Viagem Família______________________________________

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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Relatório Final - Expedição Transamazônica 2025

 


RELATÓRIO FINAL – EXPEDIÇÃO TRANSAMAZÔNICA 2025

 

Início da aventura: 24 de junho de 2025

Término da aventura: 19 de novembro de 2025

            TOTAL: 150 dias

                        TOTAL DE DIAS PERCORRIDOS NA BR-230: 25 dias

            QUILOMETRAGEM TOTAL: 15076 km

                        QUILOMETRAGEM PERCORRIDA NA BR-230: 5089 km

Descrição

R$ (US$)

Porcentagem

Combustível           (1348 litros)

         Mais barato: R$ 5,39 o litro (PB)

         Mais caro: R$ 8,02 o litro (PA)

R$8459, 86 (=U$ 1630)

32,4%

Pedágio           (24, no total)

R$ 307,00 (=U$ 60)

 

Balsas              (22 balsas no total)

Mais cara: R$ 135,00 (Rio Juruena, MT 208)

R$ 482,00 (= U$ 93)

 

Garça (trocas de óleo, peças, soldas, consertos,...)

R$ 1567,53 (= U$ 300)

6%

TOTAL DE GASTOS    

 Por dia (casal): R$ 174,00 (=U$ 32,50)

R$ 26099,00 (=U$ 4890)

 

No total, foram visitados 18 estados da federação, dos quais 7 estados são cortados pela BR-230 Transamazônica. Passamos por todos os estados da região Centro-Oeste, do Nordeste (com exceção do Rio Grande do Norte) e do Sudeste (com exceção do Rio de Janeiro).

Fordlândia (PA), às margens do Rio Tapajós

Neste percurso, cruzamos centenas de rios, nos banhamos em dezenas deles, tiramos fotos de pores do sol a perder as contas.

  • Rios importantes que cruzamos:

Paraná, Paraguai, Paranapanema, Miranda, Juruena, Xingu, Tapajós, Amazonas, Teles Pires, Madeira, Roosevelt, Tocantins, Araguaia, São Francisco, Paraibuna, Jequitinhonha, das Contas, Pardo,...

  • Parques Nacionais e Estaduais visitados:
- Chapada dos Parecis (Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis)
- Pantanal Mato-Grossense (Bonito, Porto Murtinho)
- Chapada dos Guimarães (Nobres, Bom Jardim)
- PN Chapada das Mesas (Carolina, Itapecuru)
- PN  da Amazônia (PA) 
- PN Serra da Capivara (Sítio do Mocó - PI)
- PN Serra das Confusões (Cânion dos Viana - PI)
- PE Morro do Diabo (SP)

Cachoeira do Utiariti - Chapada do Parecis MT

  • Lugares que valem uma nova visita
- explorar melhor a Chapada dos Parecis (MT)
- Serra da Capivara (é linda e sempre vale mais uma visita!)
- Rio São Francisco ("quem bebe de sua água sempre volta!"
- Rio Tapajós (de beleza única, uma dos pontos altos de nossa viagem!)

PN da Amazônia - Rio Tapajós (PA)

  • Cidades/locais que marcaram:
- Areia (PB): linda cidade colonial, localizada no Brejo Paraibano, "terra da cachaça"
- São Cristóvão (SE): primeira capital do estado, com casario preservado
- Praia de Pindobal (Belterra, PA): na nossa opinião, mais bonita e atraente que a vizinha famosa Alter do Chão
- Fordlândia (Aveiro, PA): curioso encontrar uma fábrica automotiva no meio da floresta
- Rio Roosevelt (MT/PA): a  história do Rio da Dúvida é incrível e envolve personagens interessantes (ex-Presidente Roosevelt e Mal. Cândido Rondon)
- Chapada dos Parecis (MT)

São Cristóvão (SE)
 

PERNOITES

Normalmente acampamos sem custo, no estilo chamado wild camping. Neste percurso, pagamos para dormir, em camping ou semelhante, 8 vezes e dormimos em hotel 1 vez (em Minas Gerais: R$ 160,00 o pernoite com café da manhã). 

Camping Barra Grande, em Canasvieira (BA)

Os camping mais caros ficaram em R$ 160,00 (=U$32) para casal [no Mato Grosso do Sul (Bonito) e no Pará (Pindobal, com jantar incluso)] e o mais barato foi R$ 35,00 (=U$6) o casal [no litoral da Bahia].

Hospedamo-nos na casa de amigos em 7 ocasiões, ficando alguns dias em cada local.

  • Aqueles locais que foram planejados, mas que ficaram para uma próxima vez
- Cânion do Jaguarucatu (Sengés, PR)
- PN do Descobrimento (BA)
- PN do Caparaó (Pico da Bandeira, MG/ES)
- PE da Cachoeira da Fumaça (ES)
- Bedengó (meteorito) + Canudos: Estação Ecológica Raso da Catarina, na BA
- Ilha do Marajó (Alenquer + Oriximiná), no PA

PERRENGUES:

  • ·         O primeiro, e mais tenso, foi quando caímos numa valeta e tivemos de encontrar um trator para nos tirar da enrascada, no interior do Paraná (estávamos a 230km de casa!).
  • ·         Quebra de molas: trocamos as duas molas traseiras (uma no Pará e outra no Piauí) – as estradas são horríveis e mesmo mantendo a velocidade média baixa, o desgaste é muito grande
  • ·         Perdemos um parafuso com porca que prendia o amortecedor traseiro (a troca foi feita na beira da estrada, rapidinho): será que tinha muito buraco na estrada??
  • ·         Foram feitas duas soldas (no fecho da tampa e no escapamento)


 

Assim, finalizamos mais um projeto com sucesso. Se foi bom??? Com certeza.

Vimos e vivenciamos coisas maravilhosas! Aprendemos mais um pouco sobre este nosso grande país, cheio de antagonismos e curiosidades.

Até a próxima...

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Expedição Transamazônica 11 - Passagem pelo Tocantins e Maranhão

Babaçulândia TO - Represa do Rio Tocantins


Fizemos um pequeno desvio da Transamazônica e seguimos até a divisa com o Tocantins pela BR153, em São Geraldo do Araguaia, onde pegamos a balsa e chegamos a Xambioá, já no Tocantins.

Xambioá, Wanderlândia e Babaçulândia


O trecho percorrido foi todo em asfalto e rendeu bem, porém o calor pedia um banho. Desta forma, chegando a Babaçulândia, aproveitamos uma praia de lago (da represa do rio Tocantins – UHE do Estreito) e buscamos um local tranquilo para preparar nosso almojanta, tomar um gostoso banho de rio/lago e dormir.

BR 230 - em algum lugar do Tocantins, perto de Araguaína

O local escolhido foi a Praia do Coco. Já era fim da tarde e muitas pessoas estavam deixando o local e voltando para suas casas (domingo é assim!). Tivemos apenas a companhia da Caramela, uma linda e afetiva cachorrinha que ganhou ossinhos em troca de seu carinho!

Praia do Coco: banho merecido... calor do "djanho"!


A lua cheia estava linda... a única coisa que atrapalhou a noite (até quase 23h) foi um sistema de som, altíssimo, no meio do lago e controlado por controle remoto a partir da praia (não encontramos o fdp dono da geringonça)! Existe gente sem noção... infelizmente!

UM POUCO DE HISTÓRIA (bastante atual)

Esta região é conhecida por ter sido o palco da Guerrilha do Araguaia, ocorrida entre 1960-1970. Xambioá, localizada às margens do rio Araguaia e cujo nome em Tupi significa “ave veloz”, também é conhecida por estar localizada no “bico do papagaio” (forma do mapa do Tocantins nesta área).

A Guerrilha do Araguaia foi um movimento guerrilheiro criado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) com o objetivo de fomentar uma revolução socialista, a ser iniciado no campo, baseada nas experiências vitoriosas da Rev. Cubana e Rev. Chinesa. O movimento pretendia derrubar o governo militar e contava com, aproximadamente, 80 guerrilheiros, dos quais menos de 20 sobreviveram (dentre eles, o PTista José Genoíno). Com atrocidades cometidas de ambos os lados, o movimento foi sufocado após 3 tentativas dos militares. [50 destes guerrilheiros são considerados desaparecidos políticos]

Wanderlândia, fundada nos anos 1980, na época da Guerrilha era apenas uma fazenda. A cidadezinha conta com muitas cachoeiras (30) das quais apenas 13 são bem conhecidas e visitadas. 


Babaçulândia foi emancipada em 1953 e conta com menos de 10mil habitantes. A “terra do coco” tem no extrativismo do coco babaçu sua principal fonte econômica e, com o passar do tempo, também na confecção de sacarias feitas de fibra de malva. É uma cidade pobre, cuja maior fonte de renda é Bolsa Família, assim como as cidades vizinhas. Também aqui há cachoeiras (do Degrau, do Jenipapo e Santa Bárbara), onde é possível tomar banho e fazer trilhas.

"Piscina" de borda infinita!!

NOSSA PASSAGEM POR AQUI

Chegamos no meio da tarde de domingo e as praias estavam lotadas. Na manhã seguinte, com tranquilidade e silêncio - apenas nós 2 - Marcos ajeitou a ventoinha do Garça enquanto eu aproveitei para lavar umas roupas e colocar o diário em dia. Tomamos um gostoso banho no lago antes de seguirmos viagem.

Nosso acampamento por aqui

Pegamos uma linda estrada (não pavimentada) que seguia em direção à Filadélfia. Esta estradinha – estrada de tropeiros - passa ao lado de uma Serra, chamada de Serra da Matança e que contorna o lago da represa.

A estrutura do local é completa, com banheiros, duchas e restaurantes


As histórias passadas de boca em boca sobre a Serra da Matança impressionam, mas não se sabe se são lendas ou verdades. De qualquer forma, diz a história que há cerca de 200 anos (não há consenso, uns dizem que foi nos anos 1930), indígenas da etnia Kraô foram dizimados em cima da serra por homens sedentos de terra que ficaram com suas propriedades rurais para criação de gado.

Em cima do morro, cerca de 400m de altitude, há uma caverna de 30m de comprimento. Diz a lenda que foi aberta pelos indígenas que foram expulsos da Bahia (?) e utilizaram o local como abrigo.




Em Filadélfia-TO seguimos direto até a balsa. Lá atravessamos o rio Tocantins e chegamos ao Maranhão.


Às margens do rio Tocantins, em Filadélfia

Mais uma balsa pra conta... será a última???

Carolina (MA)

Carolina e as formações rochosas da Chapada das Mesas

Revisitar a cidade de Carolina, cidade base da Chapada das Mesas, foi bacana. Estivemos aqui há 10 anos (em 2015, em nossas Bodas de Prata. Segue link anexo*) e chegamos na hora da siesta. Tiramos umas fotos da Catedral São Pedro de Alcântara (1864) e do Setor Histórico, antes de seguirmos até a região das cachoeiras.

V i a g e m F a m í l i a: Chapada das Mesas - Sul do Maranhão

 Igreja Matriz São Pedro de Alcântara foi construída em 1864. Os sinos do campanário vieram da Itália. A cidade iniciou com uma povoação em 1802 (que depois foi abandonada por questões políticas) e sua fundação foi em 1859.

Praça central e casario do Setor Histórico

Já na BR230 – Transamazônica – abastecemos e pegamos informações com o frentista. Obs.: eles têm sido ótimos informantes e suas dicas têm sido preciosas! Muitas secretarias de turismo ou centros de informação ao turista estão fechadas ou não têm atendimento ao público na hora do almoço e nos fins de semana, o que é uma lástima!

O frentista nos sugeriu as Cachoeiras Itapecuru (gêmeas), mas como já as conhecíamos optamos por um “novo” balneário, do outro lado da estrada, uns 4 quilômetros antes. Um morador muito gentil nos orientou e seguimos pela estradinha, uns 6 km, até o Bal. Encontro dos Rios (Cipó e Cipozinho), onde a Maria da Luz nos recebeu.

Balneário Encontro dos Rios: fora do roteiro de turismo


Paramos o Garça debaixo de umas árvores, ao lado de um quiosque, e aproveitamos para tomar um gostoso banho de rio de buritizal, com suas águas cristalinas.

Nos esbaldamos: cajus doces e fartos

Colhemos "uma sacolada" e aproveitamos a sua doçura por dias!

Enquanto preparávamos nosso almojanta, Maria veio conversar conosco e contar sua história de vida, muito dura e triste. Ela tem 66 anos e é filha de indígena com branco. Na adolescência, foi vendida pelo pai para um garimpeiro com seus 30 e poucos anos! Era época da Guerrilha e como eram muito pobres, representava “uma boca a menos pra alimentar!” Mal alfabetizada, possui muito conhecimento da medicina tradicional de seus antepassados.

Em companhia da bichana Caramela

Encontro dos rios Cipó e Cipozinho - águas cristalinas de buritizal, mais frias!

No dia seguinte, levantamos acampamento na companhia dos patos, cachorros, gato, galinhas e peixes rsrsrsrsr Maria tinha ido embora bem cedo, pois estava voltando pro Tocantins, onde tem casa.



Dia de deslocamento, passamos por Riachão (onde está localizada a Cachoeira Santa Bárbara, muito famosa, dentro do Complexo Turístico Poço Azul), Balsas (cidade grande), São Raimundo das Mangabeiras e em São Domingos do Azeitão, desviamos da BR230 – Transamazônica, em direção ao Piauí pela MA-371 até a divisa dos estados MA/PI.

Esta é a paisagem por aqui: cerrado e chapadas


A partir de Uruçuí, já no Piauí, a estrada passa a ser BR-324, mas esta já é a próxima aventura...

  

Rio Parnaíba: divisa MA/PI

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Rumo à Chapada dos Veadeiros - Goiás

Dia 21/janeiro/2016
Viela ao lado da Igreja de São Benedito - Natividade TO
Ainda chovia quando acordamos em Porto Nacional (TO). Após o café da manhã, retomamos a estrada em direção a Natividade, 160 km distante daqui, pela TO 050, também conhecida como Rodovia Coluna Prestes.
Igreja de São Benedito (primeiras décadas do séc. XVIII)

A cidade de Natividade é muito linda, tem pouco menos de 10 mil habitantes e que foi criada em 1734, sendo o núcleo urbano mais antigo do estado. Em sua parte histórica as casas são todas bem conservadas e se observam duas fachadas representadas: uma mais simples e despojada, que remota ao século XVIII, quando a cidade ainda era uma vila e a mineração era sua fonte econômica e outra, mais elaborada e ornamentada, já do século XIX, quando a pecuária passou a ser a base da economia na região. 
Estilos arquitetônicos com influência portuguesa e francesa

Em 1735, chegou ao arraial uma imagem de Nossa Senhora da Natividade, que veio de barco pelo Rio Tocantins e depois em ombros escravos até o Arraial. Para garantirem sua permanência no local, os moradores tiveram que enfrentar ataques dos índios.  Essa imagem é a mesma venerada nos dias de hoje na igreja Matriz de Natividade, uma das mais antigas do Estado, datada de 1759. 

Igreja Matriz de N. Sra de Natividade (1759)
No início da colonização, toda uma tribo da etnia Xavante foi aniquilada por se ter negado à escravidão determinada pelos portugueses, que possuíam escravos trazidos da África para trabalharem na extração do ouro.
Segundo a tradição oral, entre portugueses e escravos africanos, havia quarenta mil trabalhadores nas minas: conta-se também que caravanas de mais de cem burros com suas bruacas carregadas com "arrobas de ouro" seguiam de Natividade para Salvador, na Bahia, e dali para Portugal. Com o declínio da mineração, desceram a serra para desenvolver a agricultura e o comércio.

http://www.natividade.to.gov.br/Historia/


Ruínas da Igreja de N. Sra. do Rosário dos Pretos (século XVIII)

Natividade foi tombada 1987, quando ainda pertencia ao estado de Goiás, e em 2004, pelo Programa Monumenta do governo federal, foi toda revitalizada. São 250 imóveis no perímetro tombado e que é constituído basicamente de igrejas, moradias e logradouros públicos. 
É uma cidade onde a Festa do Divino ainda ocorre com muitos festejos e possui uma Via Sacra que se estende por muitos quilômetros na estrada. Também é bastante visitada pela arte da ourivesaria. As joias produzidas aqui em filigrana são exportadas para outras regiões e países, tendo um curso  para jovens da comunidade, Ourivesaria Mestre Juvenal , em que se aprendem as técnicas para confecção das tradicionais joias. 
Cemitério antigo da cidade
Já havíamos estado nesta cidadezinha charmosa em 2010 e como estava em nosso caminho, aproveitamos para revê-la, com grande satisfação!
http://www.viagemfamilia.com.br/2010/07/jalapao-2010-familia-mmdn-27jul-28jul.html



Não podíamos deixar de aproveitar para degustar e comprar os famosos doces da Casa da Tia Naninha (www.amorperfeitotiananinha.com.br) antes de seguirmos viagem.
Importante lembrar que o tempo todo em que estivemos na cidade, a chuva não deu trégua!!!

Percorremos ainda uns 350 km até chegarmos em Teresina de Goiás - que já faz parte da Chapada dos Veadeiros, onde já havíamos nos hospedado uma vez (em 2010, quando estivemos no Jalapão). Aproveitamos para rever o Hotel Uirapuru onde havíamos ficado e que agora tem novo dono, Algieser Neves Paiva.

Hotel Uirapuru: (62) 3467 - 1390 ou (62) 9614 - 6122
Cozinhando nosso jantar!
Após alguma negociação, nos hospedamos a R$ 80,00 para casal com café da manhã e ainda utilizamos a sua cozinha para fazermos nosso jantar, visto que havíamos comprado carne e verduras para acampamento (o que acabou não acontecendo em função do mau tempo) e, como ainda não temos uma geladeira à bordo, corríamos o risco de que estragariam.
Fazendo postagens antes de dormir!