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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Torres del Paine (Chile) a Ushuaia(Argentina)- Janeiro de 2018

Torres del Paine (Chile) a Ushuaia (Argentina) - janeiro de 2018

Vista da cadeia de montanhas do Parque Nacional Torres del Paine
Acordamos cedo em Esperanza, Argentina, e seguimos rumo a aduana chilena para entrarmos no Parque Nacional Torres del Paine. Os trâmites foram relativamente rápidos e reencontramos na fila aquele grupo de americanos com quem havíamos subido o Ventisqueiro Colgante, há alguns dias. Batemos papo com o Sean e nos despedimos, marcando o próximo encontro dentro do parque, o que acabou não acontecendo!


Chegamos ao Parque e desta vez, diferentemente de 8 aos atrás, o clima estava bom... Não perfeito, mas bom! Pudemos ver a cadeia de montanhas e percorrer as estradinhas que ficam dentro do parque, que foi fundado em 1959 e declarado Reserva da Biosfera, pela UNESCO, em 1978. 
É um dos locais mais visitados pelos turistas na Patagônia Chilena, recebendo mais de 160 mil viajantes anuais. Possui trilhas que podem durar muitos dias e locais próprios para acampar. O ingresso custa P$ 21.000 (pesos chilenos), o que dá mais ou menos R$ 118,00. Não é barato, mas vale cada centavo! 



Parada para o lanche, entre árvores. Muito vento aqui também!
Paramos entre arbustos para podermos fazer nosso lanche e decidir o que faríamos a seguir. A ideia era fazermos a trilha do Lago Grey, mas quando chegamos lá, descobrimos que a trilha estava interrompida e só pudemos fazer uma pequena parte... Como houve muito degelo, o nível das águas aumentou muito, interrompendo não só esta como outras trilhas do parque. Desta forma, fizemos um pequeno trekking, avistamos uns icebergs e voltamos até a última portaria, nos despedindo deste lugar incrível! 
Lago Grey

Iceberg  no Lago Grey


Despedida do Parque
 Resolvemos seguir até Puerto Natales, onde dormimos num posto novamente, pois não havia lugar no camping. Apesar do barulho, foi uma noite tranquila, onde os frentistas foram extremamente atenciosos e nos foi permitido usar o chuveiro quentinho!!! Delícia!! 
Na manhã seguinte, após um pequeno rolê pela cidade, seguimos até Punta Arenas, onde nosso objetivo era fazer compras, pois aqui existe uma das maiores Zonas Francas do Chile. Nós precisávamos trocar dois pneus do Garça e queríamos comprar uma máquina fotográfica Canon, pois nossa velhinha deu BO. 

Puerto Natales

Las Manos... alguém me explica o que faz aquele poste ali?

Coletando sementes de lupínias multicoloridas... 
As lupínias são flores lindíssimas que nesta época do ano florescem às margens de todas as rodovias da Patagônia, tanto chilena quanto argentina. Minha ideia era trazer sementes dessa belezura pro Brasil e tentar cultivá-las em locais que tivessem condições climáticas parecidas. Infelizmente, não deu certo! Mas valeu a tentativa!! 
Lanchando dentro do Mall, na Zona Franca
Esta Zona Franca de Punta Arenas é imensa, contando com muitos barracões e lojas. Em cada quarteirão, existe uma especialidade, por exemplo, há uma quadra onde só se vendem acessórios para carro. Outra tem só eletrônicos, e assim sucessivamente! No primeiro dia havia muitas lojas fechadas, pois o horário de funcionamento é diferente. Assim, acabamos trocando os pneus do Garça e comprando alguns acessórios apenas. 
Trocando os pneus do Garça

Dormimos num parque linear que fica na entrada da cidade, muito seguro e com pequenos quiosques onde há mesas e bancos disponíveis. O lugar está um pouco decadente e sujo, mas achamos uma barraquinha que estava razoável e armamos nosso acampamento ali mesmo. Na manhã seguinte, enquanto Joselle e Amândio arrumavam as coisas, voltamos à Zona Franca para procurar a nossa máquina fotográfica. Encontramos a Canon que queríamos pelo terço do preço que no Brasil!! 

Saímos felizes com nossas compras bem sucedidas e retornamos pela mesma rodovia, reencontrando nossos companheiros de viagem e seguindo rumo ao Estreito de Magalhães. 
No meio do caminho há uma fazenda abandonada, Estancia San Gregorio. Fundada em 1876, foi a maior fazenda de criação de ovinos e bovinos  no século XIX e era conhecida em todo o Chile e região. Seus galpões enormes impressionam. A história do lugar é interessante e o abandono em que se encontram suas ruínas é triste. Já havíamos parado aqui quando nossos filhos eram pequenos... eles curtiram muito e brincaram bastante. Há, no local, um navio abandonado, com as correntes imensas largadas na areia. 



Estancia San Gregorio


Esperando na fila do ferry
Passeamos um tempo por ali e seguimos até o Estreito de Magalhães, onde pegamos o ferry para a Tierra del Fuego. 
A travessia é feita em pouco mais de 20 minutos e hoje o mar estava calmo, permitindo subirmos até o segundo andar do navio para observar a paisagem. O nome deste estreito é uma homenagem ao primeiro navegador a cruzar por essas águas, Fernão de Magalhães, em 1520! Durante centenas de anos, essa foi a passagem utilizada pelos navegadores para atravessar de um lado para o outro dos oceanos. Só depois da construção do canal do Panamá é que as distâncias foram encurtadas.
Hoje nosso destino era a cidade de Rio Grande, já na porção argentina da Tierra del Fuego, que nada mais é que uma ilha, separada do continente sul-americano pelo estreito, que possui pouco mais de 5km. Chegamos à cidade de Rio Grande depois de fazermos os trâmites aduaneiros dos dois países. Dormimos num posto YPF ao lado da concessionária Chevrolet onde o Amândio tinha revisão geral de sua S10 no dia seguinte. 
Rumo à Ushuaia

Estação de esqui


Logo depois de passearmos pelo Cerro Castor, estação de esqui que agora está fechada, é claro, pois é verão, seguimos mais alguns quilômetros e encontramos um restaurante típico com café tropeiro à moda fueguina.  Eles até colocam no cartaz os ingredientes, o sabor é especial e o local idem! Lá encontramos um grupo de viajantes de moto, brasileiros, que acabam de fazer sua visita à Tierra del Fin del Mundo! Batemos um papo com eles e nos despedimos.

Paradinha pro café mais que especial

Viajantes motociclistas brasileiros 
 A próxima parada é obrigatória: no portal de entrada da cidade!!! Tiramos muitas fotos e ficamos felizes em retornar à Ushuaia,uma cidade linda, onde fizemos grandes e bons amigos: Mabel e Roberto, que conhecemos há 8 anos e onde vamos ficar novamente!

Voltando ao fim do mundo!!! 

Comemorando com os amigos!

Melhores anfitriões: Mabel e Roberto! Amigos pra sempre!
 Eles já estavam nos esperando... Os "meninos" saíram pra comprar frutos do mar frescos e as "meninas" ficaram tomando água saborisada e conversando!!
O jantar foi top! Mil conversas até tarde da noite! Nós acabamos dormindo na churrasqueira, com aquecimento e todo o conforto e Amândio e Joselle ficaram na camper, no quintal da casa.
Anoitecer em Ushuaia

Paso Roballos (divisa de Chile com Argentina) a El Calafate (Argentina) - Janeiro de 2018


Ruta 41 - já na Argentina, seguindo para a Ruta 40, próximo de Bajo Caracoles
 Acordamos cedo, pois estávamos dentro da área do Parque Nacional Patagônia e não queríamos ser surpreendidos pelos rangers... Seguimos até a aduana e os trâmites foram um pouco mais lentos, pois não há sistema de internet por aqui. Então toda a documentação teve que ser feita no papel e caneta. O policial aduaneiro foi bem bacana e mostrou-se bastante interessado pela viagem de nossos companheiros, Joselle e Amândio, www.viajandonos4x4.com.br, que estão há bastante tempo na estrada e pelas nossas aventuras, visto que esta é a 13ª vez que visitamos a Argentina! Feito isso, seguimos pela rua 41, de rípio, com um visual lindão até encontrarmos a Ruta 40!!
Acampamento dentro da área do Parque, próximo da aduana


Cavalos selvagens na pradaria

Vista das montanhas e rios da Patagônia argentina



Finalmente encontramos a Ruta 40!!! Foi um choque!!! Ela está toda asfaltada!!! A última vez que percorremos esse trecho (há 8 anos) ela era de rípio, daqueles bem pesados e com muito pó! Resolvemos visitar o Cânion de Sal fica fica ao lado da Cueva de las Manos, pois já conhecíamos o sítio arqueológico (lindo e muito interessante!) e assim, nos separamos do outro casal de viajantes (que foi visitar a Cueva) e por algumas horas fizemos um programa só nosso! 
Confira nossa postagem anterior sobre este tema: http://www.viagemfamilia.com.br/2010/01/perito-moreno-cueva-de-las-manos-el.html

Reencontrando a Ruta 40!!! Toda asfaltada, agora!!
Quando seguíamos pelo rípio da estrada para a Cueva e o Cânion, encontramos um motociclista de Guaramirim (SC) no sentido contrário... Esta coincidência iria acontecer algumas horas mais tarde novamente, quando conhecemos o Alfredo que está dando a volta ao mundo numa moto Honda Biz: http://www.diariodemotochileiro.com.br/!!! É isso mesmo!!! E ainda tem gente que diz que pra viajar é preciso um carrão... Sabem nada...




Havíamos combinado com o casal de amigos de nos reencontrarmos em Bajo Caracoles, para abastecer, visto que é o único lugar onde se encontra combustível por estas bandas. O posto continua do mesmo jeito que há 8 anos... Ficamos por lá, dando um tempo e esperando pelo diesel, que só viria algumas horas mais tarde. A fila de motoristas buscando combustível só aumentava... É incrível observar que mesmo com o asfalto, essa porção da Patagônia continua atrasada e esquecida! 
Bajo Caracoles: posto perdido no meio do nada!

Local para dormir hoje: posto de combustível, protegido do vento, que é implacável 
Como estava ficando tarde, resolvemos buscar pouso e acabamos optando por um posto de combustíveis onde os carros pudessem ficar abrigados do vento, que é implacável na Patagônia! Encontramos em Tres Lagos, onde acabamos pedindo uma pizza. 
No dia seguinte, nosso objetivo era El Chaltén, cidade incrivelmente bonita e paraíso do trekking e da escalada profissional, por possuir picos de dificuldade média para grande... o Fitz Roy é o mais famoso e difícil de ser escalado! 
Confira: http://www.viagemfamilia.com.br/2010/01/el-chalten-el-calafate.html


Muito felizes em voltar pra este lugar lindo!!!

Estrada para El Chaltén - Ruta 23. Ao fundo, em destaque, Pico Fitz Roy (3405msnm)

Foto clássica no portal!


A ideia hoje é relaxar e buscar o camping municipal free da cidade... ao chegarmos lá, havia dezenas de outros viajantes com seus motorhomes e carros adaptados, além de outro carro com roof tend  (barraca de teto) como o nosso. O local fica em frente ao Centro de Visitantes antes de cruzar a ponte e chegar à cidade. Fomos logo fazendo amizade e descobrimos outro casal de brasileiros, Cláudia e Lucas, além de dois casais de alemães, um rapaz de Fairbanks (Alaska- USA), outro casal de franceses e outro de ingleses. Combinamos de fazer uma comida compartilhada e ficamos conversando, quando de repente chega uma moto Biz... Era o Alfredo, de Guaramirim, já citado acima!! 
Ele acampou debaixo do toldo do Amândio, entre nossos dois carros para ficar mais protegido. Foi bem bacana a troca de experiências com todos os viajantes e aproveitei para passar dicas sobre o Brasil para o casal inglês, inclusive dando um mapa do nosso país com as marcações. Temos que divulgar nosso país de maneira positiva, destacando o turismo em lugares que não são tão "arroz de festa"! A visão do estrangeiro sobre nosso país é muito negativa, pois as desgraças que vendem jornal são sempre o que eles leem e isso os afasta. 

Comidinha brasuca com estilo!


Bate papo multicultural: ao meu lado, o americano do Alaska, depois o casal brasileiro (Cláudia e Lucas), seguido do casal alemão (Perry e Hellen) finalizando com o Amândio e Joselle (de costas).


Depois de passearmos pela cidade e fazermos algumas compras, voltamos ao acampamento e fomos dormir. Amanhã iremos fazer um trekking básico. 
El Chaltén é uma cidade extremamente nova, fundada em 1985 para manter a soberania da Argentina sobre os territórios da Patagônia disputados com o Chile. Porém, desde os anos 1940 é local de montanhismo e escalada técnica. 
Chaltén vem do idioma Tehuelche e significa "montanha que fuma", por acreditarem se tratar de um vulcão, pois seus picos sempre estão com nuvens sobre eles. 
Despedida dos amigos viajantes, logo depois do café da manhã



Vista superior da cidade de El Chaltén
 Saímos em direção a El Calafate no meio da tarde. Chegamos à cidade, distante 215 km, rodando por asfalto e paisagens estonteantes.
A cidade de El Calafate é bem maior que El Chaltén e possui uma infraestrutura ótima para atender o visitante. Buscamos uma laundry (lavanderia) para lavar nossas roupas e achamos a mesma que havíamos usado da outra vez que estivemos aqui, há 8 anos. Depois de bater perna pela cidade, analisando o custo dos pacotes para fazer minitrekking (U$150 por pessoa, aproximadamente) no gelo e outras coisas, voltamos para o lugar onde acampamos: atrás do posto, próximo do camping onde tomamos banho, por P$20 por pessoa.



No dia seguinte saímos em direção ao Parque Nacional Los Glaciares - criado em 1937, onde fica o famoso e lindíssimo Glaciar Perito Moreno, além de outras 355 geleiras. Este parque fica a pouco menos de 50 km de distância da cidade e o clima, quando estávamos chegando perto, mudou bastante, iniciando uma chuva e afastando a ideia de fazermos este passeio novamente, visto que o ingresso para o mesmo não é barato, algo em torno de P$500 por pessoa . 
O Glaciar Perito Moreno possui 5 km de comprimento e 60 m de altura, tendo sido chamado de 8ª maravilha do mundo devido à vista imponente de seu glaciar. Se tiver interesse, dê uma olhada nas nossas aventuras pelo Parque Nacional de Los Glaciares há 8 anos, pelo link abaixo:
http://www.viagemfamilia.com.br/2010/01/el-calafate-glaciar-perito-moreno.html

Desta forma, seguimos em direção à baía de onde saem os passeios a barco e ficamos lá, dando um tempo pra ver se melhorava... como não mudou, voltamos pra cidade e curtimos o parque Sendero Laguna Nimez, bem bonito e com uma trilha fácil para observação de pássaros e outros pequenos animais. 


Parque dentro da cidade de El Calafate

Flamingos se alimentando no lago



Centro da cidade de El Calafate
Depois de reencontrarmos Joselle e Amândio, seguimos adiante, em direção à divisa com o Chile, pois o objetivo de amanhã é conhecermos o Parque Nacional Torres del Paine. 

Parando para dormir, atrás de um posto de combustíveis, em Esperanza