas etnias indígenas e itens das expedições Langsdorff, Roosevelt-Rondon e da Missão Jesuítica.

Casa Memorial

No Museu Langsdorff existem (será?) mapas e desenhos da grande expedição alemã, financiada pela Rússia Imperial (Czar Alexandre I), que explorou mais de 16.000 km pelo interior do Brasil entre 1821-1829!!! O Barão Georg Heinrich von Langsdorff, explorador alemão naturalizado russo, era naturalista, médico e foi cônsul-geral da Rússia no Rio de Janeiro.

Museu Langsdorff: recém construído já está em reformas... dinheiro público não tem dono!! 

Já a Expedição Científica Rondon-Roosevelt, ocorrida entre 1913-1914, tinha por objetivo seguir o curso do Rio da Dúvida (posteriormente denominado Rio Roosevelt) de modo a verificar se ele era ou não afluente do Rio Amazonas! [Esta história incrível conhecemos há um ano, na casa de nosso amigo Iguaçu Paraná, onde li um livro que conta toda a aventura vivida pelos desbravadores e me encantei! Decidimos, assim, incluir em nosso roteiro para a Transamazônica, partes do percurso feito pela Expedição]

Livro incrível e recomendável! Se fosse transformado num filme, com certeza viraria um hit 

Frustradíssimos, deixamos a cidade para trás e acabamos parando num lindo parque linear, às margens do rio Santana, em Nortelândia.

Rio Santana, em formato de "S"

Nosso acampamento no parque linear




No dia seguinte, fomos a Tangará da Serra, portal sul da Chapada dos Parecis. A cidade é bem grande, com mais de 110 mil habitantes e paramos no Centro de Informação ao Turista, onde o Wilson nos atendeu super bem, dando dicas preciosas e muitas informações importantes e interessantes!

Com Wilson, em Tangará da Serra

Seguimos sua sugestão e passamos a noite ao lado da linda Cachoeira do Juba, distante 80km da cidade. No caminho (km 70 da rodovia), paramos para ver as Cachoeiras do Buraco e Envelope, bem bonitas, mas por estarem muito próximas da cidade – 5km – estavam cheias de lixo!!

Cachoeira do Envelope

Cachoeira do Buraco


BOBEADA - já na MT339, indo em direção à Cachoeira do Juba, acabei desmarcando o trajeto no GPS do celular na ponte sobre o Rio Sepotuba!! Afff... sem sinal (nem de fumaça!) seguimos no melhor estilo Pare-Pergunte-Pro-Primeiro-Pedestre-Passante e um senhor indígena, muito solícito, desenhou o mapa no chão para nos localizarmos, não sem antes nos perguntar: “Mas vocês não têm Starlink?” Rimos e dissemos: “Não, amigo, somos pobres homens brancos só com Dados e mapa!”

Cachoeira do Juba (o rio chama-se Juba)


Nosso pernoite, sozinhos, ao lado da linda cachoeira foi acompanhado pelo luar!! Tudo perfeito! A noite foi fresca e o cobertor foi necessário!


O Rio Sepotuba pertence à Bacia Hidrográfica do Rio Paraguai, importante para a manutenção do bioma Pantanal.

Às margens do rio Sepotuba fica a Casa de Rondon, construída por ele na época em que estava instalando as Linhas e Telégrafos que uniam o Brasil e que também foi usada pela Expedição Rondon-Roosevelt. Paramos lá e a diretora da escola onde a Casa está localizada permitiu nossa visita, explicando que o local está sendo revitalizado/reformado e não há acervo! Tudo bem!


Foto de época, onde aparece Roosevelt e Rondon no Rio Sepotuba

A Expedição Rondon-Roosevelt partiu de Cáceres MT e usou a casa às margens do rio Sepotuba como base. A expedição utilizou postos telegráficos instalados pelo Mal. Rondon como base de apoio e abastecimento antes de entrar na selva amazônica inexplorada, com o objetivo de mapear o Rio da Dúvida

Voltamos a MT235 e queríamos visitar a famosa Cachoeira Salto das Nuvens. Para nossa tristeza, não nos foi permitido apenas entrar para tirar umas fotos sem o pagamento do day use, que era de R$ 50,00 (=U$9,60) por pessoa! Como não tínhamos a intenção de ficar o dia todo lá e nem poderíamos acampar no estacionamento, então seguimos adiante.

Ipês floridos por todos os lados

Plantações de algodão a perder de vista - faz uma semana que estamos percorrendo campos de plantio de algodão!

O Mato Grosso é o líder nacional na produção de algodão, responsável por 70% da produção brasileira. A safra 2024/2025 foi recorde, com mais de 1,5milhão de ha plantados. Seu uso na indústria têxtil abastece o mercado interno e grande parte é exportado para a China (sempre ela!); já o caroço do algodão é usado na fabricação do óleo, alimentação animal e biodiesel

Logo depois da cidade de Campo Novo do Parecis pegamos o acesso ao Balneário Rio Verde, distante 15km da cidade. Na entrada, negociamos com o Thales e o Jerônimo (gerente) e nossa diária ficou por R$ 120,00 (preço normal do day use seria R$ 140,00) e + o camping por R$ 50,00 por pessoa. (R$220,00 = U$42,30)

Balneário Rio Verde com suas águas cristalinas!


O lugar é top, lindo mesmo!! As águas são incrivelmente transparentes e exploramos todo o balneário, tomando banhos refrescantes no rio Verde. Além de todas as facilidades (banheiros, chuveiros, lanchonete, churrasqueiras – pagas à parte) ainda tivemos acesso ao wi-fi (obrigada, Elon Musk! Rsrs – contém certa ironia)

Curiosidade: O Rio Verde pertence à Bacia Hidrográfica dos Parecis, pertencente à Bacia Amazônica! Finalmente chegamos ao Norte geográfico do país... é na Chapada dos Parecis que se dividem as bacias hidrográficas! Ao sul de Campo Novo de Parecis os rios seguem sentido sul (indo parar na Bacia do Rio Paraná). Já daqui para o norte, todos os rios “sobem” para o Rio Amazonas!

OBSERVAÇÃO: Nesta região do MT (e do MS) não há sinal de internet nas estradas ou localidades distantes. Tudo só funciona com Starlink!! Nas cidades há sinal, mas nem todas as operadoras funcionam! Outra informação importante é que não há postos de combustível em longas extensões e normalmente os postos ficam nas cidades, portanto quem se aventurar pra estas bandas precisa se planejar nos abastecimentos e também em uso de internet!

No dia seguinte voltamos até a cidade de Campo Novo do Parecis para abastecer e retornamos na mesma estrada até o povoado Mal. Cândido Rondon, onde pegamos uma estrada de chão (à esquerda) e seguimos por uns 50km até o Salto Utiariti!

Havia conversado por Whatsapp com a Adilce, indígena responsável pelos ingressos no Salto, e combinamos o preço para o day use com pernoite por R$ 70,00 (apenas eu paguei, pois Marcos é idoso e teve cortesia!) (=U$13,45)

Dentro da oca - Salto Utiariti – Adilce: (65)99310-8916 

A cachoeira é indescritível!! Uma das mais lindas que já vimos! São 96m (uns dizem 85m) de queda, com grande volume de água do rio Papagaio.

Descendo a trilha para ver a cachoeira de frente/baixo


Estacionamos o Garça no local combinado com a Andrieli (indígena da tribo Pareci) e logo fomos dar um giro pelo local! A vista do salto é magnífica! Fizemos a trilha e aproveitamos para tirar muitas fotos e observar as andorinhas que têm seus ninhos atrás da queda d’água. O por de sol foi lindo e a noite de lua cheia, deslumbrante!




ATENÇÃO: Há milhões de insetos durante o dia... abelhas, piuns, mosquitos, butucas exigem a aplicação de repelente dos bons! 

CONTINUA...


Rio Sacre (povo Haliti-Paresi)