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quinta-feira, 26 de junho de 2025

Expedição Transamazônica 1 - A caminho do Norte, "paradinhas" no PR

 

Castrolanda - Castro - PR

Sair para uma aventura mais longa requer muito planejamento e resiliência para superar os desafios! A ideia de percorrer a lendária Rodovia Transamazônica – BR 230 já era antiga e encontramos o momento certo para fazê-la, enquanto esperamos as coisas “se ajeitarem” aqui no Sul.

Após ficarmos monitorando o clima na região amazônica, decidimos sair para nossa empreita no mês de junho (junho/2025), na entrada da época da seca. Obs.: esta rodovia só tem 2 possibilidades: ou se faz na época de chuva (e a lama será intensa, impossibilitando o tráfego) ou se faz na época de seca (aqui o problema será o pó, chamado carinhosamente de “poaca”!).

Como não temos horário a cumprir, fomos subindo em direção ao nosso destino sem pressa.

Exploramos um pouco o estado do PR antes de entrarmos em SP.

1 – Rodovia do Cerne (PR-090) + Castrolanda + Mandaguari

Obras na Rod. do Cerne

Para fugir do agito da BR 277 e de seus pedágios, resolvemos explorar a Rodovia do Cerne, antiga via de acesso ao interior do estado e ligação com Ponta Grossa. Deixamos Santa Felicidade para trás, passando por Campo Magro (até aqui, asfalto) e depois só chão (75km), numa linda serra, cheia de curvas, subidas e descidas numa estrada em bom estado de conservação. Saímos de Curitiba no dia 24 de junho, esperando deixar o frio do inverno curitibano para trás! Ledo engano, nossa primeira noite, ao lado do Centro Cultural Castrolanda (onde fica um lindo moinho neerlandês), foi gelada, com temperaturas que chegaram a – 4°C!!!

Madrugada gelada: - 4°C


Quando amanheceu, barraca congelada e muito frio nos fizeram reposicionar o carro para pegar sol; assim o gelo interno e externo derreteu e pudemos fechá-la, após sua secagem.

Enquanto esperamos que a barraca secasse, aproveitamos para visitar o Museu Histórico da Colônia (ingresso: R$ 24,00 – inteira) e o moinho, onde já havíamos estado há 20 anos (com nossos filhos pequenos e os avós). A guia, Dangriani, super gentil, nos explicou como se deu a colonização holandesa nesta região. A colônia iniciou-se com a chegada de 2 grupos, em 1951 e 1954, cuja atuação no agronegócio sempre foi forte, especialmente na produção de lácteos, tendo sido trazido tudo, literalmente TUDO, da Holanda: desde as matrizes (vacas) até todo o equipamento, móveis, utensílios,... Além disso, houve a seleção de quem podia vir para cá: as pessoas tinham capacitações específicas que eram necessárias para começar uma colônia.

Móveis trazidos da Holanda, na fundação da cooperativa

Fundada às margens do rio Iapó, a Colônia de Castrolanda é hoje uma das maiores cooperativas agrícolas do Brasil. Algumas curiosidades desta colonização:

- Boerderij – denominação dada às antigas casas de fazenda ( o Museu Histórico da Colônia funciona numa destas casas, que foi construída utilizando as técnicas originais)

Observem que a caminha ficava anexa à cozinha, pois assim ficava quentinho no inverno

Sentados dentro dos klompen (tamancos neerlandeses, cujo nome se refere ao som característico ao andar: clomp, clomp...) - historicamente usados desde o séc. XIII por agricultores, pescadores e artesãos para proteger os pés.

Realejo trazido da Europa - conhecido como "Notenkraker" está no local desde 2004 e funciona comm uma manivela

Dangriani segurando a "partitura" da pianola

- As primeiras vacas que vieram da Holanda produziam uma média de 20litros por dia (2 ordenhas). Hoje, com o melhoramento genético, produzem até 110 litros por dia (em 3 ordenhas)

- O tripé escola (educação), igreja (valores) e cooperativa (auxílio mútuo) são a chave do sucesso da comunidade, cujos membros são na maioria calvinistas.

Ao lado da pedra do moinho

Todo o sistema é em madeira, com encaixes perfeitos, sem uso de parafusos ou pregos


PRIMEIRO PERRENGUE

Continuando nosso roteiro, o Cânion Jaguaricatu, localizado no município de Sengés, era nosso próximo destino. Aí, numa daquelas “boas rotas” de Google Maps, fizemos um desvio para chegar ao Cânion. Explicando: não gostamos de ir e voltar pela mesma rota, então sempre buscamos alternativas que façam um circuito (chega-se por uma estrada e vai-se embora por outra).


Ah, se arrependimento matasse... a estradinha de terra – estrada da Jararaca - que inicialmente era bem larga, foi estreitando até virar um caminho. Com a chuva dos dias anteriores, a água descida pela valeta lateral e numa lombada com bastante lama, calculamos errado! Resultado: o Garça escorregou e viramos passageiros! Fomos parar dentro da valeta.

Não houve jeito de sairmos... nem para frente, nem pra trás! Mesmo calçando os pneus. O 4x4 foi inútil!


Decidimos, então, voltar os 2,5km a pé até a rodovia para buscar ajuda. Passamos pelos campos cheios de bois, que só nos observaram, e subimos a ladeira em direção à Rodovia PR151. Como já era anoitecer, ninguém parou! 


Voltamos ao Garça, fizemos nosso almojanta do jeito que deu, armando a mesa no meio do caminho, e dormimos ali, dentro da valeta, tortos, sentados nos bancos dianteiros, com uma coberta improvisada... a noite não foi tão fria, graças a Deus!


Às 6h da manhã, quando o sol começou a clarear o dia, já levantamos e nos pusemos a caminho. Alcançamos a PR151 e pelo acostamento pegamos a direção do SAU (10km distante). Havíamos caminhado pouco menos de 2,5km quando a ambulância de resgate nos viu e parou! Ufa! Dali tivemos carona e o guincho nos encontrou no entroncamento da ruazinha. A moça (a serviço da Concessionária) não obteve autorização para nos resgatar – a regra da concessão é resgate a, no máximo, 200m da rodovia.

Então, só nos restou contar com o auxílio de alguma boa alma. A moça do guincho nos deu carona até o posto de combustíveis e lá o Leonel, nosso anjo da vez, topou nos ajudar!



Leonel e Marcos lidando pra tirar o Garça do buraco

Com uma caminhonete Mitsubishi L200, engatou a corda e... nada feito! A lama pegajosa fez com que a caminhonete quase fosse parar na valeta também. Não teve jeito: tivemos de recorrer a um trator!

Leonel deu carona pro Marcos até a rodovia e de lá ele, a pé, foi indo de fazenda em fazenda até conseguir o resgate. Na terceira tentativa, distante uns 7km, conseguiu finalmente que o André e seu tio Sr. Sebastião nos tirassem dessa enrascada com seu trator. 

Passeando de trator pelas fazendas vizinhas, abrindo e fechando porteiras

Marcos veio sentado no paralama e cruzando por fazendas e caminhos alternativos, os três chegaram à Jararaca às 11h! Em 30 segundos, sem nenhum esforço, Garça estava livre da lama e da valeta!!! Ufa!!! Que alegria!

Agora sai!


Aliviados! Com Tio Sebastião e André, nossos anjos

Ficamos ali ainda uns 15 min organizando tudo e contabilizando o prejuízo: um espelho quebrado, que foi colado provisoriamente com fita silver tape até o conserto. Seguimos até um posto de combustíveis na rodovia em direção a Jaguariaiva (15km), onde lavamos o carro, abastecemos e tomamos um gostoso e providencial banho. Preparamos nossa comidinha, abrimos a barraca e tivemos uma boa noite de sono.

Hora do relax, com os compadres/amigos!

Com nosso acidente acabamos desistindo do Cânion, que ficará pra outra oportunidade, e seguimos direto à Mandaguari, onde encontraríamos nosso compadre, Renato, e sua família linda (Larissa, esposa e Arthur, filho) após 10 anos!!!

Como é bom rever os amigos, rir, conversar, trocar ideias!  Nos próximos 3 dias passeamos, conversamos bastante, fizemos churras,...

PASSEIO POR MARINGÁ



Passamos uma tarde em Maringá, distante 30km, e conhecemos o “novo” EuroGarden, um Parque Linear Privado aberto ao público, numa área onde será construído um condomínio de luxo. 


Para fechar o dia, nos surpreendemos com as delícias na Sorveteria Giardore, com sabores  muito diferentes e saborosíssimos. Experimentamos diversos, a citar: Pão de Alho com Nutella,  Camarão ao Creme, Chocogengibre, Damasco com Nozes,... excelente custo benefício (cada picolé custa R$ 5,00, menos de U$1!).



Pensem num lugar top! Em Maringá

PASSEIO POR MANDAGUARI

Na segunda-feira, enquanto todos da família tinham ocupação, fomos bater perna pela cidade de Mandaguari.

Paróquia N. Sra. de Mandaguari (1943)

A cidade foi fundada em 1940 com o nome de LOVAT (Lord Lovat, inglês), mas seu nome foi mudado para Mandaguari (espécie de abelha sem ferrão) durante a 2ª Guerra Mundial por ordem de Getúlio Vargas. Lord Lovat era o fundador da Companhia de Terras do Norte do Paraná em 1925.

Primeira parada: a Paróquia de N. Sra. de Aparecida de Mandaguari (1943), criada por decreto do bispo de Jacarezinho, dom Ernesto de Paula. Em frente à igreja matriz está o Paço Municipal, o Fórum e Câmara Municipal.

Parque da Pedreira, em Mandaguari


Próxima parada: o Parque da Pedreira. Inaugurado em 1998, possui pista de caminhada, 3 lagos, restaurante (fechado?) e Casa da Cultura (também fechada).


Passeamos até a antiga Estação Ferroviária de Mandaguari, cujo prédio foi tombado pelo IPHAN em 2010, e está em condições precárias! Inaugurado em 1954 e desativado em 1981, a estação fazia parte da linha férrea que ligava Ourinhos – SP a Cambará – PR (depois prolongada até Apucarana PR). Prolongada posteriormente até Cianorte (1972), possuía tráfego de passageiros, dividindo entre os trechos Ourinhos – Maringá – Cianorte.


É hora de seguir viagem! Próxima parada: SP!!!

 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Encarnación - Paraguai ao Brasil (norte do PR e MG)

De 12 até 20 de janeiro de 2014

12/01
Queríamos visitar nosso compadre Renato em Maringá, no norte do Paraná, assim saímos de Encarnación rumo ao nordeste, pela Ruta 6, até  Ciudad del Este. No caminho há dezenas de cidadezinhas que contam com boa infra estrutura básica, tendo hotéis, pousadas, postos de combustível e restaurantes.

Após umas três horas, chegamos a uma Ciudad del Este morta: domingo à tarde nada funciona!!! As ruas estavam desertas e na aduana só estávamos nós... assim, em poucos minutos entrávamos no Brasil, depois de mais de 20 dias fora!!!
Ciudad del Este como nunca foi vista


Deixando o Paraguai pra trás -  ponte Internacional da Amizade
Troca de mapas e traçado de roteiro tentando fugir dos inúmeros pedágios aviltantes no Brasil, fomos até Umuarama, cidade muito bem organizada e urbanizada, com largas e amplas avenidas. Depois de algumas tentativas, encontramos o Hotel Topázio (www.hoteltopazio.com.br), onde pagamos R$ 160,00 para nós 4, num quarto ótimo, com dois ambientes, frigobar e ventilador. Se utilizássemos o ar condicionado, pagaríamos R$ 180,00. Jantamos no Recanto da Pizza, onde além das pizzas há outras opções de petiscos e lanches, tudo muito saboroso! Comemos uma pizza, duas porções de polenta frita e uma porção de frango frito, acompanhadas por chopp e refri/suco por R$ 101,00.

13/01

No dia seguinte, chegamos a Maringá debaixo de muita chuva e, após ligarmos pro nosso compadre Renato, pegamos o endereço e encontramos com a Lari e o Arthurzinho, agora com 5 meses e meio. Conversamos a tarde toda e curtimos o rebento, esperando o compadre para o jantar! "Nos amocamos" em sua casa e colocamos as conversas em dia, visto que já fazia dois anos que não nos víamos!!! Descobrimos que a churrasqueira da casa estava zerada, então rapidamente  fomos comprar alcatra e demais complementos pra fazermos um gostoso churrasco à noite em companhia dos amigos/compadres!


14/01
Bate papos no café da manhã, hoje temos uma boa quilometragem a percorrer, pois pretendemos chegar a MG. Para isso, precisamos atravessar todo o estado de São Paulo direção Ourinhos a Mococa, andando por diversas SP com muitos pedágios absurdos e injustificáveis, recém implantados e cuja infra estrutura nas pistas é precária. O asfalto está em péssimas condições e pista simples - sem acostamento em toda a extensão!

Procuramos um local para almoçar em diversos restaurantes a margem da rodovia, ainda em SP, e constatamos que os preço estavam abusivos pelo que ofereciam. Encontramos um onde o prato executivo era muito bem servido e atendia a duas pessoas tranquilamente, ao preço de R$ 14,90. Assim, pegamos dois pratos com bife, salada, arroz, fritas e sucos.
Continuamos, debaixo de muito calor, até a simpática cidade de Guaxupé, em Miinas Gerais, pertencente ao rota das fazendas de café e onde nos hospedamos no Big Hotel, da d. Vilma, a um valor de R$ 160,00.
Prédio da Câmara Municipal - sendo restaurado

Praça central, com homenagem ao colono

Teatro municipal - atual Paço Municipal
Demos uma volta a pé pela cidade, à noite, tirando fotos dos prédios históricos com características neoclássicas e bem ao lado do hotel jantamos uma pizza maravilhosa e porção de croquete de bacalhau, com chopp gelado  - Restaurante e Pizzaria Ponto de Encontro!!

Dona Vilma, proprietária do Big Hotel
Não há um consenso sobre o significado do termo "guaxupé". Comumente, considera-se que o termo é de origem indígena, significando "caminho das abelhas" . Outra etimologia possível é "caminho de guaxe", através da junção dos termos tupis waxi ("guaxe") e pé("caminho"). "Guaxupé" (do tupi gwa + xu pé) também é o nome de um tipo de abelha selvagem sem ferrão. http://pt.wikipedia.org/wiki/Guaxup%C3%A9

15/01



Conta do hotel paga, ainda passamos na catedral da cidade para as últimas fotos e pegamos a rodovia novamente, sentido Fernão Dias e São João del Rei, onde queríamos visitar "de surpresa" nossos amigos Maurício, Mariana e Aninha!
Na altura de Três Corações - terra do Rei Pelé, já na Rodovia Fernão Dias, almoçamos num restaurante a R$ 9,90 o buffet, com comida mineira e mais refri e seguimos até Passo de  Minas, onde entramos numa MG estreita, cheia de buracos e lombadas até chegarmos ao nosso destino. A surpresa foi boa e a recepção da família Borboleta sempre muito calorosa!!
Obras bem adiantadas na casa de Maurício e Mariana


Resolvemos seguir até Tiradentes ao entardecer para "vistoriarmos" a obra da casa de nossos amigos e jantamos uma pasta na praça central da cidade histórica. Um charme!!! Conhecemos amigos/compadres de Maurício e Mariana, Rômulo e Andressa, que são de Belo Horizonte, e que também estão se mudando para lá, montando um restaurante temático: Museu da Moto! Ainda esse ano, provavelmente, estará em funcionamento: muito sucesso aos viajantes aventureiros!


Centro de Tiradentes, à noite

Com os amigos Maurício, Mariana, Andressa e Rômulo
Com a Ana já dormindo voltamos a São João del Rei debaixo de um lindo luar!

16/01
Despedidas e agradecimentos pela acolhida sempre tão calorosa, saímos de S. João em direção a Juiz de Fora, pela BR040, conhecida por ser perigosa, pelas inúmeras curvas e falta de divisória entre as pistas, além da falta de acostamento em muitos trechos e pista simples.

Parada para abastecer em  Santos Dumont e chegada em Juiz na hora do almoço! Chegamos à casa dos Maritacas, família CLAM, depois de passarmos no Empório Bahamas e comprarmos um frango assado!
Nada como encontrar a família depois de quase um mês de estrada!!! Almoço animado, conversas mil e mais três dias de muita curtição e descanso, com direito a banho de piscina reformada!


Cada vez que visitamos Juiz de Fora, vamos a algum ponto turístico da cidade e desta vez não foi diferente: conhecemos a casa Fórum da Cultura, da década de 1920, onde a Andreia nos acompanhou explicando as diferentes funções que a casa já teve, bem como seu estilo e detalhes na construção.
Junto com nossa guia, Andreia

Detalhe dos pisos: cada ambiente com um mosaico diferente
Finalmente desta vez conhecemos o Cine Theatro Central, construído em 1927 e inaugurado em 1929, com arquitetura eclética e que funcionava como cinema (na época do cinema mudo, com sonoplastia feita no fosso) e como teatro, sob a responsabilidade da Companhia Pantaleone Arcuri. Hoje é patrimônio da Universidade Federal de Juiz de Fora e foi tombado pelo IPHAN em 1994, reforçando sua importância cultural.

O Cine Theatro conta com mais de 1800 lugares, com plateia, 1º e 2º balcões, além dos camarotes
Viajar é tudo de bom, mas voltar pra casa é uma delícia! 

20/01
Levantaremos acampamento cedo, pois temos 1100 km pela frente, até Curitiba! No dia seguinte, mais 200 km até o Ninho dos Garças! Lá vamos nós! Valeu!!!