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| Babaçulândia TO - Represa do Rio Tocantins |
Fizemos um pequeno desvio da Transamazônica e seguimos até a
divisa com o Tocantins pela BR153, em São Geraldo do Araguaia, onde pegamos a
balsa e chegamos a Xambioá, já no Tocantins.
Xambioá, Wanderlândia e Babaçulândia
O trecho percorrido foi todo em asfalto e rendeu bem, porém o
calor pedia um banho. Desta forma, chegando a Babaçulândia, aproveitamos
uma praia de lago (da represa do rio Tocantins – UHE do Estreito) e buscamos um
local tranquilo para preparar nosso almojanta, tomar um gostoso banho de
rio/lago e dormir.
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| BR 230 - em algum lugar do Tocantins, perto de Araguaína |
O local escolhido foi a Praia do Coco. Já era fim da tarde e
muitas pessoas estavam deixando o local e voltando para suas casas (domingo é
assim!). Tivemos apenas a companhia da Caramela, uma linda e afetiva
cachorrinha que ganhou ossinhos em troca de seu carinho!
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| Praia do Coco: banho merecido... calor do "djanho"! |
A lua cheia estava linda... a única coisa que atrapalhou a
noite (até quase 23h) foi um sistema de som, altíssimo, no meio do lago e
controlado por controle remoto a partir da praia (não encontramos o fdp dono da
geringonça)! Existe gente sem noção... infelizmente!
UM POUCO DE HISTÓRIA (bastante atual)
Esta região é conhecida por ter sido o palco da Guerrilha
do Araguaia, ocorrida entre 1960-1970. Xambioá, localizada às
margens do rio Araguaia e cujo nome em Tupi significa “ave veloz”, também é
conhecida por estar localizada no “bico do papagaio” (forma do mapa do
Tocantins nesta área).
A Guerrilha do Araguaia foi um movimento guerrilheiro criado
pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) com o objetivo de fomentar uma
revolução socialista, a ser iniciado no campo, baseada nas experiências
vitoriosas da Rev. Cubana e Rev. Chinesa. O movimento pretendia derrubar o
governo militar e contava com, aproximadamente, 80 guerrilheiros, dos quais
menos de 20 sobreviveram (dentre eles, o PTista José Genoíno). Com atrocidades
cometidas de ambos os lados, o movimento foi sufocado após 3 tentativas dos militares.
[50 destes guerrilheiros são considerados desaparecidos políticos]
Wanderlândia, fundada nos anos 1980, na época da Guerrilha era apenas uma
fazenda. A cidadezinha conta com muitas cachoeiras (30) das quais apenas 13 são
bem conhecidas e visitadas.
Já Babaçulândia foi emancipada em 1953 e conta com
menos de 10mil habitantes. A “terra do coco” tem no extrativismo do coco babaçu
sua principal fonte econômica e, com o passar do tempo, também na confecção de
sacarias feitas de fibra de malva. É uma cidade pobre, cuja maior fonte de
renda é Bolsa Família, assim como as cidades vizinhas. Também aqui há
cachoeiras (do Degrau, do Jenipapo e Santa Bárbara), onde é possível tomar
banho e fazer trilhas.
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| "Piscina" de borda infinita!! |
NOSSA PASSAGEM POR AQUI
Chegamos no meio da tarde de domingo e as praias estavam
lotadas. Na manhã seguinte, com tranquilidade e silêncio - apenas nós 2 -
Marcos ajeitou a ventoinha do Garça enquanto eu aproveitei para lavar umas
roupas e colocar o diário em dia. Tomamos um gostoso banho no lago antes de
seguirmos viagem.
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| Nosso acampamento por aqui |
Pegamos uma linda estrada (não pavimentada) que seguia em
direção à Filadélfia. Esta estradinha – estrada de tropeiros - passa ao lado de
uma Serra, chamada de Serra da Matança e que contorna o lago da represa.
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| A estrutura do local é completa, com banheiros, duchas e restaurantes |
As histórias passadas de boca em boca sobre a Serra da
Matança impressionam, mas não se sabe se são lendas ou verdades. De qualquer
forma, diz a história que a cerca de 200 anos (não há consenso, uns dizem que
foi nos anos 1930), indígenas da etnia Kraô foram dizimados em cima da serra
por homens sedentos de terra que ficaram com suas propriedades rurais para
criação de gado.
Em cima do morro, cerca de 400m de altitude, há uma caverna
de 30m de comprimento. Diz a lenda que foi aberta pelos indígenas que foram
expulsos da Bahia (?) e utilizaram o local como abrigo.
Em Filadélfia-TO seguimos direto até a balsa. Lá atravessamos
o rio Tocantins e chegamos ao Maranhão.
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| Às margens do rio Tocantins, em Filadélfia |
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| Mais uma balsa pra conta... será a última??? |
Carolina (MA)
| Carolina e as formações rochosas da Chapada das Mesas |
Revisitar a cidade de Carolina, cidade base da Chapada das Mesas, foi bacana. Estivemos aqui há 10 anos (em 2015, em nossas Bodas de Prata. Segue link anexo*) e chegamos na hora da siesta. Tiramos umas fotos da Catedral São Pedro de Alcântara (1864) e do Setor Histórico, antes de seguirmos até a região das cachoeiras.
V i a g e m F a m í l i a: Chapada das Mesas - Sul do Maranhão
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| Praça central e casario do Setor Histórico |
Já na BR230 – Transamazônica – abastecemos e pegamos informações com o frentista. Obs.: eles têm sido ótimos informantes e suas dicas têm sido preciosas! Muitas secretarias de turismo ou centros de informação ao turista estão fechadas ou não têm atendimento ao público na hora do almoço e nos fins de semana, o que é uma lástima!
O frentista nos sugeriu as Cachoeiras Itapecuru (gêmeas), mas
como já as conhecíamos optamos por um “novo” balneário, do outro lado da
estrada, uns 4 quilômetros antes. Um morador muito gentil nos orientou e
seguimos pela estradinha, uns 6 km, até o Bal. Encontro dos Rios (Cipó e
Cipozinho), onde a Maria da Luz nos recebeu.
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| Balneário Encontro dos Rios: fora do roteiro de turismo |
Paramos o Garça debaixo de umas árvores, ao lado de um
quiosque, e aproveitamos para tomar um gostoso banho de rio de buritizal, com
suas águas cristalinas.
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| Nos esbaldamos: cajus doces e fartos |
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| Colhemos "uma sacolada" e aproveitamos a sua doçura por dias! |
Enquanto preparávamos nosso almojanta, Maria veio conversar
conosco e contar sua história de vida, muito dura e triste. Ela tem 66 anos
e é filha de indígena com branco. Na adolescência, foi vendida pelo pai para um
garimpeiro com seus 30 e poucos anos! Era época da Guerrilha e como eram muito
pobres, representava “uma boca a menos pra alimentar!” Mal alfabetizada, possui
muito conhecimento da medicina tradicional de seus antepassados.
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| Em companhia da bichana Caramela |
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| Encontro dos rios Cipó e Cipozinho - águas cristalinas de buritizal, mais frias! |
No dia seguinte, levantamos acampamento na companhia dos
patos, cachorros, gato, galinhas e peixes rsrsrsrsr Maria tinha ido embora bem
cedo, pois estava voltando pro Tocantins, onde tem casa.
Dia de deslocamento, passamos por Riachão (onde está
localizada a Cachoeira Santa Bárbara, muito famosa, dentro do Complexo Turístico
Poço Azul), Balsas (cidade grande), São Raimundo das Mangabeiras e em São Domingos
do Azeitão, desviamos da BR230 – Transamazônica, em direção ao Piauí pela
MA-371 até a divisa dos estados MA/PI.
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| Esta é a paisagem por aqui: cerrado e chapadas |
A partir de Uruçuí, já no Piauí, a estrada passa a ser
BR-324, mas esta já é a próxima aventura...
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| Rio Parnaíba: divisa MA/PI |


























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