Viagem Família______________________________________

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sexta-feira, 9 de março de 2018

Destino > Laguna Del Diamante-Argentina-Cordilheira dos Andes

 
Laguna del Diamante
     Nossas viagens até agora sempre foram determinadas pelo tempo em dias que temos disponível.
Isso não é exclusividade nossa, até porque na esmagadora maioria das vezes os viajantes utilizam-se dos períodos de férias, feriados ou finais de semana para viajarem e conhecerem novos destinos.
     Desta vez ainda que não sigamos fielmente um roteiro e deslocamento fechados, temos um tempo superior aos normais 30 dias habituais de férias, e desta forma é quase certo que ultrapassaremos 40 dias na estrada para percorrer um planejamento básico pré-traçado de mais de 15.000 km.

     O roteiro macro foi definido em três pontos principais que queremos conhecer. O primeiro será a Laguna Del Diamante, localizada a pouco mais de 200 km de Mendoza, na Cordilheira Andina. Plano inicial: Passar a virada do ano novo no alto da Cordilheira às margens da Laguna.
     A data de nossa saída ficou para o dia 26 de dezembro de 2017, logo após o Natal, habitualmente comemorado junto da família. Ponto de partida: Curitiba, capital do estado do Paraná.


     Saímos pontualmente às 9h30m da casa de nossos amigos e parceiros de viagens anteriores Luiz, Eduwirges e Pedro. Temos muitos quilômetros a percorrer hoje já que pretendemos dormir bem na divisa do Rio Grande do Sul com a Argentina. Nossa meta é alcançar a cidade de São Borja-RS. distante 960 km da capital paranaense. Mas como planejamento não significa realização, acabamos somente rodando 800 km pois já são 9 da noite e um bom lugar para descansar e comer é preciso.
     Nosso plano também é de dormir apenas na nossa barraca e comer comida que nós mesmos iremos preparar. Detalhes para saber quanto custa uma viagem sem utilização de hotéis, pousadas e restaurantes. Acabamos não resistindo a oferta da simpática proprietária do restaurante anexo a um posto de combustíveis na cidade de Ijuí (BR 285), que abaixou o preço do buffet de R$ 18,00 por pessoa para R$ 10,00 com direito a dois bifes com ovo para cada um como extra! Nada mau para quem não almoçou hoje.

Jantando a vontade bem baratinho em Ijuí-RS.

Acampando em Posto de Combustíveis em Ijuí-RS
       A pergunta sempre aparece para nós que viajamos com nossa barraca. Onde vocês vão tomar banho? Temos um reservatório de água para banho e lavação em geral no carro, mas por um problema na entrega dos Correios, a bomba elétrica pressurizada para utilizar a água com chuveirinho não veio nesta viagem. Desta forma tomaremos banho em postos de combustíveis, rios, lagos, e em último caso banho de caneca mesmo! Nesse caso de hoje foi no posto de combustíveis a um preço de R$ 5,00 por 7 minutos. Dá para 2 pessoas tomarem banho nesse tempo!

Indo de Ijuí a São Borja-RS.
     Dia seguinte, café da manhã e estrada! 215 km até São Borja. trâmites aduaneiros Em Santo Tomé-Arg. de 5 minutos! Aqui cabe um aviso: Providencie na divisa  Pesos Argentinos P$ para pagar os peajes/pedágios.  Tudo certo, seguimos pela Ruta 14 e 120 até  perto de Posadas e depois pela Ruta 12 em direção a Corrientes. De Corrientes passando por Resistência agora já na RN 11 acabamos sendo parados pela Policia Caminera Argentina que pediu todo tipo de documento, até carteira de vacinação????  Na verdade queria um "regalo"/ propina que depois de quase 40 minutos desistiram porque viram que não iriam receber nada mesmo!! Por que sempre aparece um guarda "esperto" querendo suborno?

Jantar com a companhia do amigo cachorro, nos fundos do posto de pedágio.

Acampamos aqui, atrás do posto de pedágio na Ruta 11 em direção ao sul da Argentina.
      Chegamos ao final da tarde na cidade de Reconquista 230 km ao sul de Corrientes. Hoje foram 750 km mas pretendemos rodar um pouco menos para não cansar demais afinal não temos pressa em chegar! Decidimos acampar no Posto de Pedágio da RN 11 com direito a banho, água potável, energia, banheiros, tudo sem pagar nada. De quebra ainda fizemos amizade com a Agostina e o Fabian, encarregados desse pedágio, e que foram super gentis e atenciosos conosco,  vindo algumas vezes conversar sobre nossas viagens e perguntar se estava tudo bem.

Camping Municipal de Rio Cuarto-Argentina
      Café da manhã, estrada novamente. Ruta 11, 19 e 158 passando por VA. Maria e chegando ao final da tarde novamente na cidade de Rio Cuarto. 800 km hoje e achamos o Camping Municipal bem ao lado do Rio de banha a cidade e dá o nome a mesma também. Boa estrutura, e nesse camping pagamos P$ 100,00 para o carro, P$ 100,00 para a barraca e mais P$ 60,00 por pessoa! Não entendemos o por que pagar pelo carro e barraca + pessoa, já que nossa barraca + carro ocupa só um espaço! Resumindo: Custo total aproximado de R$ 60,00 (reais).
     Pela manhã um passeio a pé pelas margens do Rio Cuarto com toda infraestrutura de parque. Mais uma volta de carro pela cidade e ... estrada novamente.

Amanhecer em Rio Cuarto

Rio Cuarto

Pica-Pau Verde Barrado (Colaptes melanochloros)
     9 h da manhã e hoje dia 29 de dezembro voltamos a estrada, pela Ruta 30 até a cidade de Achiras mais ou menos 80 km ao sudoeste. Esta cidade é uma vila serrana do século XVI e colonizada por espanhóis a partir de 1830, em diversas conflitos contra os indígenas locais. Em Achiras existem diversos balneários de rio com boa estrutura muito bonitos.Neles pode-se acampar ou apenas passar o dia. Também fomos visitar o Museu da cidade e a cuidadora do Museu a Cristina foi muito atenciosa e acabamos sendo levados por ela para um tour pela cidadezinha.


Balneário Municipal

Museu de Achiras-Argentina

Peças pré-coloniais de mais de 2000 anos

Observando a arquitetura colonial da cidade

Plaza do Fortin de Achiras

Caminhando pela cidade com a Cristina

Assinando e colocando a marca do Viagem Família no livro do museu.
     Neste museu que já foi quartel, escola e casa do intendente da cidade na época colonial agora existe bastante material explicativo, inclusive peças arqueológicas pré-coloniais.
     Sempre seguindo ao sudoeste, agora pela Ruta 7 mais 300 km passamos por Mendoza e optamos para dormir em Lujan de Cuyo 21 quilômetros ao sul já na Ruta 40. Achamos o Camping dos Petroleros, que apesar de ser particular aceitava não associados. Preço P$ 240,00 pesos.(mais ou menos R$ 40,00 reais).
     Jantar preparado no capricho a luz de lanterna de LED. Banho tomado e sono!
     Uma ótima estrutura com quadras de esporte, grande área arborizada, piscina, churrasqueiras e até um quiosque/mercadinho que vendia tudo que fosse necessário. Claro que com o calor de 30°C que fazia não perdemos tempo e logo nos jogamos na ótima piscina onde ficamos até que o guarda-vidas do local avisou que iria encerrar o uso por aquele dia. Eram 20h mas ainda tinha sol! Tudo bem, aproveitamos o suficiente!
 Neste camping muitas pessoas fazem o day-use e ele estava cheio! Mas o melhor é que durante a noite apenas 3 ou 4 campistas como nós, nos permitiu um bom sono. Tinha um barulhento que foi gentilmente convidado a se retirar pelo gerente do camping, pois ficou com música alta até a meia-noite!
   
Aproveitando a "pilleta"

Jantar romântico
      Hoje dia 30 é nosso desejo chegar a Laguna del Diamante. São mais ou menos 210 km até o posto de controle dos Guarda-Parque da Reserva Provincial Laguna del Diamante onde se faz o registro de ingresso e paga-se uma taxa de P$ 230,00 (pesos) por pessoa. Neste local fomos avisados que a subida inicial de 15 a 20 km é bem ruim, seguida de mais subida de 25 km menos ruim. Total, 45 km de rípio, pedras, valetas, pó mas muitas belas paisagens dos Andes a nossa volta. Levamos 4 horas para chegar a Laguna e apesar da péssima estrada valeu cada minuto. Temperatura média de 15°C com muito sol e muitas fotos pelo caminho. Paramos algumas vezes para resfriar o motor do nosso Garça para não forçar a subida!

Achamos muitas cebolas jogadas na beira da estrada.

A caminho da Laguna del Diamante

Posto de controle Guarda-Parque
Subindo os Andes



Muita subida ...

Lindas paisagens.

Os primeiros guanacos

Abrigo de montanha no meio do caminho

Vejam o traçado da estrada subindo a cordilheira

Avistamos o Vulcão Maipo, que faz divisa com o Chile

Chegamos!!! Nosso primeiro objetivo desta viagem!

A Laguna del Diamante com o Volcán Maipo ao fundo! LINDOS
     Então depois de 5 dias na estrada e 3.000 km rodados vimos pela primeira vez a lindíssima Laguna del Diamante.  Circulamos pela sua margem até o outro lado onde decidimos acampar selvagem. Havia mais dois ou três carros ali, pertencentes a um grupo de pescadores de trutas, com quem nós logo fizemos amizade!

Fazendo amigos e ganhamos umas trutas. Obrigado Sérgio, Ariel e Marcelo!

Jantar a beira da Laguna Diamante
     São 16 h e é hora de preparar nosso almojantar. Hoje foi macarrão com linguiça, molho e ervilhas. A temperatura está em torno de 10°C mas pouco vento, e isso nos motivou a passear para aproveitar o tempo bom e o sol ainda alto. A visão da Laguna do alto de um pequeno morro que subimos é fantástica, ainda mais com o pôr-do-sol e as montanhas ao fundo! Realmente foi uma ótima decisão vir conhecer esse pedacinho de paraíso no alto dos Andes.

Observando a Laguna ao pôr-do-sol

Acampando a 3.500 msnm . Só nós e a natureza na sua plenitude.

   

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Viajando e Acampando - Outra forma de turismo

   
Nosso Ninho (www.bluecamping.com.br)
      Poucas pessoas não gostam de viajar. Poucas pessoas tem o desprendimento e vontade de utilizar barracas como meio de pouso e descanso.
      Um pouco dessa falta de motivação é o receio de abrir mão do conforto proporcionado por hotéis, pousadas, hostels ou similares. Obvio que uma barraca não tem banheiro nem muito espaço par ficar em pé ou outros confortos proporcionados por um quarto de hotel com frigobar e ar condicionado. Em contrapartida quando você tem uma barraca você pode dormir com conforto em locais distantes desprovidos de infraestrutura hoteleira, locais estes em geral muito bonitos e desconhecidos da grande maioria do público turista normal. Isso mesmo, o usuário de barraca não é um turista normal, palavras que já ouvimos de muitos conhecidos que relatam apenas as más experiências vividas com barracas.


   
       Barracas existem de todos os tipos, desde pequenas em formatos de tenda ou iglu até grandes como bangalôs com grandes telhados e avancês. Claro que uma barraca grande dá mais trabalho para montar do que uma pequena e o peso também é proporcional ao tamanho desejado. Mas existem hoje grandes evoluções para o campista como barracas com estruturas infláveis. Outras com hastes ou varetas de fibra de vidro são extremamente leves e práticas, ocupando pouco espaço em uma mochila ou no carro. Nós optamos por utilizar a opção de barraca de teto ou barraca automotiva.
       Atualmente no Brasil existem três fabricantes/distribuidores de barracas automotivas segundo pesquisamos. São eles: Blue Camping (www.bluecamping.com.br)  Sumatra (www.sumatra4x4.com.br) e Camping's World (www.campingsworld.com.br).  Todas elas tem semelhanças nos projetos ficando as diferenças ao gosto do interessado. Algumas diferenças estruturais e construtivas como o tipo do piso, tamanho de janelas, escadas, colchões, telas mosquiteiras, dimensões e materiais utilizados na sua confecção devem ser levados em conta por quem deseja adquirir este tipo de acomodação. Claro que o preço variedades de fixação em diversos modelos de carros, peso e outras facilidades oferecidas pelos fabricantes também não podem ser desprezados.
Opção de dormir na barraca ou dentro do carro.
        Barracas de teto tem inúmeras vantagens sobre as tradicionais barracas que são armadas diretamente no chão. Também tem algumas desvantagens operacionais como o fato de apenas poderem ser usadas sobre o carro, não podendo haver a possibilidade de transportá-la para o alto de uma montanha ou um local qualquer onde o carro não chegue. Também o preço é mais elevado em relação a uma barraca tradicional, motivado pela construção estrutural, resistência, materiais empregados na sua confecção, tecnologia e claro pela menor oferta apresentada.  As vantagem são também maiores pois oferece qualidade superior, praticidade e rapidez na montagem. O conforto proporcionado por colchões de alta qualidade que acompanham barracas de teto também é fundamental. A resistência superior às intempéries como ventos forte, neve, chuvas intensas também são vantagens que barracas de teto ou automotivas apresentam pela alta resistência e qualidade dos materiais apresentados na sua construção. Grande vantagem é a limpeza no interior da barraca e também a segurança motivadas pelo também fato da montagem dessas barracas acontecer no alto, afastado do solo, longe de terra, areia, folhas, animais e mesmo água de possíveis chuvas e evitando pisadas e atropelamentos possíveis em barracas no solo.
Camping bem arborizado em Peruíbe-SP.
        A grande questão de porque utilizar uma barraca como acomodação merece um detalhamento maior. O primeiro é para onde se vai viajar e qual o objetivo ou meta desta viagem. No caso de viagens urbanas a utilização de barracas sejam elas quais forem é uma opção muitas vezes arriscada. O principal problema encontrado nas nossas viagens com barracas passando por cidades é a falta de locais para o pernoite. A grande maioria das cidades ou não possuem locais adequados como campings ou então quando estes existem, tem estruturas precárias ou mesmo inexistentes. Outro motivo é quando existe um camping em cidade, na maioria das vezes ele fica mal localizado, longe de atrações turísticas ou infraestrutura de alimentação e outras. Os preços praticados em campings localizados em cidades também turísticas são altos e fora da realidade a que se propõe um campista, desestimulando essa prática tão saudável e interativa.
Banheiros básicos em camping em Guarujá


Banheiro razoavelmente estruturado
        Lamentavelmente existe certo preconceito contra campistas em geral, fato motivado muitas vezes pelos próprios campistas. Já vimos campistas que deixam sujeira ao redor da barraca e pelo camping.  Outros fazem algazarra ouvindo música a volumes altos, produzem gritaria desrespeitando as normas dos campings. Restos de comida e lixo deixados em pias e tanques provenientes de lavagem de louças das refeições também é comum de ser encontrados em campings principalmente em períodos de temporada ou grande afluxo de campistas.
         Deixar banheiros sujos e alagados desrespeitando outros usuários também são maus hábitos comuns de serem observados nos poucos campings encontrados. O campismo e o caravanismo, quando se utilizam traillers ou Motor Homes são hábitos bastante comuns em países da Europa, Oceania e Américas em geral. No Brasil as poucas opções de pouso aliado às más condições dos pousos existentes, a sensação de insegurança, o preconceito mas principalmente os altos custos que envolvem a atividade desestimulam essa prática. Já passamos por casos onde o camping cobrava mais por pessoa do que um hotel razoável a poucas centenas de metros de distância.
Camping em Ubatuba-SP.

Camping básico sem muita infraestrutura
        As cidades litorâneas e turísticas pouco investem nesse tipo de opção de acomodação mais barata e mais interativa, indo na contramão do resto do mundo. Chega-se a conclusão de que no Brasil esse nicho turístico não é valorizado por diversas motivações exatamente ao contrário de países vizinhos como a Argentina e Chile onde são encontrados locais de pouso a beira das estradas onde podem ser encontrados banheiros, água, mesas e até churrasqueiras para o uso dos viajantes.
        Em recentes viagens utilizando a nossa barraca de teto automotiva acabamos acampando em postos de combustível, parques estaduais e nacionais, postos da Polícia Rodoviária e claro em quintais de casas de pessoas que conhecemos e estacionamentos de pousadas. Acampamentos ditos selvagens acabam por ser a melhor opção quando se tem lugares ermos mas contemplados de bela paisagem, natureza e cursos d'água a disposição. As opções muitas vezes tem que ser obtidas com muita conversa e simpatia de forma a motivar a receptividade turística. Em geral em cidades pequenas e no interior do país é mais fácil em contrapartida de cidades densamente urbanizadas como Praia Grande-SP onde fomos informados por um proprietário de pousada da proibição de uso de barracas no município por causa de uma possível legislação municipal existente. Em outras nem campings existem.
Acampando em estacionamento de pousada em São Bento do Sapucaí
           O campismo e caravanismo não são apenas opções de baixo custo para viajar e fazer turismo. O campismo é um estilo de vida que assume uma forma mais natural, sustentável e interativa de conhecer novos lugares e pessoas. O campismo não é obrigação de abrir mão do conforto mas sim uma outra opção com conforto e praticidade. Experiências e conhecimentos que fizemos utilizando nossa barraca são insubstituíveis e impossíveis de serem adquiridos se tivéssemos nos hospedado em algum hotel. Algumas amizades decorrentes dessas viagens e vivências ficaram para sempre.
        O Brasil já teve mais e melhores opções de campings e acampamentos mas precisamos evoluir muito para descobrir que este nicho turístico é rentável, eco sustentável e altamente democrático e divertido. Cabe a nós amantes da liberdade e natureza incentivarmos cada vez mais bons hábitos de forma a estimular que mais opções venham a ser criadas no nosso país na área do campismo. Quem sabe em alguns anos possamos vir a ser referência e destino de milhares de turistas internacionais que por aqui passam a caminho de outros destinos.
     
Nós com nosso "Ninho" e o Garça (Kia) em Posto de combustível na divisa de Minas Gerais com a Bahia