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| Rio Teles Pires - Alta Floresta |
Sorriso e o acampamento “raiz”
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| Anta em meio à plantação de algodão!! |
Deixamos a Chapada para trás e pela MT249 chegamos a Nova
Mutum. De lá, já na BR 163, a moderna e pujante Lucas do Rio Verde e, finalmente, Sorriso.
Nossa parada em Sorriso já estava marcada há anos, pois quando estivemos em
Nobres em dez2018 conhecemos o Marquinhos Campos e família na festa de Ano Novo
e ficou combinado que quando voltássemos do Alaska, iríamos visitá-los em
Sorriso! Pois é... levou um tempo, mas finalmente chegamos!
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| Família reunida no acampamento |
A família nos levou até um local onde eles costumam passar o
fim de semana, bem rústico, no meio do nada! Foi muito divertido!! Toda a
galera animada comendo e se divertindo numa clareira da mata, ao lado de um
riozinho muito lindo, com margens de argila (caulim) escorregadia!
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| Os meninos "fazendo arte"! |
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| Sueli comandando a galinhada! |
Foi comida de todo o tipo: sushi, carne frita no disco do
arado, galinhada (detalhe: as galinhas chegaram vivas ao local!), pacu assado,
picanha, bananinha,.... um desbunde!
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| Marcos índio cara-pálida!!! |
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| O lugar é um pequeno paraíso! |
Enquanto a família se ajeitou em barracas de chão e redes,
nós dormimos no nosso Garça, numa área plana de estacionamento a poucos metros deles!
PERRENGUE: desta vez não foi conosco! O Márcio, filho mais
velho do casal Marcos e Sueli, fechou a chave do carro dentro do porta malas...
como não tem sinal de internet, saíram com outro carro até um ponto onde o
“celular pega” (uns 10km distante) e o chaveiro sem noção queria cobrar R$
720,00 para vir abrir o carro! Os homens se reuniram e resolveram o problema:
meu Marcos relembrou seu tempo de arrombador (brincadeirinha!) e com o auxílio
dos outros, trabalho em equipe, levaram 40min pra abrir o próprio carro!
Ebaaaa... felicidade é quase nada!
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| Preparando as traquitanas para arrombar o carro! Um olhava por aqui, o outro por ali; um segurava a porta e outro ajeitava o arame com laçada... foi divertido!! |
Despedimo-nos da família querida no dia seguinte, já na
cidade de Sorriso, onde acampamos no terreno de um vizinho!
Alta Floresta
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| Passeio pelo Rio Teles Pires, com Lenir, Leonir e o barqueiro Dilo |
Conhecemos a dupla Le & Leo em Presidente Figueiredo (AM)
há 2 anos e soubemos que estavam morando em Alta Floresta. Então, como era
nosso caminho (será?) fomos revê-los e, de quebra, conhecer outro lugar
interessante neste nosso Brasilzão!
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| A Bela e o Leo, no quintal da filha da Le |
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| O Garça "encaixado" entre duas árvores, na rua |
Lenir e Leonir são um casal maravilhoso de viajantes que
montaram uma camper numa caminhonete Frontier (Bela) e estão passando uma
temporada em Alta Floresta - onde mora a filha da Lenir, Elaine - para
tratamento de saúde!
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Praça da Cultura, em Alta Floresta. O Avião Douglas DC-3 é Patrimônio Histórico e Cultural da cidade. Fabricado nos EUA em 1942, atuou na Segunda Guerra Mundial e foi essencial para o transporte de cargas, gado e garimpeiros, tendo sido usado também pela Cruz Vermelha na década de 1980 |
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| Centro comercial/galeria na cidade |
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| Alta Floresta hoje conta com, aproximadamente, 62 mil habitantes e sua economia está baseada na pecuária de corte (mais de 700mil cabeças) e na agricultura |
Depois de 2 dias na cidade, muita conversa e comidinhas,
resolvemos passar uns dias com nossos amigos no Balneário do Bisteca, às
margens do Rio Teles Pires. O Bisteca (João, mas ninguém sabe seu nome) é primo
do Leonir e possui um restaurante flutuante no rio, com uma área bacana para
acampar nas margens, debaixo de muita sombra. Aliás, sombra aqui é
imprescindível! O calor é infernal!
Passamos alguns dias muito deliciosos curtindo o lugar,
ouvindo as onças rugirem à noite, do outro lado do rio, e ouvindo muitas
histórias dos locais, sobre garimpo, indígenas, pescarias!
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| Praia do Rio Teles Pires, no local do Balneário do Bisteca |
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| Trilha em meio à Floresta Amazônica |
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| Sumaúma centenária |
O Dilo, outro primo do Leonir, nos levou para um passeio de
barco rio acima, até as corredeiras. Muito bacana! Neste trajeto vimos muitas
barcaças de garimpo e também uns flutuantes chiques para aluguel!
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| A dupla Le & Leo adora pescar! |
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| A Roxinha é a mascote daqui! |
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| Flutuantes de luxo para aluguel de fim de semana |
DETALHE: Nos finais de semana o lugar fica impraticável!
Muito som alto, muita sujeira e bebedeira. Infelizmente, para nós que gostamos
de tranquilidade e silêncio, as pessoas perderam um pouco a noção e a
competição de som ruim e alto faz parte da diversão deles!
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| Agradecimentos ao casal Bisteca (João) e Coroa (Joceli) pela acolhida e amizade! |
Seguindo para Rondônia pela MT208/BR174 – Que aventura!
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| Castanheiras isoladas pelo caminho... elas são lindas e majestosas, porém estão ameaçadas de extinção, mesmo sendo proibidas de corte! |
Despedimo-nos de nossos amigos e pegamos uma estrada paralela
à divisa com o Pará! A MT 208 está asfaltada até o rio Juruena, um pouco depois
de Nova Monte Verde (aproximadamente 120km).
A balsa que faz a travessia do rio leva, em média, meia hora
e é cara: pagamos R$ 135,00 (=U$ 26)! O rio Juruena é lindo (e segundo alguns
moradores, bastante bom para garimpo!) e é um dos afluentes do Rio Tapajós. Ele
nasce na Chapada dos Parecis e corre para o norte, recebendo o Rio Arinos antes
de se juntar ao Teles Pires e formar o Tapajós, estendendo-se por 1240 km!
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| Rio Juruena |
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| Garça espremido entre carretas e julietas |
Já do outro lado, por um trecho de chão, seguimos até
Cotriguaçu (onde dormimos num posto de combustíveis) e Colniza: 130km de muito
pó, calor, buracos, pontes, subidas e descidas!
CONSIDERAÇÕES
- Estas cidades do MT são todas muito novas! Cotriguaçu foi
fundada em 1991 e Alta Floresta foi fundada em 1976; Colniza foi fundada em
1998, apesar de sua colonização ter iniciado em 1980. Sua estrutura é bastante
precária e muitas mais parecem ter saído de um filme de faroeste!! Muito pó,
estradas de chão, caminhonetes e burricos disputando as ruas, garimpo,
extrativismo (madeireiras por todo o lado) geram a economia local! Por serem atividades,
na maioria, ilegais, o índice de criminalidade é bastante alto, principalmente entre disputas de território para garimpo e extração vegetal. Andar armado é
normal, até porque a quantidade de animais selvagens é grande e tirando as
áreas “urbanas”, o resto é floresta ou o que sobrou dela.
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| Há trechos onde a estrada é boa e permite uma velocidade de 60km/h ou mais! |
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| Bioma amazônico |
- Lendo sobre a história destes locais e estando lá, ao vivo e
em cores, consegue-se ter uma ideia de “um outro Brasil”, diferente e à parte
daquele de onde viemos. A falta de infraestrutura é crônica e as pessoas estão
desesperançosas, muitas indo embora por falta de perspectivas.
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| Áreas de desmatamento permitidas por lei estão espalhadas à margem da rodovia... os proprietários sempre são políticos influentes da região (e só eles!)! Para cada área legal há inúmeras que são ilegais... |
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| Assim são as rodovias por aqui! Esta área está com pecuária e agricultura; observem as queimadas no morro à frente! Uma tristeza! |
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| A poaca é implacável! Entra pelas frestinhas e suja/tinge tudo!!! |
- Nestes trechos prévios da Transamazônica tivemos um gostinho
do que nos espera... o Garça está imundo, com pó por todos os lados e tudo que
não está acondicionado em caixas estanques está sujo!!! Todos os dias, antes de
iniciarmos nossos preparativos para a refeição, temos de limpar, passar pano e
escova para retirar a sujeira maior acumulada pelos km de poaca!
SEGUINDO EM FRENTE
Com muito calor, percorremos o trecho entre Cotriguaçu e
Colniza – 130km aproximadamente – em 3h40min!!! O resultado das “estradas”
destes últimos 2 dias foram: o farol de milha solto e uma porca e bucha do
amortecedor perdidas! O caminho promete! Rsrsrs
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| Serviço "de primeira"!! rsrsrsrsr |
Como o acesso a estas cidades é complicado e demorado, o
preço de tudo acompanha os fretes, que são caros! Por aqui o combustível está
uns 20% mais caro que até então.
Nosso pernoite foi ao lado do Rio Aripuanã, 20km distante de
Colniza, no Bar do Beno Kopp, com quem trocas ideias e ouvimos muitas
histórias, afinal, ele é um dos primeiros moradores da região, que veio pra cá
do Sul com a promessa de uma vida farta! Ele possui 2 casas e o boteco tem bom movimento,
mas a falta de estrutura é um incômodo!
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| Rio Aripuanã |
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| No Bar do Beno Kopp, alimentando os inúmeros gatinhos que foram abandonados e são tratados por ele |
Os próximos 100km foram feitos em 4 h, chegando a Guariba.
Uma parada para esticar as pernas e seguimos mais uma hora até o Rio Roosevelt,
onde a balsa faz travessia em 5/8min. Foi emocionante encontrar o rio da
aventura vivida pelos desbravadores Rondon e Roosevelt! Até pensamos em tomar
um gostoso banho em suas águas, mas o aviso de que havia piranhas no local nos
desestimulou!
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| São centenas de carretas e julietas carregadas com madeira; para cada "pau" legalizado, uns 20 ilegais! |
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| Uns vêm, outros vão! Não se decidem... |
RIO ROOSEVELT - tem 760km de extensão e é afluente do Rio Aripuanã, na Bacia Amazônica, abrangendo Rondônia, Mato Grosso e Amazonas. Anteriormente conhecido como "Rio da Dúvida", foi explorado em 1913-1914 pelo presidente estadunidense Theodore Roosevelt e pelo Mal. Rondon. Hoje é famoso pela pesca esportiva, observação da natureza e preservação ambiental.
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| Às margens do Rio Roosevelt |
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| Aguardando a balsa |
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| As balsas que operam nesta região são de propriedade de Helder Barbalho, filho de Jader Barbalho, e atual governador do Pará (como está em segundo mandato, já está apoiando sua esposa para o cargo nas próximas eleições!) |
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| 5 min de travessia - R$60,00 (= U$11,46): é mole???? |
Nosso pernoite foi numa área escondida ao lado da “rodovia”,
numa espécie de depósito de pedras e material de pavimentação da pista. Aqui foi
a primeira vez que tomamos banho com nossa ducha (até aqui ou tomamos banho de
rio, ou num chuveiro de posto de combustíveis ou na casa dos amigos!).
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| Muitas pontes são feitas de troncos cortados pela metade! |
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| Área de depósito e manobras |
Neste dia chegamos à cidade de Três Fronteiras (MT – RO – PA)
e após abastecermos nosso tanque d’água, atravessamos para Rondônia!!!
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| Chegando à divisa dos estados! |
Mas este já é outro capítulo da aventura...