Viagem Família______________________________________

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domingo, 14 de agosto de 2016

De Ubatuba para a Serra da Mantiqueira (São Luiz do Paraitinga e Santo Antônio do Pinhal)

   
 
           Acordamos mais cedo aí pelas 6 h da manhã para ver o nascer do sol. Frio de mais ou menos 12°C , mas apesar de muito bonito visual  não vimos o nascer do sol pelas nuvens que haviam no horizonte.
            Então após um tempo de contemplação vamos tomar aquele café da manhã reforçado, arrumar a barraca e seguir em frente. A grande vantagem desse tipo de barraca é a praticidade e rapidez na montagem e desmontagem. Em menos de 3 minutos ela está pronta para viajarmos.
O Garça e nosso acampamento em Ubatuba
Café da manhã no capricho
          Nosso plano inicial era mesmo conhecer a Serra da Mantiqueira, dessa forma agora vamos subir a serra do mar pela Rodovia Oswaldo Cruz (SP 125), e optamos pelo caminho mais longo seguindo pela costa para poder apreciar as belezas existentes no litoral paulista.
          A distância até o nosso próximo destino, a cidade de São Luiz do Paraitinga é de aproximadamente 54 km mas pela sua grande quantidade de curvas muito fechadas e inclinação, além da beleza natural do percurso, levamos uma hora para percorrê-la. Essa rodovia foi utilizada na época do Brasil império como um desvio da Estrada Real sendo que seu leito fora anteriormente elaborado a partir de antigas trilhas indígenas. Também foi rota de tropeiros vindos de Guaratinguetá que utilizavam a cidade de São Luiz do Paraitinga como pouso antes de iniciarem a descida íngreme até o litoral.
Painel reproduzindo São Luiz do Paraitinga na época do Brasil Império
            São Luiz do Paraitinga fundada em 1769 por bandeirantes vindos de Taubaté e Guaratinguetá, hoje tem uma população de aproximadamente 11.000 habitantes e sua economia gira em torno das festas de Carnaval  da Festa do Divino e da festa do Saci, também privilegiando a agricultura familiar e produção agropecuária em pequena escala. Em 1873 recebeu o título de Imperial Cidade conferido pelo então imperador D. Pedro II. Outras importantes atividades existentes são o turismo de aventura e ecológico propiciando trilhas, cachoeiras e rafting no Rio Paraibuna.
            A cidade é considerada estância turística e tem um patrimônio de mais de 450 imóveis num conjunto arquitetônico histórico declarado como patrimônio cultural nacional pelo IPHAN. No começo de janeiro de 2010 a cidade foi gravemente atingida por inundação causada por ocasião de enchente do Rio Paraitinga, quando suas águas chegaram a subir mais de 12 metros destruindo oito de seus principais edifícios históricos incluindo a Igreja Matriz do século XVII. São Luiz do Paraitinga tem entre seus filhos mais famosos o famoso médico sanitarista Oswaldo Cruz (1872-1917) e a casa onde nasceu está muito bem preservada e aberta a visitação como um museu.
Ruas históricas de São Luiz do Paraitinga



            Estacionamos o Garça na praça central e iniciamos nosso reconhecimento pela simpática cidade a pé. Primeiro, claro buscar informações turísticas sobre a cidade e fomos até um Centro Cultural chamado Instituto Elpídio dos Santos (músico 1909-1970) onde o Francisco nos recebeu muito cordialmente e explicou tudo sobre esta bela cidade. O próprio Centro Cultural é um casarão histórico que foi todo reformado e abriga obras de arte popular como bonecos gigantes e também outras manifestações artísticas.
Centro de São Luiz do Paraitinga
Artesanato local diversificado
           Caminhar pelas calmas ruas do centro da cidade apreciando a paisagem e construções históricas é uma boa pedida e existe a disposição dos turistas um roteiro cultural demarcado para ser percorrido a pé passando pelas principais atrações da cidade. Não apenas belas igrejas mas também casas de doces, cachaçarias, mercado municipal, casa de Oswaldo Cruz, casario histórico, cruzeiro no alto do morro com bela vista da cidade entre outras atrações, fazem de São Luiz do Paraitinga uma gostosa surpresa por oferecer ótimas opções de turismo contemplativo e cultural além de boa infraestrutura e simpatia dos seus moradores para atender o viajantes.
Manifestações culturais da cidade

Igreja de N. Sra. das Mercês (1814 - Mais antiga edificação da cidade)

Casario histórico 
Casa onde nasceu Oswaldo Cruz (1834)
Cachaçaria Pimba

São Luiz do Paraitinga vista do alto
           Seguir pela rodovia e passar por Taubaté e Tremembé consumiu mais duas horas percorrendo 100 km agora pela BR 393 até chegarmos em Santo Antônio do Pinhal. Nosso objetivo é dormirmos aqui em algum lugar já que a cidade não possui camping segundo informações que obtivemos na Secretaria Municipal de Turismo e Cultura (turismo@pmsap.sp.gov.br)
       

           Chegando perto de Santo Antônio do Pinhal bateu aquela fome e já quase 3 da tarde vimos a beira da estrada um convidativo local para um lanche. Deliciosas tortas salgadas caseiras com suco já respirando o ar da serra foi um momento perfeito antes de seguirmos mais 10 km até o centro de Santo Antônio.
       
          Santo Antônio do Pinhal tem seu nome em homenagem ao santo casamenteiro Santo Antônio de Pádua cuja capela foi construída em 1811. Com a doação de terras para o santo de devoção o Sr. Antônio José de Oliveira em 1861 foi o responsável pela fundação da freguesia de Santo Antônio e apenas em 1960 aconteceu a emancipação política de São Bento de Sapucaí. Hoje a população moradora é de aproximadamente 6.700 habitantes e a economia local gira em torno do artesanato local, gastronomia e turismo ecológico e de aventura. 
Não deixe de conhecer e experimentar a gastronomia local a base de trutas e pinhão. Os principais pontos turísticos locais são: Estação Eugênio Lefèvre com mirante de Nsa. Sra. Auxiliadora, Pico Agudo, Cachoeira do Lageado (R$ 5,00 apenas para visita), Praça do Artesão e mirante do Cruzeiro. Inúmeras trilhas existentes podem ser percorridas para observação da linda serra, pássaros e fauna em geral.
 Para melhores informações e contratar guias e passeios vá a Praça Central e fale com as simpáticas Rita e May (www.rotadasaraucarias.com)  no quiosque de atendimento ao turista.

Restaurante Peixe na Pista (Rubens)(12-99601-4499 ou 12-9805-7002)

Praça do Artesão-Centro da cidade de Santo Antônio do Pinhal
         Ao chegar recomendamos bastante atenção no confuso trevo rodoviário na entrada da cidade que dá acesso a Campos do Jordão, Rodovia Pres, Dutra ou a própria Santo Antônio. Superado esse trevo logo a frente passamos rapidamente pela Estação Ferroviária Eugênio Lefèvre e para aproveitar o tempo decidimos logo subir ao Pico Agudo (1700 m de altitude) situado 8 km de distância do centro.
Vista da Pedra do Baú - São Bento do Sapucaí

Vista do alto do Pico Agudo em Santo Antônio do Pinhal

Rampa de decolagem do Pico Agudo (1700m)


Nós com a galera do voo livre
        Subindo a montanha por uma sinuosa e íngreme estradinha de terra com um pouco de asfalto no começo chegamos ao alto em 15 ou 20 min. e nos deparamos com uma linda vista em 360°. É claro que no local já conhecido por praticantes do voo livre, diversos praticantes da modalidade lá estavam em preparativos e decolando e acabamos fazendo amizade com o Romero (Drenados do Ar Romero/facebook) e galera, o que além de ótimas histórias acabou nos propiciando um contato via rádio com o Rubens. O Rubens por coincidência tem um restaurante ( Peixe na Pista) na entrada da cidade onde anteriormente tínhamos parado para informações, e ele gentilmente aceitou nos acomodar no sítio dele onde poderíamos estacionar e armar a barraca para passarmos a noite.
Sítio do Rubens e local de pouso do voo livre
   
Acampando no sítio do amigo Rubens
           Tudo acertado via rádio, já tendo onde dormir agora é passar em algum mercadinho e comprar nossos ingredientes para o jantar e café da manhã e voltar para a entrada da cidade e nos acomodarmos no sítio do pai do Rubens que também é Rubens e nos recebeu com muita amizade juntamente com a sua esposa e gentilmente abriu uma casa no local para usarmos a cozinha e banheiro com chuveiro quentinho. Acompanhados da dupla de dogs  Bull Terrier Pandora e Mística e da VLCP Malagueta que nos recebeu com muitos latidos,  jantamos gostosamente e um belo banho e cama para aguardar novo dia de aventuras.

Nati com a companhia da Pandora uma simpática Bull Terrier
Nossa amiga Mística

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Litoral de São Paulo - De Santos a Ubatuba

     
       
         Bom dia Guarujá!

         Acordar cedo com o canto dos pássaros em volta dentro do conforto de uma barraca sequinha e aconchegante é uma sensação boa demais.
         Agora é preparar aquele café da manhã e começar a explorar os arredores e cidade de Guarujá-SP já que chegamos aqui ontem à noite e pouco vimos.

Quiosque onde fizemos as refeições

Área das pias e lavação

Área de acampamento
         A começar merece um breve comentário o camping onde pernoitamos. Inicialmente sabíamos de sua existência por pesquisa realizada pela internet. Difícil a sua localização e pouco conhecido mesmo com perguntas a pessoas moradoras da região. Basicamente achamos 3 campings e todos eles oferecem apenas serviços básicos. A receptividade também não é o forte visto que as pessoas que nos receberam em todos eles estavam mais preocupadas em receber logo os valores monetários do que mostrar o que tinham a oferecer. Houve caso de o atendente nem levantar do sofá onde estava assistindo TV!! De qualquer forma escolhemos o Pousada e Camping Ecológico que apesar de possuir instalações básicas, elas estavam limpas.(R$ 25,00 por pessoa) O ponto contra foi a pouca atenção e interesse das recepcionistas em nos atender.




         Guarujá é uma cidade balneária localizada na Baixada Santista e possui uma população de aproximadamente 311.000 habitantes. Conhecida como Pérola do Atlântico possui 27 praias distribuídas nos 23,5 km de extensão de sua costa litorânea. Guarujá tem seu nome derivado da língua Tupi significando um tipo de caranguejo chamado Guaruça, outrora muito abundante na região. Existem comprovações de que a Ilha de Santo Amaro onde está Guarujá já era habitada pelos homens do sambaqui, populações nômades que habitavam a região sul/sudeste após a última era glacial, mais ou menos a 15 mil anos atrás.
         Apesar de desde relatos de 1502 haverem os portugueses desembarcado na Ilha, a costa acidentada com muitos pântanos não atraiu o interesse dos colonizadores, e mesmo em 1543 quando da divisão por Capitanias Hereditárias o interesse local era apenas a ocupação legal do território sendo usada apenas como pequenos sítios destinados a esconder e contrabandear escravos.
         Toda a fase colonial e imperial pouco interesse demonstrou na região, e apenas em 1892 a Companhia Prado Chaves começou a criar a Vila Balneária na Praia de Pitangueiras sendo construídas linha férrea, hotel e até um cassino. Em 1911 após a companhia ter sido adquirida pelo empresário norte-americano Percival Farquhar passou a ser um marco para o turismo de luxo beneficiando principalmente a alta classe paulistana. Foi no Guarujá em 1932 que morreu o célebre aeronauta Santos Dumont. Hoje o turismo e negócios imobiliários são a base da economia de Guarujá.


Mirante do Costão das Tartarugas

         Decidimos continuar nosso caminho costeando as praias e logo alcançamos o Mirante do Costão das Tartarugas e Praia da Enseada. Ali se tem uma ótima vista do alto, e também um camping bem precário onde o proprietário quis cobrar apenas porque queríamos entrar para tirar algumas fotografias. Passamos pelas Praias do Pernambuco, Éden, Perequê e São Pedro, segundo na direção norte em direção ao canal de Bertioga para a próxima balsa.
         Definitivamente o Guarujá é uma localidade voltada ao turista paulistano onde vimos a imensa maioria de imóveis fechados, sendo que também a maioria deles é de alta categoria.O custo de vida da cidade também é mais elevado e vimos em boa parte do percurso que o acesso às praias acaba sendo dificultado pelas construções que se enfileiram ao longo da costa limitando a locomoção e acesso de pessoas não moradoras do local ao mar.
Praia do Perequê-Guarujá(onde encontramos pescadores profissionais naturais de Bal. Camboriu e Piçarras-SC)

Na balsa para Bertioga
         Seguindo em frente chegamos à ponta norte da Ilha de Santo Amaro e mais uma balsa de poucos minutos para cruzar o canal norte chegando a Bertioga. Toda a região possui muitas praias com seus atrativos mas o pouco tempo que dispomos não nos permite ficar vagando sem rumo. São Sebastião fica a aproximadamente 135 km pela BR 101-Rio Santos e o trajeto é completado em pouco mais de 3 horas pois nosso destino de hoje é chegarmos a Ilhabela e acampar na Praia de Castelhanos. Claro que não podemos deixar de parar nas inúmeras e belas vistas que este caminho proporciona, e numa dessas paradas encontramos o casal Rubi e Acelga que percorriam o trajeto de motocicleta e com quem conversamos e pegamos algumas dicas, já que eles são da região.
         Chegando em São Sebastião e já sabendo da pouca infraestrutura e precariedade do destino escolhido para o pernoite passamos antes no mercado prevendo cardápio para jantar, café e almoço do dia seguinte. Encontramos a fila para nova travessia de balsa, dessa vez para a tão famosa Ilhabela.  Eis que surge um simpático vendedor de amendoins com o qual conversamos e nos divertimos mutuamente enquanto esperávamos pacientemente na fila.

Entrada do porto de São Sebastião
Fazendo novos amigos com a Rubi e o Acelga
          A demora já incomodava e ao perguntar para um atendente das balsas fomos informados de que o tráfego aquático estava suspenso motivado pelas más condições do mar e dos ventos fortes. O atraso foi providencial pois acabamos conversando com outro vendedor que nos explicou os possíveis problemas que teríamos pela frente como possibilidade de ficarmos ilhados sem volta ao continente por causa dos ventos e também nos alertou sobre a precariedade do lugar bem como a imensa quantidade de mosquitos e borrachudos que infestam a região. Como já eram quase 15h e a previsão de chegar em Castelhanos passava das 18h, seria temeridade enfrentar uma trilha bem difícil para chegar lá durante o escurecer e ainda mais lá chegando a noite sem nenhuma informação confiável sobre onde ficar e pernoitar. Decidimos abortar essa parte de viagem, pois esse atraso iria comprometer ainda mais o restante do trajeto que queríamos completar passando pela Serra da Mantiqueira.
Lindas praias do litoral paulista
         Saímos da imensa fila já formada atravessando o canteiro central  gramado existente no local e voltamos a estrada para percorrer mais 90 km até Ubatuba. As distâncias nessa parte da BR 101- Rio/Santos podem até parecer pequenas mas pela grande quantidade de curvas leva-se muito mais tempo do que o previsto para serem percorridas. Nesse caso gastamos mais de 2 horas e 30 minutos até chegarmos a Ubatuba e com algumas informações colhidas no percurso acabamos achando 3 campings que poderiam ser utilizados. Pesquisando os três ficamos no Camping Toa Toa do Sr Luis. Simples e praticamente deserto pois só havia mais uma família no local.
Jantando no acampamento
            Bem de frente ao mar na Praia de Tabatinga que na verdade fica nas divisa de Caraguatatuba e Ubatuba. Como o jantar já estava comprado bastava montarmos o nosso acampamento e  degustar nosso delicioso frango assado, farofinha, sanduíches, salada e frutas com mais umas cervejinhas geladas compradas num mercadinho a poucos metros dali. Passear sem pressa na praia à luz do luar com a família é um ótimo jeito de terminar o dia perfeito que tivemos. Belo lugar para passar a noite ouvindo o suave barulho do mar a poucos metros da barraca.


Entardecer em Ubatuba

       

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

De Santa Catarina até São Vicente-Litoral Sul de São Paulo

   
 Quando temos poucos dias para aproveitar, sejam férias ou um feriado prolongado, surgem algumas dúvidas de para onde e como fazer render esse pouco tempo sem que a viagem se transforme num stress total.
       Muitas vezes as opções estão bem na nossa frente e mais perto do que pensamos. Não é necessário imaginar grandes preparativos e locais longínquos para proporcionar uma bela viagem com paisagens e experiências únicas.
       Nesse mês de julho de 2016 tínhamos apenas 8 dias e decidimos ir conhecer a Serra da Mantiqueira que abrange principalmente os estados de São Paulo e Minas Gerais. Mas é claro que para chegarmos lá escolhemos o caminho mais comprido e optamos de percorrer o litoral sul de São Paulo.
        Saindo de Santa Catarina no domingo pela manhã, teríamos aproximadamente 500 km a percorrer até a cidade de Peruíbe no litoral sul de São Paulo, com uma paradinha rápida na cidade de Curitiba-Pr.

         É claro que imprevistos acontecem como o congestionamento que nos atrasou quase duas horas na rodovia BR 116(Regis Bittencourt) por ocasião de um acidente com um caminhão perto da Represa de Capivari. dessa forma acabamos chegando quase no final da tarde em Peruíbe e optamos por acampar na Praia de Guaraú, bem pertinho da Estação Ecológica Juréia-Itatins. Optamos pelo Camping da Vovó (R$ 50,00 para 3 pessoas). As opções são poucas e todos os campings tem uma estrutura bem básica, chegando a ser precária. No geral contam apenas com banheiros(nem sempre limpos), área arborizada, água e energia elétrica. O que conta a favor é que neste mês estamos em baixa temporada, proporcionando pouco movimento e no nosso caso tivemos exclusividade. Também é possível negociar o preço pela pouca procura nessa época.
         A dica é estar sempre bem equipado com comida e equipamentos em geral para não ficar passando fome ou frustração.
         No acampamento em questão tivemos sorte de que pertinho havia um pequeno mercado onde poderíamos adquirir itens indispensáveis como "aquela"cervejinha gelada!!!


      Logo pela manhã bem cedo começamos a nossa exploração da região e iniciamos pela Reserva Ecológica Juréia-Itatins que para ser visitada é necessário adquirir ingressos na portaria do Parque. Os ingressos são gratuitos servindo apenas para o controle da quantidade de visitantes.
      Primeiro percorremos parte do Rio Perequê com suas corredeiras e espraiados numa profusão de água limpíssimas propícias ao banho (que não tomamos aqui) e também para canoagem.



          Mais um pouco adentrando a mata chega-se ao Rio Itinguçu que além das piscinas naturais proporciona uma trilha de aproximadamente 400 m até a Cachoeira Paraíso onde decidimos tomar um banho já que as águas são transparentes e muito limpas. Claro que também geladas, pois além de tudo estamos em pleno inverno no mês de julho, mas nem isso nos impediu de literalmente nos atirarmos naquela piscina natural.

          Gelaaaaaaada, muito gelada! Essa é a temperatura da água do Rio Itinguçu nessa época do ano, mas Nati e eu(Marcos) não iríamos perder a oportunidade de desfrutar este paraíso.




Depois do ótimo banho ainda conhecemos o pequeno museu e centro de recepção de visitantes que conta a história do lugar e tem exposição de artesanato com peças recicladas produzidas por crianças e jovens da região.



       Seguimos adiante sempre acompanhando a linha da costa conhecendo outras praias quase intocadas. Toda essa região desde a Barra do Rio Una em direção a Peruíbe tem praias lindas e pouco conhecidas, seja pelo difícil acesso ou pouca infraestrutura. Nós achamos ótimo pois quanto mais preservado melhor. De qualquer forma quem tiver interesse pode contratar passeios guiados com veículos 4 x 4 no centro da cidade de Peruíbe.

Acesso a Praia do Caramborê

Barra do Rio Una-Litoral sul de São Paulo

Praia do Caramborê
        Nosso hábito de conhecer novos lugares nos fez desenvolver alguns métodos diferentes. Ao acordar, tomamos nosso café da manhã reforçado e não almoçamos. Seguimos desbravando tudo que podemos e mais ao final da tarde, antes de escurecer procuramos um local para o acampamento e nesse local providenciamos nossa refeição mais elaborada que serve como um misto de almoço e jantar. Dessa forma não perdemos tempo com o almoço e adiantamos o jantar aproveitando o resto de iluminação natural que o dia permite para a alimentação já no lugar que nos servirá de descanso.

        As vezes durante o dia fazemos uma ou duas paradas rápidas para um lanchinho ou quando há algum local com alguma infraestrutura alimentícia típica com vista aprazível que convide para um breve repouso.
 
        Peruíbe é uma cidade com aproximadamente 60.000 habitantes fundada em 18 de fevereiro de 1959, mas sua história é muito mais antiga, remontando a anterioridade do Descobrimento do Brasil, quando já existia na região a Aldeia dos Índios Peroibes. Em 1534 passou a pertencer a Capitania de São Vicente de Martim Afonso de Souza,  Em 1549 foi construída o que se considera a primeira igreja do Brasil, a Igreja de São João Batista que hoje só restam ruínas, conhecidas como as Ruínas do Abarebebe (Padre Voador) em homenagem ao padre Leonardo Nunes que segundo indígenas parecia sempre estar em diversos lugares ao mesmo tempo.
Peruíbe também contou com a passagem por lá do padre jesuíta José de Anchieta pelos idos de 1554 e até o anos de 1789 havia movimentação na região quando nesse ano os jesuítas foram expulsos levando ao declínio e abandono da cidade. Apenas já ao redor de 1914 com a construção da estrada de ferro Santos-Juquiá a cidade voltou a se desenvolver e nos idos dos anos 1950 com a construção de rodovias passou a ser uma estância balneária e ao redor de 1970 a lama negra medicinal de Peruíbe ganhou notoriedade internacional pelas suas propriedades terapêuticas.

        É claro que por esse motivo as meninas aproveitaram para fazer um tratamento com a famosa Lama Negra medicinal que ao custo de R$ 3,00 (três reais)  é possível fazer a aplicação facial com resultados bem satisfatórios. Essa lama composta de argila, feldspato, quartzo, magnetita, monazita, turmalina entre outros componentes é indicada no tratamento de artrite, afecções circulatórias, gota, mialgias, flebite e reumatismo, psoríase, além de cosmética para melhorar a pele.


Tratamento de beleza com máscara facial de Lama Negra Medicinal


       Esta cidade possui também um aquário com mais de 80 espécies de animais como tubarões, raias, tartarugas, repteis, anfíbios e peixes. No Aquário de Peruíbe (www.aquariodeperuibe.com.br) também existe um Centro de Reabilitação de animais  e Educação Ambiental estando localizado na Praia do Centro.
Neste Aquário ainda existe um local chamado tanque de contato onde o visitante pode sentir e interagir com espécimes naturais em seu ambiente de forma didática e muito interessante.





Tanque interativo.



       Após passar o dia em Peruíbe e já no fim de tarde seguimos em direção a São Vicente passando por Praia Grande. Muitas tentativas e busca inútil por um local para estacionarmos o carro e armarmos a nossa barraca Blue Camping (www.bluecamping.com.br) percorrendo desde Peruíbe até a cidade de São Vicente, optamos para dormir em alguma pousada ou hotel.
        A infraestrutura para camping nessa parte do litoral emtre Praia Grande e São Vicente é inexistente. Perguntamos até em duas pousadas sobre a possibilidade de estacionar o carro no estacionamento da pousada e armar a barraca, mas nos foi informado que até existe uma lei municipal que proibe essa prática. Não confirmamos oficialmente a veracidade dessa informação, mas lamentamos o posicionamento de receptividade turística lá existente.
       Utilizando o GPS acabamos nos decidindo pelo Hotel Chácara do Mosteiro (www.hotelchacardomosteiro.com.br). Lá chegando explicamos o nosso jeito de alojamento solicitando se houvesse possibilidade de armar a barraca em algum local nas dependências do hotel. Fomos gentilmente recebidos pelo Johnatan informados da não possibilidade desse recurso, mas em contrapartida nos ofereceu um ótimo quarto por R$ 150,00 após negociações muito boas algumas diretamente com o proprietário o Sr. Nery Ambrozio, gente finíssima e com ótimas histórias para contar.  Assim, contrariando nossa expectativa de acampar todas as noites mas pela completa ausência de opções na cidade e arredores, ficamos confortavelmente alojados no quarto 112 com direito a ótimas conversas com todos funcionários amigos que ali estavam.
      Agora é jantar um delicioso Yakissoba e bananas carameladas no China Gourmet do Wagner, ali pertinho e dormir já pensando nos passeios do dia seguinte em São Vicente-SP.


Vista noturna de São Vicente do Hotel e Chácara Mosteiro

Yakissoba e bananas carameladas nota 10!!!