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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Passeando por Curitiba - Museus da capital: 13 - Museu Ferroviário

 

Fachada da antiga Estação Ferroviária - atual Museu

Museu Ferroviário no shopping??? Aqui, em Curitiba, tem.

Passear em shopping, num dia de frio e chuva, faz parte da “praia curitibana”! Se ainda dá pra curtir um pouco da história da cidade, melhor ainda!!!


Antiga bilheteria

O Museu Ferroviário está localizado na antiga Estação Ferroviária de Curitiba - hoje Shopping Estação, considerada a porta de entrada da capital paranaense entre 1885 a 1972! Marcos e sua família, bem como meu avô e CIA, costumavam comprar aqui os tíquetes para a viagem de trem pra Morretes ou pro Marumbi, naquela época!!!

Estes tíquetes eram de feitos de papelão, com aproximadamente 8 cm de comprimento e 3cm de largura e eram perfurados pelo guarda-freio dentro do trem, durante a viagem!!!


O museu foi inaugurado em 1982, recriando o ambiente e o funcionamento da antiga ferroviária.

Acervo



O acervo inclui mais de 600 itens da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), como mobiliário, telefones, telégrafos, relógios, apitos, chapéus, sinos entre outros itens. Também possui uma biblioteca com livros de registro dos funcionários da ferrovia.

Do lado externo, dentro do pátio da área de alimentação do shopping, está uma antiga locomotiva a vapor e um vagão de trem que abriga o Expresso Estação, com exibições imersivas sobre a ferrovia que liga Curitiba a Paranaguá.


Um pouco de história

A ferrovia que liga Curitiba a Paranaguá foi inaugurada em 2 de fevereiro de 1885. Foi D. Pedro II que lançou a pedra fundamental de sua construção, em 1880, e que foi administrada e realizada sob a responsabilidade de uma empresa belga – Societé Anonyme de Travaux Dyle et Bacalan – e os engenheiros Antônio Ferrucci e João Teixeira Soares, contando com a mão de obra de imigrantes poloneses, alemães, italianos e operários remunerados – foram 9000 trabalhadores envolvidos no projeto.


CURIOSIDADES

A pedido dos irmãos Rebouças, engenheiros que planejaram a ligação ferroviária a partir de 1865, não foi utilizada mão de obra escrava (até porque D. Pedro II não era escravagista!).

Em 1870 Antônio Pereira Rebouças Filho, junto com sócios, solicitaram uma Concessão Imperial para a construção da ferrovia que ligaria Antonina (onde já havia um Porto, construído pelo Conde Matarazzo) a Curitiba, porém não conseguiram concluí-la dentro do prazo de 2 anos e tiveram dificuldades financeiras, assim, cederam os direitos de construção para o Barão de Mauá, que também não deu conta da obra.


Portanto a obra recebeu mais uma uma Concessão Imperial e a partir de 1880 a empresa belga deu cabo do projeto, ligando não mais Antonina, mas Paranaguá à Curitiba.

Com cerca de 110km de extensão, o trajeto que cortou “a muralha” (Serra do Mar) possui 13 túneis (o maior com 457m de extensão) e dezenas de pontes e viadutos (30), dos quais destacam-se o Viaduto Carvalho e Ponte São João. As pontes e viadutos de aço vieram da Bélgica, somando 500 toneladas de ferro, construídos sem uso de máquinas e sob condições climáticas adversas!

Maquete da Ponte São João

Maquete do Viaduto Carvalho

A estrada está sendo administrada pela Rumo Logística – ALL, com transporte de cargas e trem turístico operado pela Serra Verde Express.

Antes da ferrovia, o único acesso de ligação entre o litoral e o planalto era a Estrada da Graciosa, inicialmente uma picada/trilha aberta pelos indígenas e que posteriormente foi calçada.

Quando houve a inauguração da estrada de ferro, os carroceiros e trabalhadores ligados ao transporte de cargas via tração animal fizeram protestos!!

 


A erva-mate foi uma das molas propulsoras de crescimento do Paraná

Horário de funcionamento e localização

O Museu do Ferroviário está localizado dentro do Shopping Estação, no bairro Rebouças, próximo da atual Rodoferroviária de Curitiba e também do Mercado Municipal, na Av. Sete de Setembro.

Praça Eufrásio Correia e Shopping Estação, ao fundo. A praça, inaugurada em 1880, era conhecida por Largo da Estação - foi tombada como Patrimônio Histórico do Estado do Paraná em 1986. 


O Chafariz, instalado por volta de 1913, foi importado da renomada fundição francesa Val d'Osne e mostra uma Ninfa no topo e três esculturas na base, representando um tritão e duas nereidas, num total de 4,69m de altra

Funciona de 2ª a quinta-feira, das 10h às 22h; sextas e sábados, das 10h às 23h e domingos e feriados, das 11h às 22h, tendo entrada gratuita.

"Memórias da Cidade"

Ali próximo do Shopping Estação, na Travessa da Lapa, há mais uma atração curiosa de nossa cidade. Trata-se de uma coleção de painéis em azulejo, detalhando pontos turísticos da capital. 

Trata-se de um mural de 40m de extensão, ao longo da Travessa, quase esquina com a Rua Mal. Deodoro, feito com 18 quadros em azulejos pintados por diversos artistas urbanos.




As técnicas utilizadas pelos artistas - a maioria grafiteiros e tatuadores - incluem desenhos a lápis caneta esferográfica preta, naquim e ainda colagem (utilizada pelo artista Paulo Momm para substituir o motorista de um ônibus urbano da década de 50 por Carlitos, de Charles Chaplin). 




O Painel Memórias da Cidade retrata a história arquitetônica de Curitiba com imagens de edificações e parques do fim do  séc. XIX e início do séc. XX, acompanhadas de textos explicativos.




terça-feira, 13 de novembro de 2018

Ushuaia (Argentina) até Barra Velha SC (Brasil)- janeiro de 2018

Ushuaia (Argentina) a Barra Velha (SC - Brasil): janeiro de 2018
Vista superior da cidade de Ushuaia

Transatlânticos que aportam diariamente no verão

Mesmo sendo o Fim do Mundo rsrsrsrs.... Ushuaia é uma metrópole com muitas atrações e coisas bonitas para visitar! Da primeira vez que aqui estivemos fizemos apenas o Parque Nacional Tierra del Fuego e o passeio na baía do canal de Beagle, para conhecer o  Farol do Fim do Mundo, citado no livro de Julio Verne. Desta vez, queríamos conhecer o Museu do Presídio e andar com o trem turístico pelo Parque. 

Confiram abaixo os detalhes da nossa visita em 2010!
http://www.viagemfamilia.com.br/2010/01/ushuaia-aduanas-rio-gallegos.html
http://www.viagemfamilia.com.br/2010/01/ushuaia-argentina.html

Depois de nosso jantar maravilhoso no dia anterior, o café veio mais tarde e com tranquilo, com muita conversa e risadas. Saímos em direção ao Parque Nacional Tierra del Fuego e ao chegarmos faltavam poucos minutos para a saída do trem. Resolvemos encarar o passeio que foi muito divertido e instrutivo, pois há um sistema de áudio nos vagões (em português, inclusive) que explica a história do lugar: os presidiários que construíram a ferrovia a utilizavam para ir cortar as árvores de modo a ter lenha para fornecer o aquecimento na cidade! Muitas outras histórias pitorescas sobre estes presos e suas condições subumanas de trabalho são relatadas no áudio. O passeio custa P$ 350 por pessoa e há algumas paradas onde se pode fazer pequenas caminhadas, tirar fotos da cachoeira e brincar com personagens caracterizados que ficam nas estações para tirar fotos! Observamos a presença de cavalos selvagens e muita pradaria, além das montanhas nevadas ao fundo! 
Como o trem anda bem devagar, é possível fazer boas imagens durante o passeio. 





Cachoeiras na parada La Macarena - caminhada de uns 10 minutos


Dique natural construído provavelmente por castores


Brincando com o "presidiário"

Tocos das árvores deixadas pelos presos há muitos anos... a altura do corte determina a quantidade de neve que havia na época do corte

Cavalos selvagens nas pradarias
Por estarmos de carro, acabamos optando por fazer o passeio de ida e volta de trem, mas quem estiver de van ou a pé pode fazer apenas a ida, e continuar o passeio a partir do último ponto de parada. Após pegarmos nossos carros, seguimos por dentro do parque até os diversos pontos onde há trilhas e a placa de indicação do fim da Ruta 3, que é o ponto mais austral que se pode chegar de carro! 
Ano que vem estaremos lá: Alaska 2019, aí vamos nós!!!

Bahia de Lapataia




 Antes de deixarmos o parque, resolvemos parar para um lanche. Dentro do Parque há áreas para camping, com alguma estrutura. Nesse ponto onde fizemos nosso picnic, havia container banheiro e a presença de um "pidão" de comida, um caracará muito folgado!!


Voltamos para a cidade passando pelas casas dos primeiros habitantes de Ushuaia, missionários que vieram pra cá no século XIX com a difícil missão de catequizar os índios, mas que não foram bem sucedidos, porque as condições extremas climáticas e as doenças e epidemias que dizimaram os indígenas acabaram naufragando esse projeto. Só em meados do século XX a cidade cresceu mais, com a instalação do presídio (fechado em 1947) e consequentemente, de população, pois haviam os funcionários administrativos e suas famílias, bem como colonos destemidos que vieram arriscar seu sustento por aqui! 


Ushuaia vem do idioma indígena yagan e significa "baía profunda". Essa região já era povoada há mais de 11000 anos e os povos que aqui viviam eram nômades, coletores e caçadores. Por conta das condições climáticas adversas, e por não contarem com muita tecnologia, acabam tendo uma vida muito curta. Tinham estatura pequena - não ultrapassavam os 1,6m, e comiam tudo que encontravam, inclusive carcaças de animais que aportavam na praia. 
Foi Fernão de Magalhães que deu o nome à Tierra del Fuego, pois avistava de seu navio, pequenas fogueiras que se espalhavam pela costa. Em 1826, durante uma expedição científica, foram capturados dois nativos fueguinos, que foram levados à Inglaterra, sendo educados e apresentados  à corte. Quem estava no comando dessa nau era o jovem capitão Robert FitzRoy. Alguns anos mais tarde, este mesmo capitão chefiou uma nova expedição para essas bandas tendo em seu navio o famoso naturalista Charles Darwin e o missionário Richard Matthews que iria começar sua missão, porém não obteve sucesso.

Após este passeio memorável, voltamos para casa, pois hoje o Roberto e a Mabel iriam fazer o famoso e delicioso carneiro fueguino!!! Sendo uma de suas especialidades, não podíamos deixar de aproveitar cada minuto para acompanhar a preparação do bichinho!






No dia seguinte (domingo) fomos conhecer a cidade propriamente dita, passeando por suas ruas e olhando as lojas. Acabamos nos encantando por uma centolla e  na hora do almoço voltamos até o restaurante para nos deliciar com essa iguaria. Nós já conhecíamos esse maravilhoso crustáceo, mas Joselle e Amândio nunca haviam comido, portanto, "pescamos" o bichinho no tanque e em poucos minutos ele estava sendo servido à mesa!!!




Se inspirando para as próximas viagens

Há a possibilidade de fazer um tour pela cidade nesse ônibus



Centolla... manjar dos deuses!
 Após esse lauto almoço, resolvemos conhecer o Museu do Presídio. Nossos companheiros viajantes estavam cansados e foram fazer a siesta! As histórias do presídio e de seus internos são tristes e impressionantes. O local é bem grande, com muitas alas (5) e uma delas foi deixada original, sem restauro, para se verificar in loco as condições enfrentadas pelos reclusos. Há, ainda, uma das alas que foi transformada em museu marinho e outra que serve para exposição de obras de arte. Ficamos horas lá dentro passeando e conhecendo tudo. Aproveitamos a visita monitorada, onde o monitor faz as explicações e conta algumas histórias ocorridas no século passado, sem custo adicional! Vale a pena visitar o lugar!! 

As celas tinham tamanhos diferentes

Foto de época


Era colocado um aquecedor em cada corredor, bem no meio... aquele detento que estivesse em uma cela mais longe, poderia morrer de frio durante o inverno

Exposição de arte acontecendo em uma das alas
Após nossa visita ao museu, retornamos para casa e fizemos um lanche rápido (macarronada à moda, preparada pela Mabel! rsrsr). Hoje é dia de organizar tudo, pois amanhã iniciaremos o caminho de volta pra casa. São pouco mais de 5000 km que separam Ushuaia de nossa cidade no litoral norte catarinense. 

Despedidas dos amigos!

Última vista do canal de Beagle: até a próxima, Ushuaia!
 Hoje o destino era tentar chegar em Rio Gallegos, quase 550 km de distância, com duas aduanas na Terra do Fogo e mais ferryboat para ajudar. Depois da segunda aduana, do Chile, acabamos nos perdendo do Amândio e fizemos outro trajeto... como estamos numa ilha, todos os caminhos levam ao porto e acabamos nos reencontrando na fila do ferry, onde uns motociclistas já haviam nos avisado que ele estava nos esperando numa determinada parte da estrada. 
Cabe aqui uma nota: há apenas uma rota entre a saída do ferry e San Sebástian que está quase toda asfaltada! Mas há dezenas de caminhos de rípio que unem os dois pontos. Na ida para Rio Grande foi fácil, pois estava bem sinalizado. Já na volta acabamos nos perdendo, pois há obras em toda a pista e perdemos a entrada da estrada nova, asfaltada! Acontece!!!
Na fila para pegar o ferry de volta ao continente
 Na volta também tivemos sorte de pegar o mar tranquilo. Apenas as toninhas nos acompanharam, saltando ao lado do navio.
Paisagem próxima de Rio Gallegos
 No verão, os dias na Patagônia são bem compridos e o sol não se põe antes das 22h. Por este motivo, acabamos rodando bastante nesses dias de retorno ao Brasil, pois nosso objetivo era chegar em 5 dias... eu precisava voltar ao trabalho!!! Desta forma, parávamos apenas para abastecer e tirar umas fotos aqui e ali.
A ruta 3 é bastante monótona, mas perigosa, pois os ventos são fortíssimos, sempre vindo de oeste para leste. Há presença de guanacos que às vezes cruzam a pista desavisadamente... todo cuidado é pouco. Também avistam-se com bastante frequência os poços de petróleo com aquelas bombas de desenho animado. 
As intermináveis retas na Ruta 3


Poços de petróleo às margens da rodovia
Mais pro fim da tarde alcançamos Caleta Olivia, onde há uma loberia às margens da rodovia. Os animais estavam bem relaxados, pois o período de acasalamento já passou e os filhotinhos estavam com suas mamães curtindo o sol. Paramos pra esticar as pernas e tirar muitas fotos bem de pertinho. Não é sempre e em todo o lugar que se pode chegar tão perto desses mamíferos, leões marinhos!
Loberia ao lado da rodovia, em Caleta Olivia

Só assim pra fazer carinho no bichinho...

Leão marinho, macho alfa!

Quanta preguiça...
Os acampamentos nesses dias de retorno foram rápidos e práticos: postos de combustível são sempre uma boa e segura opção. Houve dias em que não cozinhamos, pois já estava bem tarde quando paramos de rodar! 
Acampamento próximo de Rio Gallegos: comemos num restaurante

Acampamento próximo de Comodoro Rivadávia: comemos pizza

Acampamento no Balneário Municipal de Rio Colorado: preparamos nossa jantinha ao lado do rio Colorado e com vizinhos bem bacanas

Retas sem fim da Ruta 3, já na província de Rio Negro
Chegamos  na região metropolitana de Buenos Aires e nos hospedamos na casa de Herman Zapp, um viajante muito famoso, que viaja num Graham Page 1928, e que escreveu o livro "Atrapa tu sueño" em parceria com sua esposa, Candelaria. Herman e Cande são amigos de Amândio e Joselle e desta forma passamos a noite lá, batendo um gostoso papo antes, durante e depois do jantar. No dia seguinte, nos despedimos cedo e seguimos rumo à divisa com o Uruguai. Agora falta pouco para chegarmos em casa...
Aproveitamos para adquirir um exemplar e nos inspirar mais um pouco


Entramos no Uruguai via Fray Bentos, cruzando uma ponte que liga os dois países. Aqui a aduana é compartilhada e os trâmites são rapidíssimos. Aproveitamos para comprar combustível extra na Argentina, pois o preço ainda é mais barato do que no vizinho, Uruguai. 
Abastecendo no Uruguai, com combustível argentino
Rodamos pelas estradas do Uruguai e entramos no Brasil por volta das 22h30min, na divisa de Rivera/ Santana do Livramento. A aduana fica no shopping!! Seguimos as placas de sinalização e carimbamos nossos passaportes... aproveitamos para comer por ali mesmo, na praça de alimentação! 
Despedida dos amigos goianos... cada um vai seguir em direções diferentes! Foi muito bom compartilhar as experiências e curtir a viagem durante esses mais de 25 dias juntos! Valeu!! 

Despedimo-nos de nossos companheiros de viagem, que hoje vão em direção a Porto Alegre reencontrar com um dos filhos e nós vamos em direção à Lages, via BR 116.  Chegamos em casa nos dia seguinte, perto das 20h... 
Muitas histórias há para contar sobre esses 42 dias de viagem e que não descrevi aqui!!! Continuem nos acompanhando, pois 2019 será especial: iremos sair para nosso Projeto Acqua Mundi, indo até o Alaska!!!