Viagem Família______________________________________

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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Litoral de São Paulo - De Santos a Ubatuba

     
       
         Bom dia Guarujá!

         Acordar cedo com o canto dos pássaros em volta dentro do conforto de uma barraca sequinha e aconchegante é uma sensação boa demais.
         Agora é preparar aquele café da manhã e começar a explorar os arredores e cidade de Guarujá-SP já que chegamos aqui ontem à noite e pouco vimos.

Quiosque onde fizemos as refeições

Área das pias e lavação

Área de acampamento
         A começar merece um breve comentário o camping onde pernoitamos. Inicialmente sabíamos de sua existência por pesquisa realizada pela internet. Difícil a sua localização e pouco conhecido mesmo com perguntas a pessoas moradoras da região. Basicamente achamos 3 campings e todos eles oferecem apenas serviços básicos. A receptividade também não é o forte visto que as pessoas que nos receberam em todos eles estavam mais preocupadas em receber logo os valores monetários do que mostrar o que tinham a oferecer. Houve caso de o atendente nem levantar do sofá onde estava assistindo TV!! De qualquer forma escolhemos o Pousada e Camping Ecológico que apesar de possuir instalações básicas, elas estavam limpas.(R$ 25,00 por pessoa) O ponto contra foi a pouca atenção e interesse das recepcionistas em nos atender.




         Guarujá é uma cidade balneária localizada na Baixada Santista e possui uma população de aproximadamente 311.000 habitantes. Conhecida como Pérola do Atlântico possui 27 praias distribuídas nos 23,5 km de extensão de sua costa litorânea. Guarujá tem seu nome derivado da língua Tupi significando um tipo de caranguejo chamado Guaruça, outrora muito abundante na região. Existem comprovações de que a Ilha de Santo Amaro onde está Guarujá já era habitada pelos homens do sambaqui, populações nômades que habitavam a região sul/sudeste após a última era glacial, mais ou menos a 15 mil anos atrás.
         Apesar de desde relatos de 1502 haverem os portugueses desembarcado na Ilha, a costa acidentada com muitos pântanos não atraiu o interesse dos colonizadores, e mesmo em 1543 quando da divisão por Capitanias Hereditárias o interesse local era apenas a ocupação legal do território sendo usada apenas como pequenos sítios destinados a esconder e contrabandear escravos.
         Toda a fase colonial e imperial pouco interesse demonstrou na região, e apenas em 1892 a Companhia Prado Chaves começou a criar a Vila Balneária na Praia de Pitangueiras sendo construídas linha férrea, hotel e até um cassino. Em 1911 após a companhia ter sido adquirida pelo empresário norte-americano Percival Farquhar passou a ser um marco para o turismo de luxo beneficiando principalmente a alta classe paulistana. Foi no Guarujá em 1932 que morreu o célebre aeronauta Santos Dumont. Hoje o turismo e negócios imobiliários são a base da economia de Guarujá.


Mirante do Costão das Tartarugas

         Decidimos continuar nosso caminho costeando as praias e logo alcançamos o Mirante do Costão das Tartarugas e Praia da Enseada. Ali se tem uma ótima vista do alto, e também um camping bem precário onde o proprietário quis cobrar apenas porque queríamos entrar para tirar algumas fotografias. Passamos pelas Praias do Pernambuco, Éden, Perequê e São Pedro, segundo na direção norte em direção ao canal de Bertioga para a próxima balsa.
         Definitivamente o Guarujá é uma localidade voltada ao turista paulistano onde vimos a imensa maioria de imóveis fechados, sendo que também a maioria deles é de alta categoria.O custo de vida da cidade também é mais elevado e vimos em boa parte do percurso que o acesso às praias acaba sendo dificultado pelas construções que se enfileiram ao longo da costa limitando a locomoção e acesso de pessoas não moradoras do local ao mar.
Praia do Perequê-Guarujá(onde encontramos pescadores profissionais naturais de Bal. Camboriu e Piçarras-SC)

Na balsa para Bertioga
         Seguindo em frente chegamos à ponta norte da Ilha de Santo Amaro e mais uma balsa de poucos minutos para cruzar o canal norte chegando a Bertioga. Toda a região possui muitas praias com seus atrativos mas o pouco tempo que dispomos não nos permite ficar vagando sem rumo. São Sebastião fica a aproximadamente 135 km pela BR 101-Rio Santos e o trajeto é completado em pouco mais de 3 horas pois nosso destino de hoje é chegarmos a Ilhabela e acampar na Praia de Castelhanos. Claro que não podemos deixar de parar nas inúmeras e belas vistas que este caminho proporciona, e numa dessas paradas encontramos o casal Rubi e Acelga que percorriam o trajeto de motocicleta e com quem conversamos e pegamos algumas dicas, já que eles são da região.
         Chegando em São Sebastião e já sabendo da pouca infraestrutura e precariedade do destino escolhido para o pernoite passamos antes no mercado prevendo cardápio para jantar, café e almoço do dia seguinte. Encontramos a fila para nova travessia de balsa, dessa vez para a tão famosa Ilhabela.  Eis que surge um simpático vendedor de amendoins com o qual conversamos e nos divertimos mutuamente enquanto esperávamos pacientemente na fila.

Entrada do porto de São Sebastião
Fazendo novos amigos com a Rubi e o Acelga
          A demora já incomodava e ao perguntar para um atendente das balsas fomos informados de que o tráfego aquático estava suspenso motivado pelas más condições do mar e dos ventos fortes. O atraso foi providencial pois acabamos conversando com outro vendedor que nos explicou os possíveis problemas que teríamos pela frente como possibilidade de ficarmos ilhados sem volta ao continente por causa dos ventos e também nos alertou sobre a precariedade do lugar bem como a imensa quantidade de mosquitos e borrachudos que infestam a região. Como já eram quase 15h e a previsão de chegar em Castelhanos passava das 18h, seria temeridade enfrentar uma trilha bem difícil para chegar lá durante o escurecer e ainda mais lá chegando a noite sem nenhuma informação confiável sobre onde ficar e pernoitar. Decidimos abortar essa parte de viagem, pois esse atraso iria comprometer ainda mais o restante do trajeto que queríamos completar passando pela Serra da Mantiqueira.
Lindas praias do litoral paulista
         Saímos da imensa fila já formada atravessando o canteiro central  gramado existente no local e voltamos a estrada para percorrer mais 90 km até Ubatuba. As distâncias nessa parte da BR 101- Rio/Santos podem até parecer pequenas mas pela grande quantidade de curvas leva-se muito mais tempo do que o previsto para serem percorridas. Nesse caso gastamos mais de 2 horas e 30 minutos até chegarmos a Ubatuba e com algumas informações colhidas no percurso acabamos achando 3 campings que poderiam ser utilizados. Pesquisando os três ficamos no Camping Toa Toa do Sr Luis. Simples e praticamente deserto pois só havia mais uma família no local.
Jantando no acampamento
            Bem de frente ao mar na Praia de Tabatinga que na verdade fica nas divisa de Caraguatatuba e Ubatuba. Como o jantar já estava comprado bastava montarmos o nosso acampamento e  degustar nosso delicioso frango assado, farofinha, sanduíches, salada e frutas com mais umas cervejinhas geladas compradas num mercadinho a poucos metros dali. Passear sem pressa na praia à luz do luar com a família é um ótimo jeito de terminar o dia perfeito que tivemos. Belo lugar para passar a noite ouvindo o suave barulho do mar a poucos metros da barraca.


Entardecer em Ubatuba

       

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Litoral de São Paulo - São Vicente e Santos

Nosso adesivo no mural do Hotel do Mosteiro em São Vicente-SP.
       Acordar cedo já estamos acostumados e dessa forma podemos aproveitar bem melhor o dia para conhecer o local onde estamos.
      Como fizemos o acordo de não ter café da manhã incluído no pernoite, acabamos por lanchar nosso café da manhã particular com sucos de frutas, achocolatado e sanduíches no quarto com o maior cuidado para não sujar nada.
      Ainda aproveitamos o patio do Hotel para tirar o pó que estava no Garça, resultado das estradas não pavimentadas que percorremos ontem. Depois de mais um bom papo com os funcionários do Hotel Mosteiro, fizemos um tour pelas suas dependências. Ampla área com todas as opções. Piscina, sala de musculação, jogos, aquário, capela e o mais interessante é um museu localizado nas dependências que originalmente eram o Mosteiro. Este hotel foi erguido no Morro dos Barbosas, ponto de referência da cidade.
       Queremos agradecer de público a hospitalidade de todo staff do Hotel Chácara Mosteiro e principalmente do Sr. Nery e sua esposa Shirley pela cordialidade e amizade com que fomos recebidos. Gente assim faz valer as nossas viagens. Recomendamos esse Hotel para todos que venham visitar a cidade de São Vicente.(www.hotelchacaradomosteiro.com.br)
 
Lavando o Garça
Sr. Nery nos explicando detalhes do Museu do Mosteiro no Hotel.
       A história do Hotel Chácara Mosteiro se mistura com a história do Descobrimento do Brasil. Já em 1506 nesse local foi implementada a primeira fazenda do Brasil. Outros títulos como a 1ª Vinícola do Brasil em 1508, o 1º Engenho de Cachaça Artesanal, a 1ª Encenação teatral acontecida em território brasileiro também aconteceu aqui, além de as edificações originais terem hospedado figuras ilustres como o navegador Américo Vespúcio, Martin Afonso de Souza, Padre José de Anchieta, Jânio Quadros, D. Pedro II, Wenceslau Brás e até o Papa Pio XII entre outras personalidades.
      As dependências do Hotel também serviram de hospedagem a oficiais nazistas que durante a II Guerra ficaram enviando informações que por aqui coletavam. Diversas histórias ouvimos sobre essas personalidades obscuras que ficaram hospedadas nas dependências do hotel, histórias que aguçam ainda mais a curiosidade e mistificam a história do lugar.  Enfim, visitar o Museu do Hotel Chácara Mosteiro é quase obrigatório para quem vem visitar a cidade de São Vicente.
Piso decorado com a Cruz Gamada e suásticas.
Hall de entrada do Hotel
Biblioteca que recebeu visitantes ilustres
Sala de jogos
Antiga sala de estar, agora museu


      Apesar de já em 1502 haverem registros da passagem do navegador Américo Vespúcio por estas bandas, a cidade de São Vicente  foi fundada oficialmente pelos portugueses em 1532 sendo a primeira vila fundada nas Américas. Localizada na Ilha de São Vicente possui atualmente aproximadamente 350.000 habitantes sendo também uma estância balneária possui diversos pontos turísticos como a Ponte Pênsil, Ilha Porchat, Marco Padrão, Casa de Martin Afonso, Memorial 500 anos de Oscar Niemeyer, entre outros. Percorremos diversos pontos e notamos um certo desleixo com esses pontos históricos dessa que é oficialmente a primeira cidade do Brasil. Em conversas com moradores da cidade fomos informados que a atual administração pública municipal não tem muito comprometimento com a preservação histórica por misturar vertentes religiosas conflitantes com a história local.
     Diversos pontos turísticos estavam depredados e tomados por moradores de rua que tranquilamente habitavam os lugares, causando natural afastamento de eventuais turistas e moradores.
     Uma pena que a primeira cidade do nosso país que tem tanta história a contar fique relegada ao abandono apesar de possuir enorme potencial turístico e histórico.
Ponte Pênsil de 1914.

Parque Cultural Vila de São Vicente(fechado a visitação)

Marco Padrão de 1932 erguido sobre a Pedra do Mato no sopé do Morro dos Barbosas.

3ª Igreja Matriz de São Vicente(1757). A 1ª de 1542 foi destruída por uma ressaca, a 2ª de 1599 foi destruída por corsários.
Vista de São Vicente do alto do Memorial 500 anos.
Praia de São Vicente

          Seguimos costeando as praias e poucos quilômetros (8 km) a frente chegamos a cidade de Santos. Santos atualmente ao contrário de São Vicente nos causou uma ótima impressão, com ruas limpas e um bom cuidado com seu patrimônio cultural e histórico.
          Fundada em 26 de janeiro de 1546 também por portugueses, Santos abriga o maior porto marítimo da América Latina. Possui uma população de aproximadamente 434.000 habitantes e é a cidade economicamente mais ativa da região da Baixada Santista. Já em 1550 foi fundada a primeira Alfândega da Coroa Portuguesa pois a então Capitania de São Vicente era referência no comércio fato ampliado pelos dias atuais com a prestação de serviços e turismo, bases da economia local.
Jardins de Santos

Interior da Casa Azulejada, originalmente um Armazém de Café

Panteão dos Andradas com mausoléu de José Bonifácio

Palácio José Bonifácio sede da Prefeitura Municipal
        Santos é uma cidade que merece alguns dias para conhecê-la melhor, mas pela estrita falta de tempo acabamos conhecendo-a de forma rápida e básica. Merecem atenção o Museu do Café, o Aquário Municipal, Panteão dos Andradas, Monte Serrat, Teatro Coliseu, Orquidário Municipal, Orla Marítima, Catedral, Jardim Botânico e é claro o imperdível Passeio de Bondinho pelas ruas históricas entre outras atrações.
Estação do bondinho na Praça Mauá



Percorrendo as ruas com o bondinho percurso de 5 km (30 a 40 minutos)
            O tour com o Bondinho ( R$ 6,50 inteira ou R$ 3,25 meia para estudantes professores e idosos) é bem interessante pois percorre as principais atrações turísticas do centro histórico da cidade de Santos, abrindo posteriormente as opções de conhecer essas atrações de forma mais minuciosa. 
           É possível caminhar sem pressa pelas ruas históricas utilizando o mapa turístico da cidade de forma a conhecer os mais de 30 atrativos presentes em poucas quadras.

           O Aquário de Santos também merece destaque pelos espécimes ali instalados como tubarões, tartarugas, pinguins, peixes dos mais variados tipos e até um leão marinho chamado Abaré-Inti, que não conseguimos ver pois estava escondido entre as pedras.
          Os tanques em tamanho grande reproduzem os ambientes naturais dos bichos proporcionando boa visibilidade e espaço para deslocamento dos espécimes dentro do seu habitat.

Moreia Verde (Gymnothorax funebris)

Tartaruga Verde(Chelonia mydas)

Tubarão Lixa (Ginglymostoma cirratum)

Mari e um aquário oceânico

Arraia

            Já no fim de tarde e pensando em achar um local para acamparmos decidimos ir até Guarujá que está distanciada de Santos apenas pela travessia de balsa pelo canal norte da Baía de Santos. Em poucos minutos e sem custo, estávamos no Guarujá onde já sabíamos que havia camping para o nosso pernoite pois tínhamos pesquisado isso anteriormente.
           Amanhã mais descobrimentos e aventuras...
Pegadas do Pelé em frente ao Museu Pelé

Atravessando para o Guarujá
Nosso acampamento no Guarujá