Viagem Família______________________________________

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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Garopaba - Santa Catarina

 
Vista da Praia do Luz com a Ilha do Batuta ao fundo
     Novembro; mês com um feriado bem no meio, exatamente no dia 15, e dessa vez exatamente numa quarta-feira. Como tínhamos disponibilidade de 5 dias para um descanso, optamos por uma viagem mais curta mas nem por isso menos agradável e surpreendente.
     Da nossa querida Barra Velha até Garopaba mais ao sul são pouco mais de 200 km. A última vez que estivemos aqui já faz mais de 10 anos e como a realidade muda rápido.
     Chegamos ao entroncamento da BR 101 ( km 273) com a SC 434 perto das 10h da manhã no do Aniversário da Proclamação da República no Brasil. Dalí poucas quadras nos separavam do acesso à famosa Praia do Rosa que apesar de muita confusão sobre o tema, não pertence ao município de Garopaba mas sim ao município de Imbituba-SC.
     Como nunca tínhamos ido até esta, optamos por fazer um tour por esta parte da costa centro-sul do estado catarinense. A Estrada da Ponte é um dos dois acessos para quem quer chegar diretamente a Barra da Lagoa de Ibiraquera.  O outro acesso é pela Estrada do Arroio mais ao sul na BR 101 no km 277.



     A Estradinha da Ponte muda de nome e passa a ser a Estrada da Barra e vai em boa parte do seu trajeto contornando a Lagoa Ibiraquera com dezenas de estreitas ruelas que dão acesso a muitas casas de veraneio. Nessa época do ano a movimentação de turistas, veranistas e visitantes é bem pequena o que torna o passeio agradável e relaxante. Pode-se parar em todos os lugares bem perto da praia ou da lagoa sem ter que caminhar centenas de metros como quando acontece a alta temporada de verão.
     São poucos quilômetros de muita tranquilidade até chegarmos a Praia do Luz. Esta bela praia fica bem ao lado da Praia da Barra da Ibiraquera que pudemos percorrer parte de carro pois as poucas chuvas fizeram baixar o volume da Lagoa, secando o seu vertedouro para o mar.

Praia do Luz

Ao fundo a Barra da Ibiraquera
     Para alcançar a Praia do Rosa poucas dezenas de metros ao norte, existem dois caminhos. O primeiro é uma pequena trilha a se percorrida à pé ou então volta-se com o veículo até o "centrinho" da Praia do Rosa. Escolhemos este último caminho pois ficamos com vontade de degustar um prato de frutos do mar e as opções ali seria melhores.
     Esta é uma das coisas mais interessantes que acontecem quando se viaja meio sem destino. Para nós do Viagem Família os encontros casuais quase sem querer acabam se transformando em experiências inesquecíveis.
     Sentamos a uma  mesa no Restaurante Arrastão do Sr. Jorge, e prontamente atendidos pelo Gustavo. Conversa vai conversa vem, perguntamos se poderíamos pernoitar mais tarde nos fundos do restaurante pois ali havia um banheirinho e ducha. Ouvindo a conversa, na mesa ao lado estavam o casal Edmundo e Mônica que ofereceram para nos receber na sua casa em Garopaba para acampar. Contato feito e começamos a degustar uma deliciosa anchova grelhada. Mais conversa, senta outro casal ao lado, dessa vez o Jefferson e a Marisol que pediram o mesmo prato. Também ofereceram local para dormirmos. ali mesmo no Rosa. Agradecemos e continuamos a bater animado papo entre generosas garfadas de anchova assada.
   
Degustando uma deliciosa anchova grelhada no Restaurante Arrastão (48-99841-4373)
     Fico a pensar que ainda existem pessoas muito legais que conhecendo nossas aventuras acabam nos convidando a nos hospedar. É claro que viramos amigos e todos esses que tão bem nos recebem não serão mais esquecidos. Obrigado a vocês todos que nos acolheram.
     Para descansar depois de farto almoço nada melhor que uma sombra do guarda-sol observando o belo mar da Praia do Rosa-sul. Quase dormimos, hehehehe... Mas para conhecer precisamos nos deslocar e a Praia do Rosa também tem a parte-norte. Caminhadas de centenas de metros e bem na pontinha da praia uma placa: Trilha para a Praia Vermelha. Lá vamos nós subindo e descendo morros para descobrir que bem no alto um vento muito forte soprava que chegou a arrancar meus óculos e atirá-lo a mais de 10 metros de distância.

Descansando depois do almoço na Praia do Rosa-sul


Trilha para a Praia Vermelha- ao fundo a Praia do Rosa

Aqui meu óculos voou longe
Praia Vermelha ao fundo



Dedão cortado...

     Quase chegando à Praia Vermelha do outro lado do morro já na descida eis que uma afiadíssima pedra produz um profundo corte no meu dedão do pé esquerdo! Descobri porque o local se chama Praia Vermelha; a quantidade de sangue que deixei ali justifica o nome! Essa trilha é bem bonita, pois passa em meio a vegetação preservada e é relativamente fácil de ser percorrida apesar de ser subida e descida de um morro. Bastante sombra e belas paisagens compõem o passeio, só tome cuidado com uma pedrinha afiada quase ao chegar na Praia Vermelha.
    Já está chegando o entardecer e decidimos achar o pouso que o Jeferson e a Marisol ofereceram aqui perto no Rosa. Pior nem tínhamos pego o telefone nem a localização certa. Sabíamos que eram um local onde eles estão montando uma pequena pousada com containers perto da Estrada Geral do Rosa. Pergunta aqui, ali e nada... ... eis que a Mari vê alguns containers num terreno e ... ... achamos!!!! Viva!!! Muitas risadas e a simpatia do casal nos convence que acertamos na escolha.

Residencial Sol do Rosa em construção


Estreando novo quarto.

Jeferson, Marisol, Mari e eu 


     Eles estão literalmente construindo o sonho deles que é ter uma pousada. A novidade é que será uma pousada construída a partir de containers que são modificados e plenamente equipados para dar o maior conforto aos hóspedes. O nome é Residencial Sol do Rosa  (051- 99505-4323)(facebook.com/residencialsoldorosa) e sem medo de errar ficamos orgulhosos em dizer que fomos os primeiros "hóspedes" a ficarmos hospedados apesar das instalações ainda não estarem completamente prontas. É bem silencioso e o espaço de 30 m² de cada container é ótimo! Mais um mês e deve tudo estar pronto para receber com o maior conforto novos hóspedes.
     De quebra fizemos para eles e para nós o jantar que meio improvisado constou de sobre-coxas de frango com ervas e um tradicionalíssimo ... ... miojo!!!! Salada também é claro, tudo regado a uma boa cervejinha e sucos.

Praia do Ouvidor-Garopaba-SC
     Noite bem dormida, café da manhã tomado na varanda do container e despedimo-nos dos novos amigos para seguir na dura vida de ir procurar outra bela praia. A escolhida da vez é a Praia do Ouvidor. Chegamos bem cedinho e pouca gente. Tranquila, mar calmo, por aqui os carros circulam livremente pela praia. Nós deixamos o nosso carro o Garça estacionado na sombra e fizemos a praia de ponta a ponta 4 vezes à pé! A primeira vez para passear mesmo. A segunda, quase hora do almoço para experimentar o pastel da Graça.
     A Graça Lata Velha (048- 99824-4694) como é conhecida vende seus deliciosos pastéis de camarão, siri, carne e demais sabores na ponta norte da Praia do Ouvidor. Por que Graça Lata Velha? Porque ela participou do Programa do Luciano Huck da TV Globo e teve sua Veraneio 1974 reformada para virar um pequeno Food Truck. Claro que batemos aquele papo com ela e com o Oscar que ajuda ela com todo o trabalho de bem atender e servir a galera que aparece. recomendamos o pastel da Graça Lata Velha, huuummmmmmm....

Pastel de siri delicioso

Nós com a Graça e o Oscar, são TOP!

Nosso carro o Garça na outra ponta da praia

Praia do Ouvidor-Garopaba-SC.


     Melhor é que vamos andar bastante e queimar as calorias extras adquiridas com os quitutes. Afinal tem vantagens parar o carro longe, ainda mais quando o visual do lugar é belíssimo. Passamos o dia todo e no fim da tarde nos dirigimos para o centro de Garopaba pois já tínhamos combinado com o Edmundo (que conhecemos ontem no restaurante) que iríamos então ficar na casa dele.
     Ainda deu um tempinho para passear na orla da Praia de Garopaba e visitar a Igreja Matriz de São Joaquim (1830). Ela foi edificada sobre uma grande pedra originalmente usada como armação de baleias (local onde as baleias eram descarnadas e processadas) pois no século XVIII essa praia foi importante núcleo baleeiro de Santa Catarina.

Matriz de São Joaquim local de antiga armação de baleias

Praia de Garopaba

Vista da Praia de Garopaba do alto do morro da Igreja de São Joaquim
      Interessante notar que apesar do bom tempo e calor a cidade está relativamente vazia e com poucos veranistas. Os hotéis também vazios praticam preços de baixa temporada que ao nosso ver ainda são bastante caros pela infraestrutura e serviços apresentados. É bem estranho conversar com proprietários de estabelecimentos e ouvir as mais variadas explicações sobre o porque dos altos preços e questionados que essa deve ser a motivação das casas comerciais estarem vazias, ficam meio sem graça e sorriem forçadamente. Passa da hora de comerciantes e prestadores de serviço em regiões ditas turísticas, de não mais explorarem o bolso do turista. O turismo sim deve ser explorado de forma a respeitar a todos, fazendo com que mesmo em épocas menos tradicionais, mais pessoas possam usufruir as belezas e atrações dos lugares.

Garopaba do alto do morro das antenas
     O significado do nome Garopaba vem da língua Tupi-Gruarani que significa (ygara-barco/embarcação) e (mpaba-enseada) Então bem apropriado Garopaba ser chamada de Enseada das Embarcações.  É uma das cidades mais antigas do Brasil com registros desde 1525. Foi transformada em Vila no ano de 1877 e hoje conta com aproximadamente 20.000 habitantes fixos podendo a chegar a mais de 150.000 no verão não contando os turistas ocasionais. Conta com boa rede de hospedagem incluindo aí muitas casas de moradores que na alta temporada alugam suas casas próprias.

Hospedados na casa de novos amigos

Com nossos amigos Mônica e Edmundo

Vista noturna de Garopaba
     Voltamos ao nosso carro após ficarmos conversando com um morador da cidade num banco da praça e acabamos encontrando o Edmundo que nos havia convidado a ficar na sua casa. Seguimos ele e hoje ficaremos gentilmente hospedados com ele e sua esposa Mônica com uma bela vista da cidade.
     Inicialmente ficaríamos dormindo na nossa barraca no teto do Garça, mas ao anoitecer caiu uma grossa chuva e o Edmundo decretou que iríamos ficar num quarto da casa pois a chuva era muito intensa. Agradecemos imensamente a hospitalidade e retribuímos preparando o jantar que foi com uma receita de salteado de carne bovina que aprendemos no Chile.

     Um importante detalhe que ainda não mencionamos: Até agora em todos os lugares que passamos existem algumas opções para que viajantes, campistas e motorhomes possam ter locais de pernoite e apoio. Diversos campings já estão funcionando a partir de novembro. Também é possível pernoitar em alguns locais como perto de praias em estilo mais "selvagem" sem nenhuma estrutura instalada. Em geral a população da região é bem legal e procura receber bem o viajante. Tudo depende de uma boa conversa e muito respeito, fica a dica! Viajar e pernoitar com responsabilidade é uma boa escolha.
     Amanhã seguimos adiante na nossa viagem e vamos ver como fica o tempo pois a previsão é de chuva nos próximos dias. Boa noite.

   
   
   

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Férias de inverno 2014 - Floripa

23 de julho de 2014
Praia do Antenor
Para aproveitar os poucos dias de recesso escolar em julho, resolvemos seguir ao sul do estado, fazendo nossa primeira parada na região de Gov. Celso Ramos (km 183, acesso para Palmas do Arvoredo, Caieiras - SC410), mais especificamente buscando a praia do Antenor de modo a fazer a travessia de barco até a Ilha do Anhatomirim, onde está localizado o Forte de mesmo nome.
Na praia, encontramos um pescador, de nome Pedro, que chegou a se oferecer para fazer a travessia de graça, mas como seu barco estava preparado para pescar, com as redes nele, ele sugeriu que fôssemos adiante, até a próxima vila, onde encontraríamos mais opções de embarcações adequadas. Infelizmente, não é temporada de turismo e os pescadores estão envolvidos com a pesca e as escunas que fazem regularmente as travessias estão em manutenção. Desta forma, após conversas infrutíferas, demos meia-volta, antes pegando diversas informações e cartões com telefones, para uma próxima vez.

Voltando para a BR101, seguimos até a fantástica "Ilha da Magia": FLORIANÓPOLIS"!
Paramos no Centro de Informação Turística localizada na SC , localizado à direita, antes da ponte Colombo Sales. Com as informações precisas e material de apoio, seguimos até a capital.
Como nunca havíamos feito o centro da cidade, iniciamos por lá. A dificuldade em estacionar foi logo resolvida, pois há, a frente da rodoviária, uma área pública de estacionamento a R$3,00 a hora.
Seguimos a pé até o Mercado Público, que está em reformas. O prédio é composto por duas alas separadas por um vão. A primeira ala foi construída em 1899 e a segunda, em 1931. Em uma de suas colunas está instalado o relógio da Western Telegraph, empresa britânica responsável pela transmissão de telegramas através de cabos submarinos (1911). Almoçamos um gostoso pastel de camarão na feira improvisada que foi instalada ao lado do prédio do Mercado e impressionou-nos a grande quantidade de pedintes na região, tendo sido abordados umas 5 vezes em menos de 15 min, enquanto nos deliciávamos com a iguaria.
Pastel de Camarão no setor histórico de Florianópolis


Relógio da Western Telegraph
Percorremos as principais atrações turísticas que há nos arredores, incluindo o Palácio Rosado, atual Palácio/Museu Cruz e Souza (também em reforma), construído no séc XIX pelo então governo Hercílio Luz. Possui uma escadaria em mármore de Carrara, com pisos de parquet diferentes em cada ambiente, formando mosaicos lindíssimos. Desde 1986 abriga o Museu Cruz e Souza.
Em frente ao museu, está localizada a Praça da Figueira (Pça XV de Novembro), onde há inúmeras figueiras centenárias e um memorial aos soldados caídos durante a Guerra do Paraguai.
Palácio Cruz e Souza
Escadaria em mármore de Carrara
Piso de mosaico e nós com pantufas obrigatórias para não riscar o chão

Praça XV- Praça da Figueira
Em seguida, nos dirigimos até a Catedral Metropolitana (1753/1773), onde está um carrilhão de 5 sinos, o maior conjunto da América do Sul.
Mais adiante, visitamos o Teatro Álvaro de Carvalho, inaugurado em 7 de setembro de 1875 e tinha como nome Santa Isabel. Em 1894 foi utilizado como prisão, durante a repressão aos rebeles federalistas.
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito é a segunda igreja mais antiga da Ilha de Santa Catarina, tendo sido erguida em 1787 e concluída em 1830. Possui arquitetura barroca e em seu interior há imagens e adornos.
Catedral Metropolitana
                                   
Mosaico indicativo no chão em frente às atrações turísticas de Florianópolis
Interior do Teatro Álvaro de Carvalho
Igreja Nsa. Sra, do Rosário e São Benedito
Reencontramos, em frente a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco (também em reforma) -1815 a passeata organizada pela comunidade árabe-palestina, da qual manifestava-se veementemente contra as ações militares na faixa de Gaza. Chamou-nos muito a atenção alguns cartazes exibindo afrontando o Estado de Israel com duras palavras de ordem e mostrando imagens em que se fazia alusão ao nazismo. A manifestação, ao nosso entender, foi despropositada. Após duas horas de muita andança a pé, retornamos ao estacionamento e seguimos em direção ao norte da Ilha, para conhecer a localidade de Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui.



Originalmente essa região foi povoada por povos indígenas antigos, e estes coletores produziam muito rejeitos de frutos do mar e ossos, dando origem aos sambaquis que emprestaram seu nome ao local, sendo posteriormente povoadas por açorianos que mantiveram suas tradições, construindo suas casas no estilo açoriano.
Em 11 de janeiro de 1698 foram concedidas as primeiras sesmarias dessas terras ao Pe. Matheus de Leão e algumas outras famílias portuguesas. Aproximadamente 50 anos mais tarde um grande número de açorianos vieram colonizar a região. Em 1750 Dom João V nomeou a localidade como Freguesia, com nome de N. Sra. das Necessidades da Praia Comprida. Apenas em 1948 foi que recebeu seu nome atual: Santo Antônio de Lisboa.
Pracinha em Santo Antônio Lisboa 
Casario colonial
Igreja de Nsa. Sra. das Necessidades
Nesse local visitamos a igreja, o casario antigo do séc XVIII e vislumbramos o pôr-do-sol maravilhoso no mar. Após muitas fotos, seguimos até o final da rua que vai em direção ao Sambaqui, onde encontramos uma Pousada Quintal do Sol, cujo proprietário é Luiz, argentino de Buenos Aires. Como já eram 18h, resolvemos nos hospedar ali, sendo agradavelmente recebidos. Instalados, era hora de "forrar o estômago", pois não havíamos almoçado. Seguimos a pé (aproximadamente 2 km) até o Largo do Sambaqui, onde há muitas opções de restaurantes, mas acabamos optando pelo Restaurante Sambaqui, na esquina da Pousada, onde jantamos uma tainha tropical, acompanhada de frutas da estação, arroz, pirão, batata frita e pedimos uma salada mista completa, pagando um pouco mais de R$ 110,00, com bebida e sobremesa.
Voltamos para "casa" e fomos dormir, sendo acordados por chuva e vento intensos. Provavelmente o nosso passeio de amanhã "gorou"!
Pôr do sol no bairro  Sambaqui