Viagem Família______________________________________

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quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Expedição Transamazônica 15 - A pequena "grande" Sergipe!!!

São Cristóvão - a primeira capital de Sergipe
 

Rio São Francisco


O Rio São Francisco foi nossa entrada no Sergipe. Com mais de 2800km de extensão, é o maior rio totalmente brasileiro e o 4º maior do Brasil. O rio que nasce nas Minas Gerais, passa por 507 municípios, distribuídos em 5 estados, trazendo água, produção, riqueza e beleza por onde passa.


O “Nilo brasileiro” foi descoberto em 1501 e de lá para cá, suas margens são consideradas um grande pomar. Ao longo de sua extensão há grandes usinas hidrelétricas, a citar Sobradinho e Paulo Afonso (BA), Três Marias (MG) e Xingó (SE/AL). Com grande diversidade de peixes, é uma fonte de alimento para os ribeirinhos e a tradição das lavadeiras permanece, mesmo agora.


A atividade de lavar roupas em suas margens é, mais que limpar, uma atividade social, onde as mulheres se reúnem para conversar! Há dois anos estivemos em Penedo e Piranhas (AL) – link anexo*, onde observamos o fenômeno.

V i a g e m F a m í l i a: Alagoas das praias e do Rio São Francisco

BREJO GRANDE - CARAPITANGA

Lavadeiras no São Francisco

Ao chegar em Brejo Grande, também observamos esta tradição. Descemos da balsa/ferry e como já estava anoitecendo (perto das 17h), tentamos encontrar, sem sucesso, local para acampar. A cidadezinha tem cerca de 8mil habitantes.

Lagoas, dunas, restinga... paisagens bonitas - SE 100

Seguimos por estrada boa e bonita (de chão), margeando o litoral – havia a opção asfaltada, mais curta -, ou quase isso. O rio São Francisco faz um braço ao sul na sua foz e ali, em suas águas, há dezenas de lagoas para produção de peixe e camarão. Por conta disso, não achamos local para acampar que ficasse protegido e afastado da estradinha. Assim, seguimos até Carapitanga, na Ponta da Barra, lá chegando após o pôr de sol.

Curiosidades:

- Na época da descoberta (1501) o Rio São Francisco chamava-se Rio das Borboletas!

- Carapitanga é um povoado pertencente ao município de Propriá, localizado no Baixo São Francisco. Em 1983, foi descoberto petróleo na área, que produziu até 1998 um total de 48.000m³ (quase 302 mil barris) de óleo e 8,2 milhões de m³ de gás.

- A carcinicultura (criação de camarões) é uma das alavancas econômicas da região, mas enfrenta graves denúncias de impacto ambiental, pois as empresas instaladas tem invadido áreas irregulares, provocando o desmatamento de manguezais e restingas e afetando a vida dos pescadores e pequenos agricultores.

- Com a diminuição do volume da água do rio (por conta da transposição de suas águas ao longo de sua trajetória e também das barragens das usinas hidrelétricas), a alteração na dinâmica das águas tem afetado o estuário natural. Onde antes se plantava arroz, agora as fazendas são de camarão, por conta da alta salinidade das águas.

Acampamento no estacionamento do Ecoprivillege Hotel

Havia um local às margens do São Francisco, mas como já tinha anoitecido (fica mais difícil encontrar local para camping selvagem à noite), vimos um lindo e vazio estacionamento em um Resort/Hotel (ecoprivillege.com.br)  e lá fomos pedir para passar a noite em sua área. A Lidiane, gerente do local, fez ligações para os proprietários, que permitiram nosso pernoite no estacionamento.

Nos acomodamos ao lado de um toldo, que usamos como abrigo para fazer nosso almojanta, uma vez que a chuvinha fina nos alcançou novamente.

Praia da Barra (a última pontinha da foz do São Francisco)

Local onde poderíamos ter acampado no dia anterior

SE 100: sentido Pitimbu

Como há 2 anos exploramos a região de Pitimbu (onde tem o Projeto TAMAR) e também Aracaju (vide o link abaixo*), seguimos direto até São Cristóvão, a 4ª cidade mais antiga do Brasil e primeira capital de Sergipe.


V i a g e m F a m í l i a: Sergipe, o menor estado da Federação

São Cristóvão


Sabe aquelas surpresas boas?? Então, São Cristóvão foi uma delas. Situada às margens do rio Paramopama (afluente do Vaza-Barris), a antiga capital possui um casario lindo, de riqueza arquitetônica portuguesa e espanhola misturadas.

Praça São Francisco, datada do séc. XVI - traçada segundo o código urbano da realeza espanhola (no tempo de Felipe II)

Como chegamos no meio-dia, as igrejas estavam fechadas. Assim, aproveitamos para visitar o Museu de São Francisco, onde o Jonathan nos acompanhou e explicou detalhes e particularidades em cada sala de exposição.







Lanchamos e conhecemos a Igreja Matriz de N. Sra. da Vitória, fundada em 1608. Tombada pelo IPHAN e pela UNESCO, sua forma atual é mais recente, do séc. XIX. As torres têm azulejos e bulbos.

Igreja Matriz de N. Sra. da Vitória

Interior da Matriz

Dali seguimos até o Complexo do Carmo, onde fomos acompanhados pela Letícia que nos explicou sobre a Igreja de N. Sr. dos Passos e a procissão que ocorre 15 dias após o Carnaval (nesta procissão as estátuas de N. Sra. da Boa Morte e N. Sr. dos Passos se encontram).

Complexo do Carmo


- A Capela da Ordem Terceira do Carmo – Carmo Menor – é o local de peregrinação durante a festa de N. Sr. dos Passos. Tem características barrocas e a porta é em cantaria, de 1743.

Sala dos Exvotos

Também passamos pela Sala dos Exvotos e uma pequena sala dedicada à Irmã Dulce.

Painel com pequena cronologia da vida de Irmã Dulce

Visitamos, ainda, a Igreja N. Sra. do Amparo dos Homens Pardos (1609), fechada para reformas e a Igreja N. Sra. do Rosário dos Homens Pretos (séc. XVIII) antes de seguirmos em frente, voltando ao centro histórico, onde visitamos o Museu Regional.

Igreja N. Sra. do Amparo dos Homens Pardos (em reforma)

Igreja N. Sra. do Rosário dos Homens Pretos (do séc. XVIII) - a partir do séc. XIX esta igreja passou a celebrar o catolicismo mestiço, com sincretismo entre os ritos tradicionais e o universo simbólico dos orixás.


Antiga fonte dentro da igreja

Museu Histórico de Sergipe - Antigo Palácio Provincial

O casarão onde está funcionando o Museu já funcionou como intendência da capitania hereditária – Sobrado do Antigo Palácio Provincial (1826). Por ocasião da visita de Dom Pedro II, em 1860, recebeu mobiliário e em 1960 passou a funcionar como Museu Histórico de Sergipe.

Antigo portal do Casarão


Seu acervo é bem variado, contento obras dos artistas Horácio Hora, José Augusto Garcez e Jenner Augusto, artistas sergipanos de renome. No térreo há canhões antigos e sala de armas.

Mobiliário em exposição

Obras de arte do acervo




O prédio onde é a prefeitura está em reformas e seu funcionamento foi transferido para a Santa Casa de Misericórdia, anexa à Igreja de Santa Isabel (1607), esta última fechada, pois o telhado está caindo!

Santa Casa de Misericórdia e fachada da Igreja de Santa Isabel

Interior da Santa Casa, onde está funcionando temporariamente a Prefeitura



Cabe ressaltar que todas as visitas realizadas na cidade são gratuitas e em todos os locais há guias treinados (muitos deles, estudantes da cidade) para orientar o visitante.

Deixamos a cidade no fim da tarde, agora com destino a Bahia.


Após o pernoite em posto de combustível na cidade de Umbaúba, seguimos direto pela BR 101 para Cruz das Almas, na Bahia; mas esta já é outra história!

 

 

 

 

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