Viagem Família______________________________________

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domingo, 7 de novembro de 2021

Despedida da Europa em grande estilo: Hamburgo e seus encantos!

Nossa decisão de deixar a Europa após dois anos de permanência e aventuras por lá se deu na cidade de Hamburgo, localizada na Baixa Saxônia, norte da Alemanha.

Vista noturna da cidade antiga, às margens do Binnenalster

Segunda maior cidade da Alemanha e oficialmente denominada Cidade Livre e Hanseática de Hamburgo, a cidade conta com 1,840 milhões de habitantes, sendo senão a mais rica, uma das mais ricas deste país e da Europa. Ao contrário de outras grandes cidades como Munique - que já foi capital da Baviera - ou Berlim - que foi capital da Prússia e hoje é a capital do país - Hamburgo nunca foi capital de um império, reino ou país, nunca tendo sido regida por um monarca. 

Estação central de trem (1906)

Chegamos à cidade de trem, vindos de Bremerhaven, onde deixamos nosso Garça no porto para ser enviado à Colômbia, iniciando nossa volta ao Brasil. Já sabíamos que a cidade tinha muita beleza e história para conhecer, mas fomos surpreendidos com a riqueza e com as construções lindas que visitamos em um único dia intenso de passeio. 

Escolhemos fazer o caminho a pé entre a estação de trem e o Instant Sleeping Hostal, pois assim já conhecíamos um pouco a cidade, sob um outro olhar, pois já estava anoitecendo. A distância de 4,5 km foi percorrida em pouco mais de uma hora, parando aqui e ali para tirar fotos e se localizar no Maps.me. 


Espécie de teatro ou cinema, tomando pelos homeless

Como ainda estávamos em plena época de COVID -19, tivemos de apresentar um PCR para ingressar no hostal, pois não tínhamos o cartão de vacinação e havia pouco tempo (uns 2 meses) este cartão passou a ser exigido em algumas situações. O teste foi realizado rapidamente numa farmácia localizada a umas 5 quadras do hostal, numa região muito linda, cheia de prédios históricos e um calçadão onde as pessoas se reuniam para conversar e beber. 

Como a cidade é muito grande, ela não foge dos problemas enfrentados pelas grandes cidades: a grande quantidade de moradores de rua nos chamou a atenção. Morando debaixo de marquises ou perambulando pelas ruas à toa, eles estavam espalhados por toda a região central e perto dos restaurantes. 

Delicioso kebab

Delicioso falafel

Naquela noite, optamos por comer uma comida típica "turca" (de origem do Oriente Médio) e a senhora que nos atendeu foi super solícita e agradável. Estávamos tendo dias bem difíceis* e aquele manjar "foi dos deuses"!

*dias difíceis, pois nosso Garça fundiu o motor a caminho do porto de Bremerhaven e tivemos um baita contratempo para trazê-lo, em tempo, para entregá-lo. Mas esta já é outra história, que contaremos a seguir, no próximo texto!

Igreja de São Miguel - Michaeliskirche (1647): é a maior igreja da cidade, com 2500 lugares. Seu pináculo de bronze de 132 m de altura pode ser visto de quase toda a cidade.  

Estátua de Martinho Lutero, fundador do luteranismo

O dia seguinte foi dedicado a andar meio sem rumo pela cidade histórica e explorar um pouco os canais, onde ficavam/ficam as docas de onde chegavam e saíam as mercadorias que movimentavam e continuam movimentando a cidade. O clima estava ameno e o sol brilhava timidamente, mas conhecendo um pouco a Alemanha no outono, usamos nossas jaquetas a prova d'água e guarda-chuva, o que foi super útil, pois a chuva também marcou presença algumas vezes ao longo do dia! 

Conhecendo um pouco da história desta cidade linda...

A primeira construção permanente erigida neste local e que deu origem à cidade foi um castelo, construído por ordem de Carlos Magno no ano de 808. Este castelo, construído na confluência dos rios Elba e Alster tinha como função fazer a defesa das terras contra as incursões eslavas. O castelo chamava-se Hammaburg, onde burg significa castelo e Hamma não tem uma origem certa, podendo tanto se referir a um ângulo quanto a uma pastagem ou então referindo-se a uma vilazinha ali próxima, chamada de Hamm.  


Canais que circundam a cidade

Vikings e poloneses invadiram o território diversas vezes, sempre destruindo e incendiando a cidade. Em 1189, o rei Frederico I - Barba Ruiva - deu a Hamburgo o título de Cidade Livre Imperial e com isto ela estava livre de pagar impostos. Sendo um porto importantíssimo já naquela época, ela passou a fazer parte da rota de comércio dos mares do Norte e Báltico. Posteriormente ela se aliou a outra cidade, Lübeck (1241), e assim surge a liga de cidades comerciais conhecida como Liga Hanseática (e que dá nome à cidade).

Hamburgo adotou oficialmente o luteranismo em 1529 e recebeu refugiados que foram expulsos de outras regiões, como os Países Baixos, França e Áustria, por exemplo. Em sua história  também há uma passagem rápida das tropas de Napoleão pelo seu território (1810 - 1814) e em 1842 a cidade foi consumida durante 4 dias por um incêndio que destruiu 3 igrejas, a prefeitura e inúmeros prédios. Vinte mil pessoas ficaram desabrigadas e 51 perderam a vida. 

CURIOSIDADE: a origem do hamburguer, tão difundido em sanduíches, é Hamburgo, daí o seu nome! Os marinheiros hamburgueses aprenderam com os marinheiros russos (que absorveram este conhecimento dos mongóis) a comer uma carne picada na ponta de faca. Alguns estabelecimentos nas proximidades do porto de New York passaram a preparar esta iguaria para atrair os marinheiros hamburgueses e assim, nascia o hamburguer! 

Ruínas da Igreja de São Nicolau (St. Nikolai Kirche)

 


A Igreja de São Nicolau inicia sua história nos idos de 1195, quando foi construída uma pequena capela perto do porto, homenageando o patrono dos marinheiros e viajantes. Ela foi destruída no grande incêndio, em 1842, quando já era uma grande igreja e depois disso, reconstruída em estilo neogótico, com uma torre de 147m de altura, que já foi a mais alta do mundo. Durante a Segunda Guerra Mundial, a torre serviu de referência para os intensos ataques e bombardeios que Hamburgo sofreu, tendo sido praticamente toda destruída. Esta operação, conhecida por Operação Gomorra, tinha por objetivo desmoralizar o povo germânico. Durante o dia a cidade era bombardeada pelos norte-americanos, atingindo fábricas e frotas de navios e durante a noite, os aviões ingleses atacavam zonas residenciais.


É possível visitar o alto da torre, utilizando um elevador para isto. Também há um Museu no local da cripta, onde se pode conhecer melhor a história da igreja e de como Hamburgo foi alvo de ataques aéreos intensos durante e IIWW.

Escultura "Exame" (Prüfung) de Edith Breckwoldt - as pedras da base foram retiradas de campos de concentração localizados nos arredores da cidade


Hamburger Rathaus (Prefeitura de Hamburgo)

O Hamburger Rathaus, ou Prefeitura de Hamburgo, é a sede do poder executivo e legislativo da cidade. Localizado na Alstadt (Cidade Antiga), na praça Rathausmarkt e muito próximo do lado Binnenalster (Lago interno) e da estação ferroviária central, onde chegamos na cidade. 

O edifício possui 647 aposentos, 7 a mais que o Palácio de Buckingham, em Londres

Após o grande incêndio de 1842, boa parte do centro da cidade antiga teve de ser reconstruído, incluindo a antiga prefeitura, que foi dinamitada para impedir as chamas de prosseguir a destruição que já durava dias. Assim, por 40 anos foi planejado o novo prédio, maior e mais amplo. Finalmente construída em estilo renascentista, entre os anos 1886 e 1897, sua torre mais alta tem 112 m de altura a nova prefeitura foi instalada no local do antigo convento Johanniskloster, que lá estava desde 1230! Com uma área total de 17000m², 112 m de altura e 112 m de comprimento por 78 m de largura, tornou-se um grande cartão postal da cidade. 


Para a construção do Rathaus foram gastos mais de 11 milhões de Marcos de ouro, uma fábula!! Como a região onde está edificada é pantanosa, utilizou-se técnica de construção parecida com as de Veneza, colocando 4000 troncos de árvores no solo para dar sustentação ao prédio. 

Obelisco localizado no Rathausmarkt (Praça da Prefeitura)

Canal norte do rio Elba


Igreja São Pedro (Petrikirche)

A Igreja de São Pedro ou Hauptkirche St. Petri é a mais antiga da cidade. Sua primeira construção foi terminada em 1195, reconstruída no séc. XIV e ampliada no séc. XV. No grande incêndio de 1842, foi destruída e dois anos mais tarde, reiniciou-se sua reconstrução, que levou 5 anos. 




Finalmente chegamos ao canal principal do rio Elba, entrada do porto e local cheio de atrações. Interessantíssimo ver os armazéns onde ainda hoje estocam tapetes vindos do Oriente. Os navios entravam por estes canais e descarregaram as especiarias e demais mercadorias diretamente nos armazéns, que tinham sistemas de roldanas e gruas para efetuar o transporte.

Os antigos armazéns da cidade foram construídos em 1881, onde eram guardados chás, cafés, temperos e outras mercadorias. O fundamento dos prédios é todo feito em madeira (como Veneza). Calcula-se que foram necessárias 1 milhão de estacas no solo para dar estrutura para os prédios.

Canais do Elba e os armazéns que estocam produtos até os dias atuais



O rio Elba (Elbe, em alemão) nasce na divisa entre a Polônia e a Rep. Tcheca e possui 1165 km de extensão. Quando este está muito alto, os barcos não conseguem passar por debaixo de suas pontes. Os canais do Elba são chamados de fleete, e desde a Idade Média cortam o centro histórico da cidade. 


O porto de Hamburgo é um dos mais antigos em funcionamento no mundo: iniciou suas atividades no ano 1153!!!! Foi daqui que partiram milhares de ingleses, holandeses e judeus russos para New York

No canto esquerdo, o famoso prédio da Filarmônica do Elba, o Elbphilharmonie

70% de todo o chá consumido na Europa é transportado para cá, para depois ser distribuído para os países! Nosso café brasileiro também era exportado para a Europa usando o porto de Hamburgo

Hamburgo possui 2,3 mil pontes, mais que as famosas Veneza e Amsterdã

Passeando pelo Hafencity (cidade portuária), finalmente chegamos ao famoso e incrível Sankt Pauli Elbtunnel, ou Alter Elbtunnel. Construído no começo do séc. XX (1907-1911) o túnel tinha como objetivo ligar os bairros de Landungsbrücken e Steinwerder, pois uma média de 50 mil trabalhadores atravessavam o rio todos os dias e as barcas usadas para este transporte não suportavam amis o grande e crescente volume de gente. Como uma ponte elevada ou móvel estavam fora de cogitação, em 1901 o senado de Hamburgo aprovou o projeto e foram iniciadas as obras. 

Antigo Elbtunnel: cúpula de cobre e torre de pedra em estilo Art Nouveu




Seis grandes elevadores fazem o transporte de veículos e pedestres até o fundo do túnel




425,5 m de comprimento a 24 m de profundidade



As paredes do túnel são adornadas com esculturas feitas em terracota vitrificada

Dentro do elevador


Quando deixamos o Elbtunnel para trás já era fim de tarde. Após um dia intenso, onde percorremos por volta de 18 km a pé, retornamos para nosso hostal já bastante cansados. No dia seguinte, estávamos nos despedindo da Alemanha e da Europa. 

Resolvemos ir a pé até o aeroporto: mais 12 km, com direito a chuvinha fina e temperatura em torno de 10 graus







Nosso voo para a Colômbia saiu de Hamburgo, com escalas em Madri e Bogotá, para finalmente nos deixar em Cartagena. Mas esta já é outra história...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Cidades Medievais, Castelos de Contos de Fadas e a Floresta Negra: isto é Alemanha!

Normalmente quando se fala em Alemanha a primeira ideia que vêm à cabeça das pessoas é "país rico e desenvolvido"! Ok, isso é verdade, porém o país tem muito mais a oferecer, além das mágoas do III Reich ou do domínio atual sobre a EU: a quantidade de cidadezinhas lindas, medievais, cheias de história, sem contar os inúmeros castelos e ruínas que podem ser visitadas por todos os lados deveriam ser o chamariz da Alemanha, sem sombra de dúvida! 

Nosso foco em qualquer viagem, nunca se resumiu a atraçôes turisticas famosas ou a cidades grandes. Privilegiamos a cultura e localidades muitas vezes esquecidas do grande público, e que na maioria das vezes só são visitados por locais. Aqui na Alemanha não poderia ser diferente, e como escolhemos esse belo país como ''base'' para nosso primeiro ano pela Europa, aqui seguem mais aventuras por pequenas cidades e localidades no interior alemão.''

Schloss Neuschwanstein

Este é o objetivo deste texto: relatar e mostrar algumas cidadezinhas mais
- além das outras já apresentadas nos textos anteriores, sobre Baden-Württemberg
(http://www.viagemfamilia.com.br/2020/05/baden-wurttemberg-alemanha-desbravando.html) e Nossa Experiência no Norte da Alemanha (http://www.viagemfamilia.com.br/2021/02/norte-da-alemanha-conheca-berlim-mar-do.html) e de nossa chegada à Alemanha, há um ano (http://www.viagemfamilia.com.br/2019/12/alemanha-1-chegando-terra-dos.html)-, apresentar alguns castelos de contos de fadas e a famosíssima Schwartzwald (Floresta Negra)!!!

Vamos iniciar nosso relato pela linda e charmosa ROTHENBURG OB DER TAUBER (Rotemburgo o.d. Tauber), Baviera

Markus Turm, ao fundo

Mapa com as principais atrações turísticas da cidade

Rothemburg (Castelo Vermelho) ob der Tauber (acima do rio Tauber) é uma das cidades mais famosas que pertence à Rota Romântica (ou Estrada Romântica). Construída em 1250, ligava Augsburg a Würtzburg e era uma importante via comercial e de ligação entre as cidades. 

Maquete da cidade, localizada ao lado da Igreja de Santiago

St. Jakobs Kirche (Igreja de Santiago): construída entre os anos de 1311 e 1485.
Ingresso: 2,50€ por pessoa - possui esculturas muito famosas nos Altares 



Antigo fosso de proteção da cidade murada

A primeira povoação desta região, situada às margens do rio Tauber, data de 960, porém em 1142 é construído o Castelo Imperial ("Castrum Imperiale"), a mando de Conrado III, da casa de Hohenstaufer. A pequena vila, do que viria a ser Rothenburg posteriormente, floresceu e em 1274 ela foi nomeada "Cidade Imperial Livre", pelo rei Rudolfo de Habsburgo. 

Ao fundo, um dos portões de entrada da cidade fortificada: Röderturm (Portão de Röder)


Das 70 torres iniciais da cidade, hoje podem ser vistas 42 e algumas podem ser visitadas

Atingida por um sismo em 1356, que acabou destruindo boa parte da cidade e do Castelo, apenas alguns anos mais tarde, já no séc. XV, Rothenburg voltou a crescer e se tornar uma das cidades mais importantes do Império. 

Câmara Municipal: parte de trás em estilo gótico (1250-1400) e a dianteira renascentista (1572- 1578)

Marktplatz (Praça do Mercado)

Durante a Guerra dos Trinta Anos (séc. XVII), a cidade, protestante, foi ocupada diversas vezes e salva pelo "Meistertrunk" (trago magistral). ''Conta a lenda que o general invasor fez uma aposta: caso o prefeito conseguisse tomar, em um único gole, 3,25 litros de vinho, ele pouparia a cidade da destruição! Então o burgomestre Nusch ingeriu os 3,25 litros de vinho, conseguindo, assim, proteger a cidade''!! Affff... Ein prosit! Esta história está imortalizada na fachada da antiga Taberna reservada aos Vereadores, hoje Posto de Informação Turística da cidade, no Marktplatz (praça do Mercado). Existe um Relógio Astronômico no edifício que, de hora em hora (das 10h às 22h) abre as janelinhas e mostra a história do Meistertrunk. 

A antiga taberna, hoje abriga o Centro de Visitantes: detalhes das janelas e do relógio astronômico, onde mostra a lenda do Meistertrunk

Conhecida como "a cidade onde é Natal o ano todo", Rothenburg possui inúmeras lojas em que artigos natalinos podem ser encontrados, atendendo a todos os gostos e bolsos, durante o ano todo! Existe, também, um Museu do Natal, mas este estava fechado por conta do Covid. 

Comércio de antiguidades e réplicas

Lindos (e caros) canecos de chopp

Estivemos na cidade em pleno verão e aproveitamos para passear pelas lindas ruas, admirando sua arquitetura medieval e acabamos nos rendendo às compras: aqui conseguimos comprar o imã para nossa coleção, o adesivo para colar no Garça e uns copos para WeissBier (cerveja de trigo) e Schaps (cachaça), apesar das restrições impostas pela pandemia! 


Dizem que a cidade e seu casario medieval inspiraram Walt Disney na criação da cidade onde vivia Pinóquio e seu pai, Gepeto 

No final da 2ª Guerra Mundial, em 1945, a cidade foi bombardeada e uma boa parte dado setor histórico foi atingido. Doações de outras nações e pessoas auxiliaram na reconstrução dos prédios atingidos e existem placas afixadas em diversos locais da cidade onde se veem os nomes destas pessoas ou instituições que colaboraram nas obras, além de dizeres interessantes sobre hábitos da população.

Museu Medieval do Crime: mantém em exposição instrumentos de tortura, ferramentas de castigos de infâmia e de honra, bem como numerosas certidões e imagens. Ingresso: 7,50€ por pessoa

Carruagem prisão

O Museu tem 3000 m² de área e demonstra o desenvolvimento do "direito" desde o final da Idade Média até o séc. XIX

Mais um pouco da cidade...

Um dos acessos à muralha que cerca a cidade e levou 300 anos para ser concluída


Sistema de passarelas cobertas que seguiam ao longo da muralha

Portão do Jardim do Castelo: Gurggarten - os Hohenstaufen construíram o Castelo Imperial em 1142, porém dele só restou o Jardim

Portão exterior decorado com brasões. Da boca da máscara localizada sobre o pórtico, se despejava óleo ou resina quentes sobre eventuais atacantes .



As casas parecem de anõezinhos de contos de fadas!





Nossa próxima "atração" nesse giro por cidades medievais e lindinhas é a pequena e desconhecida ROSSWAG, em Baden-Württemberg. 

Rosswag e seus vinhedos

Com pouco mais de 1000 habitantes e considerada um bairro de Vaihingen am Enz, é famosa pelas suas plantações de uva em terraços, que produzem um excelente vinho, tipo Riesling. 
Fizemos esse passeio à pé pois, situada a pouco mais de 5 km de nossa ''casa''. Nesse dia fez um sol bonito ao meio do gelado inverno e caminhar por essas trilhas inter-cidades é uma delícia, pois além do exercício, conseguimos admirar tudo com calma.


Terraços de viticultura e vinicultura


Esquema de corte em talude e caminhos utilizado desde a Idade Média



Esta região é conhecida por ter sido ocupada pelos Merovíngios (família francesa que se estendeu entre o séc. V e o ano 751).

Altes Rathaus (Antiga Prefeitura)



Fonte de abastecimento de água da cidade(Período Medieval)



Amiguinho ao lado da antiga fonte

Na Idade Média teve por diversos "donos", passando de um nobre para outro e tendo registros de pertencimento à família de Grafen von Württemberg (condes de Württemberg) que também possuía o Kloster Maulbronn (Mosteiro de Maulbronn - já relatado e explorado em outro texto, sobre Baden-Württemberg). 




A cidade foi duramente atingida durante a Guerra dos Trinta Anos. 
Nosso passeio pela cidade foi num lindo dia frio de inverno, com sol, pois rara por estas bandas! Por ser uma localidade vizinha à nossa casa na Alemanha, seguimos a pé de Illingen até Rosswag, caminhando aproximadamente 11 km para ir e voltar. Detalhe é que boa parte das trilhas estava coberta de barro, causado pelo degelo da neve dos dias anteriores.

Martinskirche (Igreja de São Martinho)






Os destinos surpreendentes do país são encontrados assim, caminhando de uma cidadezinha a outra e se deixando encantar! 

PRÓXIMA PARADA: DER SCHWARTZWALD (Floresta Negra) - De Pforzheim a Freiburg i.Breisgau (294), passando por Baiersbronn, Freudenstadt, Schenkenzell - Baden Württemberg

Vilas nos Alpes da Floresta Negra

Em pleno verão, seguimos ao sul, cortando o SCHWARTZWALD (Floresta Negra) de norte a sul, passando por muitas vilas e cidades encantadoras. Mesmo sabendo que a mata original da Floresta Negra praticamente não existe (na metade do séc. XIX ela era totalmente desflorestada) e que hoje o que se vê é uma grande área de reflorestamento (com a característica de monocultura), ainda assim  vale a pena! 


A Floresta Negra é uma cordilheira localizada no sudoeste do país, coberta por floresta boreal (composta por coníferas) e cujo pico culminante é o Feldberg (1493 msnm). Nós atingimos os 860 msnm, percorrendo a Rota 294, serpenteando as montanhas e admirando as paisagens. 
Imaginem que matemático e cientista grego Ptolomeu fez referência a esta parte da Alemanha em um documento chamado Geographia, do ano 150 d.C.!! Os primeiros habitantes foram celtas e posteriormente os suábios sucederam os romanos. 


Nosso acampamento próximo das Ruínas de Schenkenburg


As fontes termais, bastante comuns na região, já eram conhecidas pelos romanos e a relojoaria, principalmente a fabricação de cucos, é bastante famosa por aqui! Hoje o turismo é a atividade econômica mais ativa na região, porém a indústria madeireira e criação de gado, assim como cultura de cereais também são atividades encontradas e difundidas. 

Baiersbronn: Rathaus e Igreja de Nossa Senhora

Marienkirche (Igreja de Nossa Senhora)

Ficamos encantados com a pequena localidade de Baiersbronn (Oberdorf), onde fizemos uma parada e caminhamos pela pequena e charmosa vila. Pertencente à Württemberg desde 1320, aparece em documentos de 1292. A primeira escola foi inaugurada em 1627 e no final da 2ª Guerra Mundial, a cidade passou a pertencer à parte francesa. A cidade é um importante centro de culinária com restaurantes premiados com diversas estrelas Michelin. 


Ruínas de Schenkenburg





Visitamos as Ruínas de Schenkenburg, localizada em Schenkenzell. Construída entre os anos de 1220 e 1250, no alto de um morro (391 msnm), pela família de Grafen von Freiburg (Conde de Freiburg) foi utilizada por sucessivas famílias nobres até que, por volta de 1513, já bastante danificada por guerras e saques, foi definitivamente abandonada.

NEUSCHWANSTEIN - o Castelo mais famoso da Alemanha 

Vista da Marienbrucke

Sem sombra de dúvida, o Castelo de Neuschwanstein é o mais famoso e retratado em todo o mundo. Quando criança, montamos em casa um quebra-cabeça de 3000 peças do castelo e este quadro ficou na casa de meus pais (Mari) por mais de 30 anos!!!! 
Dizem que serviu de inspiração a Walt Disney para construir o Castelo da Bela Adormecida, na Disney. Também pudera, a obra do rei Ludwig II (Luís II) da Baviera é inspiradora! 
O dia que escolhemos para visitar a região e o Castelo, não ajudou muito. Frio, chuva fina e um tanto de vento não permitiram fotografias e filmagens com maior destaque. O Castelo também está em reformas e a maioria de suas alas fechada a visitação.


Ludwig era um visionário, meio lunático, que viveu no séc. XIX (1845-1886) e tinha uma certa fixação pelo seu amigo e conselheiro, o compositor Richard Wagner (da famosa Cavalgada das Valquírias). Conhecido como der Märchenkönig (Rei dos Contos de Fadas) ou Schwankönig (Rei Cisne), durante seu reinado mandou construir outros castelos, inclusive um ao lado deste tão famoso (Schloss Hohenschwangau).

Schloss Hohenschwangau



O Schloss (Castelo) Neuschwanstein possui este nome como referência ao "cavaleiro cisne", da ópera Lohengrin, de Richard Wagner. Sua construção levou 23 anos, de 1869 a 1892, finalizada quando Ludwig já havia morrido. O desenho do castelo foi feito pelo Christian Jank, que pintava cenários para apresentações teatrais. Coube aos arquitetos da Corte dar forma ao desenho, o que fizeram com maestria. 
Para custear os 6 milhões de marcos (na época) - e que hoje equivaleriam a aproximadamente a 40 milhões de Euros - o Rei extorquiu o povo com impostos altíssimos e outras cobranças! Assim, uma obra foi imortalizada e tornou-se um ícone, a um custo altíssimo: a história se repete no curso da humanidade. 


Subida a pé (de aproximadamente uns 35 min) até Neuschwanstein



Nossa chegada ao castelo foi uma surpresa e não estava em planos (naquele dia). Nosso objetivo original era atingir a Áustria (divisa a 10 km de distância), porém quando estávamos na A7 (Autobahn), repentinamente apareceram outdoors fazendo referência ao Castelo. Mudamos nosso planejamento na mesma hora e em poucos quilômetros (7 km, para ser exato) chegamos à linda Füssen (Pés), cidade base de onde se alcança tanto o Schloss Hohenschwangau, quanto o Neuschwanstein e que também é o fim da Rota Romântica. 

Comércio local próximo dos Castelos: fachadas ricamente decoradas


Lateral do castelo. Há tapumes, pois existem obras sendo realizadas no local

Fomos direto para lá. Difícil foi encontrar vaga de estacionamento que fosse gratuito (o estacionamento custa 8 € por 6 horas). Acabamos deixando nosso Garça a uns 3 km de distância da pequena vila de onde partem os passeios de charrete que alcançam os castelos e onde há restaurantes e pontos de apoio, lojas de souvenir e Informação Turística e venda dos ingressos para os castelos para os visitantes. O ingresso para o Castelo deve ser feito com antecedência, nos locais indicados na vila, a um custo de 13 € por pessoa (se fizer pela internet, mais 2,50 € para fura fila). Não é permitido tirar fotos no interior do castelo! 




Cascatas que podem ser vistas da Marienbrucke

Lá do alto da montanha localizamos um ótimo local para acampar e onde víamos, ao longe, alguns motorhomes estacionados. Com o entardecer se aproximando, fomos para lá e pagamos 5 € por um período de 12 horas (na placa dizia não poder pernoitar, porém acompanhamos os outros que ali estavam e resolvemos ficar). 


Mesmo não tendo entrado nos Castelos, termos tido o privilégio de visitá-los e passear ao seu redor já foi muito bom! Infelizmente o clima não ajudou muito, pois estava chuvoso e nublado, mas isso também faz parte! 

Nossa próxima parada, ainda no verão, foi a Áustria! Então contineu conosco nessa volta pela Europa.
Até a próxima!