Viagem Família______________________________________

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segunda-feira, 30 de maio de 2022

Novamente Equador: La Mitad del Mundo! - desta vez só de passagem!

Deixamos a Colômbia com um aperto no coração... quando chegamos à aduana equatoriana, recebemos a notícia de que precisaríamos fazer um PCR, pois não tínhamos o certificado de vacinação. Eles permitiram nossa entrada no país até a cidade mais próxima, Lago Agrio (também chamada de Nueva Loja), distante uns 30 km da aduana, e também já indicaram o laboratório onde deveríamos fazer o teste (até falando o preço: U$45 rsrsrsr).

Afluente do rio Napo

Sem outra saída, fomos até a cidade (E45) e logo encontramos o laboratório! Negociamos o valor e conseguimos um desconto de 5 dólares em cada PCR!!! O resultado iria levar umas 5 horas e tínhamos o dia para passear na cidade!

Já estamos acostumando com o PCR 

Fomos até o Parque Natural Turístico Nueva Loja (indicação da moça do laboratório) e passeamos por lá, curtindo a floresta amazônica e a sombra, bem vinda! 

Localizado na área central da cidade, o parque ocupa uma área de 30,9ha 



Inaugurado em maio de 2015, recebe gratuitamente, aproximadamente, 13000 turistas mensalmente. Suas trilhas, em decks, têm 1,8km de extensão e o circuito leva, em média, 45 minutos. Ao longo da trilha, pode-se observar os animais em seu habitat, bem como visitar o serpentário. Todos os animais aqui expostos foram resgatados ou encontrados em situação de risco.

O parque conta com 60 espécies distintas de aves (21 famílias e 36 espécies); mamíferos com 4 famílias e 7 espécies; répteis e anfíbios, que se subdividem em quelônios, ofídios, saurios e crocodilianos

Jiboia dando um "alô"

O parque registra 82 espécies de vegetais, 90% nativas e 10% introduzidas, além de mais de 500 espécimes endêmicos amazônicos




Maloca

Dentro da área do parque há uma maloca que abriga diferentes etnias indígenas amazônicas, a citar: Shuar, Cofán, Siona, Siekopai, Kichwa, bem como uma tribo afrodescendente. Ali eles expõem aspectos de sua cultura, além de oferecer artesanato e medicina. 




Após este passeio, ainda tentamos visitar o Lago Agrio, que está localizado dentro de uma área particular (parque), porém o sentinela não permitiu nossa entrada, pois faltavam 5 minutos para encerrar (o parque fecha as 16h para entradas e funciona até as 18h, para quem já está lá dentro). O ingresso era de 5 dólares por pessoa e perguntamos se não poderíamos dormir/acampar na área do estacionamento. Também não é permitido! Só queríamos tirar uma foto do lago, porém também não pudemos... ok, saímos meio chateados com a intransigência do rapaz, mas ele está seguindo ordens! 

Voltamos para o centro da cidade, localizada na província de Sucumbíos, com uma população de aproximadamente 67 mil habitantes, e fomos buscar o resultado de nosso PCR: negativo para COVID-19! Sabíamos que o horário de funcionamento da aduana era até às 18h! Teoricamente, conseguiríamos chegar em tempo, então retornamos até a divisa... os portões tinham sido fechados havia 5 minutos!!! 

VAI -VOLTA - VAI- VOLTA

Droga! Ali não dava para acamparmos, apesar do guarda dizer que podíamos ficar em frente ao portão da aduana e usar o banheiro! Resolvemos retornar até a cidade e buscar um hotelzinho... Na segunda ou terceira tentativa, já noite fechada, encontramos o Gran Hotel D'àvila, onde a Sra. Zoila negociou o pernoite por U$28. Saímos a pé em busca da praça de alimentação sugerida por ela, onde encontraríamos uma comida boa e barata (U$ 9,30). 

Show noturno na cidade, com música dos povos tradicionais

Ao encomendarmos nosso jantar, descobrimos que naquele local era proibido o consumo de bebidas alcoólicas.... ah! Naquele calor, uma cervejinha ia muito bem! Então saímos e fomos até a esquina onde havia um kiosko, e compramos uma cerveja estupidamente gelada, que foi colocada dentro de uma sacola opaca, com copos descartáveis, e voltamos pra jantar (nossa comida já estava pronta)! O fiscal da entrada da praça de alimentação ficou nos encarando... o cumprimentamos alegremente e seguimos, na maior cara de pau! Tomamos nossa cerveja escondida na sacola e também um suco que tinha a mesma cor da cerveja!!! Tudo resolvido!!!!

Lago Agrio, fundada em 1979, é o local onde foi perfurado o primeiro poço de petróleo do Equador - Lago Agrio 1 - tornando-a a capital petrolífera do país. Nos anos 60 se descobriu o ouro negro e a Texaco foi uma das companhias a operar na região, degradando o solo e o meio ambiente, desmatando a floresta e poluindo as águas. Em 1993, os advogados da população local buscaram a justiça processando a atual Chevron Corporation a limpar a área e ressarcir os danos para os afetados. 


Na manhã seguinte, toca voltar novamente para a aduana, carimbar o passaporte, fazer a importação temporária do carro (que é obrigatória e gratuita) e seguir viagem. Nossa intenção era seguir pela E45 até Baeza, e dali ou ir em direção à Quito (pela E20), ou continuar até Puyo, onde pegaríamos a E30, em direção à Ambato, já na PanAmericana (E35). 

A ESTAÇÃO DE CHUVAS JÁ COMEÇOU...

Na metade do caminho, próximo de El Chaco, a chuva começou a engrossar! Vimos pequenas quedas de barreira, mas seguimos em frente, pois não havia nenhum sinal ou placa indicando que a pista estava interrompida! 

Sem chance de prosseguir

De repente, as pedras caídas na estrada começaram a aumentar de tamanho e em quantidade... ficamos preocupados e diminuímos a velocidade ainda mais! No meio daquela chuvarada, a pista simplesmente desapareceu!!! Uma montanha de pedras e barro ocupava todo a asfalto, impedindo o trânsito. Não teve jeito, tivemos de retornar de ré, pois ali não era possível fazer a volta.

Havíamos visto um acampamento de trabalhadores que estão asfaltando a pista uns 2 km antes e retornamos para lá, em busca de informações.

Conversando com a engenheira responsável pela obra, ela falou sobre um desvio/rota alternativa

A rota alternativa passava por uma propriedade privada. Havia uma cancela, na qual cobrava-se um pedágio de U$10 por veículo

Como a chuva estava muito intensa, mesmo este caminho alternativo estava interrompido

Paramos na cancela, iniciando uma fila de carros que também iriam pegar "o atalho"! Porém, resolvemos aproveitar a espera  - com o grande volume de chuva ninguém estava passando, visto que a "estrada" cruzava pelo leito do rio! - para dar uma olhada nas condições da estrada!!!

O atalho/estrada é aquela à direita, subindo a montanha... observe que já há muitos veículos esperando lá no alto

Quando o Marcos viu o tipo da estrada, abortou nosso trajeto na hora... com o Garça pesado com está, a pista super estreita e a subida íngreme, não conseguiríamos fazer o caminho proposto. Nosso 4 x 4, está funcionando 4 x 3 (o dianteiro esquerdo não está funcionando) e em caso do motor aquecer, pelo esforço excessivo, não teríamos lugar para parar e esperar! 

Então, não nos restou outra alternativa, que não fosse retornar novamente a Nueva Loja (Lago Agrio), 120km, e de lá, pegar a ruta E45A e E20, fazendo uma volta pela planície, deixando a área de montanha mais para frente! 

No caminho de volta, a chuva foi amainando e chegamos à cidade ao entardecer... Sabendo que os preços de pernoite estão bastante altos por ali, acabamos parando num hotelzinho (Hotel Dubai) que tinha estacionamento. A proprietária, Alicia, muito gentil, permitiu que acampássemos ali, nos fundos, e deixou usarmos o banheiro de serviço. Nosso jantar foi pastel!!! 

Encontramos massa de pastel no mercado... não resistimos!


Achamos choclo para comprar... hum! Delícia!

Hora de secar tudo antes de seguir viagem! 

DESTA VEZ, VAMOS...

Finalmente conseguimos deixar Lago Agrio e seguir pela 45A até a cidade Francisco de Orellana. Puerto Francisco de Orellana, também conhecida com El Coca, é a capital da província de Orellana, localizada na Floresta Amazônica. O explorador Francisco Orellana, nascido em 1511 na cidade de Trujillo, Espanha, foi o primeiro a desbravar o rio Amazonas. Quando passamos pela Espanha fomos conhecer a sua casa e também a de seu contemporâneo e conterrâneo, Francisco Pizarro... mas esta já é outra história!!!







Cânion del Huataraco

Próximo de San José de Payamino - em Archidona, na E20, paramos num condomínio em construção, próximo de uma ponte pênsil. Ali aproveitamos para tomar banho no rio Misahualli, relaxar e acampar.
 


Delicioso banho no rio Misahualli, na localidade de Archidona




Rio Misahualli

Este foi nosso adeus do calor e do clima úmido da Amazônia! Seguimos, agora já começando a subir as montanhas (E30), passando por túneis e reencontramos o trajeto previsto há dias, já na Cordilheira dos Andes Orientais. De Puyo a Baños, e dali, a Riobamba. Já na PanAmericana (E35) - localidade de La Moya, paramos próximos do rio Guasuntos, num local top! Tivemos a companhia de ovelhas, porcos, galinhas e alguns campesinos!! 

Este vinho foi presente de nosso amigo/vizinho alemão, Rainer, de Illingen

Trocando o calor dos últimos dias (30°C), por friozinho de 10°C


Nossa próxima parada no Equador foi na linda Cuenca! Já havíamos estado ali e desta vez a passagem foi rápida, apenas para pernoite. O Alojamiento Hostal Rest House foi o local escolhido (Oscar nos atendeu), onde pagamos U$ 16 o pernoite. Nossa janta foi um frango crocante no Max Chicken, por U$ 10,75.

Caso tenha interesse em dicas de Cuenca e outras localidades do Equador, acesse o link abaixo, que relata nossa experiência anterior neste país (onde estivemos há 3,5 anos).

https://www.viagemfamilia.com.br/search?q=equador

https://www.viagemfamilia.com.br/2019/02/equador-la-mitad-del-mundo.html

Especialidade da região de Cuenca e região: cerdo tostado

Acompanhamentos

A cozinheira usa um maçarico para tostar o couro e pururucá-lo!

Ainda dormimos mais uma noite no Equador, na localidade de Catamayo, no mesmo parque temático onde dormimos há 4 anos atrás, quando estávamos começando nossa aventura rumo ao Alaska. 

Após uma semana, chegamos à divisa com o Peru! E que venham as próximas aventuras!




quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Equador - La Mitad del Mundo


Nossa passagem do Peru para o Equador se deu pela cidade de Macará, pois saímos da rota mais tradicional que seria seguir via Rodovia Pan-Americana, costeando o Oceano Pacífico na rota por Tumbes, no Peru.

CORDILHEIRA DOS ANDES - SERRA

Lado peruano, aduana rápida e sem burocracia, já no lado equatoriano demorou quase 40 minutos só para acertar a papelada para a entrada dos nossos carros, no Equador. Como chegamos no meio da tarde e nosso plano era ir na direção de Cuenca, decidimos seguir até a cidade de Loja. Sim, esse é o nome da cidade: Loja. Piada: quem mora em Loja é...??

Subindo para Cuenca - Rodovia sem acostamento e com diversos desmoronamentos
Acampamos na entrada do Parque Temático das Águas, chamado "El Guayabal" - tipo como "O Goiabal", debaixo de uma chuva fina e chata. Aqui está mais friozinho, pois estamos subindo os Andes Equatorianos. Nada como estar equipado com uma boa barraca e um toldo lateral, que permite que possamos fazer nossas refeições num local abrigado e seco.

Acampando no estacionamento do Parque Temático das Águas, em Catamayo

Café da manhã caprichado
Seguindo sempre sentido norte para Cuenca, é só subida! Cuenca é a capital do famoso "sombrero" chamado Panamá! Todo mundo achando que o chapéu Panamá é feito no Panamá, mas na verdade é fabricado no Equador, sendo as cidades de Cuenca e Montecristi os verdadeiros e originais centros produtores desse adereço,  confeccionado em dezenas de pequenas indústrias familiares e caseiras.

A história do " Chapéu Panamá" é bem mais antiga. Já era produzido pelos Incas com a palha chamada Carludovica palmata, há mais de 1000 anos, com técnicas bem refinadas e uma trama bem fechada e flexível. A fama mesmo veio quando o Canal do Panamá estava sendo construído por trabalhadores franceses e norte-americanos, que usavam esse chapéu para se protegerem do forte sol da região. Quando perguntados diziam que o chapéu era " lá do Panamá". Mais tarde, o então Presidente Roosvelt apareceu usando este tipo de chapéu, impulsionando de vez o nome e dando a ele a fama que existe até hoje.

Existem chapéus Panamá com preços variando de U$ 15,00 até a alguns milhares de dólares. Tudo dependendo da cara do freguês, da palha utilizada e do poder aquisitivo de cada um.
Depois da aula sobre confecção e manutenção de um autêntico Sombrero Panamá, no Museu del Sombrero, centro de Cuenca, nos separamos da Edu e do Luiz, que irão dormir em hotel nesta noite. Aproveitamos para comer uma fatia de pizza e um copo de suco, admirando a linda arquitetura colonial da cidade, com presença de muito mármore e estilo neoclássico nas construções já do período contemporâneo.

Casa do sombrero, em Montecristi, no litoral do Equador

Experimentando Panamás, em Cuenca

Pequena fábrica dos sombreros Panamá, em Montecristi
Em Cuenca acampamos bem no centro da cidade, num estacionamento de um restaurante, pagando o valor de U$ 7,50. Prático, pois conseguimos passear à noite por todo centro da cidade, tudo bem pertinho, sem precisar usar o carro, já que como é cidade grande muitas vezes é difícil achar algum lugar para estacionar. Cumpre citar aqui que no Equador TUDO é dolarizado. A moeda corrente é o dólar, desde o ano 2000, quando substituiu o Sucre, que era a moeda corrente nacional equatoriana.

Cuenca, cidade tombada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, em 1999.
Cuenca, ou Santa Ana de Los Ríos de Cuenca, é a terceira maior cidade do Equador, ficando atrás apenas da capital, Quito e de Guayaquil, no litoral. Está localizada a 2550 msnm e foi fundada em 1557, por ordem do Vice-rei do Peru, Andrés Hurtado de Mendoza. Mas os povos que aqui habitavam há mais de 8000 anos chegaram da Sibéria e acabaram se instalando na região, formando a civilização Cañari. Por volta de 500  a.C e 500 d.C, os Cañari desenvolveram agricultura, ourivesaria, trabalhos em cerâmica e com tecidos e a partir daí, o comércio com os povos andinos e com os povos da amazônias se intensificou. Por volta de 1460 os incas invadiram a região, consolidando o Império Tahuantinsuiu, e aumentando a sua produção agrícola, visto que os campos altos da região de Cuenca eram extremamente produtivos e a população inca só aumentava. Quando os espanhóis invadiram a região, encontraram uma cidade desenvolvida e, sem encontrar muita resistência, dominaram os cañari que agora faziam parte do Império Inca. 
A principal característica geográfica da cidade de Cuenca é que ela é banhado por 4 rios: Tomebamba, Yanuncay, Tarqui e Machángara. 

Arquitetura colonial presente nas construções e a venda de flores, exportadas para outros países
Outra dica é que os preços no Equador são em geral bem bons e mais ainda o combustível, que nós pagamos a média de U$ 1,00 o galão (3, 8 litros). Claro que nos locais turísticos o custo é mais elevado, mas para compras em geral usamos mercados populares, feiras-livres e outros estabelecimentos que os equatorianos usam no dia a dia.
Conhecemos muitos estrangeiros que vem para o Equador justamente pela estabilidade econômica mantida pelo dólar e por ser um país que está conseguindo melhorar significativamente questões como segurança pública, acesso e infraestrutura turística e um grande salto de qualidade na questão do saneamento básico e serviços a população. Nas nossas medições de qualidade de água, descobrimos que o Equador tem águas potáveis de excelente qualidade servidas à população em quase todo seu território! Motivo de orgulho para os moradores de Cuenca, que possuem água de excelente qualidade. 
Nosso próximo destino na cidade de Cuenca era o  Mirador de Turi, bem no alto do morro e de onde se tem uma vista privilegiada da cidade. Lá reencontramos nossos amigos/irmãos Luiz e Edu e também conhecemos muitos turistas ingleses, com quem conversamos e fizemos contatos. Quem sabe não os hospedamos em suas casas quando formos para a Europa?
Vista panorâmica da cidade de Cuenca

Mirador de Turi, cidade de Cuenca, ao fundo
Antes de seguimos para o Parque Nacional Cajas, local das nascentes do 3 principais rios que banham a cidade, fomos até o mercado público, onde compramos nosso jantar (bifes de coxão mole e tomates de árbol, chamados no Brasil de tomates japoneses). 
Tomates de árbol comprados

Sessão: batatas

Bifes de coxão mole. Carne de excelente qualidade, fresquinha!



O Parque Nacional Cajas está localizado a pouco mais de 35 km de Cuenca e tem mais de 2000 corpos de água, destacando mais de 178 lagos distribuídos em seus 285 km² de área. Esses lagos e rios têm origem glacial e representam 60% da água distribuída em Cuenca. Nesse parque acontece a divisão das bacias hidrográficas do Equador, pois os rios Tomebamba, Yanuncay e Paute correm em direção ao Amazonas e os rios Balao e Cañar correm em direção ao Oceano Pacífico.
Aqui fomos conhecer a Laguna Llaviucu, cuja entrada é gratuita.
Entrada do Parque Nacional

Trilhas sinalizadas ao redor da laguna





Antes de seguirmos viagem, aproveitamos para comer um sanduíche gourmet na Dos Chorreras Hosteria, por U$4. Essa região é bem bonita e há inúmeras opções de lanchonetes e restaurantes para atender o turista. 


ATENÇÃO: Um pouco de cuidado há de ser tomado com o trânsito e sinalizações nas ruas e rodovias. Em geral, as placas de sinalização estão posicionadas depois dos cruzamentos ou acessos, tornando o ato de dirigir algo bem desgastante, para evitar conversões ou rumos errados. Outro fato a considerar é que as rodovias NÃO possuem acostamentos. Algumas, nas montanhas, são bem estreitas, o que requer atenção triplicada ao conduzir.

Nosso caminho seguiu rumo norte para chegarmos a Quito, capital equatoriana. Então, antes de Riobamba decidimos dormir num Quartel do Bombeiros da localidade de El Tambo. O soldado Moisés prontamente nos ofereceu as instalações do quartel e aproveitamos para tomar um gostoso banho quente, até porque nesses dias todos o friozinho está insistindo e a chuva também está quase sempre presente.

Com soldado Moisés, em El Tambo


Indo em direção ao Parque Nacional Cotopaxi, fomos subindo os Andes e descobrindo as curiosidades locais. O clima não está ajudando muito e os vulcões estão encobertos, mas as belezas naturais e culinária particular desta parte do equador são incríveis. Além do cuy, porquinha da Índia, outro prato típico da região e que é servido de uma maneira bem peculiar é o porco assado, inteiro, vendido em fatias ou pedaços às margens das rodovias! Uma experiência única vislumbrar o bichinho pendurado, assado e cheiroso! Delícia das delícias!
Estando na região de Cuenca (província de Azuay), aproveite para provar o porco assado

Prato típico: cuy! Estava U$10 a peça!
Em Colta, já na província de Chimborazo, descobrimos a igreja mais antiga do Equador, construída em 1534: Iglesia Santísima Virgen María Natividad de Balbanera. Havia uma feira pública na cidadezinha e aproveitamos para comer uma empanadita de queso e tortilla de queso  por U$ 0,50 cada!
Iglesia Santísima Virgen María Natividad del Balbanera (1534)
Chegamos a Latacunga ao entardecer, com chuva fina e frio. Esta cidade já foi destruída completamente por duas vezes sob a ação das erupções do vulcão Cotopaxi e a última atividade sísmica na região foi em agosto de 2015! Havíamos comprado um pacote de camarões num mercadinho, a bom preço, e aproveitamos fazê-los no bafo, acompanhado de banana caramelada e piña colada!!!
No dia seguinte iremos reencontrar nos amigos Luiz e Edu e os irmãos Alfredo e Cris no Parque Nacional Cotopaxi. Com o clima chuvoso que está fazendo nos últimos dias, provavelmente não iremos enxergar nenhum dos vulcões, mas pelo menos será divertido encontrar os amigos!
O Vulcão Cotopaxi é o terceiro vulcão ativo mais alto do mundo, com 5897 msnm! Chegamos a entrada do parque perto do meio-dia e não havia sinal de nossos amigos viajantes, que estavam vindo de Quito! Fizemos toda a estrada parque até a entrada norte e nada deles. Assim, voltamos em direção à entrada sul e lá pegamos a informação de que haviam feito o check-in na portaria sul!
Visitor Center do Parque Nacional

Nosso encontro aconteceu perto da Laguna  Limpiopungo e lá decidimos que eu e Marcos faríamos a trilha ao redor da Laguna, aproveitando a abertura de sol que nos brindou no momento e eles decidiram subir até o Refugio Jose Rivas, numa subida árdua para o carro. Dali, se anda mais um trecho para alcançar o refúgio!  O frio e o vento estão intensos, afinal estamos a uma boa altitude!!
Cavalos selvagens dentro do parque

Encontro do Viagem Família às margens da Laguna

Vista panorâmica do lago 



Melhor vista do Vulcão Cotopaxi

Jantar com direito à fogueira e vinho!
O acampamento foi feito num lugar abrigado ao lado da Cafeteria, que estava fechada, próximo da Laguna. No dia seguinte iremos até o Vulcão Quilotoa, cuja última erupção foi em 1280! Estamos contando com a sorte de pegarmos bom tempo!
Cânion a caminho do Quilotoa

Amanheceu frio e com muito vento! Quilotoa (3914 msnm) é o vulcão mais ocidental dos Andes equatorianos e possui uma caldeira cheia de água de mais de 3 km de extensão e 250 m de profundidade. O ingresso para ver a laguna é de U$ 1,50 por pessoa. Existe a opção de descer até a base da cratera, porém optamos por não fazê-la, visto que iria demorar bastante e Luiz/Edu e Alfredo/Cris tinham cronograma bastante restrito de tempo, pois estão voltando para o Brasil. Já nós queremos um pouco de calor, pra variar... Faz dias que a temperatura não passa de 10°C!!!

O visual da cratera do Quilotoa é lindo! Há muitas lojas, restaurantes e lanchonetes nos arredores do parque.


Saindo do Quilotoa subimos a 4000 msnm e dali foi só descida, pela E30, até a cidade de La Maná (580 msnm)!! A estrada é sinuosa e normalmente é usada para descer a serra apenas. Poucos são os loucos que a sobem, pois há outras opções menos abruptas que ligam a serra ao litoral!
Um pouco adiante de Quevedo paramos para dormir, num posto de combustíveis, onde o Rodolfo, frentista, nos mostrou as instalações com ducha!! A temperatura aqui, quase ao nível do mar, está em torno de 30°C, às 19h!

LITORAL

Nosso primeiro destino na costa do Equador foi Montecristi, a terra os chapéus Panamá, já citados acima. A cidade estava às escuras em função de uma tormenta e quando chegamos à cidade chovia muito! Na Secretaria de Turismo apenas pegamos um mapa com as informações da cidade e seguimos a pé pelas vielas buscando duas pequenas fábricas de chapéus, entendendo o processo de fabricação, que é extenuante e que na atualidade não têm mais adeptos. Hoje quase tudo é feito por máquinas. Porém os chapéus feitos à mão têm outra qualidade e os preços também acompanham essa característica.

O artesão se apoia sobre o chapéu, fazendo pressão e tecendo as fibras!
Imagine as costas como ficam depois de um dia de trabalho!





Deixamos Montecristi e seguimos para Manta, capital da província e cidade portuária. Observamos muito prédios interditados pela Defesa Civil com rachaduras provocadas por abalos sísmicos e também como a elevação dos oceanos está interferindo na geologia local. Muitos prédios, construídos na beira mar, agora estão tendo problemas, pois o mar está retomando sua área.



Passeamos pela costa, sentido sul, e encontramos um casal de franceses com seu neto que nos deram a dica de pernoitarmos em Cruzita. Aceitamos a sugestão e fomos até lá, buscando no IOverlander uma opção de pernoite. A Casa Jaguar é um local onde o Santiago Granja recebe viajantes. Ficamos hospedados dois dias em sua casa, acampando na rua e usando a casa como QG. Aproveitei para lavar roupas e festejar meu aniversário com amigos!! Coincidentemente havia outro brasileiro hospedado lá também, o Evandro Luis, mais conhecido como Evandro Penopedal, que está viajando de bicicleta "Tereza" desde 2004! Além de conhecer o lugar, aproveitamos para fazer um peixinho fresco frito e conversar bastante, pegando dicas sobre os locais do país para conhecer e montando o roteiro seguinte.
Negociando peixe fresco na beira da praia de Cruzita

Almoço de aniversário com os amigos, Evandro e Santiago

Será uma instalação? Não, é lavação de roupa mesmo!

Brinde no café da manhã! 
Mais ao sul, em direção à Montañita, paramos em San Lorenzo, praia onde as tartarugas vêm desovar. Depois, Puerto Cayo e finalmente Salatitas, onde dormimos nas terras (na praia) de um senhor, Arturo Bárcia, que permitiu que pernoitássemos lá ainda nos trazendo tortillas de maíz pela manhã.
Playa de San Lorenzo

Praia demarcada com proteção nos ninhos de tartarugas

Trilha del faro, mais ou menos 40 min ida e volta

Playa de Salatita, no pôr-de-sol!
SUBINDO A SERRA NOVAMENTE

Decidimos não descer mais ao sul, mas inverter a marcha, indo até Bahia e subindo parte da serra até El Carmen. Neste trajeto a subida não é tão íngreme e alcançamos o Ciudad de La Mitad Del Mundo no outro dia.
Chegando ao Parque/Ciudad de La mitad del Mundo


Brincadeiras usuais: cada um num hemisfério!
O Parque de la Mitad del Mundo é imperdível! Localizado a 26 km ao norte da capital, Quito, foi o local escolhido para celebrar a Missão Geodésica Francesa que aconteceu em 1736. Apenas em 1935 o governo equatoriano resolver erguer um monumento de 10 m de altura para homenagear a expedição francesa sob a orientação do geógrafo Luis Gudiño. Esse pequeno monumento foi substituído por outro, de 30 m de altura, de onde se pode ver todo o Parque e em cada andar há um museu explicativo e interativo.


Parte interativa do museu do monumento: experimentos que comprovam teorias sobre movimentos da Terra

Painéis explicativos contando a história da Missão Geodésica Francesa


Colocando o ovo em pé: equilíbrio por ser o "meio do mundo"!

Museu do chocolate

Degustando o elixir!!
Hoje, com a tecnologia e atuais GPS sabe-se que a Linha do Equador (Latitude 0°) fica a 240 m daqui, porém os estudos realizados no século XVIII são de uma precisão incrível. Temos de lembrar, também, que a largura da Linha do Equador é de 4 km, aproximadamente. Além do monumento, há ainda um planetário, a cidade de Quito em miniatura, restaurantes variados e lojas com souvenires. Além disso, existe a opção de experimentar cervejas artesanais, visitar o museu do chocolate e fazer degustação e conhecer a história do local através de painéis informativos.

Apresentações culturais no pátio

Miniatura da cidade de Quito, a capital
O custo é de U$ 5 o ingresso por pessoa e mais U$ 3 de estacionamento. Tivemos a felicidade de acompanhar apresentações culturais e danças típicas, além de passearmos pelo local, aprendendo sobre o porquê e como se calculou a posição da linha do Equador. Não é a toa que este é o lugar mais frequentado por turistas no Equador!

Deixar o Parque de la Mitad del Mundo e seguir para a cidade de Quito perto das 14h já deixou claro que só iríamos passear rapidamente pelo centro histórico da cidade. Estacionamos o carro numa praça e havia um segurança por ali. Perguntamos se era seguro e ele disse que iria ficar monitorando o espaço até às 17h! Assim, seguimos rapidamente até o setor histórico, tirando fotos aqui e ali.


Igreja da Companhia de Jesus
 Quito, ou San Francisco de Quito, está a 2850 msnm, e foi construída sobre as fundações de cidade antiga inca, possuindo um setor histórico em estilo colonial, com muitas igrejas dos séculos XVI e XVII. Foi fundada em 1534 pelo espanhol Sebastián de Benalcázar. Ela é a segunda cidade capital mais elevada do mundo, atrás de La Paz, na Bolívia. Por estar situada na metade do mundo, possui apenas duas estações do ano: verão (seca) e inverno (chuvosa).
Assim como Cuenca, sua história está relacionada aos povos que vieram do Estreito de Bering e colonizaram a região entre 14000 a.C e 2000 a.C. Depois veio o domínio inca e pelos idos de 1500 o domínio espanhol. 
Em 1541 Gonzalo Pizarro, governador de Quito, organizou uma expedição em que Francisco de Orellana, sem querer, descobriu o caminho para o Oceano Atlântico, tendo usado um bergantim através do rio Amazonas. Essa descoberta foi uma das mais importantes da história colonial das Américas.
Além disso, essa cidade foi palco de muitas revoluções e disputas de poder. 



Igreja de São Francisco
Como toda cidade grande, Quito possui problemas! Muita gente desocupada nas ruas e trânsito confuso e caótico fazem com que se tenha que ter muita atenção, não "dando bobeira" pro azar!
Passeamos e voltamos pro carro 2h depois com gosto de "quero mais"! Temos de voltar pra conhecer mais e melhor essa cidade bonita!
Deixamos a cidade grande e seguimos rumo à divisa, parando num local denominado Parque Arqueológico Cochasquí. Este sítio arqueológico fica a uns 5 km de distância da rodovia principal e chegamos lá ao entardecer. Carlos, um funcionário que mora ali, nos recebeu o explicou que nas 2ª e 3ª feiras, o camping está fechado! Porém, nos levou até as instalações para podermos tomar banho e já estava escuro quando voltamos, usando lanterna, para o lugar onde estacionamos nosso carro.
Nosso jantar foi um frango crocante que havíamos comprado algumas horas antes no KFC, na cidade de Quito, acompanhado de salada e pão com queijo!
Área de cabanas para alugar nos finais de semana (U$ 40 por dia, cabanas para 4 pessoas), no sítio arqueológico
Esse sítio arqueológico que pertenceu a Cultura Quitucara se estende por 84 ha e possui 15 pirâmides, 4 pequenos museus e 21 montículos funerários ou tumbas. As pirâmides tinham 3 funções principais: religiosas, astronômicas e militares. A cultura Quitucara se extinguiu quando os incas conquistaram a região, mas suas pirâmides em forma de T, com rampas, contam a história de um povo que viveu há mais de 1500 anos.
Caminhando por entre as pirâmides

Observando a maquete demonstrativa das pirâmides e tumbas mortuárias

Casa da época dos Quitu-caras

Pirâmide 13, com calendário lunar e cerâmicas

Muitos dos montículos não foram pesquisados ainda

Calendário lunar


Casas de taipa
Para conhecer o sítio os estrangeiros pagam U$ 3 por pessoa. As visitas são guiadas e a nossa guia foi a Jenny. Os guias são pessoas do povoado próximo, muitos descendentes de indígenas da região e que possuem treinamento específico. Alguns são bilíngues. Na pirâmide 13 existe um calendário lunar e lajotas cozidas. As primeiras pesquisas foram realizadas por Max Uhle, em 1913. Depois, se sucederam trabalhos de pesquisa em 1934, 1963 e 1986.

Museu com peças coletadas no sítio arqueológico

Esqueleto encontrado numa das tumbas

Cerâmicas ornamentadas


No caminho para a divisa com a Colômbia, passamos pela cidade de Tabacundo, importante produtora de flores para exportação e com centenas de estufas especiais para este cultivo. Além das flores in natura, fazem arranjos e enfeites com as flores dando forma de bichinhos e outros objetos. Incrível de ver a criatividade e a beleza dos ornamentos e das flores.
Existe o hábito cultural de se ter flores vivas em todos os locais comerciais e mesmo nas casas das pessoas no Equador. Por este motivo, a produção e venda de flores é tão popular no país.
Enfeites em forma de bichinhos com flores 

Barracas de flores por toda a cidade
Chegamos à cidade de divisa, Tulcán, já perto do anoitecer e por questão de segurança (muito trânsito e gente indo e vindo da Colômbia), optamos por dormir em um hostal. Após algumas pesquisas achamos o Hostal Mi Madrigal, onde o Darwin nos mostrou os quartos e optamos por um com janelas, por U$ 8 por pessoa. Existem opções mais baratas, de quartos sem janelas ou com banheiro coletivo... Este foi o melhor custo x benefício encontrado na cidade. O quarto era bem bonitinho e limpinho. Não tem elevador, portanto chegamos ao 3º andar caminhando!!
Jantar especial: espetinho misto por U$ 1 cada!! 

Esses letreiros coloridos com o nome da cidade são uma febre em todo lugar! 
Tulcán é uma cidade fronteiriça, sem muitos atrativos, porém um lugar imperdível para se conhecer é o cemitério! Esculturas feitas nos arbustos dão um toque especial ao lugar e atrai centenas de visitantes, pela criatividade e beleza das formas. Quando estivemos lá, vimos a manutenção sendo feita e os "artistas" trabalhando para dar forma aos arbustos. Vale a visita!!!











O Equador é um país incrível, com paisagens muito bonitas e contrastantes! Está dividido em 3 áreas: costa/litoral do Pacífico, sierra/Cordilheira dos Andes e floresta amazônica, que não conhecemos desta vez!!

Despedimo-nos do Equador com uma sensação de que iremos voltar um dia para desbravar mais e melhor seus encantos!!!