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| Rio Xingu, Altamira |
Nosso desvio da BR230 foi por um bom motivo (texto anterior, PARTE 2), afinal de contas, vir até
aqui (Pará) e não conhecer Fordlândia, as lindas Alter do Chão e Pindobal (praia
de Belterra), e Santarém não têm sentido!! Deixamos um trecho de 150km da Transamazônica entre
Rurópolis e Uruará (passando por Placas) para outro momento (ou não!).
Uruará a Medicilândia
De volta à Transamazônica, percorremos este trecho de 100km
entre Uruará e Medicilândia em estrada não pavimentada (é claro!) e dividida
entre 50km bons e outros 50km ruins!
A região em questão é grande produtora de cacau e as
plantações do fruto se estendem por grandes áreas a perder de vista. [Hoje o
grande produtor de cacau do Brasil é o Pará, seguido pela Bahia, que
antigamente detinha este posto. Mas esta história fica para outra postagem,
quando passarmos pela Bahia]
MEDICILÂNDIA
A entrada da cidade é bem bonitinha e organizada! Daqui em
diante, o asfalto está presente na BR230!! Conhecida como Capital Nacional do
Cacau, Medicilândia conta com aproximadamente 30mil habitantes. Fundada na
época da abertura da Transamazônica (1973), durante o governo de Emílio G.
Médici, recebeu seu nome em homenagem a este general. Aqui foi implementado o
Plano de Integração Nacional, formando uma vila com 6 famílias produtoras
rurais!
Passamos pela cidade e seguimos mais 100km até Altamira.
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| Encontro inesperado com Ana Paula e Anderson, Biguá Overlander!! Sempre é bom reencontrar os amigos! |
Neste trecho encontramos um casal de viajantes amigos, que vinha no sentido oposto! Foi muito legal encontrar os amigos catarinas Ana Paula e Anderson, de Bal. Piçarras, por aqui. Trocamos umas ideias rápidas e cada um seguiu numa direção oposta!
Altamira
Conhecido por ser o maior município em extensão do Brasil e o
3º maior do mundo - ela tem a área maior do que 104 países! e o dobro do
tamanho de Portugal! por ex. - Altamira tem aproximadamente 140mil habitantes.
UM POUCO DE HISTÓRIA
Esta cidade é a mais antiga da região e sua história começa
com uma Missão Jesuítica que formou a cidade atual. Antes do séc. XVIII as
missões já habitavam a região do Xingu, mas foi em 1750 que o Padre Roque
Hunderfund adentrou o rio Xingu e foi até o Igarapé Tucuruí e com o auxílio de
indígenas, chegou ao Igarapé Panelas, onde fundou a Missão Tavaquara,
posteriormente Altamira.
A cidade de Altamira é abastecida pela Usina Hidrelétrica de
Tucuruí, distante 400km, e a população paga um preço altíssimo pela energia
elétrica, mesmo possuindo em seu território a Usina Hidrelétrica de Belo
Monte, a 4ª maior do mundo! Por aqui, apenas o ônus... com o alagamento das
áreas do rio Xingu (2 reservatórios), muita gente perdeu terras próximas do rio
(inclusive indígenas de muitas tribos), além de ter afetado o regime das águas,
inundando igarapés, causando impactos na fauna e flora locais. Com a inundação
das áreas, o regime de chuvas e seca se alterou e a área permanentemente
inundada apodreceu as raízes das árvores, que serviam de alimento e abrigo na
desova dos peixes. O impacto negativo na pesca é enorme e isto afeta
diretamente as comunidades ribeirinhas e tradicionais.
Além disso construção da Usina fez com que a população
passasse de 100mil para 140mil habitantes, sem melhoria de infraestrutura e
afins. Este crescimento desordenado fez
com que a criminalidade aumentasse e as disputas entre PCC e CV já causaram
muito estrago, inclusive chacinas, tornando a cidade uma das mais violentas do
país.
CURIOSIDADE: Durante as obras de prospecção foram descobertos
veios de ouro na região de Belo Monte. Para evitar a suspensão da obra e uma
nova corrida do ouro (como a ocorrida em Serra Pelada nos anos 1980, próximo
daqui), o possível poço de ouro foi coberto de concreto!!!
NOSSA PASSAGEM POR AQUI
Buscamos um local para pernoite e encontramos o Balneário
Luiz do Pedral, numa área particular distante uns 8km da cidade, às margens
do Xingu. Conseguimos convencer a família a permitir nosso pernoite aqui, pois
a regra é apenas day use ( O Sr. Luiz e seu filho mais velho permitiram
nosso acampamento, estabelecendo a regra: tudo fechado silencioso às 19h! E foi
o que fizemos). Tomamos nosso gostoso banho de rio, e posteriormente de
chuveiro, armamos a barraca já no anoitecer e ficamos observando as estrelas e
a lua cheia em silêncio... oh, delícia!!!
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| Balneário Luiz do Pedral, Altamira, às margens do rio Xingu |
Na manhã seguinte, Sr. Luiz veio bater papo e nos contar as
histórias do lugar. Seu pai, cearense, veio para o Pará como “soldado da
borracha” em meados de 1940: ou ia pra batalha na 2ª Guerra (Itália) ou vinha
explorar a borracha no Pará (ou Acre, ou Amazonas...)!
Deixamos a cidade para trás e seguimos pela BR230 até Vitória
do Xingu, onde paramos rapidamente para dar uma olhada na barragem de Belo
Monte (que eu, carinhosamente, chamo de Belo Monte de mer... rsrsrsr).
Atravessamos a balsa (uma linda ponte está sendo construída)
e seguimos ao sul, em direção a Novo Departamento, onde fica a Hidroelétrica de
Tucuruí. Chegamos a Marabá no anoitecer. O dia rendeu: percorremos 500km (entre
Altamira e Marabá) em pouco menos de 6 horas.
Depois de muito tempo, o pernoite foi em um posto de
combustíveis bom, com estrutura (o último havia sido em Humaitá, no Amazonas).
Aproveitamos para comer um PF (prato feito) no Restaurante do Goiano, onde os
proprietários Feitosa e esposa, Ester, nos contaram muitas histórias curiosas.
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| Usamos as mesas do restaurante para preparar nosso café, no dia seguinte |
Marabá
Fundada em 1809 e refundada em 1894, quando a imigração de
árabes, goianos e maranhenses vieram para cá, Marabá tem quase 300mil
habitantes atualmente. Conhecida por ser o berço de Serra Pelada (maior garimpo
nos anos 1980) e do Programa Grande Carajás (extração de ferro e ouro,
consequentemente).
Marabá fica na confluência dos rios Tocantins e Itacaiúnas,
que formam um Y. Chamada de “Cidade Poema”, por ser o berço do poeta Gonçalves
Dias.
Seguimos a dica dada por um morador e fomos até o outro lado
do rio Tocantins, na Praia do Geladinho. Era domingo e o local estava
fervilhando de gente, com suas caixas de som infernais!
| Durante a época das chuvas, o rio enche e sobe até 20m!!! |
| Barco encalhado! O nível das águas está bastante baixo (época da seca) e o comandante deve ser experiente, pois há muitos bancos de areia |
Buscamos um local mais tranquilo e na 3ª tentativa, achamos
um beco bacana e sombreado. Após um delicioso banho, apesar do nível do rio
estar bastante baixo (época de seca), o proprietário do terreno onde estávamos
veio. Sidnei/Fumaça nos explicou que éramos benvindos, mas que sugeria outro
local para ficarmos à noite, pois ali havia ocorrências ilícitas de noite (!) e
o vizinho estava patrocinando uma “disputa de picos” – muitos carros com
aparelhagem de som ensurdecedora vão se revezando em disputas de músicas (ou
qualquer coisa parecida!).
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| "Piscina" de borda infinita, Rio Tocantins |
Seguimos seu conselho e pegamos uma estradinha que mais
parecia uma trilha, chegando a um local com estrutura, energia e segurança no
fim da linha! Havia uma casa em construção e ali tomamos a ducha e lavamos a
louça!
À noite, o silêncio era interrompido pelo apito dos trens que
efetuam o transporte de minerais de Carajás. O ruído dos carros e seus sons
estava baixo e distante.
No dia seguinte, seguimos 33km pela Transamazônica até a cidade de São Domingos do Araguaia, onde fizemos um desvio. Motivo: houve a queda de uma ponte há um ano, na localidade de Estreito, divisa com o Maranhão, com mortes, inclusive (fato amplamente noticiado)! As filas na balsa são intermináveis e moradores da região nos deram a sugestão de desviarmos pela BR153 até a divisa com o Tocantins!
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| Ponte pronta há meses, cabeceiras "esperando" ano eleitoral!! Afff este é o Brasil que não gostamos! |
Em São Geraldo do Araguaia vimos mais um descaso dos desgovernos: a ponte está pronta, mas as cabeceiras não foram feitas ainda (2025)! Segundo os moradores locais, estão esperando o ano eleitoral (2026) para terminar a obra!!! [Soubemos há alguns dias que as cabeceiras foram inauguradas e a ponte está sendo usada!]
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| Grupo de romeiros na beira da estrada BR230! |
Finalmente, após 13 dias e mais de 1400km, chegamos ao fim do
Pará!






















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