Viagem Família______________________________________

.

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Expedição Transamazônica 10 - Altamira, Xingu e Marabá, finalmente "o fim" do Pará! PARTE 3

Rio Xingu, Altamira
 

Nosso desvio da BR230 foi por um bom motivo (texto anterior, PARTE 2), afinal de contas, vir até aqui (Pará) e não conhecer Fordlândia, as lindas Alter do Chão e Pindobal (praia de Belterra), e Santarém não têm sentido!! Deixamos um trecho de 150km da Transamazônica entre Rurópolis e Uruará (passando por Placas) para outro momento (ou não!).

Uruará a Medicilândia


De volta à Transamazônica, percorremos este trecho de 100km entre Uruará e Medicilândia em estrada não pavimentada (é claro!) e dividida entre 50km bons e outros 50km ruins!

A região em questão é grande produtora de cacau e as plantações do fruto se estendem por grandes áreas a perder de vista. [Hoje o grande produtor de cacau do Brasil é o Pará, seguido pela Bahia, que antigamente detinha este posto. Mas esta história fica para outra postagem, quando passarmos pela Bahia]

MEDICILÂNDIA


A entrada da cidade é bem bonitinha e organizada! Daqui em diante, o asfalto está presente na BR230!! Conhecida como Capital Nacional do Cacau, Medicilândia conta com aproximadamente 30mil habitantes. Fundada na época da abertura da Transamazônica (1973), durante o governo de Emílio G. Médici, recebeu seu nome em homenagem a este general. Aqui foi implementado o Plano de Integração Nacional, formando uma vila com 6 famílias produtoras rurais!

Passamos pela cidade e seguimos mais 100km até Altamira.

Encontro inesperado com Ana Paula e Anderson, Biguá Overlander!! Sempre é bom reencontrar os amigos!

Neste trecho encontramos um casal de viajantes amigos, que vinha no sentido oposto! Foi muito legal encontrar os amigos catarinas Ana Paula e Anderson, de Bal. Piçarras, por aqui. Trocamos umas ideias rápidas e cada um seguiu numa direção oposta!

Altamira


Conhecido por ser o maior município em extensão do Brasil e o 3º maior do mundo - ela tem a área maior do que 104 países! e o dobro do tamanho de Portugal! por ex. - Altamira tem aproximadamente 140mil habitantes.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Esta cidade é a mais antiga da região e sua história começa com uma Missão Jesuítica que formou a cidade atual. Antes do séc. XVIII as missões já habitavam a região do Xingu, mas foi em 1750 que o Padre Roque Hunderfund adentrou o rio Xingu e foi até o Igarapé Tucuruí e com o auxílio de indígenas, chegou ao Igarapé Panelas, onde fundou a Missão Tavaquara, posteriormente Altamira.

A cidade de Altamira é abastecida pela Usina Hidrelétrica de Tucuruí, distante 400km, e a população paga um preço altíssimo pela energia elétrica, mesmo possuindo em seu território a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, a 4ª maior do mundo! Por aqui, apenas o ônus... com o alagamento das áreas do rio Xingu (2 reservatórios), muita gente perdeu terras próximas do rio (inclusive indígenas de muitas tribos), além de ter afetado o regime das águas, inundando igarapés, causando impactos na fauna e flora locais. Com a inundação das áreas, o regime de chuvas e seca se alterou e a área permanentemente inundada apodreceu as raízes das árvores, que serviam de alimento e abrigo na desova dos peixes. O impacto negativo na pesca é enorme e isto afeta diretamente as comunidades ribeirinhas e tradicionais. 




Além disso construção da Usina fez com que a população passasse de 100mil para 140mil habitantes, sem melhoria de infraestrutura e afins.  Este crescimento desordenado fez com que a criminalidade aumentasse e as disputas entre PCC e CV já causaram muito estrago, inclusive chacinas, tornando a cidade uma das mais violentas do país.

Usina de Belo Monte: construída entre 2011 e 2019, teve a primeira turbina inaugurada em 2016. Custo astronômico de R$26 bilhões (estimado) e uma capacidade total de geração 11233 MW e média de 4500MW de energia assegurada.

CURIOSIDADE: Durante as obras de prospecção foram descobertos veios de ouro na região de Belo Monte. Para evitar a suspensão da obra e uma nova corrida do ouro (como a ocorrida em Serra Pelada nos anos 1980, próximo daqui), o possível poço de ouro foi coberto de concreto!!!

NOSSA PASSAGEM POR AQUI

Buscamos um local para pernoite e encontramos o Balneário Luiz do Pedral, numa área particular distante uns 8km da cidade, às margens do Xingu. Conseguimos convencer a família a permitir nosso pernoite aqui, pois a regra é apenas day use ( O Sr. Luiz e seu filho mais velho permitiram nosso acampamento, estabelecendo a regra: tudo fechado silencioso às 19h! E foi o que fizemos). Tomamos nosso gostoso banho de rio, e posteriormente de chuveiro, armamos a barraca já no anoitecer e ficamos observando as estrelas e a lua cheia em silêncio... oh, delícia!!!

Balneário Luiz do Pedral, Altamira, às margens do rio Xingu


Na manhã seguinte, Sr. Luiz veio bater papo e nos contar as histórias do lugar. Seu pai, cearense, veio para o Pará como “soldado da borracha” em meados de 1940: ou ia pra batalha na 2ª Guerra (Itália) ou vinha explorar a borracha no Pará (ou Acre, ou Amazonas...)!


Deixamos a cidade para trás e seguimos pela BR230 até Vitória do Xingu, onde paramos rapidamente para dar uma olhada na barragem de Belo Monte (que eu, carinhosamente, chamo de Belo Monte de mer... rsrsrsr).



Atravessamos a balsa (uma linda ponte está sendo construída) e seguimos ao sul, em direção a Novo Departamento, onde fica a Hidroelétrica de Tucuruí. Chegamos a Marabá no anoitecer. O dia rendeu: percorremos 500km (entre Altamira e Marabá) em pouco menos de 6 horas.


Depois de muito tempo, o pernoite foi em um posto de combustíveis bom, com estrutura (o último havia sido em Humaitá, no Amazonas). Aproveitamos para comer um PF (prato feito) no Restaurante do Goiano, onde os proprietários Feitosa e esposa, Ester, nos contaram muitas histórias curiosas.




Usamos as mesas do restaurante para preparar nosso café, no dia seguinte

Marabá

Fundada em 1809 e refundada em 1894, quando a imigração de árabes, goianos e maranhenses vieram para cá, Marabá tem quase 300mil habitantes atualmente. Conhecida por ser o berço de Serra Pelada (maior garimpo nos anos 1980) e do Programa Grande Carajás (extração de ferro e ouro, consequentemente).

Ferrovia Carajás - ponte compartilhada com rodovia sobre o Rio Tocantins. Estrutura mista de 2340m, inaugurada em 1985, fundamental para o escoamento de minério, a ponte opera em "mão inglesa" (carros nas laterais e trem no centro).

Marabá fica na confluência dos rios Tocantins e Itacaiúnas, que formam um Y. Chamada de “Cidade Poema”, por ser o berço do poeta Gonçalves Dias.

Seguimos a dica dada por um morador e fomos até o outro lado do rio Tocantins, na Praia do Geladinho. Era domingo e o local estava fervilhando de gente, com suas caixas de som infernais!

Durante a época das chuvas, o rio enche e sobe até 20m!!!

Barco encalhado! O nível das águas está bastante baixo (época da seca) e o comandante deve ser experiente, pois há muitos bancos de areia

Buscamos um local mais tranquilo e na 3ª tentativa, achamos um beco bacana e sombreado. Após um delicioso banho, apesar do nível do rio estar bastante baixo (época de seca), o proprietário do terreno onde estávamos veio. Sidnei/Fumaça nos explicou que éramos benvindos, mas que sugeria outro local para ficarmos à noite, pois ali havia ocorrências ilícitas de noite (!) e o vizinho estava patrocinando uma “disputa de picos” – muitos carros com aparelhagem de som ensurdecedora vão se revezando em disputas de músicas (ou qualquer coisa parecida!).


"Piscina" de borda infinita, Rio Tocantins



Seguimos seu conselho e pegamos uma estradinha que mais parecia uma trilha, chegando a um local com estrutura, energia e segurança no fim da linha! Havia uma casa em construção e ali tomamos a ducha e lavamos a louça!

À noite, o silêncio era interrompido pelo apito dos trens que efetuam o transporte de minerais de Carajás. O ruído dos carros e seus sons estava baixo e distante.


No dia seguinte, seguimos 33km pela Transamazônica até a cidade de São Domingos do Araguaia, onde fizemos um desvio. Motivo: houve a queda de uma ponte há um ano, na localidade de Estreito, divisa com o Maranhão, com mortes, inclusive (fato amplamente noticiado)! As filas na balsa são intermináveis e moradores da região nos deram a sugestão de desviarmos pela BR153 até a divisa com o Tocantins!



Ponte pronta há meses, cabeceiras "esperando" ano eleitoral!! Afff este é o Brasil que não gostamos!

Em São Geraldo do Araguaia vimos mais um descaso dos desgovernos: a ponte está pronta, mas as cabeceiras não foram feitas ainda (2025)! Segundo os moradores locais, estão esperando o ano eleitoral (2026) para terminar a obra!!! [Soubemos há alguns dias que as cabeceiras foram inauguradas e a ponte está sendo usada!]

Grupo de romeiros na beira da estrada BR230!

Finalmente, após 13 dias e mais de 1400km, chegamos ao fim do Pará!


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Grato por visitar o ViagemFamilia. Críticas, elogios e quaisquer comentários são desejados, desde que feitos em terminologia ética e adequada.

SE FIZER QUESTIONAMENTOS POR FAVOR DEIXE ALGUMA FORMA DE CONTATO PARA POSSIBILITAR A RESPOSTA, COMO E-MAIL, POR EXEMPLO