Viagem Família______________________________________

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quinta-feira, 17 de julho de 2025

Expedição Transamazônica 3 - Agora é a vez do Mato Grosso do Sul!

 

Bonito - MS - Rio Formoso

Descobrindo cantinhos novos no Mato Grosso do Sul 

Quando deixamos Presidente Epitácio para trás, atravessando a Ponte Hélio Serejo – BR267, alteramos nosso horário em uma hora (fuso horário atrasado em 1 hora). Nosso objetivo principal aqui era conhecer pessoalmente uns amigos de longa data do Facebook! Giane, a filha Giulia, o marido, Andrigo (que conhecemos em RR, há 2 anos!)  e o enteado, Israel, moram em Porto Murtinho, na divisa com o Paraguai e levamos 2 dias para chegar lá!

Nosso "acampamento" em Nova Alvorada do Sul, ao lado do Salão do Reis

A primeira parada foi em Nova Alvorada do Sul, uma cidadezinha localizada no entroncamento das BR-267 e BR-163, onde conhecemos o Ezequiel, chamado Reis, que nos convidou para pernoitarmos em frente ao seu salão de beleza. De quebra, conhecemos a esposa, Zilma e o filho, Emizael (14 anos). Eles também são viajantes e sua KombiLuna é linda!! 

Agradecimentos aos amigos Reis (Ezequiel) e Zilma pela acolhida e amizade!

Trocamos ideias e informações, ouvimos a história do casal e de quebra, fizemos mais um amigo! No dia seguinte, nos despedimos e sempre em direção Oeste, pela BR-267, fomos atravessando plantações a perder de vista de milho, sorgo, cana, trigo, além de áreas de pastagem.

O sorgo era o plantio da vez! O sorgo, ou milho-zaburro, é o quinto cereal mais produzido no mundo., sendo antecedido pelo arroz, trigo, milho e cevada. Ele entra na composição de muitos alimentos, pois sua farinha é bastante utilizada para a produção de pães sem glúten! Também é usado na produção de ração para diversos animais por ser fonte de proteína e energia, também usado na forragem. Há 4 tipos de sorgo, um é usado para a fabricação de vassouras!

Às margens do rio Caracol, uns 80km depois de Jardim, paramos e acampamos num local top, às margens da rodovia. Com área de churrasqueiras e banho garantido, dormimos tranquilamente, só acordados na manhã seguinte com os trabalhadores da obra na estrada. 


Parada ao lado da BR 267, no Rio Caracol


Esta rodovia BR-267, chamada Vital Brasil, faz parte da Rota Bioceânica que irá unir o Porto de Santos aos Portos de Iquique e Antofogasta (no Chile), passando pelo Paraguai e norte da Argentina (Salta, Jujuy).

Rota Bioceânica, ligando Santos SP ao litoral do Chile

Porto Murtinho


Chegamos a Porto Murtinho de tarde e passeamos pela Orla do rio Paraguai, parando na Praça Thomaz Laranjeira, onde existe uma locomotiva que puxava a erva mate. Também ali existe um Memorial do Centenário da Batalha Tuiuti (1866) e fica o prédio da Prefeitura Municipal (onde a Giane trabalha).

Locomotiva de 1905, responsável pelo transporte da erva mate

Aproveitamos os próximos dias para explorar a cidade, a segunda maior em extensão do MS, e conhecer nossos amigos.  

UM POUCO DE HISTÓRIA

Porto Murtinho é considerada a última guardiã do Rio Paraguai, sendo também o portal sul do pantanal. Fundada em 1912, hoje conta com pouco mais de 13 mil habitantes. Localizada em ponto estratégico, Porto Murtinho tem sua história intimamente relacionada a Cia Matte Larangeira, empresa responsável pela exploração da erva mate nativa e que trouxe do Sul fazendeiros que conheciam seu manejo. Assim, para facilitar o escoamento da produção, fez-se necessário construir um porto. 

Monumento localizado na orla, ao lado da Prefeitura

A área pertencente a fazenda Três Barras, localizada às margens do rio Paraguai foi desapropriada e o Porto Fluvial Murtinho passou a operar. Após a construção de um aterro ferroviário, em 1906, a ferrovia (Estrada de Ferro Porto Murtinho – São Roque) veio a facilitar o transporte da erva mate. Posteriormente estas instalações foram usadas para transportar madeira – Quebracho - para a empresa, responsável pela extração de tanino.

Praça Kadiwéu - homenagem aos índios Kadiwéus, remanescentes da nação Guaicuru, conhecidos por "índios cavaleiros". Lutaram no período de 1864-1870 na Guerra da Tríplice Aliança. Atualmente ocupam uma área de reserva com mais de 500mil ha ao norte do município.

A primeira grande enchente (início do séc. XX) e depois a segunda grande enchente, em 1979, que destruiu a cidade, inundando tudo e deixando a população desprovida de lar foram a mola propulsora para a construção do dique que protege a cidade e onde foi instalado um lindo parque linear.

Vista da Prefeitura e do dique

-  Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus possui raízes coloniais, e o local que hoje abriga a Paróquia já foi pouso de tropeiros. A primeira capela foi construída em 1932 e o atual templo é de 1961/1967.

Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus

Aqui também o por de sol é lindo! Fomos admirá-lo em duas ocasiões e aproveitamos para conversar bastante com o Israel e a Giulia, uma vez que Giane estava trabalhando! 

Como Andrigo estava fora, Mar comandou a churrasqueira! Mil (ou Filó) só observando!

Brincadeiras com Giulia e Mil (ou seria Filó?)

Construção remanescente do ciclo da erva mate - futuro Museu de Porto Murtinho

Castelinho - foi construído por Thomaz Herrero para sua amada esposa Virgínia, sobrinha de um imperador austríaco. Houve um crime nesta casa... uma história folclórica da cidade!

Agradecimentos à amiga Giane, pela acolhida e amizade!

Após um fim de semana bacana e muito alegre, retornamos pela Bioceânica (que logo ficará pronta e será mais uma opção para chegarmos ao Pacífico!) e pernoitamos no mesmo local da vinda, às margens do rio Caracol, onde o Marcos aproveitou para fazer a manutenção da ventoinha do Garça. 

Rota Bioceânica - torres da ponte estaiada quase concluídas

Fazendo a manutenção das escovas da ventoinha no local de pouso, ao lado do rio Caracol

Após Bonfim, distrito de Jardim, seguimos para Bonito, localizado na Serra da Bodoquena.

Estivemos em Bonito há 20 anos, com nossos filhos pequenos ainda!! A cidade e região tornaram-se polos turísticos famosos (e caros!) e resolvemos pernoitar no camping do Balneário Bosque das Águas, onde pagamos R$80,00 por pessoa (com direito a day use).


Capela Sagrada Família - Paróquia São Pedro Apóstolo, em frente a Praça da Liberdade

Foto com o Amendoim e a iguaria de jacaré - @pantanalgrillgourmet


Pintado ao urucum - delicioso!!! Prato criado pelo cozinheiro mestre na Empresa Urucum Mineração, na década de 1970; um dos pratos mais tradicionais da região, com molho a base de urucum, tomates, leite de coco e coberto de queijo regional gratinado

O Balneário Bosque das Águas fica a 7km do centro da cidade, ao lado do Balneário Municipal. Desta forma, primeiro exploramos a cidade, fizemos compras e decidimos comer uma iguaria no Pantanal Grill. A comida – petisco de jacaré e peixe (pintado) ao urucum – estava deliciosa!!

Bosque das Águas - Camping por R$80,00 (=U$15,40) por pessoa com direito ao day use

Passeios pelo rio Formoso

No Balneário aproveitamos para tomar um gostoso banho no rio Formoso, rodeados de piraputangas.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Bonito foi fundada em 1915 e emancipada de Miranda em 1948. Tendo pouco menos de 24 mil habitantes, é considerada a “capital brasileira do ecoturismo”. A cidade está localizada na Serra da Bodoquena e a rocha predominante é a calcária. Isto explica porque as suas águas serem tão límpidas e a existência de tantas cavernas na região (águas ricas em minerais – bicarbonato de cálcio e bicarbonato de magnésio).

Muitas piraputangas e uma água cristalina do rio Formoso

Sendo um dos locais com maior presença de turismo no país, é necessário agendar todos os passeios em uma das inúmeras agências que estão espalhadas pelo centro da cidade. Entre as principais atrações, destacam-se: flutuações (no rio Sucuri, Rio da Prata, Aquário Natural e Nascente Azul); trilhas e cachoeiras (Ceita Corê, Estância Mimosa, Parque das Cachoeiras); grutas (Gruta Azul, Gruta Catedral, Gruta São Miguel e Abismo Anhumas); além do turismo de aventura (EcoPark Porto da Ilha e Cabanas Aventura).


Estivemos na cidade durante o Festival de Inverno de Bonito, onde acontecem exposições de artes, vídeos, palestras, sessões de cinema etc e tal. A melhor época para visitar o lugar é na seca (de maio a setembro), pois quando chove muito as águas ficam turvas e “sem graça”!

Novamente na estrada, desta vez a MS 345 até Aquidauana, paramos no rio Cachoeirão, localizado no distrito de Cachoeirão (pertencente a Terenos), onde negociamos o pernoite com o Carlão e a Celina, proprietários do balneário/camping (R$50,00 o casal = U$9,60)

Balneário Cachoeirão, pertencente a Terenos

Fugimos de Campo Grande e seguimos para o Norte pela MS 080 (paralela a BR163), linda, tranquila e cheia de encantos. Aqui vimos as primeiras plantações de algodão, além das plantações de sorgo, milho e cana. Adiante, já na BR 163, pernoitamos em Coxim, ainda no MS!

Agora... que venha o Mato Grosso e suas belezas!



segunda-feira, 7 de julho de 2025

Expedição Transamazônica 2 - Explorando o oeste de SP

 

Nosso quintal em Pres. Epitácio

Chegando a São Paulo 

Deixamos Mandaguari (PR) numa terça-feira e cruzamos para São Paulo usando rodovias estaduais e passando por cidadezinhas muito interessantes (e que valem uma visita futura), como Itaguajé, onde existe uma cruz missionária, pois foi fundada por jesuítas (séc. XVII – Missões no Guayrá).

Nosso objetivo era visitar (e acampar) no Parque Estadual do Morro do Diabo, localizado em Teodoro Sampaio, às margens do rio Paranapanema.

Parque Estadual Morro do Diabo


A sede do parque fica na cidade, a poucos km do centro e a estrada que leva até lá é asfaltada. Apenas os últimos 1700 m (já dentro do parque) são não pavimentados. Na portaria fomos recebidos pelo Maycon e pelo Osvaldo, que pegaram nossos dados e preenchemos a ficha de entrada. Não é cobrado ingresso, porém se você quiser usar os dormitórios existentes, terá de pagar a diária (entrar no site do parque para verificar os custos (em torno de R$ 19,00 por pessoa) e check-in. E-mail: pe.mdiabo@fflorestal.sp.gov.br e https://morrodiabo.ingressosparquepaulistas.com.br).

Há muitas trilhas para percorrer e fomos direto até a primeira – Trilha da Lagoa Verde. São 600 m de caminhada para chegar ao lago, que mais parecia uma poça! (O ataque de pernilongos e outros insetos foi avassalador!) 

Trilha da Lagoa Verde

A 2ª trilha, de 2,5km, foi a Trilha do Paranapanema, muito bacana e onde avistamos uns catetos (caititus) e muitos pássaros! A trilha termina num observatório às margens do rio, de onde se tem uma linda vista do rio.


Linda vista do rio Paranapanema

UM POUCO DE HISTÓRIA

O nome do parque faz referência a uma bandeira realizada em meados dos anos 1600, onde os bandeirantes foram assassinados pelos indígenas que habitavam a região em represália aos ataques cometidos pelos mesmos e que acabaram exterminando a população autóctone da região (formada basicamente pelas etnias guarani, kaiouá e kaigang). 


Píer de onde saem os barcos para fiscalização do rio Paranapanema

Seu ecossistema é constituído de Mata Atlântica (o que restou dela por aqui – 34 mil ha), com predominância de cedros, ipês, peroba-rosas, cabreúvas e pau-marfim. A fauna é variada e o mico-leão-preto – primata ameaçado de extinção – tem aqui seu refúgio. A presença da onça pintada e da onça parda também é frequente. Os vigias nos contaram que há uma semana a onça parda foi vista e filmada próximo da portaria! Que emoção!!

Estrutura para acampamento top!

Acampamos na área destinada aos motorhomes e barracas e tomamos um gostoso banho quentinho. No dia seguinte foi a vez de fazer a Trilha do Barreiro da Anta, de 1700m. Vimos pegadas de onça na trilha e também visitamos o Museu do parque, que está meio abandonado!

Trilha do barreiro da anta

Pegada


Dentro do Museu do parque

Presidente Epitácio


Deixamos o Parque Estadual e seguimos em direção a Presidente Epitácio, onde nos encontraríamos com o casal Cristina e Djalma, amigos de longa data! Acabamos ficando 10 dias por aqui, aproveitando para fazer uns voluntariados! 

Um dos muitos churrascos em família: Lourenço tirando a foto, d. Elenita (mãe da Cris, de aniversário), Sidneia (a frente) e o casal Cris e Djalma! Obrigada pela acolhida e amizade!

Como "não tínhamos nada para fazer" (rsrsrsr) fomos convidados pela Cris (sempre ligada em 220V) para acompanhá-la até a Giro Trilhas - Associação de Ciclismo de Presidente Epitácio, da qual ela faz parte e cujo lema é "Pedalar até lugares que acolhem a alma faz tudo valer a pena"! Lá auxiliamos na montagem de um mosaico, em homenagem ao Peixinho (amigo biker da Giro Trilhas, que faleceu recentemente). 

Na Giro Trilhas, quebrando caquinhos e montando o Peixinho (nossa amiga Cris com o positivo)

Olhem só, que lindeza!! Este Peixinho (homenagem ao biker falecido) será aplicado num banco na praça da cidade

Na mesma vibe do "nada para fazer", acompanhamos a Cris no voluntariado e auxiliamos na barraca do frango durante a quermesse da igreja (com o objetivo de arrecadar fundos pro restauro da mesma), onde foram fritos uns 400kg de frango (Mar estava numa das fritadeiras e eu limpei as porções). 

Galera animada na quermesse!


Foram fritos 200kg num dia e 180kg no outro! 

Também ficamos uns dias hospedados/acampados na Apoena (Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar). O nome APOENA, do tupi, significa “aquele que vê mais longe” e há mais de 35 anos (foi fundada em 1988) realiza plantio de mudas e sementes nativas em áreas de Preservação Permanente, além de promoção de atividades educativas e projetos ambientais. Seu diretor, Djalma, esposo da Cris, é o fundador e  responsável pelas ações.  Lá montamos bancos e mesas para a Associação/ONG ambientalista,  utilizando madeiras que foram apreendidas pela polícia ambiental.

Viveiro de plantas na Apoena


Madeira apreendida, sob a proteção da Apoena - após separação, algumas tantas viraram mesas e bancos (para uso da associação)

Com Cris, Genildo e Hyasmin, na Sede da Apoena (da direita para a esquerda)





Olhem que lindeza que ficou!


Resultado final: 2 mesas e 5 bancos para uso da Apoena

Como nem só de trabalho se vive, aproveitamos nossa estada para alimentar uma gatinha, que chamamos de Cleópatra, e que foi nossa companheira durante nossa permanência "no mato"!



Esta fofura foi abandonada por algum desalmado e deixada a própria sorte lá na sede da associação!

Foram muitos passeios ao longo do rio Paraná, desbravando as trilhas da área da Apoena, bem como explorando as belezas da cidade de Presidente Epitácio

- Trilha do Bugiu: dentro da área da reserva. Percorremos uns 7,2 km (ida e volta), chegando a um remanso do rio Paraná.

Observando as pegadas da anta

Bosque da Memória - dentro da área da Apoena foi realizado um plantio de mudas nativas, como um gesto simbólico em homenagem às vítimas da Covid-19. Cada árvore plantada tem o nome de uma das vítimas (da cidade de Pres. Epitácio)




Rio Paraná

- Igreja Matriz de São Pedro (1960)

A Igreja Matriz está sendo recuperada (objetivo da quermesse)

- Estação Ferroviária, construída na década de 1920, hoje abriga a Secretaria de Turismo e Cultura da cidade, e onde a Daiane nos atendeu e mostrou o acervo do que será o futuro museu, bem como contou histórias de personalidades da cidade:  do Chapéu de Couro (Raimundo), escravo que morreu aos 134 anos de idade! e também da violeira Helena Meirelles (1924 – 2005), representados por esculturas feitas em papel machet (papietagem) por Lenir Ribeiro, artista local.

Estação Ferroviária

"Chapéu de Couro" e "Helena Meirelles", obras do artista Lenir Ribeiro

Daiane, funcionária da Secretaria de Turismo, nos mostrando o acervo do futuro museu

Estação ferroviária

UM POUCO DE HISTÓRIA

A cidade, fundada em 1907, possui atualmente pouco mais de 40 mil habitantes. Localizada às margens do rio Paraná, é uma estância turística do estado. Antes de ser emancipada, Presidente Epitácio fez parte de outros municípios vizinhos (Presidente Venceslau e Presidente Prudente). Com a construção da Hidrelétrica de Porto Primavera, hoje Hidrelétrica Sérgio Motta, em 1980, ocorreu o enchimento do reservatório da usina e o nível das águas do rio Paraná chegou a 253 msnm.  

Lago da represa e rio Paraná - ao fundo, a ponte que faz divisa com o MS

Importante hidrovia - barcaça ao fundo

Em contrapartida, a CESP construiu o Parque Figueiral, que é um parque linear muito usado pelos moradores epitacianos para prática de esportes, caminhada etc e tal e onde se pode admirar um dos pores de sol mais famosos e bonitos do Brasil!

Com Cris e Djalma, no quiosque da Sid - localizado no parque linear

Família reunida no fim de tarde!

- Ponte Helio Serejo, inaugurada em 1964, liga Presidente Epitácio a Bataguassu, no Mato Grosso do Sul, fazendo parte da BR - 267. Possui 2550 m de extensão e é crucial pro escoamento da produção do estado vizinho.


Hora de seguir viagem... atravessamos a ponte e chegamos ao Mato Grosso do Sul!!! Mas esta já é outra história!


A Canindé é a ave símbolo da cidade!